Capítulo 1311: Capítulo 1310 559 Balançar a Cabeça 29

Bai Ling sentiu-se aliviada, desde que o velho Lin não fosse afetado, estava tudo bem.

— Vovô, você é incrível. Depois disso, pode escrever ou ditar suas experiências passadas com o avô Zhao e o avô Qin, as guerras em que participou. Quando eu tiver tempo, mando alguém revisar e com certeza farei uma série de TV sobre temas militares, como um presente para o senhor e para os soldados que se sacrificaram pelo país — disse Bai Ling sorrindo.

O velho Lin passou a vida lidando com armas e espadas; embora ainda estivesse no cargo, já não se envolvia em assuntos. As produções audiovisuais atuais eram todas sobre romances como os de Qiong Yao, e os temas militares eram raríssimos, apenas os clássicos como *Guerra de Minas* e *Guerra de Túneis*. Além disso, em tempos de paz, sem guerra há muito tempo, alguns militares já perderam o espírito guerreiro. Se houvesse boas obras audiovisuais para inspirar o povo, não seria ótimo? Quanto a ser baseado no velho Lin, isso não importava.

— Está bem, vovô espera você fazer uma boa obra! — disse o velho Lin com alegria. — Não precisa me incluir, ser filmado como protagonista pela minha neta, eu não tenho essa cara de pau!

Bai Ling viu o velho Lin um pouco ruborizado e sorriu:

— Vovô, na verdade, só quero coletar alguns materiais do senhor. Quanto a registrar suas experiências passadas, é para os descendentes da família Lin verem, para que conheçam sua vida lendária.

O velho Lin pensou: era verdade. Bai Ling já dissera que teria um filho para dar continuidade à linhagem dos Lin. Fosse verdade ou não, ele ansiava por isso. Não havia mais outros parentes em casa, então a herança dos Lin precisava continuar.

— Xiao Ling, obrigado! — agradeceu o velho Lin.

— Vovô, por que está me agradecendo? Somos uma família. Quando eu tiver um filho, contarei a ele como o senhor foi corajoso. Mas não sei sobre seu passado, então só posso obter informações do senhor! — Bai Ling sabia por que ele agradecia. Ela sempre se lembrava de ter muitos filhos para dar continuidade às linhagens dos Bai e dos Lin.

— Hum, minha neta cresceu. Agora é só esperar notícias da Itália, tomara que encontrem informações relevantes! — suspirou o velho Lin, olhando para Bai Ling com grande satisfação.

— Vovô, eu cresci, vou cuidar do senhor e proteger a mamãe. Vocês são as pessoas mais queridas para mim! — disse Bai Ling sorrindo, com uma firmeza nos lábios que não passava despercebida. Após essa conversa, a determinação e a capacidade de decisão de Bai Ling eram raras, lembrando o estilo do velho Lin em seus tempos.

Na frente de Michelle estava um homem de cabelos ruivos, com costas eretas e corpo robusto, sem nenhum sorriso no rosto, e uma cicatriz de cinco centímetros na bochecha esquerda. Só ao olhar para Michelle na cadeira de rodas é que um leve sorriso e um toque de compaixão surgiram.

— Owen, há quanto tempo! — cumprimentou Michelle sorrindo. Se ela não falasse, aquele homem provavelmente ficaria parado ali para sempre.

— Há quanto tempo, Michelle! — disse Owen com um sorriso amargo. Lembrando do passado, quando viu Michelle e Craig se casarem, ele desistiu de tudo, voltou para sua terra natal na Itália e nunca mais voltou, forçando-se a não se importar com nada relacionado a Michelle. Até dois dias atrás, quando recebeu o telefonema dela, Owen reuniu todos os arquivos de Michelle. Depois de lê-los, quase teve vontade de se matar.

O príncipe e a princesa, depois de ficarem juntos, nem sempre encontravam a felicidade. A mulher que ele amava no coração quase havia partido deste mundo, quase se despedido para sempre. Owen, ao pensar nas promessas de Craig, queria dar uma surra nele. Não tinha prometido amá-la para sempre? Não tinha jurado fidelidade eterna? E agora? Nada disso se cumpriu. Por causa de sua doença, aquele canalha do Craig traiu Michelle com outras mulheres, mas também teve seu castigo: criou o filho de outro por anos.

— Desculpe, depois de tanto tempo, a primeira vez que procuro você é para pedir ajuda — disse Michelle com pesar. — Mas depois que fiquei doente, deixei de me envolver em muitas coisas, então não tenho em quem confiar, só pude recorrer a você.

Owen sentiu um misto de emoções, mas pelo menos ainda era a pessoa em quem ela mais confiava. Entregou a Michelle um envelope de papel pardo:

— Aqui estão todos os documentos. Não fique brava ao ler!

Michelle pegou o envelope com as mãos trêmulas, temendo que a pessoa ali mencionada fosse alguém que conhecia.

— Realmente é ele! — disse Michelle com um sorriso frio. Olhando o conteúdo abaixo, perguntou: — Tânia tem mesmo talento, conseguiu seduzir o marido de Anna, Jéssica. Anna participou disso?

— A pessoa que você mencionou é a tia de Joel, não é? — Owen tentou falar o mais baixo possível, com medo de assustar Michelle.

Michelle viu a expressão tensa de Owen e sentiu um calor no coração:

— Somos bons amigos, Owen. Seja você mesmo. Pode falar mais alto, não é como se eu não soubesse que Anna é a tia de Joel!

Owen relaxou com as palavras de Michelle, como se tivesse voltado a vinte anos atrás, falando sem restrições.

— Mesmo que ela não tenha participado, o marido e o filho, Eric, estiveram envolvidos! A propósito, Michelle, consegue adivinhar quem é considerado o filho de Tânia e Craig? — perguntou Owen com interesse. Já que podia dar uma indireta em Craig, por que não? Afinal, aquele canalha fez o que fez.

Michelle franziu a testa, pensou um pouco e, ao ver o sorriso de Owen, percebeu que a pessoa devia estar relacionada ao que ele acabara de dizer:

— É o marido de Anna, Jéssica?

— Michelle é muito esperta! — Owen continuava como antes: bastava Michelle dizer algo, e ele despejava uma enxurrada de elogios como se fossem de graça. Só Owen sabia que isso era apenas com Michelle; com os outros, ele sempre era seco. Mas Michelle parecia não saber disso.

Michelle olhou para Owen, lembrando-se da época da faculdade, quando ele era assim, e sorriu:

— Owen, pensei que você nunca mais fosse falar comigo.

O sorriso de Owen desapareceu, e ele disse com melancolia:

— Michelle, eu te amo. Se não tivesse me isolado, ao menor sinal seu, não conseguiria me controlar e iria atrás de Craig. Não foi por não querer falar com você, mas porque já não tinha direito. Mas agora estou aqui, pronto para te reconquistar. Embora você não tenha se casado com Craig, ele já te traiu, foi ele quem quebrou a promessa comigo.

Michelle, com as palavras diretas de Owen e seu olhar ardente, sentiu um rubor incomum em seu rosto pálido e disse baixinho:

— Do jeito que estou agora, você ainda se interessa por mim?

— Michelle, não duvide da minha sinceridade. Se eu soubesse do que Craig fez, teria vindo antes. Desde que você esteja viva, não peço mais nada. Talvez você não saiba, mas até hoje não me casei — explicou Owen, observando o rosto de Michelle. Embora a juventude tivesse passado, ainda se viam os traços da beleza de outrora.

— Por quê? — Michelle olhou para Owen surpresa. Na idade dele, não ter se casado era realmente surpreendente. Mesmo que ele pessoalmente não quisesse, como herdeiro da família, seria forçado a se casar.

Os olhos de Owen se fixaram em Michelle com ternura, como se quisesse gravar cada detalhe dela na mente. Depois de um tempo, murmurou:

— Se existe uma mulher assim no mundo, todas as outras são apenas acomodações.

Michelle olhou fixamente para Owen, com os olhos cada vez mais embaçados. Sinceramente, era a declaração de amor mais tocante que já ouvira. Na época, embora tivesse escolhido Craig, era por um certo gosto por ele e pela pressão da família, então abandonou o sentimento de Owen. Agora, aquele homem estava diante dela, com a mesma paixão de antes. Independentemente do que viesse, aquela expressão já a comovia. Uma ideia vaga surgiu em sua mente: "Se eu me curar, preciso conhecer Owen de novo e pagar sua devoção por toda a vida."

Owen e Michelle se olharam, como se o tempo tivesse parado, só existindo os dois. Até que Joel voltou de fora e, ao ver a mãe no jardim conversando com um homem de porte atlético, parou para ouvir o que diziam.

A empregada trouxe o remédio preparado. Joel pegou e levou até lá:

— Mãe, tome o remédio!

Owen olhou para Joel, magro, com traços que herdaram seis décimos da aparência de Michelle. Embora soubesse que Joel era filho de Michelle e Craig, sentia ciúmes, mas o rosto tão parecido com o de Michelle fez seu coração amolecer. Diante daquele rosto, Owen não conseguia odiar.

Michelle pegou a tigela de remédio, bebeu, depois tomou um pouco de chá de crisântemo ao lado para enxaguar a boca, colocou a tigela na bandeja e mandou a empregada levar embora.

— Joel, este é o tio Owen! — apresentou Michelle.

Joel não gostou daquele tal de Owen. O olhar que o homem lançava à mãe o deixava muito desconfortável. Não era à toa: quem gostaria de ver um estranho encarando a própria mãe? Mas, ao ver o olhar ansioso da mãe, não teve coragem de recusar.

— Olá, tio Owen! Muito prazer em conhecê-lo! — Joel enfatizou muito a palavra "prazer", deixando claro que não estava satisfeito.

Ouvindo a insatisfação de Joel, Owen ergueu as sobrancelhas. O garoto não só herdara a aparência, mas também o temperamento. Isso agradou Owen. Ele pensou que, já que não tinha filhos, o filho da pessoa amada seria como seu próprio filho. Além disso, para conquistar a bela, precisava primeiro lidar com aquele pequeno.

— Joel, este é o tio Owen. Ele trouxe algumas informações. Dê uma olhada, espero que não fique muito decepcionado! — Michelle entregou o envelope pardo a Joel, com um tom de pesar. Tânia não importava, Jéssica e o primo Eric também não, mas a tia de Joel, Anna, sim. Anna, embora sem personalidade forte e não muito inteligente, era muito gentil e afetuosa. Antes, quando Michelle estava mal e tinha pouco tempo para cuidar de Joel, Anna vinha ajudar a cuidar dele. Esse laço não se rompia facilmente. Michelle dera a vida a Joel, mas Anna o criara.

Joel pegou o envelope, tirou os papéis e leu rapidamente:

— E agora? Mesmo que não queiramos investigar, acha que a família Xi e o pai da senhora Xi não vão investigar?

— Sim, também pensei nisso. Mas Jéssica e Eric foram longe demais, indiretamente tentaram tirar a vida de nós dois. Por esse lado, não os perdoarei — suspirou Michelle. — Pena da sua tia Anna, uma pessoa tão boa!

— Tia... — Joel também estava em dúvida. Se não fizesse nada, seria injusto consigo mesmo e com a senhora Xi, que quase morreu, e ainda grávida. Se escondesse a verdade da família da tia, talvez a senhora Xi ficasse muito decepcionada. Mas, se buscasse justiça para ela, o que seria da pobre tia? Uma mulher frágil, que não suportaria perder o marido e o filho, provavelmente desabaria.

— Mãe, o que fazemos agora? — perguntou Joel, hesitante, sem conseguir decidir.

— Sei que Jéssica e Eric foram muito longe, mas, por consideração à sua tia, vamos deixá-los passar desta vez. Quanto a Tânia, já lhe dei uma chance antes. Ela não a valorizou, então não me culpe — Joel planejava colocar Tânia como responsável por tudo, tirando Jéssica e Eric da jogada, dando-lhes uma chance.

Michelle também pensava assim e concordou:

— Mas eles não podem ficar sem punição. Conte a verdade ao seu pai e o resultado da nossa decisão. Ele cuidará de Jéssica e Eric.

Owen, ao ouvir Michelle dizer "seu pai", apertou os olhos. Era necessário ter uma boa conversa com Craig e perguntar que direito ele ainda tinha de amar Michelle.

Joel preparou os documentos e foi para a casa dos Xi. Antes de sair, olhou para Owen e depois para a mãe, sem dizer nada, mas guardou no coração: precisava investigar quem era Owen, que em tão pouco tempo conseguira informações tão detalhadas, não era tarefa simples. Além disso, ele conhecia a mãe, o que reduzia o círculo de busca, não devia ser difícil.

Embora Joel soubesse que havia uma rachadura entre os pais, como filho, não desejava que eles ficassem juntos para sempre, com um lar acolhedor?

Depois que Joel saiu, Owen sorriu amargamente. Se tivesse se casado com Michelle na época, Joel seria seu filho, e não estaria sozinho como agora.

Michelle viu as olheiras de Owen e disse:

— Owen, você deve estar cansado. Mandei preparar um quarto de hóspedes, pode dormir aqui.

Owen olhou para Michelle com fascínio, aproximou-se, tocou seu rosto e disse baixinho:

— Vou ficar no hotel. Ficar muito perto de você, tenho medo de não me conter — disse Owen, e saiu a passos largos.

Para quem via de fora, Owen parecia um excêntrico, mas Michelle o conhecia: ele não queria colocá-la em uma situação difícil. Embora houvesse uma rachadura entre Michelle e Craig, eles ainda não estavam divorciados. Owen não queria deixar uma mancha para Michelle. Mesmo tendo dito que a reconquistaria, só agiria depois de encontrar Craig e esclarecer tudo.

Michelle não o impediu. Quanto a Owen, seus sentimentos eram complexos. Decidiria depois de se curar.

Joel reorganizou os documentos e foi à casa dos Xi, entregando-os a Bai Ling. Ela estava alimentando a mãe, Bai Han, pessoalmente, deixando Xi Side ao lado sem ter o que fazer, só olhando.

Assim que Bai Ling viu o envelope pardo nas mãos de Joel, soube que algo havia progredido. Colocou a tigela na mão de Xi Side e disse:

— Mãe, deixe o pai Xi terminar de te alimentar.