Capítulo 1366: Capítulo 1365: Lições do Passado 614

O dono da mercearia, acostumado a lidar com negócios há muito tempo, já desenvolveu um olhar perspicaz. Viu que Dedong não era como os outros mendigos de rua; ele se separou da família, mas sabia ligar para casa, o que já mostrava inteligência. Além disso, quem atendeu do outro lado, embora a voz não fosse alta, tinha uma opinião firme e, pelo tom, parecia ser alguém importante.

— Então, muito obrigado, patrão. Qual é o seu sobrenome? — perguntou Bai Ling, sorrindo.

O dono da mercearia enxugou o suor da testa. O outro já tinha o número do telefone e, por ele, provavelmente conseguiria localizá-lo. Se mentisse agora, seria descoberto até o fundo. Apressou-se em dizer:

— Meu sobrenome é Liu, nome Changxian. Vou levar seu irmão à delegacia agora.

— Muito obrigada mesmo. Quando chegarmos, darei uma recompensa à altura! — disse Bai Ling, agradecida. Desligou o telefone e correu para o escritório.

— Vovô, Dedong ligou agora. Ele está em T City, usando o telefone da mercearia. Já pedi ao Sr. Liu, dono da mercearia, para levar Dedong à delegacia de Chenghuang o mais rápido possível. Vovô, ligue agora para a delegacia de Chenghuang e peça para cuidarem de Dedong — disse Bai Ling, apressada, desejando estar diante de Dedong para perguntar o que havia acontecido.

— Oh? É verdade? — O velho Sr. Lin levantou-se da cadeira de repente, perguntando em voz alta.

— Sim, acabei de atender o telefone! — confirmou Bai Ling.

— Xiao Li, Xiao Li! — gritou o velho Sr. Lin, com voz de trovão, cheia de urgência. Desde que soube que a grande faca havia desaparecido, temia que ela trouxesse desgraça ao povo, não conseguindo dormir nem descansar em paz.

Xiao Li entrou correndo de fora e perguntou:

— Chefe, o que o senhor deseja?

— Dedong está agora na delegacia de Chenghuang, em T City. Ligue imediatamente para o Departamento de Segurança Pública de T City e peça para a delegacia de Chenghuang cuidar bem de Dedong — ordenou o velho Sr. Lin. — Ah, e não se esqueça de agradecer ao Sr. Liu, que levou Dedong à delegacia.

— Vovô, não tenho nada para fazer agora. Por que não vou buscar Dedong? Ele me ligou e disse que seu irmão mais velho, Dexia, ao limpar sua grande faca, cortou a mão e depois mudou de temperamento, matando o velho monge. Dedong se escondeu e não foi morto. No fim, foi por nossa causa que isso aconteceu com eles, mestre e discípulos — sugeriu Bai Ling. Sozinho e desamparado, ele não teria como sobreviver lá fora. Pela visão do cristal, a aparência miserável de Dedong partia o coração.

— Hum, está bem. Leve algumas pessoas com você. Deixe Xiao Li ir também — concordou o velho Sr. Lin, acenando com a cabeça.

— Certo, vou partir agora! — disse Bai Ling, virando-se para sair.

— Xiao Ling, não tenha medo de nada, onde quer que esteja. Seu avô está atrás de você. Não importa o que aconteça, eu a apoiarei. Por isso, não precisa se rebaixar diante de ninguém, porque você tem seu avô — disse o velho Sr. Lin, olhando para Bai Ling com os olhos semicerrados, tentando encorajar a neta.

— Sei, vovô. Na China, tenho capital para agir como quiser, porque tenho um avô que é um grande oficial — disse Bai Ling, rindo, dissipando a tensão do momento.

Ao ouvir isso, o velho Sr. Lin franziu a testa e disse:

— Quis dizer que não precisa temer que ninguém a incomode, mas deve manter-se dentro dos limites, sem abusar do poder!

— Eu sei, vovô. Sou uma boa pessoa, você não me conhece? Não vou abusar do poder. No máximo, vou me aproveitar da sua influência! — Bai Ling piscou os olhos, de forma brincalhona.

— Que bom que entende. Não se esqueça de avisar sua mãe, senão ela vai reclamar comigo de novo! — disse o velho Sr. Lin, com um sorriso amargo. Agora também temia as reclamações de Bai Han e não ousava deixar Bai Ling sair sem avisar.

— Tudo bem, vou falar com a mamãe agora! — Bai Ling saiu levemente, foi direto ao pátio, onde sua mãe, Bai Han, ensinava Xiao Gen a andar.

Antes mesmo de Bai Ling abrir a boca, Xiao Gen a viu de longe e gritou:

— Irmã! Irmã! — Cambaleando, tropeçando, correu para Bai Ling.

— Puxa-saco! — murmurou Xi Side atrás, irritado com o filho, que agora era muito bajulador e oportunista.

— Xiao Gen, deixa a irmã te beijar! — disse Bai Ling, dando beijos no rosto de Xiao Gen, que, não querendo ficar atrás, lambuzou o rosto de Bai Ling de saliva.

— Mamãe, encontramos Dedong. Vou buscá-lo agora. Devo voltar amanhã de manhã — disse Bai Ling à mãe, Bai Han.

— Encontraram Dedong? Que bom. Vá e volte cedo, leve algumas pessoas! — Bai Han não se opôs, concordou com a cabeça. — Lá fora, vista mais roupas. O tempo está muito frio, não pegue um resfriado.

Ao ouvir falar de roupas, Bai Ling lembrou que Dedong ainda estava vestido de farrapos. Planejava comprar roupas para ele quando chegasse a T City.

— Sei, mamãe! Xiao Gen, tio Xi, tchau! — disse Bai Ling, virando-se para sair.

Isso foi um problema. Xiao Gen, com seus pezinhos, correu atrás de Bai Ling, balbuciando sem parar, determinado a não deixar a irmã escapar.

Bai Ling teve que parar e dizer:

— Xiao Gen, fica em casa esperando a irmã, está bem? A irmã vai comprar coisas gostosas para você, está bem?

Não se sabia se Xiao Gen entendeu, mas ele respondeu como um adulto:

— Está bem! — Mas não soltava as pernas de Bai Ling, com uma cara de teimoso.

— Fica em casa direitinho, a irmã... — Bai Ling teve que puxar a perna das mãos de Xiao Gen. Esse garoto era muito grudento. Vendo que Xiao Gen ia chorar, Xi Side rapidamente tirou um pirulito do bolso e colocou na boca do menino, que imediatamente passou do choro ao riso, com lágrimas grandes ainda penduradas nos olhos.

Aproveitando a deixa, Bai Ling escapou, foi ao quarto pegar a mochila, entrou no carro e partiu rapidamente.

Xiao Li e Bai Ling sentaram juntos no banco de trás, conversando sobre os três monges do Monte Yide e do Templo Yide. O carro correu por quatro horas até chegar a T City. Desviando dos engarrafamentos, depois de muitas voltas, finalmente chegaram à delegacia de Chenghuang.

Por causa do telefonema de Xiao Li, que pediu atenção especial, Dedong estava acomodado numa salinha, com o dono da mercearia ao lado.

Ao ver os policiais, Xiao Li mostrou seus documentos. O policial imediatamente levou Xiao Li, Bai Ling e os outros para a salinha. Pouco depois, até o chefe da delegacia chegou apressado.

— Irmã Bai Ling, você finalmente chegou? — Dedong, ao ver Bai Ling, jogou-se em seus braços e chorou amargamente.

O dono da mercearia, Sr. Liu, ficou de lado, nervoso. Ele não conhecia os adultos, mas reconhecia o capitão atrás deles. Parecia que a família daquela menina e do menino tinha realmente muito poder, para mobilizar tantas autoridades. Enxugou o suor frio, aliviado por ter trazido o menino.

— Dedong, não chore. A irmã está aqui! — consolou Bai Ling. — Está com frio? Com fome?

Dedong enxugou as lágrimas e respondeu:

— Irmã, não estou com fome. O Sr. Liu me deu um grande pastel de óleo e um copo de refrigerante, já comi o suficiente!

Bai Ling então notou o Sr. Liu, no canto, e aproximou-se:

— Muito obrigada, Sr. Liu. Procuramos por muito tempo e não encontramos. Se não fosse pela sua bondade, não saberíamos quando o acharíamos. Isto é um pequeno agradecimento, aceite!

— Só fiz uma pequena ajuda, não precisa, não precisa! — O dono da mercearia recusou várias vezes o envelope de papel pardo que Bai Ling lhe estendia.

— É verdade, Srta. Bai. Nosso povo de T City sempre ajuda os outros e devolve o que encontra. É nosso dever — disse o chefe da delegacia, cheio de elogios, querendo causar boa impressão nos oficiais vindos de B City para garantir futuras promoções.

— É, não podemos aceitar esse dinheiro! — concordou o capitão, piscando para o dono da mercearia.

— Srta. Bai, foi só um gesto simples. Uma criança separada da família já é muito triste. Qualquer pessoa de bom coração faria o mesmo. É nossa obrigação como cidadãos! — O dono da mercearia, que também sabia ler as situações, apressou-se em se posicionar.

— Chefe, capitão, este é um benfeitor da nossa família Lin e Bai. Por favor, cuidem bem dele no futuro! — disse Bai Ling, sorrindo para os dois oficiais. Já que o Sr. Liu não queria ajuda, ela tentaria conseguir alguns benefícios para ele na região.

— Claro, claro. Bons cidadãos merecem reconhecimento, como exemplo para a população! — jurou o chefe da delegacia. — Isso, nós mesmos providenciaremos.

— Então, agradeço a todos! Vamos nos despedir agora! — Bai Ling agradeceu a todos. — Mais uma vez, obrigada, Sr. Liu.

Saíram da delegacia, encontraram um bom hotel e deixaram Dedong tomar um banho caprichado. Bai Ling foi comprar algumas roupas para ele vestir. A túnica de monge que ele usava estava em frangalhos, impossível de continuar usando.

— Dedong, como você veio parar em T City? Pelo que sei, a cidade mais próxima do Monte Yide deveria ser S City, não? — perguntou Bai Ling, curiosa, olhando para Dedong, agora vestido com roupas novas.

— Não sei como vim parar aqui. Vi um carro na estrada e o segui até aqui. Nunca desci da montanha, não conheço os arredores — respondeu Dedong, agora mais calmo, recuperando a serenidade de um monge. Em momentos de crise, as pessoas perdem a compostura. O monge Dedong, ainda jovem, não conseguia a tranquilidade de um velho monge em meditação. Para uma criança, já estava de bom tamanho.

— Já registramos a ocorrência em S City. Amanhã de manhã, iremos a S City para prestar depoimento e ajudar na investigação. Se tudo estiver correto, será emitida uma ordem de captura nacional para seu irmão mais velho — disse Bai Ling, calmamente.

— Moça, quando pegarem meu irmão, ele será executado? — perguntou Dedong, hesitante. Embora o irmão tivesse matado o mestre, a amizade de infância fazia com que Dedong não quisesse que ele morresse. Afinal, o mestre já estava morto; se o irmão também fosse executado, ele ficaria completamente sozinho.

— Ai, ai, há pouco você me chamava de irmã Bai Ling com tanta doçura! Agora já é "moça"? — Bai Ling quase caiu na risada. Esse pequeno monge Dedong era tão fofo! Quando estava com medo, chamava de irmã; agora que não havia perigo, voltava à sua essência de monge!

Dedong, com uma cara de medo, murmurou baixinho:

— Mo... Irmã Bai Ling.

— Assim está melhor! Amanhã vamos chamar mais pessoas para ver se encontramos a cabeça do seu mestre e enterrá-lo direito, está bem? — disse Bai Ling, olhando para Dedong, lembrando-se do velho monge de semblante bondoso, sentindo o coração apertado.

Dedong pareceu lembrar da cena do assassinato do mestre e desatou a chorar, soluçando de dor. Bai Ling pediu a Xiao Li que saísse para comprar algo para comer. Durante aquele tempo, Dedong vivera com medo, sem comer direito, sem se aquecer, dormindo em arbustos ou lixões. Depois de chorar até se cansar, comeu e adormeceu.

— Tio Xiao Li, leve estes dez mil yuans para o Sr. Liu, da mercearia. Prometi uma recompensa a ele por telefone, mas com aqueles líderes por perto, não pude dar na frente deles. Agora, leve o dinheiro como um gesto de agradecimento.

— Está bem. Hoje, o chefe da delegacia e o capitão não me agradaram; só falam bonito — disse Xiao Li, também insatisfeito, achando que o dinheiro deveria ser entregue ao Sr. Liu.

Bai Ling não tinha falta de dinheiro; aquela quantia não significava nada para ela. O que importava era cumprir a palavra, honrar a promessa.

Xiao Li pegou a bolsa e saiu. Voltou cerca de uma hora depois, entregando um envelope a Bai Ling.

— O Sr. Liu ainda não quis? — Bai Ling sentiu o peso; parecia não ter diminuído.

— O Sr. Liu não quis. Depois de muita insistência, ele só aceitou mil yuans, achando que dez mil era demais — explicou Xiao Li.

— Na verdade, o Sr. Liu é uma pessoa honesta. Mesmo que não déssemos o dinheiro, acredito que ele teria ajudado do mesmo jeito. Ainda há mais pessoas boas do que más — refletiu Bai Ling.

— É verdade. Eu cresci órfão, comi em muitas casas na aldeia. Tomara que os bons tenham boa recompensa! — disse Xiao Li, sentando-se numa cadeira ao lado, refletindo. Bai Ling ouvia pela primeira vez sobre a situação familiar de Xiao Li. Falando nele, Bai Ling tinha uma boa impressão. Quando Bai Han, Qin Ruhua trouxeram Bai Ling e Wu Bin para B City, foi Xiao Li quem organizou a limpeza do quintal de Bai Han, cheio de mato e bagunça. Xiao Li também ajudava de vez em quando, sempre sorrindo.

Xiao Li trabalhava com o velho Sr. Lin há tanto tempo, sem mudar de cargo. Por um lado, o velho Sr. Lin gostava dele; por outro, Xiao Li era grato pela oportunidade que recebera.

— Tio Xiao Li, você ainda não se casou, né? Tem namorada? — perguntou Bai Ling, curiosa. Parecia que Xiao Li e Hu Ying tinham idades próximas, ambos militares, com assuntos em comum.

Xiao Li, ao ser perguntado, um homem grande e forte, corou...

Parecia que havia algo. Bai Ling continuou, animada:

— Se não tiver, posso apresentar alguém para você!

— Quem vai gostar de mim? O dinheiro que ganho, doo tudo para as crianças da aldeia estudarem. Como vou ter dinheiro para arrumar uma esposa? — disse Xiao Li, baixinho. Embora dissesse isso, pelo orgulho em seu rosto, não se arrependia do que fazia.

— Então, vou apresentar uma mulher rica para você! — disse Bai Ling, rindo. — Não precisa ganhar dinheiro para sustentar a casa!

Xiao Li beliscou o narizinho de Bai Ling, fingindo raiva:

— Isso não é me fazer viver às custas de uma mulher?

— Sabe, hoje em dia, viver às custas de uma mulher também exige talento, não é para qualquer um! Estou pensando nisso porque você é trabalhador, de bom coração — disse Bai Ling, insatisfeita.

— Acho melhor deixar para lá. Se houver destino, nos encontraremos mesmo à distância; sem ele, não adianta forçar. Tudo depende do destino — disse Xiao Li, rindo, já sem vergonha.

— Você passa o dia todo com homens, quando vai arrumar tempo para namorar? Além disso, daqui a alguns dias, a irmã Hu Ying vem para cá. Dê uma olhada nela. Se não tiver objeções quanto à aparência, podemos continuar conversando — disse Bai Ling, deixando aflorar seu lado fofoqueiro, desejando que todos ao seu redor tivessem uma família calorosa e feliz.

— Você está falando sério? — perguntou Xiao Li, rindo.