"Não olhem mais, dois irmãos. Levem essas duas caixas para fora, vamos mostrar ao Vovô Qin esse tesouro" — disse Bai Ling, rindo, com o coração agitado, apontando para uma caixa de ouro, joias e pinturas.
Os dois guardas seguiram as instruções de Bai Ling e carregaram as caixas para o espaço do pingente de jade. Bai Ling usou sua mente, e os três saíram do espaço.
O Vovô Qin, o Vovô Lin e Bai Han estavam sentados numa cadeira de balanço no quarto, esperando para ver Bai Ling e os guardas saírem, com duas grandes caixas ao lado, ocupando bastante espaço no cômodo.
Os dois idosos se aproximaram, andaram ao redor das caixas e disseram: "Abram para ver o que tem aí dentro."
"Vovô, Vovô Qin, são joias e pinturas. Ainda deve ter umas centenas de caixas lá dentro, e muitos lingotes de ouro, cada um pesando um quilo" — disse Bai Ling, gesticulando enquanto falava.
Os dois guardas abriram as caixas. O Vovô Qin quase desmaiou de surpresa, ofegando repetidamente. Agachou-se diante da caixa, exclamando sem parar. Bai Han, não se sabe de onde, trouxe dois pares de luvas e entregou ao Vovô Qin e ao Vovô Liu.
O Vovô Qin as vestiu rapidamente, pegou o manuscrito "Prefácio do Pavilhão das Orquídeas" nas mãos, examinando-o com cuidado, olhando de um lado para o outro, exclamando: "É uma obra autêntica!" Seus olhos se encheram de lágrimas, que não paravam de escorrer — talvez por lamentar que tantas coisas boas tivessem sido roubadas por bandidos naquela época, ou talvez por alegria por terem sido recuperadas.
O Vovô Lin não se impressionou. Para ele, alguns livros e pinturas velhos não valiam tanto quanto ouro e joias de verdade. Com as luvas, remexeu em outra caixa. O Vovô Qin, desde pequeno, recebeu a cultura tradicional chinesa; quando cresceu, estudou no exterior e absorveu a cultura contemporânea avançada. Já o Vovô Lin, que participou da revolução, era apenas um pastor de terras de um proprietário rural; quando entrou no exército, aprendeu a ler e escrever, mas mal conhecia algumas palavras, não tendo nada a ver com intelectuais. Os diferentes níveis culturais determinaram seus valores distintos.
"Vovô Qin, que tal arrumar um lugar para tirarmos tudo daí?" — perguntou Bai Ling, vendo que o Vovô Qin não falava nada. Não adiantava ficar assim; se tirassem aquilo, Bai Ling ficaria tranquila, senão não dormiria em paz.
O Vovô Qin pegou o lenço que Bai Han lhe estendeu, enxugou as lágrimas e disse: "Não tirem ainda. Se essas coisas forem tesouros nacionais, vamos guardá-las, colocá-las no museu para as pessoas admirarem. Se não forem, montamos uma casa de leilões e vendemos para colecionadores de antiguidades do país. O dinheiro arrecadado será todo usado em projetos de engenharia do Estado."
"E o ouro, como fazemos?" — perguntou Bai Ling.
"As reservas de ouro do país sempre foram insuficientes. Todo o ouro será usado como reserva. Xiao Ling, você acha que está certo?" — perguntou o Vovô Qin.
Bai Ling deu de ombros e disse: "Vovô Qin, faça como achar melhor." Quanto ao ouro, podia-se dizer que foi extraído, mas com as antiguidades raras, o Vovô Qin não tinha como lidar; por enquanto, só conseguia pensar nessa solução.
"Vou mandar Qin Zheng montar uma casa de leilões o mais rápido possível. Assim, você só precisa entregar as coisas a ele aos poucos, e ele as venderá. A casa de leilões terá vocês dois como sócios. Depois de deduzir algumas despesas, tudo será usado para o povo, afinal esse dinheiro veio do povo" — pensou o Vovô Qin, por um lado para disfarçar a origem das coisas, por outro para proteger Bai Ling, e também para ajudar mais pessoas com esses recursos.
Bai Ling assentiu e disse: "Repito o que disse: o que o senhor mandar, eu faço!"
"Fique em casa esperando notícias minhas. Quando eu encontrar um lugar seguro, mandarei alguém levá-la até lá para retirar todo o ouro" — disse o Vovô Qin, acariciando o manuscrito "Prefácio do Pavilhão das Orquídeas". Embora gostasse, ainda o colocou de volta. Essas coisas são tesouros do país, o orgulho do povo chinês, não pertencem a nenhum indivíduo.
"Entendi, Vovô Qin!" Bai Ling assentiu, acompanhando com os olhos o Vovô Qin se afastar.
Depois que todos foram embora, Bai Han se debruçou ao lado, olhando. Aquelas coisas eram todas tesouros! Mesmo tendo muitas joias, ao ver aquela caixa, Bai Han sentiu que suas peças, embora bonitas, não tinham a sensação de peso histórico.
"Queria pegar algumas!" — disse Bai Han, com inveja ao lado.
"Mãe, se você gosta, pegue algumas. Eu coloco pérolas negras do lago para compensar" — disse Bai Ling, rindo, vendo que sua mãe gostava muito de um grampo que segurava. Não queria tirar vantagem do país; trocariam.
"Isso não é bom, né?" — Bai Han relutava, mas viu que o Vovô Qin gostava daquele manuscrito e não o pegou; se ela pegasse, não seria adequado.
"O que há de errado? Saiba que sua filha também é uma contribuidora. Pegue um ou dois, já que no futuro ainda vou cuidar dessas coisas, considere como uma taxa de serviço" — aconselhou Bai Ling. Sua mãe, Bai Han, era honesta demais, com medo de tirar vantagem dos outros.
Bai Han segurou o grampo, assentiu e disse: "Então vou ficar com ele. Não se esqueça de colocar as pérolas, hein!"
"Sei, pode ficar tranquila, não vou esquecer!" — disse Bai Ling, rindo, fechando a caixa e guardando-a. Aquela caixa valia muito dinheiro; só uma pulseira de jadeíta valia milhões, e havia muitas outras coisas. Uma caixa grande inteira, falando em bilhões, era até pouco. Se Bai Ling ficasse com os tesouros do espaço do anel, tornar-se-ia a pessoa mais rica do mundo, superando países inteiros.
Mas, por melhor que fosse a ideia, sem capacidade de proteger essas coisas, era em vão.
Doar, embora Bai Ling não ganhasse nada, pelo menos resolvia o problema de segurança, e não teria gente problemática vindo atrás.
"Zi Qing, você sabe? Yoshikawa Yuta morreu?" — Li Ziqing ligou para Bai Ling, falando baixo. Embora não fosse muito próximo de Yoshikawa Yuta, ainda o conhecia; às vezes iam a Hong Kong e comiam juntos. Agora, saber de sua morte de repente, era difícil de acreditar...
Ao ouvir isso, o coração de Bai Ling deu um pulo, sentindo um pouco de culpa, mas logo pensou: ou era ele ou eu, não havia motivo para sofrer.
"Ah, não é possível? Como ele morreu de repente?" — perguntou Bai Ling, fingindo não saber de nada.
"Dizem que foi alergia a álcool. Tão jovem, por que beber tanto?" — resmungou Li Ziqing. "Zhao Lingyun, aquele bêbado, bebe meio quilo de baijiu toda vez. Vou ter que controlá-lo daqui para frente."
"Ainda nem se casaram, e já está controlando!" — disse Bai Ling, rindo. Gostava da personalidade apimentada de Li Ziqing, bem direta.
"Fala nisso, quando você volta para Hong Kong?" — Li Ziqing estava ocupadíssima ultimamente. Agora, como sócia inativa, estava relaxando em B City, mas aqueles 5% de ações não eram de graça; acordava mais cedo que as galinhas e dormia mais tarde que os cães.
Bai Ling riu amargamente e disse: "Por certos motivos, não posso voltar a Hong Kong. Então, deixo os negócios da empresa com você e Chun Xing. Confio em vocês."
"O que houve? Aconteceu algo grave? Me conte!" — Li Ziqing perguntou apressadamente, levantando-se, muito preocupada.
"Participei de uma pesquisa nacional e não posso sair de B City. Então, Zi Qing, não fique brava. Foi tudo de repente, não tive escolha. Meu laboratório em Hong Kong também não posso cuidar agora; passei tudo para o Professor Bai Li Chen" — Bai Ling inventou uma desculpa para despistar. Não poder contar para a amiga também a deixava frustrada.
Li Ziqing sabia que essas pesquisas geralmente eram sigilosas, até com restrições de movimento. Bai Ling poder ligar mostrava que as limitações não eram tão grandes; só não podia se movimentar à vontade, mas não era muito severo.
"Xiao Ling, fique tranquila, vou cuidar bem do trabalho" — garantiu Li Ziqing. O grande sucesso de Xiang Yi Ben Cao já lhe trouxe retornos generosos, fortalecendo sua crença em cooperar com Bai Ling.
"A propósito, fique de olho na pesquisa da grama transformadora no laboratório. E a linha de clareamento de Xiang Yi Ben Cao vai ser lançada em breve. Preste muita atenção à qualidade do produto. Queremos construir uma marca eterna, não algo passageiro. Produtos de baixa qualidade, tanto na qualidade quanto no atendimento, precisam de monitoramento rigoroso" — instruiu Bai Ling. Com Lin Long e Hu Ying em Shenzhen ajudando a supervisionar, Bai Ling ficava mais tranquila. Quanto a Miao Yan e Liu Hu, depois de se casarem, voltaram para a terra natal de Liu Hu para ajudar a promover o cultivo de frutas para vinho.
Qin Zheng já estava esperando as frutas para fazer vinho, então estava muito atento. Deixar com ele, Zhu Mengxi e Li Baojian, Bai Ling se sentia segura. Afinal, eles tinham mais sede de riqueza do que ela.
"Tudo bem, entendi. Quando terminar, vou a B City te visitar!" — Li Ziqing desligou o telefone. Queria xingar Bai Ling por ser preguiçosa, mas agora que sabia o motivo, não podia mais cobrá-la.
Mal tinha desligado o telefone de Li Ziqing, ele tocou de novo. Bai Ling atendeu: "Garota, está com tanta saudade de mim assim?"
"Quem está com saudade de você? Não fale besteira!" — Li Zidong reclamou do outro lado. "Acabamos de lançar nosso chá, e outra empresa já lançou um também. Estou furioso!"
"Quem? Nosso conceito de chá é muito avançado, como alguém chegou na nossa frente?" — Bai Ling não acreditou no que ouvia. Isso era muito ruim; perder a vantagem antes de conquistar o mercado afetaria os lucros.
"O filho do Pan, fez um chá de ervas, o sabor não é ruim!" — disse Li Zidong, frustrado. "Mas não é tão gostoso quanto o nosso, e temos mais variedades."
Bai Ling franziu a testa e perguntou: "Pan Zhexiao?"
"Esse mesmo. Dá vontade de dar uma surra nele" — disse Li Zidong, rangendo os dentes. A fatia de mercado que tinha nas mãos agora teria que ceder um pouco.
"É ele? Na verdade, não precisa ficar tão bravo. Mesmo sem Pan Zhexiao, outros viriam atrás. Ele lançar ao mesmo tempo que você mostra que também tem visão. Vocês podem competir de forma justa. Aumentem a propaganda, a pesquisa de produtos e a expansão dos canais de vendas. Ah, e pode fazer assim: a cada cem garrafas, uma tem escrito 'mais uma' na tampa. Quem pegar pode trocar por uma grátis em qualquer ponto de venda. Nas outras, escreva 'obrigado pela preferência'. Isso vai aumentar a identificação dos clientes" — sugeriu Bai Ling. Afinal, aquela jogada de marketing fez muito sucesso na época; muitos gostavam dessas promoções, e acertar dava uma pequena alegria. Não era pelo valor, mas pela diversão.
Li Zidong pensou, lambeu os lábios e disse: "Essa ideia é muito boa. Vou falar com o departamento de planejamento. Na verdade, só estou reclamando de boca. Quando foi que aquele Pan Zhexiao ficou tão esperto, a ponto de competir comigo? Ele melhorou ultimamente!"
"Pan Zhexiao parece ser mais velho que você, não? E o amigo dele, Dou Haoyun, também está indo bem ultimamente, parece que está se dando bem. Ji Minli formou um grupo com dois rapazes, até que não está mal. As músicas não são grandes coisas, mas a dança é boa, investiram pesado" — disse Bai Ling, que tinha visto na TV recentemente. Assim, Ji Minli, embora não tivesse o talento de Xie Qianwen, Bai Ling esperava que, fora da Linghui Media, pudesse ter sucesso, em vez de viver na miséria e odiar a empresa.
"Não reparei. Mas ouvi da Chun Xing que uma novela chamada 'Gege' está bombando, com cartazes por toda parte. A série ainda não terminou e já é famosa em todo o país. Não só ganhou muito dinheiro, como também lançou vários artistas desconhecidos. Um baita lucro!"
"Claro, veja de quem é a empresa que produziu" — disse Bai Ling, orgulhosa. Aquilo tinha feito sucesso em toda a Ásia, traduzido para vários idiomas, um grande hit.
"Falando nisso, você não vai voltar para B City? Está tão feliz aí que esqueceu de voltar?" — Li Zidong sentia falta de Bai Ling, já que não a via há muito tempo. Embora nunca levasse vantagem com ela e fosse frequentemente repreendido, a vida sem Bai Ling não era tão boa.
Bai Ling repetiu a desculpa que deu a Li Ziqing, e Li Zidong desligou. Amigos muito entusiasmados também não eram tão bons; Bai Ling sentia muita pressão ao atender seus telefonemas.
"Irmãzinha Ling, vamos treinar com as facas!" — De Dong entrou, vendo Bai Ling com expressão preocupada, falou baixo.
Nesse período, Bai Ling vinha treinando facas com De Dong, progredindo bastante. Ao ouvir o chamado, Bai Ling se levantou, sorriu e disse: "Nada não! Vamos treinar!"
O Vovô Lin, vendo Bai Ling e De Dong tão dedicados, ficava muito feliz. Todos os dias ficava ao lado, orientando. Depois do treino, ele sempre contava suas façanhas heroicas durante a Guerra de Resistência de Oito Anos. De Dong ouvia com grande interesse, e embora o Vovô Lin já tivesse contado aquilo antes, Bai Ling fingia ser a primeira vez, ouvindo atentamente junto com De Dong.
"Xiao Ling, seus movimentos com a faca estão muito leves. Você come tanto, por que não tem força?" — o Vovô Lin apontou diretamente o defeito de Bai Ling, sem piedade.
"Entendi, Vovô!" — Bai Ling admitiu o erro obedientemente. Se não admitisse, o Vovô Lin teria um monte de coisas para dizer depois.
"Vovô, já descobriu sobre o irmão mais velho de De Dong, De Xia?" — Bai Ling mudou de assunto, não querendo insistir naquele ponto. Hoje, Bai Ling estava preocupada com outras coisas, então estava distraída.
Ao ouvir o nome de De Xia, De Dong ficou triste e disse: "Vovô, se souber do meu irmão, me conte. Quero ver como ele está agora."
"Ainda não há vestígios. Não consigo encontrar, como pedra no fundo do mar, sem movimento. Enquanto isso, vocês devem treinar bem, não podem ser preguiçosos. Suar mais no treino, para não sangrar e chorar na hora do uso, sabem?" — o Vovô Lin aproveitava qualquer assunto para dar lições, que chato.
"Entendi, Vovô!" — Bai Ling fez pose de submissa. Mas desde que Bai Ling e De Dong chegaram, o estado de espírito do Vovô Lin melhorou muito. Antes, ele ficava sozinho em casa; às vezes, o Vovô Zhao vinha jogar xadrez, mas ambos eram péssimos jogadores e acabavam brigando. Com crianças em casa, o ambiente ganhou vida. Agora, o Vovô Zhao morava direto na casa do Vovô Lin, principalmente porque Zhao Lingyun não estava em casa, deixando-o sozinho com uma cozinheira e alguns guardas, sem graça.