Capítulo 489: Capítulo 489: Novo Episódio (12)

E a notícia que mais a chocou não foi que Jiao Nichen, tão jovem, fosse o vice-presidente executivo do Grupo Mingzhu e o verdadeiro controlador da empresa, mas sim que Jiao Niqing fosse filho ilegítimo de Jiao Zifu! Assim, fazia sentido Jiao Niqing chamar a mãe de Jiao de "senhora". O que a intrigava era como Jiao Jiao e seu irmão eram tão próximos de Jiao Niqing, e o velho Jiao parecia reconhecer o lugar de Jiao Niqing na família.

Nos últimos dias, a correria de Jiao Nichen deu a ela a oportunidade de evitá-lo. Agora, sem qualquer pista, sua irritação beirava a raiva, e ela queria desabafar de alguma forma. Acabou voltando sua atenção para o cofre, pensando que talvez Ding Xiaoya tivesse deixado alguma pista antes de ter sua alma expulsa.

Enquanto pensava, alguém bateu à porta.

Xiaoya se assustou e rapidamente apagou todo o histórico de navegação, aumentando o volume do filme. Quando a pessoa entrou, viu-a comendo sobremesa e assistindo a um filme com entusiasmo, com o computador aberto mostrando fofocas de um famoso.

Alice sorriu, achando que ela parecia muito tranquila, com um leve traço de simpatia nos olhos.

Xiaoya, ao ouvir o som dos saltos altos, pareceu perceber que alguém havia entrado e virou-se para olhar.

"Senhora Jiao, desculpe incomodá-la. O subcomandante Jiao soube que a senhora estava assistindo a um filme e pediu que eu comprasse alguns CDs." Alice disse com um tom levemente apologético.

Os "alguns CDs" que ela carregava eram, na verdade, uma caixa cheia.

Xiaoya ficou surpresa, olhou para os saltos de dez centímetros de Alice e sorriu: "Ah, obrigada pelo trabalho. Esses CDs devem ser difíceis de encontrar. Quer sentar comigo e comer um pouco?" Ela fingia convidar, mas na verdade estava mandando embora, embora soasse sincera.

Alice sorriu agradecida: "Obrigada, senhora Jiao, mas ainda tenho trabalho, não vou incomodar." Ela deixou a caixa e recuou dois passos antes de sair.

Todos estavam ocupados, correndo atrás da vida e dos sonhos, enquanto ela estava ali, tremendo como uma parasita. Era uma sensação horrível.

Ao ouvir a porta fechar, Xiaoya suspirou, apagou os registros restantes no computador e limpou os vestígios até ter certeza de que os dados não poderiam ser recuperados. Ela não mexeu na caixa, nem tinha ânimo para o filme, apenas ficou imersa em seus próprios pensamentos.

No meio da noite, o despertador tocou. Xiaoya estava no meio de um pesadelo e foi abruptamente interrompida. Ela respirou fundo algumas vezes, enxugou os olhos ainda molhados. Desta vez, sonhou com Ding Xiaoya a sacudindo, e aquela sensação estranha persistia mesmo depois de acordada. Se continuasse assim, enlouqueceria antes mesmo de a situação se desenrolar.

Desde que começou a ter pesadelos, ela dormia com a luz acesa, já que ninguém vinha vê-la.

Ficou um tempo em frente à janela de vidro, e quando sentiu um leve frio, pegou um pequeno papel na gaveta, onde havia anotado as possíveis senhas que Ding Xiaoya poderia ter usado, depois de uma tarde inteira pensando. Pegou o cofre, passou no teste de impressão digital e digitou o aniversário de Ding Xiaoya. Na pequena tela de LCD, apareceu "Senha incorreta". Uma gota de suor escorreu de sua testa.

Não desistiu e, cheia de expectativa, tentou mais duas senhas possíveis, mas ainda assim deu erro. Nesse momento, uma música suave ecoou de repente no quarto silencioso. Xiaoya, sem esperar, achou a música familiar, mas tão abrupta e sinistra, como se viesse de um buraco escuro e profundo. Assustada, caiu sentada no chão, fechou os olhos e tapou a boca para não gritar. Com os olhos arregalados de pavor, o corpo mole, ela se arrastou para trás.

Depois de um tempo, percebeu que a música se repetia em um padrão. Ela sempre foi corajosa, mas depois de renascer no corpo de outra pessoa, algo tão sobrenatural, sua coragem encolheu ao tamanho de um grão de feijão. Agora, pensou: ela mesma era um fantasma, por que temer outros fantasmas? Então, criou coragem, levantou-se e seguiu a direção do som, que vinha de dentro do armário.

Só então percebeu que a música era um trecho de "Sonho de Amor" no piano, que ela já conhecia, por isso parecia familiar. Esfregou as mãos e abriu o armário de repente. Lá dentro, havia várias bolsas de grife. A bolsa mais externa emitia a música e vibrava levemente.

Xiaoya de repente entendeu o que havia dentro, pois aquela bolsa não tinha etiqueta e era a mais velha de todas, embora ainda parecesse nova. Respirou fundo, abriu a bolsa e viu um telefone rosa. Toda a escuridão do medo que a envolvia se dissipou.

Ela se sentou no chão, pensando que até os fantasmas tinham dificuldades neste mundo; nenhuma alma ousava vagar abertamente por aí.

Xiaoya enxugou o suor frio do rosto. O telefone ainda vibrava, e a música suave e calma flutuava no ar. Ela abriu o deslizante e viu uma mensagem em vermelho na tela: "Seu cofre pode ter sido violado. Verifique."

Aquela mensagem fria em vermelho a fez sorrir amargamente. O cofre não tinha sido violado; mesmo que tivesse, seria um auto-roubo.

Ela acariciou o telefone. Nos últimos dias, quantas vezes quis entrar em contato com a família, mas sempre desistia no último momento, por causa das incertezas que a impediam de agir precipitadamente, com medo de que as famílias Jiao e Ding se vingassem. Naquela noite caótica, o aparelho de comunicação a fez sentir ainda mais saudade da família.

Assim que destravou o telefone, a música e a vibração pararam. Pensou um pouco e pressionou "confirmar". Outra mensagem apareceu rapidamente: "Seu cofre foi violado. Para denunciar, responda 1; para enviar a mensagem ao irmão mais velho, responda 2; para enviar à mãe, responda 3; para cancelar este alerta, responda 4."

Xiaoya achou aquilo muito interessante. O cofre estava conectado à internet. A ideia de fazer uma brincadeira passou rapidamente, e ela silenciosamente pressionou 4, depois confirmou e cancelou o alerta, murmurando: "Por que não tem 'para recuperar a senha, responda 5'?"

Antes, ela não tinha tido oportunidade de sair, e Jenny cuidava de tudo, então nunca tinha verificado seus pertences direito e, claro, não sabia que existia um telefone. Mas, ao abrir a lista de contatos, ficou muito decepcionada: só havia três contatos miseráveis: Ding Xiaohuang ("irmão mais velho"), a "mãe" (esposa principal de Ding) e, claro, Jenny. Nem o número de Jiao Nichen estava lá.

Ela ficou confusa. Será que Ding Xiaoya vivia isolada do mundo? Só três pessoas mantinham contato com ela!

Ela vasculhou outros registros no telefone. Todas as mensagens eram de recarga ou o alerta que acabara de ver. Na lista de chamadas, a maioria era de Ding Xiaohuang, a mãe de Ding raramente ligava, e havia um número sem nome que aparecia mais de quarenta vezes nos últimos dois meses, com duas chamadas feitas por Ding Xiaoya nos últimos dias do ano anterior.

Ela pensou um pouco e concluiu que aquele número devia ser de Jiao Niqing, porque se fosse de Jiao Nichen, não deixariam de anotar o nome.

Xiaoya suspirou levemente, sem saber se deveria se entristecer pelo amor trágico de Ding Xiaoya ou achar graça.

Piscou os olhos secos e a sonolência a atingiu. Já que o cofre estava conectado à internet e alertava após três tentativas erradas, ela só podia testar no máximo duas senhas por vez para não ser descoberta como tendo esquecido a senha. Guardou tudo no lugar e dormiu com o telefone na mão, mas, mesmo com os olhos pesados, não conseguia dormir, tentando adivinhar quais números Ding Xiaoya poderia ter usado como senha, mas tinha poucas informações sobre ela.

Pensou em contar a verdade a Jenny sobre a amnésia, mas a atitude de Jenny de ligar para o velho Jiao por conta própria a fez recuar. Não era que não confiasse em Jenny, mas algumas pessoas simplesmente não conseguiam controlar a língua ou guardar segredos.

Jiao Nichen estava realmente ocupado. Só o via nas refeições; no resto do tempo, ficava no escritório. Xiaoya, achando-se muito "virtuosa", não atrapalhava o trabalho do marido. Só quando via Alice, fingia preocupação e perguntava: "O ferimento do Nichen já melhorou? Não se canse demais. Alice, não posso ajudar no trabalho dele, então peço que cuide bem dele."

Quando Alice transmitiu as palavras exatas a Jiao Nichen, ele apenas riu baixinho, sem qualquer ondulação no olhar, mantendo os olhos fixos nos números que mudavam na tela do computador e no plano de negócios em mãos. Na hora da refeição, ele pessoalmente explicou a Xiaoya o motivo de a estar negligenciando: "Meu ferimento está quase curado, fique tranquila. Tenho assistentes para ajudar no trabalho. Quando essa fase passar e seu ferimento sarar, podemos passear por aí. Canberra é uma cidade muito boa."

A voz dele tinha uma doçura cansada, e o olhar se fixou levemente em sua expressão atônita. De repente, suas sobrancelhas se ergueram, e ele ficou de bom humor; os números financeiros confusos e complexos em sua mente já não pareciam tão irritantes.

Xiaoya, sem perceber, bebeu todo o vinho do copo, pensando que era uma pena que a beleza de Jiao Nichen ficasse escondida no escritório. Quando se deu conta de que havia bebido o copo inteiro, fez uma careta e se repreendeu mentalmente por "se meter onde não era chamada". Comer em silêncio era a melhor opção.

"Seu copo de vinho tinto tem teor alcoólico baixo, não vai te embriagar. Pode beber como suco." Jiao Nichen, com os olhos brilhando, percebeu o que ela pensava e a alertou. Os vinhos que bebiam tinham teores diferentes.

Ele viu que os pedaços de bife no prato dela estavam cortados de forma irregular e que seus movimentos eram um pouco desajeitados. Achou graça, sorriu e trocou os pratos que ainda não haviam sido tocados, cortando o seu próprio para ela.

Xiaoya ficou um pouco desconfortável e agradeceu.