Capítulo 158: Capítulo 158 Ferido por eles

Já era tarde da noite, mas a porta de enrolar da loja de macarrão estava escancarada. De longe, dava para ver uns sessenta ou setenta fiscais urbanos, mais de dez policiais, alguns funcionários de uniforme e uma escavadeira barulhenta parada em frente à loja da Emily, em confronto com ela.

A jovem literária Emily, com os olhos vermelhos e o corpo todo trêmulo, vestia apenas um pijama, mas mantinha a cabeça erguida com teimosia, segurando uma faca de cozinha. Diante dela, quase cem homens de aparência feroz; atrás, a mãe de Emily sentada no chão de cimento da porta, chorando alto, com o irmão mais novo da Emily nas costas e, apoiado em suas pernas, um homem coberto de sangue — ora, não é o pai da Emily? Como ele desmaiou?

Qiqi ficou chocada e se aproximou rapidamente. Na mão, ainda segurava um pedaço de pau grosso como um braço, o que imediatamente alertou todos ali. Alguns homens se viraram, pegando seus próprios instrumentos contra Qiqi — e os paus deles eram ainda mais grossos que o dela.

Vendo isso, Qiqi jogou fora o pedaço de pau e ergueu as mãos, mostrando que era uma cidadã inocente.

Mesmo assim, foi parada por um fiscal urbano forte: "Sai, sai, é uma operação conjunta da fiscalização urbana e da saúde. O que uma garotinha como você tem a ver com isso? Fica de lado."

Qiqi foi empurrada para o lado e, angustiada, gritou por entre a muralha de pessoas: "Emily! Emily! O que houve com seu pai?"

Ao ouvir a voz de Qiqi, o olhar sanguinário e resoluto de Emily mudou — sua família havia sofrido uma tragédia. No meio da noite, enquanto todos dormiam tranquilamente, um barulho estrondoso veio de baixo, seguido por dezenas de homens que começaram a destruir a loja da família. O pai correu para discutir com eles, mas foi derrubado com uma paulada... Ela pensou que fossem bandidos, correu para a cozinha, pegou uma faca para se defender, mas ao chegar na porta, foi informada de que era uma operação conjunta da fiscalização urbana, saúde e comércio, porque a loja de macarrão havia sido denunciada por usar farinha envenenada...

Bah! A farinha que o pai usava para fazer o macarrão sempre vinha de fornecedores legítimos. Os clientes eram todos vizinhos antigos, e o pai sempre dizia que os fregueses eram como da família, nunca usava ingredientes ruins. Até a farinha que a própria família consumia no dia a dia era da mesma saca. Como poderia ser farinha envenenada?

Emily não conseguia entender. Mas a mãe também havia sido agredida pelos fiscais, agachada no chão, abraçando o pai e chorando alto. Ela ainda tinha o irmão pequeno, que também chorava ao lado da mãe... Agora, a única que podia proteger a família era ela mesma.

Pensando nisso, Emily ergueu o peito, segurou a faca de cozinha e ficou na porta da loja, como uma deusa sanguinária protegendo toda a família. Uma jovem mulher com tamanha determinação assustou os fiscais, que por um momento não ousaram se aproximar, formando apenas uma muralha humana, encarando-a com hostilidade.

A chegada de Qiqi tocou o ponto fraco no coração de Emily — ela também não passava de uma garota de vinte e poucos anos, e diante de um bando de homens como lobos, o medo em seu íntimo era indescritível. Naquele momento, ver Qiqi foi como um membro da resistência encontrar a organização: seu semblante se abalou, e lágrimas do tamanho de feijões caíram.

"Qiqi, rápido, me ajuda a chamar a polícia. Meu pai foi ferido por eles..."

Qiqi deu alguns passos para trás, pegou o telefone para ligar, mas um homem gordo arrancou-o de sua mão: "Chamar a polícia para quê? A polícia já está aqui. Gu Qiqi, você veio se meter de novo?"