O guarda-costas Xiao Li, do velho Lin, e o guarda-costas de Zhao Datou, naturalmente, também os seguiram, protegendo de perto os líderes — essa era a sua função.
— Xiao Ling, você e o Joel podem ir devagar atrás. Eu vou primeiro com o velho Lin! — Xiao Li ainda se lembrou de avisar Bai Ling antes de correr, e depois disso, foi atrás dos dois velhos brincalhões.
Esta montanha chamada Yide tinha pouco mais de mil metros de altitude, mas o terreno era relativamente suave e um pouco sinuoso, então, para chegar ao meio da encosta, levaria pelo menos duas horas. Bai Ling e Joel sabiam que, se corressem com toda a força montanha acima, talvez não conseguissem chegar ao destino e acabariam exaustos, sem conseguir se mexer; era melhor andar devagar, assim demoraria mais, mas teriam fôlego suficiente para, pelo menos, chegar ao Templo Yide no topo.
Finalmente, quase ao anoitecer, Bai Ling e Joel chegaram ao Templo Yide. Xiao Li já estava esperando na entrada e, ao ver Bai Ling, veio ao seu encontro perguntando:
— Xiao Ling, vocês finalmente chegaram! O templo já preparou a refeição vegetariana, está esperando por vocês!
Bai Ling finalmente entendeu o que significava "um pequeno templo não pode abrigar um grande Buda". Este Templo Yide era realmente minúsculo, composto apenas por alguns pátios, muito simples. Talvez os monges fossem diligentes, pois estava limpo por dentro e por fora. Ao lado do templo, havia muitas terras cultivadas, com várias hortaliças e frutas plantadas, provavelmente suficientes para a subsistência.
Ao entrar no refeitório, viu apenas três monges. O mais velho, com a barba toda branca, sem nenhum traço de outra cor, longa e caindo abaixo do queixo, estava conversando com o velho Lin e o velho Zhao. Outro monge, jovem, com cerca de vinte e poucos anos, estatura mediana e aparência simples, estava servindo arroz para todos. O terceiro era um pequeno monge, de uns sete ou oito anos, rechonchudo, vestindo uma túnica de algodão, distribuindo os pauzinhos para todos.
Quando o pequeno monge chegou perto de Joel, ele claramente se assustou, murmurando:
— Amitabha, que assim seja, que assim seja!
Bai Ling, ao lado, ria sem parar. Olhando ao redor, não havia nenhum eletrodoméstico; no salão, ainda usavam velas. Provavelmente, o pequeno monge nunca tinha visto um estrangeiro, e este templo, no fundo das montanhas, não recebia visitantes, então, ao ver alguém de cabelos loiros, olhos azuis e pele clara, ficou com medo.
Joel não entendia por que o pequeno monge se esquivava, nem compreendia o que ele dizia, e perguntou curioso:
— O que ele está dizendo? — Joel falou em alemão, que o pequeno monge nunca tinha ouvido e não entendia, ficando ainda mais assustado. Depois de distribuir os pauzinhos tremendo, ele se escondeu atrás do mestre, sem falar nada, apenas ocasionalmente mostrando a cabeça grande e o rostinho rechonchudo, espiando Joel para ver se ele tinha se transformado num monstro de nariz azul e presas.
— Ele acha que você é um monstro. Provavelmente, a criança nunca viu um estrangeiro, talvez nunca tenha saído desta montanha! — disse Bai Ling rindo. Pensando na mochila cheia de biscoitos e chocolates, Bai Ling decidiu que depois iria brincar com o pequeno monge, para animá-lo!
Joel, sem saber se ria ou chorava, olhou para o pequeno gordinho, e esse olhar fez o pequeno monge se esconder novamente atrás do mestre. A ação do monge fez todos rirem.
— Dedong, saia daí. Ele é humano, não é um demônio! — disse o velho monge, puxando o pequeno monge que estava atrás dele para a frente. — Hehe, desculpem a todos, meus amigos! Esta criança, eu a encontrei no sopé da montanha num inverno, há sete anos, por isso lhe dei o nome de Dedong. Ele nunca desceu a montanha, nunca viu o mundo! Este aqui é Dexia, um órfão que encontrei durante minhas peregrinações. Ele tem problemas de audição, provavelmente por isso foi abandonado.
— Mestre, sua compaixão é admirável! — disse o velho Lin sorrindo.
— Não é nada disso. Mas nestes anos, eles me acompanham, e nós três praticamos aqui em paz, vivendo contentes e autossuficientes. Isso é a misericórdia do Buda! — respondeu o grande monge sorrindo. — Já se passaram décadas, e eu sabia que vocês voltariam. — Essa frase do grande monge deixou o velho Lin e Zhao Datou quase sem fôlego. Os dois se entreolharam e riram com constrangimento.
— Venerável monge, por que diz isso? — perguntou o velho Lin curioso, e essa era também a razão pela qual ele tinha vindo.
— Dedong, Dexia, levem os jovens devotos para descansar em outro pátio — disse o velho monge com um sorriso suave, acariciando a cabeça raspada do pequeno discípulo Dedong, com um olhar gentil.
Dexia, segurando a mão de Dedong, levou Bai Ling, Joel e os dois guarda-costas para outro pátio, deixando o velho Lin, Zhao Datou e seus respectivos guarda-costas.
No caminho, Dedong, que antes se escondia ao lado do irmão mais velho, depois de observar, percebeu que aquele de cabelos amarelos não parecia um demônio nem uma pessoa má. Aos poucos, ele saiu de perto do irmão e olhou abertamente para Joel.
Bai Ling disse rindo:
— Dedong, vem aqui com a irmã, que eu te dou uma coisa gostosa!
Dedong balançou a cabeça e disse:
— Obrigado, devota, Dedong não quer!
Como Bai Ling era uma moça, deram-lhe um quarto separado. O kang aquecido já estava pronto, o ambiente era muito quente, e sobre o kang havia uma camada de colchão e lençóis. Joel colocou a mochila de Bai Ling sobre o kang.
Dexia foi cuidar de Joel e dos dois guarda-costas, enquanto Dedong, muito educado, foi buscar água quente para Bai Ling se lavar. Vendo Dedong tão responsável, Bai Ling tirou tudo o que tinha de comida na mochila: alguns pacotes de biscoitos, chocolates, bolinhas de chocolate e salsichas. Se soubesse que havia um monge tão fofo na montanha, com certeza teria trazido mais guloseimas.
Dedong, tremendo, carregava uma bacia de madeira e disse:
— Devota, aqui está água quente. Lave o rosto e os pés! — Dedong tentava parecer calmo, mas afinal era apenas uma criança de sete ou oito anos.
— Obrigada, Dedong! — Bai Ling apontou para a cadeira à frente. — Senta aí, vou te dar uma coisa gostosa! — E pegou um tablete grande de chocolate e o entregou a Dedong. A embalagem já estava aberta por Bai Ling.
Bai Ling achava Dedong muito fofo, e por viver tanto tempo na montanha, ele era muito ingênuo.
Dedong não sabia o que era aquilo que Bai Ling segurava, mas queria muito experimentar. Olhou para fora, viu que o irmão Dexia não estava, e então pegou o chocolate que Bai Ling lhe oferecia, dizendo:
— Obrigado, devota! — A criança não resistiu à tentação. Deu uma mordida leve, franziu a testa, depois a relaxou, exibindo um sorriso satisfeito.
— É gostoso? — perguntou Bai Ling curiosa, provocando Dedong.
— É gostoso! — respondeu Dedong com uma voz clara e doce. Assim, Dedong parecia uma criança de verdade, não um pequeno adulto fingido.
Bai Ling pegou um pacote de biscoitos e disse:
— Experimenta este biscoito doce de leite! É muito bom! — Bai Ling, como de costume, abriu o saco plástico para Dedong.
Dedong, obediente, pegou um biscoito e comeu, fechando os olhos de felicidade. Dedong nunca tinha descido a montanha, raramente comia doces, muito menos esses doces e biscoitos sofisticados. Bai Ling sentiu os olhos se encherem de lágrimas. Pegou uma salsicha e disse:
— Experimenta esta também, salsicha é muito gostosa!
Dedong a pegou e ia comer, mas viu que na embalagem havia porco. "Uáá", ele começou a chorar, soluçando:
— Você está me maltratando! — E, esfregando os olhos com as mãos, virou-se e saiu correndo. Depois de alguns passos, voltou, pegou o pacote de biscoitos que Bai Ling lhe dera, e a encarou com raiva.
Bai Ling ficou confusa com aquela reação, sem entender o porquê. Pegou a salsicha meio descascada, olhou com atenção e de repente entendeu: os ingredientes incluíam carne de porco. Monges não comem carne, e Bai Ling tinha se esquecido disso. Além do mais, a maioria das salsichas é feita de farinha, com pouca carne, por isso ela tinha esquecido esse detalhe. Bai Ling realmente não teve intenção, não queria tentar o pequeno monge a quebrar os preceitos. Mas, pensando na reação de Dedong, ela caiu na gargalhada.
Dedong, ouvindo a risada de Bai Ling na entrada do pátio, chorou ainda mais alto.
Bai Ling se lavou com água quente, vestiu o pijama e se preparou para descansar.
O velho monge levou o velho Lin e Zhao Datou para a sala de meditação. Depois de se sentarem, disse:
— Você veio por causa da grande faca na caixa ao seu lado e da sua neta.
O velho Lin assentiu e disse:
— Venerável monge acertou. São essas duas coisas. Quero saber o que há de errado com esta faca.
O venerável monge olhou para a caixa de jacarandá e disse lentamente:
— Esta faca matou demais, e a maioria dos mortos eram pessoas extremamente más, sem chance de reencarnação. Os espíritos rancorosos se agarraram a esta faca. Quando você está forte, a faca não ousa prejudicá-lo; mas quando você está fraco, ela enfeitiça sua mente, e em casos graves, você pode se matar com ela.
O velho Lin agora acreditava plenamente no grande monge e disse apressadamente:
— Há dez anos, tive uma doença grave e quase morri, estava muito fraco. Esta faca ficava no meu escritório. Cada vez que eu entrava, parecia que uma voz no meu ouvido me mandava me matar.
O grande monge assentiu, indicando que correspondia à sua dedução. Zhao Datou, ao lado, perguntou surpreso:
— Irmão, por que nunca me contou?
O velho Lin sorriu amargamente e disse:
— Na época, pensei que fosse alucinação, nem imaginei que fosse isso. No meu momento de maior sofrimento e fraqueza, encontrei Bai Han, bebi chá de crisântemo e fiz uma série de tratamentos, e assim escapei daquela vez. Senão, já teria partido deste mundo.
— Mas você não está curado agora? Está doente de novo? — perguntou Zhao Datou, preocupado, muito amigo do velho. Zhao Datou também já tinha passado pela beira da morte e conhecia aquela dor.
O velho Lin e Zhao Datou eram amigos de longa data, com total confiança um no outro. Ele disse:
— Desta vez não sou eu, é Xiao Ling. Agora, sempre que ela vê esta faca, tem dor de cabeça. E na mente dela, sempre há vozes assim ou assadas mandando-a matar pessoas.
O velho Lin olhou para o grande monge e perguntou:
— Por que isso acontece?
O grande monge, com um sorriso no rosto, disse:
— É porque Bai Ling tem um demônio interior no coração. O chamado demônio interior é quando, por teimosia, a pessoa desperta outra personalidade, fazendo coisas que normalmente não faria. E os espíritos rancorosos dentro da faca viram o demônio interior no coração de Bai Ling.
— E como resolver? — perguntou o velho Lin ansioso, preocupado. Para Bai Ling e Bai Han, o velho Lin dedicava quase todo o seu carinho, especialmente a Bai Ling, que era muito querida e sempre foi compreensiva desde pequena.
— Esta sua faca precisa ficar diante do Buda por um ano, para ser purificada com sutras, permitindo que eles renasçam cedo. Quanto à sua neta Xiao Ling, amanhã falarei pessoalmente com ela — disse o grande monge misteriosamente.
O velho Lin deixou a faca com o grande monge e disse:
— Confio ao mestre! Se precisar de algo, é só falar! Farei o que for possível.
O grande monge assentiu e disse sorrindo:
— Na verdade, tenho um pedido a fazer ao devoto.
— Venerável monge, pode falar à vontade. Farei o possível! — garantiu o velho Lin.
— Meu tempo neste mundo é curto, então peço que cuide dos meus dois discípulos. Dexia, embora seja mais velho, não ouve nem fala; Dedong é esperto, mas muito jovem. Embora os monges sejam desapegados de tudo, estas duas crianças foram criadas por mim. Quando eu partir, não ficarei tranquilo com eles — disse o grande monge calmamente, sem demonstrar tristeza por estar perto da morte, como se falasse de algo sem importância.
O velho Lin disse:
— Garantirei a segurança deles. Mesmo que eu não esteja mais neste mundo, minha neta cuidará disso. Esta é minha medalha de honra mais preciosa. Guarde-a. Se precisar de algo, pode usá-la para me encontrar. Também vou deixar meu número de telefone. Pode me ligar. Com certeza farei o que for possível.
O grande monge sorriu e assentiu, dizendo:
— Devo-ta, sua grande bondade, este monge lembrará.
— A propósito, venerável monge, minha filha tem grande habilidade médica. Que tal voltar comigo e deixar que ela o examine? — disse o velho Lin. — Se minha filha não estivesse grávida, eu a traria aqui, sem problemas. Mas agora não pode. Ela foi baleada recentemente, está se recuperando e não pode se movimentar à vontade.
O grande monge balançou a cabeça e disse:
— Não é necessário. Este ano já tenho noventa e cinco anos. Tudo segue o destino.
O velho Lin e Zhao Datou não disseram mais nada, respeitando a vontade do grande monge.
— Já é tarde. Descansem cedo — disse o grande monge, acompanhando pessoalmente o velho Lin e Zhao Datou até os aposentos. — É simples, devotos, não se importem.
— Venerável monge, não precisa se preocupar! Nós é que estamos incomodando! — disse o velho Lin respeitosamente, entrando no quarto com Zhao Datou.
Dedong e Dexia trouxeram água quente para lavar o rosto e os pés. Especialmente Dedong, ao passar pelo quarto de Bai Ling, sempre olhava, pensando como os biscoitos e o chocolate eram gostosos.
Como fazia muito frio na montanha, o kang precisava ser aquecido por muito tempo. Dexia tinha que se levantar de madrugada para adicionar lenha e continuar aquecendo, mantendo o ambiente quente.
Talvez por estar perto do Buda, Bai Ling dormiu a noite toda até o amanhecer, sem pensamentos ruins, sem pesadelos! Na manhã seguinte, quando Bai Ling se levantou, Dedong rapidamente trouxe água para ela lavar o rosto. Enquanto Bai Ling se lavava, Dedong olhava furtivamente para as guloseimas na cabeceira da cama dela, engolindo saliva.
Bai Ling, vendo aquilo, quis rir e disse:
— Ontem não foi de propósito. Esqueci que a salsicha tinha carne. Desculpa!
Dedong, vendo Bai Ling se desculpar, disse com voz clara:
— Não tem problema, eu te perdoo! — Os dois olhos dele ora olhavam para Bai Ling, ora para os lanches na cama.
Bai Ling ainda queria provocar o pequeno monge fofo, mas ao ver o rostinho rechonchudo com olhos de cervo, não teve coragem e disse:
— Fique com a salsicha para mim. O resto é todo seu. Quando eu voltar, mandarei muitas outras guloseimas para você, está bem?
Dedong, vendo Bai Ling tão boa, sorriu e disse:
— Está bem! Ah, o irmão mais velho já está preparando o café da manhã. Vamos sair rápido!
Quando Bai Ling saiu, Joel já estava esperando por ela do lado de fora. Ao chegar ao refeitório, o velho Lin e o velho Zhao já estavam lá. Dexia estava servindo o café da manhã para todos, e Dedong, como de costume, distribuía os pauzinhos. O café da manhã era mingau e pão cozido no vapor, com acompanhamento apenas de tiras de rabanete seco. Embora simples, era muito gostoso. Bai Ling comeu duas tigelas de mingau e dois pães, e eram pães grandes! O pequeno monge Dedong ficou de boca aberta de espanto. O irmão Dexia sempre comia muito, mas hoje tinha visto alguém que comia ainda mais.