Capítulo 658: Capítulo 658: Um Novo Começo (7)

【Publicado pela primeira vez na internet】Esta Yang Chunxing é filha do Secretário da Aldeia Yang, da Aldeia Yangshu. Normalmente, o Secretário Yang gosta de levar a filha para passear no mercado, e assim acabaram se conhecendo. Yang Chunxing é um pouco gulosa, sempre pegando ovos de casa para trocar por doces. Eu, para aproveitar a vantagem, só dava alguns pedaços de caramelo de malte, mas hoje a criança percebeu, que vergonha.

— Chunxing, comporte-se, tio te dá mais um punhado de doces, não fale nada em casa, tá? — o dono da venda disse, sorrindo, tentando acalmar a criança.

— Então me dá cinco centavos, não quero trocar por doces — Bai Ling colocou o ovo, já quente na mão, sobre o balcão. Wu Bin também não quis doces, só queria o dinheiro.

O dono, todo sorridente, deu uma moeda de cinco centavos para cada um: — Vocês não querem comprar alguma coisa?

Bai Ling e Wu Bin pegaram o dinheiro e saíram andando. Yang Chunxing, enquanto comia o doce, correu atrás e perguntou: — Se vocês não querem doces, tem outras coisas gostosas, por que não compram?

Bai Ling não queria comprar nada naquela loja do comerciante ganancioso, que provavelmente enganaria os outros.

— Quem é aquele? Parece que tem medo do seu pai! — Bai Han não respondeu à pergunta de Yang Chunxing, mas mudou de assunto.

Yang Chunxing, que era do tipo que esquecia as coisas facilmente, disse sorrindo: — Aquele homem era da nossa aldeia, se chama Yang Hu. Depois ouvi dizer que ele se casou com uma mulher de outra aldeia e foi morar lá. Ele ainda chama meu pai de tio!

Esse "tio" não era nada bom, deixava a criança vir trocar coisas sozinha, sem nem perguntar de onde vinham os ovos. Tinha olhos triangulares, cheios de ganância e esperteza, capaz de enganar até o dinheiro das crianças.

No caminho, Yang Chunxing não parava de falar, uma coisa aqui, outra ali. Bai Ling viu uma escola primária com algumas lojinhas de material escolar ao lado. Com cinco centavos, comprou três cadernos e três lápis. Wu Bin se encantou com as histórias em quadrinhos e, com os últimos cinco centavos, comprou um livrinho.

— Chunxing, este caderno e lápis são para você. Estude bem no futuro, e vamos para a universidade juntos! — Embora não conhecesse Yang Chunxing há muito tempo, Bai Ling gostava muito do jeito direto dela.

Yang Chunxing, com as mãos ocupadas segurando os doces, colocou mais dois na boca de Bai Ling, dois na de Wu Bin, e três na própria boca, deixando os três de bochechas cheias. Ela limpou as mãos na roupa e pegou o caderno e o lápis que Bai Ling lhe deu.

No campo, quase nenhuma menina estudava. Mesmo na Escola Primária Li do mercado, 95% eram meninos.

— Estudar é divertido? — Yang Chunxing perguntou, confusa. Embora soubesse que o caderno e o lápis eram legais, seu irmão mais velho estudava, mas os pais não a deixavam ir à escola, dizendo que os professores batiam.

— Irmã Chunxing, ir à escola não é divertido, mas lá você aprende a ler, a fazer contas e descobre muitas, muitas coisas — Bai Ling queria sinceramente ajudar Chunxing, esperando que ela tivesse uma vida mais rica.

— Eu sei, como os pais de Xiaoling, que sabem muitas coisas. Chunxing, o pai de Xiaoling está lendo agora, se preparando para o vestibular! — Wu Bin finalmente engoliu o doce e falou, apressado.

Yang Chunxing pensou por um tempo e perguntou: — Xiaoling, você vai à escola?

— Irmã Chunxing, eu sou muito nova. Vocês têm sete anos, já deviam ir à escola. Mas, enquanto vocês aprendem na escola, podem me ensinar em casa — Bai Ling sorriu, tentando convencê-los a estudar. Ficar o dia todo com as crianças da aldeia, crescer e casar com alguém parecido, ter filhos, não seria muito sem graça?

— Tá bom, vou estudar — Yang Chunxing decidiu, sob o olhar admirado de Bai Ling.

— Eu também vou estudar, para depois ensinar Xiaoling! — Wu Bin bateu palmas, e os três riram.

— Vamos, vamos para casa! — Yang Chunxing acenou com a mão, e Dahuang a seguiu de perto. Foi então que ela notou algo estranho no cachorro.

— Xiaoling, Wu Bin, o Dahuang não ficou maior? De manhã eu medi, ele chegava no meu pescoço, agora já está na altura da minha orelha, quase maior que eu — Yang Chunxing ficou ao lado de Dahuang, fazendo gestos.

Bai Ling olhou para Dahuang com atenção. Ele realmente estava maior do que antes, com o pelo amarelo e brilhante, como seda fina, e as patas fortes. Não latia mais a qualquer movimento, como antes. Agora, ficava em silêncio, com olhos vivos e atentos, observando o ambiente. Em circunstâncias normais, um cachorro não mudaria tanto em uma hora. A única exceção foi aquele pedaço de pão molhado na água do espaço misterioso que ela lhe dera. Graças a Deus, naquele dia, ela resistiu à sede e não bebeu a água do espaço. Se tivesse saído de lá um palmo mais alta, teria assustado a mãe, Bai Han.

— Ele está um pouco maior, mas não tanto quanto você diz. Dahuang, se não crescesse, como poderia se chamar Dahuang? — Bai Ling começou a inventar desculpas, esperando que Yang Chunxing não insistisse no assunto.

Wu Bin, que só sentia medo de Dahuang, mesmo depois de comer o doce, ainda estava com fome, e perguntou: — Está quase meio-dia, se a Avó Li não nos encontrar, vai ficar preocupada.

Bai Ling pegou a mão de Yang Chunxing e voltaram para casa, repetindo o truque: — Irmã Chunxing, quando você for à escola, tem que me ensinar, hein!

Convencida por Bai Ling, Yang Chunxing agora só queria estudar, pensando em como convencer os pais em casa. Agora que tinha uma irmã mais nova para ensinar, sentia uma grande realização.

— O negócio de pegar os ovos é segredo nosso. Depois, trocamos por dinheiro para comprar material escolar! — Yang Chunxing disse a Bai Ling e Wu Bin. Se a família descobrisse, provavelmente tomariam tudo, e eles teriam que pedir dinheiro em casa para comprar doces ou material, sem a liberdade que tinham agora.

Bai Ling e Wu Bin concordaram, balançando a cabeça, e guardaram o caderno e o lápis. Quando voltaram à aldeia, a Avó Li estava procurando por eles, gritando de longe: — Seus pestinhas, onde foram? Na hora de comer, não se acha vocês!

Bai Ling e Wu Bin, que andavam desobedientes, sempre saindo, estavam difíceis de cuidar. A Avó Li não ousava falar com Yang Chunxing, então só olhava feio para Bai Ling, ameaçando que, se não se comportassem, mandaria os pais levá-los embora.

Yang Chunxing foi embora com Dahuang. Antes de ir, Dahuang, sem que Bai Ling percebesse, lambeu o rosto dela. Bai Ling ficou paralisada de susto. Dahuang a olhou com olhos cheios de despedida, e Bai Ling até conseguia ler confiança naquele olhar.

Sob o olhar furioso da Avó Li, almoçaram. À tarde, Bai Ling ficou imersa no estudo da água do espaço misterioso e dos crisântemos, concluindo que as duas coisas não eram venenosas, mas seus efeitos ainda precisavam ser avaliados.

À noite, Wu Bin e Xiaoling voltaram para casa. De longe, sentiram o cheiro dos crisântemos, e Wu Bin, em vez de ir para casa, foi com Bai Ling ver o que era.

Na mesa, havia chá de crisântemos fumegante. Entre as ondas de vapor, viram Shi Jinghai lendo, revisando e resolvendo exercícios com muita seriedade, rabiscando num caderno velho, com a testa franzida, provavelmente enfrentando um problema difícil.

Bai Ling e Wu Bin foram para a cozinha, onde a mãe, Bai Han, estava cozinhando bolo de crisântemos. Da cesta redonda, saía vapor pelos buracos. Bai Ling cheirou o ar, sentindo um aroma há muito tempo esquecido. A única habilidade culinária que Bai Han aprendera com a avó era esse bolo de crisântemos. Antes, Bai Han vendia os pequenos bolos para juntar dinheiro para a escola. As lágrimas escorriam sem controle, e ela olhava para Shi Jinghai, que lia na sala, sentindo um frio no coração.

— Xiaoling, daqui a pouco pode comer. Sua gulosa, já está chorando de vontade! — A mãe, Bai Han, beliscou o narizinho de Bai Ling, brincando com ela enquanto trabalhava.

Wu Bin tirou o lenço que a mãe, Qin Ruhua, lhe dera, e enxugou as lágrimas de Bai Ling, sem entender por que ela chorava, nem como consolá-la.

O jantar foi mingau, acompanhado do bolo de crisântemos, com um doce suave e o puro aroma da flor. Cada mordida deixava um gosto na boca.

Enquanto comiam, Yang Chunxing entrou correndo, saltitando de alegria: — Xiaoling, meu pai concordou que eu vá à escola! Mas não agora, só posso me matricular no novo semestre, no verão.

Assim que falou, cheirou o ar, sentindo um perfume delicioso. Viu os bolos brancos na mesa, com pétalas dentro, e nunca tinha comido nada tão cheiroso.

Shi Jinghai, vendo que era a filha do Secretário Yang, acariciou a cabeça de Yang Chunxing: — Vem, prova um bolo de crisântemos que sua tia Bai Han fez!

Yang Chunxing, que era gulosa, não hesitou. Já que o adulto ofereceu, aceitou, pensando em trazer algo para Xiaoling no dia seguinte. Pegou o bolo e deu uma mordida.

— Que delícia! — Yang Chunxing comeu rápido e quase engasgou. Bai Han lhe serviu uma tigela de mingau, e ela, com os olhos quase virados, bebeu para poder falar.

Bai Han ficou feliz ao ver que todos gostavam de sua culinária. Desta vez, o bolo de crisântemos estava ainda melhor do que na vida passada, graças aos crisântemos do espaço misterioso. Até Bai Ling quase engoliu a língua, quanto mais Wu Bin e Yang Chunxing, que nunca tinham comido nada tão bom.

Depois do jantar, quando Wu Bin e Yang Chunxing foram para casa, Bai Han deu a cada um dois bolos embrulhados para levarem para os pais provarem.

Ao dar banho em Bai Ling e tirar sua roupa, Bai Han perguntou baixinho: — Xiaoling, de onde você conseguiu esse caderno e lápis? — Ela revirou o material no bolso da filha.

— A irmã Chunxing vai começar a escola, foi ela quem me deu — Bai Ling agora se arrependia de ter comprado aquilo, já que não usaria agora, era melhor ter juntado dinheiro.

Bai Han não desconfiou, acreditando que Bai Ling nunca mentia, e não insistiu, tratando como um pequeno presente entre amigas.

Shi Jinghai trabalhou o dia todo sem se cansar. À noite, em casa, estava especialmente animado, lendo com muita eficiência e resolvendo exercícios com facilidade. De vez em quando, bebia o chá de crisântemos, atribuindo a boa disposição do dia à bebida.

Depois de ouvir Shi Jinghai mencionar isso várias vezes, Bai Han guardou os crisântemos, reservando-os para ele beber enquanto estudava. O caderno e o lápis também foram confiscados pela mãe, para Shi Jinghai usar, assim ele não precisava da boa caneta que Bai Han lhe dera, uma caneta alemã de qualidade, que estava ficando sem tinta e precisava ser economizada, já que não se podia usar lápis nas provas.

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Bai Ling agora tinha o segredo do espaço, pensando nele o tempo todo, mas, ao lembrar que para entrar precisava sangrar e chorar, era muito trabalhoso. Como não precisava dele agora, decidiu não entrar por enquanto. Quanto à água no pote de cobre, daria para Dahuang em alguns dias; uma mudança muito grande de uma vez não parecia boa.

Com a ajuda do chá de crisântemos, Shi Jinghai estudava com muita eficiência, sendo o melhor entre os jovens instruídos. Agora, à noite, vários deles vinham à casa de Shi Jinghai para revisar e discutir questões.

— Irmão Jinghai, como se resolve esta questão? Já pensei por dias, mas não consigo. Pode me explicar? — Yang Li falou com uma voz fina, tentando soar mais agradável. Se Bai Ling não conhecesse o vozeirão de Yang Li, talvez pensasse que ela era uma pessoa calma.

Shi Jinghai levantou a cabeça do livro e perguntou: — Que questão? — Aproximou-se de Yang Li para ver. Yang Li, sem perceber, também se aproximou dele. Quanto mais perto, mais o coração dela batia forte, e o cheiro masculino de Shi Jinghai a embriagava, tornando-a incapaz de se controlar. Ela olhou para Bai Han, que fazia tarefas domésticas, com um olhar afiado. Era aquela mulher que tinha roubado o irmão Jinghai.

Antes, eram apenas Bai Han e Shi Jinghai que estudavam juntos. Agora, com a chegada de outras pessoas, não havia mais lugar para Bai Han na mesa, então ela só podia aliviar a frustração fazendo tarefas ou brincando com Bai Ling.

Especialmente aquela mulher, que ainda cobiçava o marido dela. Por mais bonita e gentil que fosse, Bai Han não sentia nenhuma simpatia por ela. Mas não podia ser teimosa e expulsar aquelas pessoas; se fizesse isso, Shi Jinghai ficaria bravo e perderia a face.

Depois de terminar as tarefas, Bai Han sentou-se na cama e abraçou Bai Ling com força. Bai Ling sabia que a mãe estava confusa e insegura.

— Mãe, você pode me contar como era quando você era pequena? Quero saber como era a infância da mamãe! — Bai Ling não queria que a mãe se preocupasse, então tentou distraí-la, rezando em silêncio para que as crianças também pudessem aquecer os adultos.

A voz suave e doce da filha fez Bai Han perceber que estava distraída. Infância? Parecia algo muito distante, embora tivesse passado apenas dez anos. Comparado com a vida na China, viver na Alemanha era como o paraíso: casas arrumadas, móveis elegantes, gramados verdes bem aparados, cercas brancas cobertas de trepadeiras, um pastor alemão bobo, e o carro antigo que levava a família inteira para passear por toda a Alemanha.

Bai Han mergulhou nas lembranças da vida na Alemanha, falando tudo em alemão. Embora Bai Ling não entendesse nada, podia afirmar que a infância da mãe tinha sido feliz, pois até ao recordar, seu rosto trazia um sorriso suave.

Para distrair a mãe, Bai Ling decidiu dar a ela algo para fazer, para que não ficasse o dia todo vendo os outros estudarem para o vestibular e se sentindo perdida.

— Mãe, embora você fale de forma bonita, eu não entendo alemão. Quero aprender alemão, quero ouvir a mamãe contar sua infância feliz em alemão, pode ser? Se um dia tivermos chance, eu e a mamãe vamos ao lugar onde você viveu, para reviver essa infância feliz — Bai Ling disse docemente. Ao ouvir a mãe falar alemão, parecia mais fluente que o chinês. Afinal, ela vivera dez anos na Alemanha, não apenas dois dias. Desde pequena, foi influenciada; para Bai Han, o alemão era a língua materna, e o chinês, a segunda língua.

Ao ouvir que a filha queria aprender alemão, Bai Han ficou muito feliz. Se a filha falasse alemão, elas poderiam conversar nessa língua, o que seria maravilhoso.

— Xiaoling, alemão é muito difícil de aprender! Tenho medo de você não conseguir continuar — Bai Han estava contente, mas aprender uma língua não era fácil, especialmente sem o ambiente linguístico da Alemanha.

Bai Ling bateu palmas, beijou o rosto da mãe com inocência e disse: — Mãe, quero aprender, me ensina! — Desde que se lembrava, nunca tinha sido tão próxima da mãe. O céu lhe dera outra chance, por que não aproveitar esse carinho?

Sabia que, no século XXI, dominar bem uma língua era como ter mais uma ferramenta de trabalho, o mais direto sendo ser tradutor.

Já que Bai Han não tinha nada para fazer, resolveu brincar com Bai Ling, e concordou: — Já que quer aprender, vamos começar com as saudações mais simples — A voz de Bai Han era muito bonita, como uma pena roçando suavemente o coração de Bai Ling. Bai Han ensinava uma frase, Bai Ling repetia, e em uma noite aprendeu cinquenta frases. Na manhã seguinte, ao acordar, Bai Ling já conseguia cumprimentar a mãe em alemão, fazendo Bai Han lembrar dos dias na Alemanha, quando sua mãe a cumprimentava assim todas as manhãs. Seus olhos se encheram de lágrimas novamente.

Cada vez mais pessoas vinham estudar na casa de Bai Ling. Exceto Bai Han, todos os jovens instruídos se preparavam para o vestibular, pois era a melhor chance de voltar para a cidade. Entrar na universidade significava não só não passar fome, mas também conseguir um bom emprego no futuro. Todos estavam cheios de energia, prontos para tentar, enquanto Bai Han só podia observar.

Shi Jinghai trabalhava duro durante o dia e estudava à noite, não só para si, mas também para explicar questões para alguns amigos. Especialmente Yang Li, que quase o tempo todo grudava nele. Com tanta gente presente, Shi Jinghai não podia mostrar desagrado.

— Irmão Jinghai, esta questão, não consigo resolver de novo — A voz melosa de Yang Li dava arrepios. A intenção dela era tão clara, e a esposa dele ainda estava ali.

Do outro lado de Yang Li, um jovem instruído chamado Zhou Yi'an, que já gostara de Bai Han, mas depois que ela se juntou a Shi Jinghai e teve uma filha, guardou aquele sentimento, desejando silenciosamente a felicidade do casal. Por isso, não suportava o comportamento de Yang Li.