Jiao Nichen abriu o cartão e franziu profundamente a testa. Ele havia mandado investigar as lojas de animais nos shoppings que Xiaoya frequentara, verificando quais gatos foram vendidos entre suas duas visitas, mas não esperava que alguém agisse mais rápido que ele. [Publicação original na rede] Por causa de um capricho seu, no dia seguinte, um monte de gente sob o comando do Velho Maï acabou sofrendo as consequências.
Ele silenciosamente largou o cartão, soltou um "tenho trabalho" e foi direto para o escritório, sumindo de vista num piscar de olhos.
Os outros ali não sabiam o que tinha acontecido. Xiaoya primeiro pediu que Jenny levasse o gato embora, abriu o cartão sobre a mesa e empalideceu. O conteúdo era simples: "Presente de lua de mel para o irmão mais velho e sua cunhada". E a assinatura não era de outro senão "Jiao Niqing", o mesmo nome que, no sonho, a puxava para o inferno. Mesmo no sonho, ela nunca odiara tanto aquelas três palavras. Rapidamente guardou o cartão, desviando dos olhares curiosos dos outros, e suspirou fundo em seu coração.
Xiaoya se recompôs, disse "estou cansada" e voltou para o quarto principal. Além de amaldiçoar Jiao Niqing por não a deixar em paz, ela não tinha tempo para pensar muito. Primeiro, destruiu ou escondeu tudo no quarto que pudesse levantar suspeitas em Jiao Nichen, depois guardou o que era mais ** para evitar constrangimento entre os dois.
Ela olhou para o frasco de sonífero na gaveta, hesitou algumas vezes, mas acabou colocando-o de volta no lugar. Já que ambos sabiam a verdade, não havia necessidade de esconder; ainda serviria de desculpa para seus pesadelos noturnos. No fim das contas, ela não iria a um psicólogo. Se Jiao Nichen mencionasse isso de novo, que fosse, era melhor terminar de vez.
Enquanto repetia sua determinação para si mesma, o celular tocou. Ela olhou e viu um número desconhecido. Suspeitou que fosse daquele Jiao Niqing, mas, da última vez que viu o registro de chamadas, o apagou e não conseguiu comparar o número. Pensou também que poderia ser alguém da família Ding; se não atendesse, poderia perder informações importantes, e o que mais lhe faltava era justamente informação.
Enquanto hesitava, o toque parou. Ela suspirou aliviada por não ter que escolher, mas o telefone tocou de novo. "Se vierem soldados, eu os enfrento; se vierem águas, eu as contenho." Xiaoya respirou fundo, apertou o botão de atender, mas não disse nada.
Houve um silêncio de ambos os lados, e ela podia ouvir vagamente a respiração do outro.
"Alô? Xiaoya, sou o Niqing." A voz era idêntica à do demônio em seus pesadelos.
Naquele momento, o que Xiaoya mais queria era correr para o banheiro e vomitar sem parar. Aquele homem hipócrita, que a transformara inexplicavelmente em Ding Xiaoya, que destruíra a imagem positiva que ela tão arduamente construíra no coração de Jiao Nichen com um simples pedaço de papel e um gatinho irritante — como ele ousava ligar para ela com tanta calma? Uma fúria ardente queimava em seu peito, mas as palavras que saíram foram severas e sérias, como se uma pessoa mais velha repreendesse um mais novo: "Niqing! Preste atenção ao seu tratamento. Agora sou sua cunhada. Chamar-me pelo nome é desrespeitar seu irmão mais velho?!"