Capítulo 794: Capítulo 794 Ansiedade (23)

Enquanto Re Men esperava Joel sair da cozinha, Bai Ling já tinha devorado três shengjian. O chá de crisântemo havia sido preparado antes, servido diretamente da garrafa térmica.

"Vai devagar, com calma, não se engasgue. Tem bastante variedade", disse Joel, colocando o chá na frente de Bai Ling com um sorriso. Ver Bai Ling comer era uma felicidade. Ele tirou calmamente alguns outros petiscos deliciosos do saco ao lado, todos os favoritos de Bai Ling, fazendo com que os olhos grandes dela se estreitassem em duas luas crescentes, e suas covinhas profundas ficassem ainda mais encantadoras.

"Obrigada!" disse Bai Ling, docemente, vindo do fundo do coração.

Joel pensou agora: cada vez que via o sorriso desprevenido e doce de Bai Ling, parecia estar relacionado a comida. Com isso em mente, Joel entendeu: prestar atenção em comidas deliciosas do mundo todo para arrancar um sorriso da bela não era algo tão difícil.

"Você não come?" perguntou Bai Ling, olhando para as coisas à sua frente, com a boca cheia de óleo. Só depois de estar meio satisfeita é que lembrou de convidar Joel para comer.

Joel imitou Bai Ling, lavou as mãos e comeu com as mãos. Pegou um xiaolongbao de sopa, um de cada vez, muito gostoso. Vendo Bai Ling comer com tanto prazer, Joel acelerou o ritmo. Realmente era diferente. Joel achou que era efeito psicológico; embora já tivesse comido aquelas coisas antes, sentiu que desta vez estavam ainda mais saborosas.

Vendo a comida na mesa diminuir, Bai Ling fez bico e disse: "Deixa um pouco para mim!"

Joel, por hábito, beliscou o rosto de Bai Ling, deixando duas marcas de dedos oleosos. Bai Ling gritou: "Seu malvado, não só compete comigo pela comida, mas ainda me enche a cara de óleo!" Dito isso, largou o que tinha na mão e correu para o banheiro, sem esquecer de avisar: "Espere eu voltar para comer de novo." Bai Ling protegia a comida a esse ponto, algo raro de se ver.

Joel realmente obedeceu e não comeu, esperando por Bai Ling, tomando chá de crisântemo, relaxado e elegante, como um cavalheiro. O jeito de comer com as mãos parecia nunca ter acontecido com ele.

Quando saiu, Bai Ling deu um arroto e disse: "Na verdade, você pode comer um pouco mais. Já estou quase satisfeita, senão vou ficar muito cheia e não consigo dormir à noite."

Joel, que não tinha muito apetite, já tinha comido o suficiente depois de disputar com Bai Ling. Comeu mais dois cristal shao mai e deu por encerrado o jantar.

"Você não vai voltar para casa hoje à noite?" perguntou Bai Ling, curiosa. Depois de comer, os dois sentaram no sofá, de costas um para o outro, lendo coisas. Bai Ling lia livros de medicina, e Joel, documentos da empresa. Os documentos de Joel eram confidenciais, mas ele não os escondia de Bai Ling, pois confiava que ela não vazaria informações; a índole de Bai Ling não permitiria tal coisa.

"Você está me convidando a ficar?" Joel virou a cabeça, interessado, com um sorriso malicioso no canto da boca.

Bai Ling antes achava Joel uma pessoa antiquada e teimosa, mas agora essa opinião tinha ido para o lixo. Bai Ling percebeu claramente que todo homem tem potencial para ser um "bad boy"; só não se manifestava antes porque a hora não era certa.

"Querido, eu só tenho dezesseis anos. Ser sua namorada agora já é namoro precoce. Você espera que a gente dê o próximo passo agora?" Bai Ling franziu o rosto, ligeiramente contraído. Será que Joel não só tinha potencial para ser um "bad boy", mas também agia como um animal disfarçado?

"Na verdade, dezesseis anos não é tão pequeno. Sei que no seu país, a China, antigamente, meninas de quinze anos já podiam se casar e ter filhos", disse Joel, todo sério, exibindo o que tinha aprendido sobre a história chinesa.

"Isso era antigamente. Se você tentar algo à força agora, primeiro, é ilegal. Segundo, se eu resistir, acho que você não vai se dar bem; talvez você nem consiga me vencer", disse Bai Ling, com um sorriso ambíguo, olhando para a grande faca na borda da mesa, que brilhava com uma luz fria sob o abajur.

Joel seguiu o olhar de Bai Ling e viu a faca. Arrepiou-se. Percebeu que ter uma namorada forte não era tão bom assim; no máximo, era "bom", mas não podia fazer o que quisesse.

Como Bai Ling tinha dormido muito à tarde, não estava com sono. Depois de ler um pouco, foi ao laboratório coletar dados novamente. Quando voltou, viu, sob a luz fraca, um belo homem dormindo no sofá. Papéis estavam espalhados, alguns no sofá, outros no chão. Bai Ling, com cuidado, pegou os papéis do chão e os colocou na mesinha ao lado. Depois foi ao quarto pegar um cobertor para cobrir Joel. A luz principal estava apagada, só o abajur ao lado do sofá aceso. A luz do abajur noturno emitia um brilho suave e ambíguo. O cabelo loiro e macio de Joel, um pouco desalinhado por causa da posição de dormir, ainda assim não perdia a beleza. Os traços profundos do rosto eram ainda mais tridimensionais. Os cílios longos formavam um leque perfeito.

Seguindo os lábios rosados de Joel, o queixo sexy, o pescoço esguio e as clavículas incrivelmente sensuais, Bai Ling engoliu saliva involuntariamente, umedeceu os lábios secos e travou uma batalha interna na mente: "Só um beijo. Já estou vazia há tantos anos, já aguentei muito. Vou sentir aquela sensação de novo. Um beijo roubado não é nada." Outra voz gritava: "Não pode ser tão leviana. Embora tenha coração de trintona, agora tenho corpo de adolescente. Não posso cair na tentação assim, senão Joel vai pensar que sou uma pessoa fácil."

Bai Ling se levantou, respirou fundo algumas vezes. Não percebeu que Joel, que parecia estar em sono profundo, já tinha aberto os olhos, olhando com um leve sorriso para Bai Ling, que estava em pânico. Então, Bai Ling não era indiferente a ele.

Quando voltou a olhar para Joel, já tinham se passado mais de dez minutos. Bai Ling finalmente tomou uma decisão: só um beijo, para sentir como eram aqueles lábios rosados. Depois de beijar, iria embora imediatamente, sem acordar Joel.

Bai Ling foi na ponta dos pés até Joel, aproximou-se suavemente do rosto bonito dele e deu um beijo leve em seus lábios. De repente, arregalou os olhos. O que foi aquela coisa macia e lisa que lambeu seus lábios? Seria a língua de Joel? Será que Joel tinha acordado? Bai Ling se afastou rapidamente, mas viu que Joel não dava sinais de ter acordado. Saboreando a sensação de arrepio, sentiu o nariz quente. Nossa, estava sangrando. "Ai, ai", correu para o banheiro, inclinou a cabeça para trás e bateu água fria na testa.

Vendo Bai Ling fugir para o banheiro, Joel quase quis rir alto, mas lembrou do temperamento explosivo de Bai Ling, segurou o riso, com medo de que ela, furiosa e envergonhada, o expulsasse.

Quinze minutos depois, Bai Ling saiu do banheiro. Tinha perdido muito sangue pelo nariz, estava tonta e meio exausta. "Homem bonito é pior que tigre!" Bai Ling correu para o quarto para dormir. Ficou muito tempo na cama, virando de um lado para o outro, sem conseguir dormir. O homem bonito estava lá fora. Se antes não tivesse rompido aquela barreira com Joel, Bai Ling poderia fingir demência e ignorar. Mas, uma vez rompida a barreira, ela não conseguia mais ser tão natural como antes. Meio sonolenta, Bai Ling adormeceu. No dia seguinte, acordou com o despertador. Era hora de ir ao laboratório.

Ao passar pelo sofá da sala, não viu Joel. Achou que ele já tivesse ido embora. Meio sonolenta, abriu a porta do banheiro. "Ah!" gritou Bai Ling. "Você ainda está aqui?"

Joel, com o queixo cheio de espuma, estava fazendo a barba. Bai Ling agradeceu por ter entrado de olhos semiabertos, e não de olhos fechados, sentando direto no vaso. Isso teria sido um vexame enorme.

Bai Ling segurou a barriga e disse alto: "Sai daqui. Estou com dor de barriga!"

Joel, todo satisfeito, saiu fazendo a barba. Bai Ling finalmente sentou no vaso, mas, ao pensar que lá fora estava um homem com quem ela tinha acabado de começar um relacionamento, ficou tão nervosa que suou frio e não conseguiu começar a "desintoxicação" do dia. Sem paciência, gritou: "Vai para longe!"

"Ha ha ha!" Joel não aguentou e riu alto lá fora.

Bai Ling, usando o som da descarga para disfarçar, resolveu tudo rapidamente, completou a "desintoxicação", lavou-se e, ao sair, viu Joel na pia da cozinha, limpando a espuma do rosto. Ele também tinha esquentado os petiscos que sobraram do dia anterior e, imitando Bai Ling, feito um pouco de mingau. Disse: "Come antes de ir para o laboratório."

"Não dá tempo. Vou primeiro para o laboratório", disse Bai Ling, pegando um shao mai, colocando na boca e saindo às pressas.

Joel teve que esperar por Bai Ling. Enquanto isso, arrumava os papéis que ela tinha deixado, olhando de vez em quando para o relógio na parede. O tempo passava devagar.

Quando Bai Ling voltou, duas horas depois, perguntou: "Você ainda não foi embora?"

"Esperando você. Vamos tomar café da manhã juntos antes de ir", disse Joel, sorrindo. Estava de bom humor desde cedo.

Como um dono de casa, Joel colocou o café da manhã na mesa, serviu o mingau e os acompanhamentos para Bai Ling. Comportou-se muito bem. Bai Ling ficou satisfeita.

Mal tinham terminado o café da manhã, o telefone tocou. Era Bai Han: "Xiao Ling, vieram de B City os amigos Zhu Mengxi, Li Baojian e Tingting. Disseram que têm algo para tratar com você. Se puder, volte para casa rápido."

Bai Ling ficou contente. Antes, estava discutindo com Joel a possibilidade de invadir o mercado de entretenimento do continente. Agora, Zhu Mengxi vinha até ela. De certa forma, Bai Ling estava em posição de vantagem. Isso era bom para a negociação, dando-lhe mais trunfos.

"Tá bom, mãe. Já estou indo. Mãe, manda eles irem direto para a Ling Hui Media. Vou para lá, é mais rápido. Afinal, eles não vieram para visitar a família席, mas para cooperar com a Ling Hui Media", sugeriu Bai Ling. Afinal, casa não era lugar para negócios. Aproveitaria a oportunidade para mostrar a força da Ling Hui Media.

Bai Han sabia que Bai Ling sempre agia com juízo. Já que ela dizia isso, devia ter seus planos. Então, concordou: "Tá bom, vou falar com eles."

Bai Ling foi ao quarto, trocou de roupa: uma blusa fina de malha sem mangas, uma calça cargo desbotada até os joelhos, prendeu o cabelo num coque simples com um elástico, calçou tênis, pegou uma mochila e disse: "Vou para a Ling Hui Media. Você vai ficar aqui?"

"Também tenho que ir para a empresa. Vamos juntos", disse Joel, já arrumado, fechando o botão de gema na manga esquerda com a mão direita. Quando foi fechar o da direita com a esquerda, ficou um pouco desajeitado. Por esse jeito, dava para ver que antes alguém fechava os botões para ele.

Bai Ling se aproximou, pegou o braço de Joel e fechou o botão, provocando: "Antes era a sua empregada bonitinha que fechava os botões para você, né?"

"Hum hum!" Joel riu baixinho. "Está com ciúmes?"

"Ciúmes do seu nariz!" Bai Ling deu um tapinha no braço de Joel. "Vamos, estamos com pressa!"

Xia Fan já tinha estacionado o carro na porta. Bai Ling e Joel entraram e partiram. Ao chegar na Ling Hui Media, Bai Ling disse: "Por favor, irmão Xia Fan, leve Joel até a empresa dele." Acenou para Joel e ia descer, mas alguém foi mais rápido: Joel deu um beijo na testa dela.

Havia muitas pessoas do lado de fora, e a porta do carro estava aberta. Fazer muito escândalo seria ruim. Bai Ling olhou feio para Joel e desceu rapidamente.

Antes, no laboratório, Bai Ling tinha ligado para a irmã Wu, pedindo para ela receber os três amigos do continente. Seguindo a dica de um funcionário, Bai Ling foi direto para o estúdio de gravação.

"Desculpa, me atrasei. Muito obrigada", disse Bai Ling ao entrar, vendo Zhu Mengxi, Li Baojian e Zhou Tingting olhando com interesse para o que acontecia no estúdio.

"Se não fosse por ver tantos equipamentos e artistas, eu realmente ia achar que você estava nos evitando, sem querer cooperar", disse Zhu Mengxi, sorrindo, como se tivesse uma relação muito próxima com Bai Ling.

Os olhos de Li Baojian estavam fixos em Xie Qianwen, que gravava lá dentro. Ele disse baixinho para Bai Ling: "Xiao Ling, somos conterrâneos. Guarda um pouco dessa mercadoria boa para mim." Depois, seus olhos percorriam as outras garotas do grupo adolescente no estúdio.

Bai Ling ficou muito irritada com isso, e sua expressão facial também mostrou desagrado. Ela disse, séria: "Li Baojian, você é alguns anos mais velho que eu, e eu te respeito como irmão. Mas seu comportamento agora me dá nojo. Esta é minha empresa. Talvez você não saiba o quanto eu protejo meus artistas. Se você continuar falando assim, não precisamos mais cooperar."

Li Baojian ficou muito constrangido com as palavras de Bai Ling, mas ela não desviou o olhar, encarando-o diretamente. Por um instante, o estúdio ficou em silêncio. A irmã Wu conhecia o temperamento de Bai Ling, então não interferiu, confiando que ela resolveria.

Zhou Tingting nunca tinha visto Bai Ling assim. Queria apaziguar, mas sua amizade com Bai Ling era recente e frágil, não valia a pena arriscar. Então, olhou para outro lado e não se meteu.

Zhu Mengxi olhou feio para Li Baojian. Aquele cara não perdia o vício, e ainda provocava na frente dela. Não admira que Bai Ling estivesse brava. Mas Zhu Mengxi ainda subestimou o quanto Bai Ling protegia seus artistas.

"Li Baojian, brincadeira tem limite. Viemos visitar e, de quebra, negociar. Se está no cio, à noite tem lugar para você. Agora, fica quieto", disse Zhu Mengxi, dando um tapinha no ombro de Li Baojian, sorrindo. Num canto que Bai Ling não via, piscou para ele.