“Cof, cof” — Joel tossiu duas vezes e, num canto onde Bai Ling não podia ver, lançou um olhar para Ben, indicando que ele não olhasse em volta. Ben, assustado com o olhar frio de Joel, encolheu a cabeça e continuou a comer, sem ousar levantar os olhos para ninguém. Bai Ling, concentrada, apontava para os pastéis de cristal à sua frente e comia com prazer. Joel, vendo a expressão despreocupada e gulosa de Bai Ling, não pôde deixar de sorrir. Depois que Bai Ling terminou de comer, ainda no horário de pico do café da manhã, ela pagou à dona da barraca e saiu com Joel e Ben. — Como foi o café da manhã? Gostoso? — perguntou Bai Ling enquanto caminhava, tirando chicletes da mochila e entregando um a Joel e outro a Ben. — Muito bom, delicioso! — Joel não era a primeira vez que comia café da manhã chinês, mas este foi o mais autêntico. Bai Ling sorriu e disse: — Já que estamos cheios, vamos até a casa do meu mestre. Agora são 7h10, andando leva uns quarenta minutos. A rua de antiguidades lá já abriu, vou te mostrar um pouco! — Quarenta minutos? Não vamos pegar um carro? — perguntou Ben. Para seu mestre, cada minuto, até cada segundo, era aproveitado ao máximo. Perder quarenta minutos assim parecia um desperdício. Ben achava que o mestre mudaria de ideia e pegaria um carro, mas, surpreendentemente, Joel disse o contrário. — Tudo bem! Ir a pé ajuda na digestão! — disse Joel suavemente, olhando para Bai Ling ao lado. Com um olhar sutil de Joel, Ben foi se afastando gradualmente, ficando dois passos atrás de Bai Ling e Joel, só então conseguindo respirar aliviado da poderosa aura ameaçadora de Joel. Ao chegar à rua de antiguidades, muitas lojas ainda não tinham aberto, mas alguns vendedores ambulantes já estavam lá, montados nas laterais da rua. Como era muito cedo, não havia muita gente. Joel olhou curioso para objetos enferrujados dos dois lados e perguntou, apontando: — O que é aquilo? — Aquilo são bronzes, mas quase todos são imitações, não são verdadeiros, não têm valor de coleção — explicou Bai Ling. — Mas se você quiser comprar um souvenir, pode comprar para brincar. Joel não compraria essas coisas; não tinham sentido. Se fosse para comprar, compraria o melhor. Chegando a uma barraca de jade, Bai Ling ia apresentar a Joel uma peça com boa escultura quando ouviu uma voz familiar atrás. “Meu Deus, que azar! Até aqui me escondendo, ainda sou pega por Zhou Tingting.” Bai Ling não entendia: não tinha contado a ninguém que voltaria para cá. Por que Zhou Tingting sabia? — Bai Ling, finalmente encontrei vocês! — disse Zhou Tingting ofegante, como se tivesse corrido até lá. Bai Ling deu um sorriso amarelo e perguntou curiosa: — Que coincidência! Você também está aqui? Vai comprar antiguidades? Zhou Tingting já imaginava que Bai Ling queria evitá-la, então escondeu suas verdadeiras emoções e disse, sorrindo: — Adivinhei que você viria para cá! — com um olhar de “eu sei de tudo”: Não precisa mais se esconder de mim, o importante é me apresentar o gato. — Ah, você conseguiu adivinhar isso? Que incrível! — Bai Ling, vendo a falsidade de Zhou Tingting, que só queria irritá-la, seguiu o jogo. Quem não sabe falar coisas vazias? É só questão de querer ou não. Zhou Tingting respondeu orgulhosa: — Em B市, além de mim e Zhao Lingyun, você não tem outros amigos nem parentes. Se não está em casa, o único lugar que pode ir é visitar seu mestre. Bai Ling percebeu que Zhou Tingting estava certa e sorriu educadamente: — Ah, entendi. Então, o que você quer comigo? Zhou Tingting pegou a mão de Bai Ling e disse: — Xiao Ling, sou sua amiga. Deixa eu te levar para passear por B市. Sabe, B市 mudou muito rápido, muitos lugares se transformaram. Sem um guia, você pode se perder! — Obrigada pela gentileza. Desde pequena, a professora nos ensinou a procurar os tios policiais quando houver problemas. Não se preocupe, não vou me perder! — recusou Bai Ling de forma ambígua. Zhou Tingting agiu como se não tivesse ouvido e disse: — O mestre deve estar chegando, não é? Vamos até lá? Aliás, também aprendi algumas coisas com ele. Somos irmãs de aprendizado! Vamos vê-lo juntas! Bai Ling ficou sem palavras. Seu mestre só tinha uma aluna mulher: ela. De onde vinham essas irmãs de aprendizado? Desconcertada, disse: — Meu mestre só tem uma aluna mulher: eu! — Não queria mais aturar Zhou Tingting. Essa pessoa era muito irritante, sempre se intrometendo em tudo, com uma cara de pau enorme. — Mas eu também aprendi alguns dias com ele. Mesmo sem ser oficialmente discípula, ainda há o vínculo — insistiu Zhou Tingting, grudando como um chiclete, sem largar. Bai Ling ficava irritada só de olhar, especialmente ao ver Joel ao lado, com uma expressão tranquila e indiferente. A raiva subiu: tudo culpa daquele pavão do Joel. Ela lançou um olhar para Joel, decidida a não deixá-lo tão sossegado, já que o alvo final de Zhou Tingting era ele. — Zhou Tingting, seu inglês é tão bom. Vai estudar no exterior? — Bai Ling tentou desviar o foco, não queria deixar Joel tão à vontade. Podia ser mesquinha ou preguiçosa, mas não queria se enroscar com Zhou Tingting. Não podia ser dura, por causa das relações entre as famílias. — Sim, minha tia já conseguiu uma vaga para mim numa escola nos EUA. Vou assim que terminar o ensino médio. E você, para onde vai estudar? Que tal ir para os EUA também? — Zhou Tingting, vendo que Bai Ling não estava tão fria como antes, também se animou, pensando: “Quando eu conquistar esse loiro, quem vai ligar para você!” Bai Ling fez uma expressão de quem se lembrou de algo e disse: — Ah, entendi. Parabéns! Mas eu não quero ir. Prefiro estudar em Hong Kong, onde há algumas universidades muito boas. Mas antes de ir para os EUA, você deveria praticar mais o inglês. Se tiver tempo, peça ajuda ao Joel. Ele fala um inglês americano autêntico! Ao ouvir isso, Zhou Tingting lembrou que ontem Joel tinha dito que não sabia inglês. Devia estar enganando. — Foi você quem disse! Você disse para eu praticar conversação com o Joel! — Zhou Tingting aproveitou a deixa de Bai Ling e subiu no mastro com toda a naturalidade. Bai Ling sorriu, sem dizer nada, e seguiu em frente para encontrar o mestre. — Joel, a Bai Ling disse que seu inglês é muito bom. Vamos conversar um pouco? Para praticar conversação, que tal? — Zhou Tingting, em vez de seguir Bai Ling, virou-se para Joel ao lado. Assim que ouviu Zhou Tingting, Joel entendeu o significado do olhar profundo que Bai Ling lhe lançara antes. Ela queria passar Zhou Tingting para ele resolver. Joel olhou para Bai Ling à frente, resignado, e disse em inglês padrão: — Desculpe, Srta. Zhou. Ontem, menti ao dizer que não sabia inglês. Peço desculpas. Mas o principal motivo foi que seu entusiasmo era demais para mim. Além disso, já tenho alguém de quem gosto. No momento certo, vamos nos casar. Então, espero que a Srta. Zhou não entenda mal, para evitar constrangimentos futuros para ambos. Essas palavras de Joel, cheias de indiretas, deixaram Zhou Tingting com os olhos vermelhos de raiva. Ela disse, furiosa: — Quem gosta de você? Está se achando! — E, dizendo isso, saiu correndo com as mãos nos olhos. Afinal, Zhou Tingting era uma garota de 17 ou 18 anos. Diante de Bai Ling, ainda conseguia ser mais cara de pau, achando que a conhecia bem e que ela não diria coisas muito ofensivas. Mas, depois da rejeição direta de Joel, sua autoestima, sempre forte, não aguentou. Antes, Zhou Tingting estava focada nos estudos e na rivalidade com Bai Ling. Naquela idade de primavera e outono, tinha sentimentos confusos. Na verdade, não gostava tanto de Joel, era só uma atração. Por outro lado, como Joel e Bai Ling eram próximos e pareciam ter algo, Zhou Tingting queria conquistá-lo para humilhar Bai Ling. Vendo Zhou Tingting fugir, Joel alcançou Bai Ling. Na esquina, Zhou Tingting olhou para Joel correndo em direção a Bai Ling, com ódio nos olhos: “Espera só. Vou ser melhor que a Bai Ling!” — Xiao Ling, você foi longe demais ao me jogar para os outros! — reclamou Joel ao alcançá-la. — Errado. Não foi me jogar para os outros, porque eu não sou sua dona. Além disso, o alvo final da Zhou Tingting é você. Só dei um toque para ela não dar voltas e ir direto ao ponto. Não foi bom? Você resolveu o problema, e eu fiquei tranquila. Se for para pedir desculpas, é você quem deve me pedir, não o contrário! — Bai Ling revirou os olhos para Joel, sem se render. — Eu ajudei a afastá-la. Provavelmente não vai mais ficar rodeando a gente. Não foi bom? Por que ainda tenho que me desculpar? — perguntou Joel, confuso. Bai Ling balançou a cabeça: — Você acha que a Zhou Tingting vai desistir assim? Ela vai transferir toda a frieza que recebeu de você para mim, ou até dobrar. Mais cedo ou mais tarde, vai me causar problemas. Se não acredita, espera para ver. Ao ouvir isso, Joel ficou preocupado: — Isso vai te prejudicar? Bai Ling balançou a cabeça: — Por enquanto, não. Mesmo que ela queira, não tem força para isso. Então, não se preocupe por agora. Mas você me arrumou uma bomba-relógio. Não acha que deveria se desculpar comigo? Joel sabia que Bai Ling estava brincando, mas ainda assim disse respeitosamente: — Desculpe por te causar problemas! — Assim está melhor. Daqui para frente, comporte-se e não me arrume mais encrencas, especialmente essas dívidas amorosas. Se der errado, pode até matar alguém! — disse Bai Ling, franzindo o nariz com seriedade. Pelo que viu com Tânia e Wu Meifen, mulheres enlouquecidas são mais perigosas que homens. Ben, parado ao lado, observava o mestre, que normalmente impunha sua autoridade, ser desarmado por Bai Ling sem chance de revidar. Isso era raro. Pensando bem, parecia que só acontecia com Bai Ling. Com isso, Ben olhou mais para aquela Bai Ling magricela. Só podia ser que o mestre tivesse sentimentos por ela; senão, como toleraria tanta coisa? Até a Srta.佩蒂 nunca ousava contradizer o mestre. Joel, na frente, não fazia ideia do que Ben pensava. Com Bai Ling, ele já tinha chegado a um nível de concessão sem precedentes, sem qualquer capacidade de ataque. Vendo Bai Ling à frente, vestida como uma bola de algodão, Ben não pôde deixar de rir. Talvez só uma garota assim fizesse o mestre perder o controle e se afundar de vez. Chegando à loja de jade da família Li, o mestre já estava sentado no salão principal desde cedo, limpando suas ferramentas. Era um hábito de décadas: limpar as ferramentas antes de começar o trabalho e, ao final do expediente, limpá-las novamente e passar óleo para conservação. — Mestre, a Xiao Ling voltou! — disse Bai Ling, aproximando-se rapidamente do mestre, puxando-o com bajulação e começando a massagear seus ombros. O mestre apenas olhou para Bai Ling, sem dizer nada, mas um brilho nos olhos passou por ela e alcançou as pessoas atrás. Pegou um pedaço de jade e disse: — Esculpa de acordo com o desenho e as medidas no papel. Se a habilidade tiver caído, não almoce hoje! O mestre falou sem expressão, fazendo Joel e Ben atrás ficarem tensos. Essa pessoa era muito arrogante! Embora não soubessem o que ele disse, sua expressão impassível, junto com o tapa-olho, dava uma sensação de distanciamento e mistério. Vendo Bai Ling abrir rapidamente a mochila, pegar suas ferramentas e limpá-las com agilidade, sentar-se no banquinho ao lado do mestre e começar a esculpir o jade com total concentração, sem se abalar com a frieza do mestre, Joel e Ben ficaram boquiabertos com essa determinação. Isso durou quase duas horas. Bai Ling manteve quase a mesma postura. Finalmente, esculpiu o pingente de jade conforme as exigências do mestre, poliu-o e deixou a superfície lisa e brilhante. — Mestre, como ficou? — perguntou Bai Ling, aproximando-se com um sorriso puxa-saco. Se fosse outra pessoa fazendo isso, Joel acharia nojento. Mas no rosto de Bai Ling, com as covinhas, era estranhamente bonito e harmonioso. Ao ver o pingente ganhar vida nas mãos de Bai Ling, a expressão do mestre se suavizou, as linhas do rosto ficaram mais amenas. Ele assentiu e disse: — Nada mal, melhorou. Se tivesse piorado, cuidado com o castigo! Bai Ling revirou os olhos mentalmente: “Mestre ainda é o mesmo. Depois de tanto tempo, as ameaças nunca mudam.” Ouvir essas palavras familiares aqueceu seu coração. — Mestre, vamos comer! Eu pago! Ah, e comprei um aparelho de massagem, ótimo para o pescoço. Mandei trazer do exterior. Durante a refeição, vou te ensinar a usar. Testa primeiro! — ofereceu-se Bai Ling, bajulando. Como o mestre sempre viveu sozinho, embora não dissesse por quê, Bai Ling sabia que ele devia ter suas dores e sofrimentos. Sendo sua discípula, devia cuidar bem dele. Por isso, Bai Ling se comportava como uma criança adorável diante do mestre, que apreciava esse carinho e gostava genuinamente da vivacidade e sensibilidade de Bai Ling. No entanto, observando com atenção, o mestre percebeu que Bai Ling não era mais a mesma. Não nos gestos, mas na aura. Parecia que seus olhos agora tinham uma certa ferocidade. Se antes Bai Ling era pensativa, agora era um pouco extremista. — Tudo bem, vou aproveitar o presente que minha discípula trouxe do exterior. A idade não perdoa, meu pescoço realmente está muito desconfortável — disse o mestre, sorrindo, olhando para Bai Ling com carinho. Bai Ling ajudou o mestre a arrumar as coisas enquanto dizia: — Mestre, você já não é tão jovem. Não precisa ficar na loja, nem fazer tanto trabalho. A saúde é o mais importante. Se não aguentar ficar parado, mande alguém pegar alguns trabalhos para fazer em casa. O mestre assentiu e disse: — Xiao Ling tem razão. Além disso, meus olhos já não estão bons. Está na hora de descansar.