Esse dia, Xiaoya passou entre constrangimento e vergonha, mantendo-se firmemente distante de Jiao Nichen. Jiao Nichen, mesmo tendo sido pego em uma situação tão embaraçosa, ainda conseguia manter a compostura, e Xiaoya não parava de pensar que ele tinha uma cara de pau sem tamanho, até que os dois entraram no hospital. [Primeira publicação]
— Doutor, essa cirurgia vai doer muito? — perguntou Jiao Nichen, sério, ao médico de jaleco branco à sua frente.
O médico ajustou os óculos, olhou para Xiaoya, que estava inquieta, e respondeu a Jiao Nichen com seriedade: — Teoricamente, se a anestesia for aplicada apenas na mão, haverá dor. Nenhuma anestesia consegue fazer o paciente não sentir absolutamente nada. Senhora, fique tranquila, não vai doer muito.
Xiaoya estava com um pouco de medo; nunca tinha passado por uma cirurgia assim. Quando era Mo Xiaoya, ferimentos leves que deixavam cicatrizes nunca a preocupavam, e em seus mais de vinte anos de vida tranquila, nunca teve chance de se machucar gravemente. Quem diria que, como na família Jiao, por causa de algumas marcas de dentes, precisaria fazer uma cirurgia de alisamento? Enfim, antes que ela percebesse, Jiao Nichen já havia agendado o cirurgião para ela.
— Tem certeza de que não dói? — pensando nos instrumentos frios raspando a pele de sua mão, ela ficou muito tensa. Embora o médico garantisse que não doeria muito, "não doer muito" significava que haveria dor. Médicos não são pacientes, quem sabe qual é o padrão deles para "não doer muito"? Ela olhou para Jiao Nichen, depois para o médico, e de repente sentiu as marcas de dentes em sua mão doerem.
— Senhora, seu ferimento é fundo, a cirurgia será um pouco difícil, e a dor é inevitável. Sugiro que a deixemos em um estado de sono profundo. Assim, você não sentirá dor alguma e, quando acordar, a cirurgia já terá terminado. Isso também evitará traumas psicológicos de testemunhar o procedimento — o médico-chefe, vendo a expressão de Xiaoya mudar, fez outra sugestão.
Ele estava sendo diplomático ao dizer que evitaria traumas em futuras cirurgias. Como um anúncio de aborto, Xiaoya riu inapropriadamente, achando que, já que podia remover a cicatriz de forma mais confortável, não havia motivo para não fazer. Afinal, Jiao Nichen não a venderia enquanto ela dormia. Ela estava segura, afinal, quem era ela? Uma alma reencarnada?
O anestésico foi lentamente injetado em sua corrente sanguínea e, com a circulação, logo ela caiu no sono. Antes de fechar os olhos, só viu o rosto sorridente de Jiao Nichen, com consolo nos olhos e suavidade no fundo. Ela se sentiu incrivelmente tranquila.
O corpo de Xiaoya foi levado para a sala de cirurgia, e vários instrumentos monitoravam seu estado. Quinze minutos depois, Jiao Nichen, vestindo roupas estéreis, perguntou com um tom ligeiramente frio: — Doutor, encontrou algum problema?
— Senhor, não. A Srta. Ding não tem hematomas no cérebro, seus nervos estão normais, e todos os indicadores de saúde estão muito bons, sem nenhum problema — o médico, ignorando a mudança de expressão do homem, anunciou os resultados de forma metódica.
No meio do "bip, bip" dos instrumentos, ouviu-se um suspiro grave do homem, carregado de uma leve decepção.
O médico loiro, confuso, deu uma olhada de soslaio para o homem oriental parado ali, e instruiu as enfermeiras a prepararem imediatamente a cirurgia de alisamento. Quando a cirurgia estava na metade, a figura alta já não estava mais na sala.
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Como o médico havia dito, Xiaoya não sentiu dor alguma durante o sono, apenas um pouco de rigidez no corpo. Ao acordar, ela se alongou um pouco. A mão estava enfaixada novamente, e o médico loiro garantiu que, no máximo em dois dias, ela veria sua mão perfeitamente lisa.