Qiqi também esperava conseguir entrar em um hospital de boa qualidade, assim não só teria contato com mais profissionais experientes e aprenderia mais, mas também, se tivesse um bom desempenho, poderia até ficar no hospital, abrindo caminho para o futuro — isso era uma questão duplamente importante para seu futuro e seu bolso. Por isso, Qiqi levava isso a sério; não podia deixar os estudos de lado. Na prova final deste semestre, precisava tirar uma nota excelente, para que, quando o hospital viesse selecionar estagiários, ao ver seu histórico brilhante dos quatro anos anteriores, a considerassem prioritariamente.
Além disso, só com boas notas conseguiria uma bolsa de estudos — ah, criar um Rei Lobo dava muito gasto.
Naquele momento, o Rei Lobo também estava sentado perto da janela, tomando chá, mais uma vez posando de jovem literato, com uma melancolia radiante por um tempo. Ao ver Qiqi lavar a louça e voltar para o quarto estudar, ele achou um pouco entediante e pegou um livro para ler. Depois de um tempinho, percebeu que ainda estava na mesma página que abrira — ele se distraíra.
Então, simplesmente jogou o livro de lado e começou a refletir.
Lembrou-se das palavras da raposa vermelha — o sabor da paixão era como o doce de manga; ela sentira o cheiro da paixão, e era dele que vinha? Ele realmente estava apaixonado? Desde quando? E como isso terminaria? Mais cedo ou mais tarde, teria que voltar ao reino demoníaco; poderia levar Qiqi junto? Ela aceitaria ir? E mais, o Médico Imortal tinha uma relação ambígua com ela; qual era o segredo por trás disso? O destino de Qiqi era tão importante que até o Imperador Celestial se interessara; será que ela era uma mortal comum? Se não fosse, por que ele não sentia nada? Se não fosse, provavelmente não poderia levá-la embora, não é?
Rong Yi refletia sobre seus sentimentos perto da janela, enquanto Qiqi, sob a luz do candeeiro, escrevia sem parar. Ela baixou as gravações das aulas dos professores da escola e pegou as anotações digitais de uma colega, esforçando-se para compensar as aulas que perdera nos últimos dias.
Sem perceber, trabalhou até a lua estar alta no céu. Qiqi saiu para lavar o rosto, preparando-se para virar a noite estudando; no entanto, do lado de fora do pátio, ouviu-se um som mecânico abafado de "zumbido" — era o som familiar e aterrorizante de um trator, que fazia os resistentes a despejos tremerem de medo.
O quê? A equipe de demolição estava agindo de novo?
Ela saiu correndo porta afora, sem esquecer de pegar no corredor um bastão de defesa pessoal.
Ao chegar do lado de fora do pátio, olhou em volta: a viela inteira estava escura, quase ninguém por perto; no céu, uma lua prateada brilhava, e no fim da viela havia uma luz fraca — era a casa da jovem literata Emily.
O som do trator vinha de lá.
Rong Yi também ouviu o barulho e saiu do quarto: "Qiqi?"
Qiqi acenou para ele: "Parece que algo aconteceu na casa da Emily. Vou dar uma olhada. Você ainda não está bem, não saia."
Qiqi arrastou o bastão e foi rapidamente em direção à casa de Emily. Quanto mais perto chegava, mais seu coração se apertava — no meio do barulho do trator, ouviam-se gritos de homens, choros de mulheres e o choro dilacerante de crianças; em pouco tempo, os cães da viela acordaram, latindo "au au au" em coro; alguns vizinhos também acenderam as luzes, provavelmente acordados pelo barulho.
Qiqi foi uma das primeiras a chegar.
A casa de Emily no fim da viela era um sobrado de três andares: o segundo e o terceiro eram residenciais, e no primeiro, com uma grande fachada para a rua, havia uma lanchonete de macarrão de Lanzhou. Como o pai de Emily era de Gansu e fazia um macarrão excelente, e a mãe era muito simpática, o negócio ia bem. Qiqi costumava comer lá, porque o ambiente era limpo, o macarrão gostoso e a porção generosa, até Rong Yi conseguia se fartar (sem descartar que a mãe de Emily favorecia os clientes, já que todos sabiam que Emily gostava de Rong Yi).