O coração "pum-pum-pum" batia como um tambor. Ela contou quinze segundos em silêncio, e o telefone foi atendido: "Alô? Aqui é a casa do Velho Mo, com quem você deseja falar?"
As lágrimas instantaneamente encheram seus olhos. Sua mão, segurando o fone, estava fria e trêmula. (Publicado originalmente em ..net) Era a voz de sua mãe, que ela conhecia há mais de vinte anos — não havia no mundo voz mais doce ou mais suave. Ela murmurou várias vezes uma prece budista, agradecendo ao céu: seu lar ainda existia, e o destino não a havia abandonado completamente.
"Mãe, sou a Xiaoya..." Ela mal conseguiu dizer isso, a garganta travada, o rosto banhado em lágrimas, a respiração quase difícil.
Do outro lado, houve um longo silêncio, enquanto a pessoa ouvia seu choro.
Após um momento, a Sra. Mo disse, com suavidade: "Moça, não chore mais. Mas, desculpe, você discou o número errado. (520小说网)"
O mundo de Xiaoya desabou naquele instante. Uma sensação de irrealidade a tomou, como se tivesse alucinações auditivas. Todo o barulho ao redor se afastou: ela não ouvia as buzinas dos carros, não enxergava o número no visor do telefone, nem sentia a temperatura do fone em sua mão.
Ela mordeu com força o dorso da mão, deixando uma marca profunda de sangue. Lágrimas grossas como feijões rolavam, e sua voz se partiu em pedaços: "Mãe, sou a Xiaoya, Mo Xiaoya... Uhh... Por favor, acredite em mim, sou sua filha!"
"Moça, por favor, olhe o número novamente, está bem? Você realmente discou errado. Eu não tenho filha."
"Ai, essas meninas de hoje em dia. Você é uma criança que fugiu de casa? Meninas não estão seguras na rua, volte para casa logo. Sua mãe deve estar preocupada com você em casa!"
"..."
A Sra. Mo pensou que ela era uma fugitiva e começou a aconselhá-la a voltar para casa, tagarelando sem parar. Xiaoya, com a mente em branco, ouvia em silêncio aquela voz que, por mais de vinte anos, fora a mais capaz de lhe trazer paz. Agora, aquela voz calorosa dizia que ela nunca tivera uma filha. Isso a atingia mais forte do que a notícia de que ela e Ding Xiaoya haviam trocado de corpos.
Isso significava que, neste mundo, nunca existira uma pessoa chamada Mo Xiaoya? Sua família a via, mas não a reconhecia; a família de Ding Xiaoya, ela mal conhecia. As pessoas e coisas do passado não tinham mais relação com ela; as do presente também não lhe pertenciam. Quem ela era, afinal?
"Moça, não chore mais, volte para casa logo..."
Um "bip" indicou que o crédito do telefone acabou, separando as duas pessoas, outrora ligadas por laços de sangue, em lados opostos da linha. Dali em diante, mesmo se encontrassem, não se reconheceriam.
Xiaoya segurava o fone, e a outra moeda em sua mão, mas não tinha coragem de inseri-la no telefone novamente.
O fone e a moeda escorregaram de suas mãos. A moeda rolou, tilintando, refletindo o frio brilho do entardecer de verão, girando até o meio da rua, acelerando, desacelerando, e caindo com um "clique" de cara para cima. O rosto metálico da Rainha da Inglaterra parecia observar, frio e sarcástico, aquela cena ridícula.
Ela se encostou no telefone e chorou alto, agachando-se e abraçando a si mesma.
Voltar para casa? Que casa ela ainda tinha? Ela sempre pensara que aquilo era um sonho, que um dia acordaria. Mas, na verdade, o destino apagara mais de vinte anos de sua vida, sem deixar vestígios. Seus pais não eram mais seus pais, e até mesmo seu eu passado deixara de existir. Quem era ela agora? Ela conseguiria voltar ao seu corpo e ao seu mundo original?
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ "Hehe, meu jovem mestre, tenho uma boa notícia e uma má notícia. Qual você quer ouvir primeiro?"