Bai Ling quase se engasgou ao ouvir Joel dizer algo assim. Onde estava aquele garoto frio e cheio de si que ela conhecia antes? Ela perguntou, incrédula: "Essas famas vazias realmente podem trazer felicidade para alguém? Lá fora, tudo é brilhante e bonito, mas quando você volta para casa, são apenas paredes frias e luzes. Que tipo de vida é essa?"
Joel pensou por um momento e sorriu: "Já sei o que fazer!"
Bai Ling entendeu e disse: "Na verdade, você sempre soube o que fazer, só não conseguia tomar uma decisão. Pense bem, já somos adultos, teremos nossas próprias vidas no futuro. Quem pode acompanhar a mãe até a velhice é o companheiro dela. Essa é a principal razão pela qual, desde que minha mãe se separou do meu pai biológico, sempre apoiei que ela encontrasse um bom homem. Por melhores que sejam os filhos, não substituem um bom companheiro!"
Joel ia falar algo quando viu, na entrada, mais de uma dúzia de homens vestindo ternos pretos se aproximando. O líder, um homem enorme como um urso, era Owen. Bai Ling olhou para o grupo ameaçador e encolheu a cabeça, perguntando: "Isso é da sua família?"
Joel olhou para Owen ao longe, um pouco desconfortável, e disse baixinho: "Não!"
Vendo Joel um pouco estranho, Bai Ling entendeu que o desconforto dele provavelmente vinha daquele homem, e perguntou novamente: "Um pretendente da tia Michelle?"
"Hum!" Joel abaixou a cabeça, sem falar nada, e nem olhou para Owen, que já se aproximava.
Conforme Owen se aproximava, Bai Ling sentiu como se o céu acima dela estivesse coberto, ficando apenas na sombra de Owen.
"Joel, não vai me apresentar?" Owen fingiu não notar o desconforto de Joel e perguntou despreocupadamente.
Bai Ling olhou para a maneira descontraída de Owen e pensou: "Esse cara é muito atrevido, né? Perseguir a mãe de alguém na frente do filho. Parece que a tia Michelle ainda não se divorciou do Craig, e ele já entra na casa como se fosse dono. Se fosse comigo, minha cara provavelmente estaria pior que a do Joel!"
"Owen, esta é Bai Ling, filha da Sra. Xi. Bai Ling, este é Owen, amigo da minha mãe!" Joel disse calmamente. Antes de conversar com Bai Ling, Joel tinha dificuldade em lidar com a perseguição de Owen à sua mãe, Michelle. E na noite anterior, Michelle tinha contado a Joel que estava planejando se divorciar do pai dele.
Owen, claro, sabia que aquela era a filha da Dra. Michelle. Ele tentou ser o mais gentil possível, ajustando a expressão para parecer mais amigável. Mas o efeito não foi muito bom, talvez por raramente sorrir, seu sorriso parecia forçado. Somado às cicatrizes no rosto, Bai Ling não sabia por que, mas conseguia ver um toque de comédia no rosto de Owen.
"Prazer em conhecê-la, pequena Bai Ling!" Owen disse com um sorriso, estendendo a mão para cumprimentá-la.
Bai Ling, lisonjeada, estendeu a mão rapidamente e sorriu: "Olá! É uma honra conhecê-lo!"
"Obrigado por cuidar tão bem da Michelle. Você e sua mãe são boas pessoas!" Owen elogiou, com um olhar sincero.
Bai Ling suou frio, sem saber como descrever a situação. Ser elogiada como boa pessoa logo de cara a deixou sem saber como responder. Se negasse, pareceria que não era boa pessoa; se aceitasse, sentia que não merecia. Só podia dizer que Owen tinha uma habilidade impressionante em elogiar. Bai Ling apenas sorriu e deixou passar.
Com a mente renovada, Michelle deixou Bai Han ficar. Depois que Joel levou Bai Ling para fora do quarto, ela ficou em silêncio, com um sorriso preocupado no rosto.
"Michelle, o que foi? Há pouco estava tudo bem, e de repente você está com o rosto fechado?" Bai Han perguntou curiosa, sabendo que a doença de Michelle piorava com preocupação excessiva, então queria ajudá-la a não pensar demais.
Michelle respirou fundo, se acalmou um pouco, e disse devagar: "Ontem eu contei ao Joel que vou me divorciar do Craig!"
"Ah?" Bai Han ficou surpresa, mas logo entendeu. O divórcio de Michelle e Craig era questão de tempo. Depois de pensar, não era tão surpreendente. Desde que Michelle soube do que Craig tinha feito, houve divergências entre os dois. Agora, mesmo quando se viam, só havia constrangimento, sem a antiga ternura.
"Surpresa?" Michelle deu um sorriso amargo. "Quem já passou pela morte deseja ainda mais um amor verdadeiro."
Bai Han, com medo de que Michelle interpretasse mal, apressou-se em explicar: "Michelle, se há amor, fiquem juntos; se não há mais amor, o melhor é se separar!"
"Só tenho medo de que Joel pense demais, afinal, ele ainda é uma criança!" Michelle disse preocupada, lembrando da reação de Joel na noite anterior, sentindo que tinha sido imprudente.
Bai Han sorriu e disse: "Michelle, a pessoa mais próxima de Joel é você. Se ele realmente quer sua felicidade, não vai se opor. Você mesma disse, quem já passou pela morte vê muitas coisas com mais clareza. Pense na Ling, por exemplo. Você sabe da minha história. Depois que me separei do pai da Ling, só pensava em criar minha filha, estudar medicina e não queria mais nada. Mas minha filha não pensava assim. Ela achava que a culpa não era minha, e que eu merecia um homem que me amasse de verdade. Foi assim que conheci meu atual marido, Xi Side. Levei muito tempo para aceitá-lo, tudo por causa de uma frase da minha filha: só quem realmente ama a si mesmo pode amar os outros. Se você tem alguém de quem gosta, ou alguém adequado para passar a vida, não deixe escapar!"
Michelle não pôde deixar de rir: "Não imaginava que a Ling, tão nova, entendesse tanto. Eu e ele já perdemos mais de vinte anos, não quero perder mais."
"Pois é, ela é uma pestinha. Não é à toa que, quando cheguei, vi que o Joel não estava com boa cara. Mas pode ficar tranquila, com a mania da Ling de ir até o fundo das coisas, talvez ela já tenha descoberto tudo da boca do Joel e até convencido ele. Então não se preocupe. Joel pode ser uma criança aos seus olhos, mas já é adulto. Você pode falar abertamente com ele, e ele terá seu próprio julgamento. Não se preocupe, fique tranquila!" Bai Han a consolou.
Com o consolo de Bai Han, Michelle se sentiu mais aliviada. Ia mudar de assunto quando ouviu uma batida na porta. Entrou um homem alto e forte.
"Você veio?" Michelle falou como se estivesse recebendo um marido em casa. Bai Han, sendo perspicaz, percebeu logo o tom.
"Eu bati no Craig!" Owen disse assim que entrou, contando o que tinha feito na Europa, confessando a Michelle, como sempre, sem esconder nada, de forma franca.
"Ah? Eu já disse, o que passou, passou. Não precisa mais se preocupar. Por que você foi bater no Craig?" Michelle reclamou, mas sem raiva, pois entendia muito bem Owen. Se ele não tivesse batido no Craig, é que seria estranho.
Owen disse com arrogância: "Você perdoá-lo é problema seu. Eu bati nele porque ele não cumpriu a promessa. Mereceu! Já disse a ele que agora estou oficialmente te cortejando!"
Bai Han ficou chocada com a declaração tão direta de Owen. Existia um homem assim no mundo, perseguindo a esposa de outro com tanta convicção? Raro. Bai Han pensou o mesmo que Bai Ling, grandes mentes pensam igual.
"Já enviei a ele o pedido de divórcio. Todos os meus bens serão transferidos para o nome do Joel. Assim, podemos ficar juntos sem amarras, sem nos preocupar com status ou outras bobagens." Michelle disse com um sorriso, sem se envergonhar pela presença de Bai Han. Bai Han admirou internamente a franqueza dos dois. Talvez os estrangeiros sejam mais diretos, diferente dos chineses, mais contidos.
"Que bom. Quando recebermos o documento de volta do Craig, poderei beijar minha deusa abertamente!" Owen disse alegremente, controlando o impulso de abraçar Michelle.
As palavras e ações de Owen fizeram Bai Han vê-lo com outros olhos. Parece que esse estrangeiro também entende um pouco do conceito chinês de "agir com sentimento, mas parar com respeito".
Michelle olhou para Owen e disse: "Esta é minha grande amiga, Bai Han! Bai Han, este é Owen!"
Embora já soubesse pelas informações que Bai Han e Bai Ling eram mãe e filha, ao ver Bai Han pessoalmente, Owen se surpreendeu com o fato de que elas não pareciam mãe e filha, mas sim irmãs.
Owen apenas cumprimentou educadamente e agradeceu a Bai Han por cuidar de Michelle. Bai Han pensou que a gentileza daquele homem provavelmente era reservada apenas para Michelle; com os outros, ele era seco. Não sabia por que Michelle tinha deixado um homem tão bom para se casar com Craig.
"Michelle, Owen, eu ainda tenho algo a fazer, vou indo. Não vou atrapalhar vocês." Bai Han estava mais à frente, e Owen atrás dela, então ela piscou para Michelle, como quem diz: "Esse cara é bom, agarre!"
"Então até logo. Depois vou até aí, não precisa você vir sempre até aqui." Michelle corou, mas inteligentemente mudou de assunto.
Quando ia sair, Bai Han se virou e disse: "Michelle, esqueci de combinar uma coisa com você. Quero convidar vocês para a China. Sabe, meu pai está sozinho na China, muito solitário, e eu estou há muito tempo sem voltar para casa. Por causa da identidade dele, ele não pode se movimentar à vontade. Da última vez, precisei de uma centena de seguranças para ele vir até aqui, arriscando. Então estou planejando voltar para vê-lo no festival tradicional chinês, o Ano Novo."
Michelle sabia que Bai Han estava pensando nela. Originalmente, Bai Han era apenas uma médica, e fazer tudo isso por ela já era motivo de grande gratidão. Ela sorriu e disse: "Que bom! Estou querendo conhecer a China!"
"E a segurança? Não vai ter problema?" Owen perguntou, claramente desconhecendo a China, mas sua preocupação tocou Michelle.
Bai Han se adiantou e disse: "Se você conseguir nos levar em segurança até meu pai, não teremos problemas! Eu garanto!"
Owen, vendo Bai Han falar assim, não insistiu. Ele assentiu e perguntou: "Quando vamos partir? Vou organizar o pessoal."
"Daqui a mais ou menos meio mês. Ainda preciso comprar algumas coisas." Bai Han respondeu.
Owen assentiu, indicando que entendeu, e não disse mais nada.
"Então está bem. Quando chegar a hora, você vai ver as paisagens da China!" Michelle disse sorrindo, vendo a preocupação nos olhos de Bai Han. "Pode ficar tranquila, com o Owen aqui, ninguém vai nos machucar de novo!"
Owen, com as palavras de Michelle, exibiu uma expressão orgulhosa, como uma criança, murmurou Bai Han.
Bai Han esperou por Bai Ling na porta. Bai Ling, por último, disse baixinho a Joel: "Você terá sua própria vida no futuro. Não pode ser egoísta e deixar a tia Michelle sozinha! Pense mais na sua mãe!"
Joel, sem querer, tocou a mão de Bai Ling e sussurrou no ouvido dela: "Já entendi!"
Bai Han viu a intimidade entre a filha e Joel, que parecia ultrapassar a distância normal. Quando chegaram ao carro, ela perguntou cautelosamente: "O que vocês estavam conversando?"
"Joel disse que a tia Michelle vai se divorciar do Craig. Ele ficou muito triste, meio sem saber o que fazer, mas eu já o aconselhei, e agora ele entendeu." Bai Ling explicou, sorrindo como uma gatinha esperta, se gabando para a mãe de ter feito mais uma boa ação.
Bai Han já imaginava que seria isso, afinal, Bai Ling saiu da sua barriga, ela a conhecia bem.
"Mas o comportamento de vocês dois parece um pouco íntimo. É melhor tomar cuidado!" Bai Han queria ensinar Bai Ling que uma garota deve ser estável e cuidadosa, e como era nova, devia ser mimada, mas não deixar que a levassem tão cedo. As crianças estrangeiras amadureciam cedo, e Bai Han aceitava bem a cultura ocidental, mas nesse ponto, mantinha a tradição chinesa.
Bai Ling revirou os olhos e disse: "Mãe, com qual olho você viu intimidade entre eu e o Joel? Só troquei algumas palavras com ele, e você já está assim. Se for assim, não vou mais vê-lo. Se for inevitável, não vou falar com ele, está bom?"
"Sua pestinha, eu só falei uma coisa, e você já tem um monte de respostas na ponta da língua. Que filha ingrata!" Bai Han beliscou o rosto de Bai Ling, sentindo que tinha menos carne do que antes, e ficou preocupada. "Minha pequena Ling emagreceu!" E seus olhos se encheram de lágrimas.
Bai Ling ficou sem graça. Não estavam brincando? Por que ela começou a chorar de repente? Devem ser as oscilações de humor da gravidez.
Bai Ling não suportava ver a mãe chorar, então apressou-se em consolar: "Assim perdi a gordura do rosto de bebê, economizo dieta. Mãe, olha, não estou mais bonita do que antes?" E fez um gesto exagerado, piscando rapidamente.
Bai Han, vendo a filha fazendo graça, riu entre lágrimas e disse: "Sua pestinha! Não sei de quem você puxou!" Bai Han era introvertida e gentil; Shi Jinghe era reservado. Os dois eram tímidos, e tiveram uma filha extrovertida, uma verdadeira mutação genética.
"Eu puxo a mim mesma, já basta!" Bai Ling disse orgulhosamente. Na vida passada, Bai Ling não era apenas introvertida, chegava quase ao autismo, especialmente com um casamento fracassado, um amor fracassado, e o suicídio da mãe, que quase a destruíram. Bai Han, vendo a filha crescida, sentiu-se muito aliviada. Pensou que a filha andava ocupada estudando medicina, e não sabia como estavam os preparativos para a universidade.
"Ling, e a universidade? Tem certeza?" Bai Han perguntou com carinho, com um sorriso caloroso no rosto pálido.
"Mãe, você me subestima. Sem problemas!" Bai Ling garantiu, batendo no peito. "Embora a Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong seja boa, para sua filha, não é nada!"
"Você... não sei o que dizer de você. Vamos voltar para B City para o Ano Novo, então não se esqueça de comprar presentes para levar para casa para a Chunxing. Ela está aí estudando com você, não pode ignorá-la. A Chunxing é uma boa menina, pode ser sua amiga para a vida toda!" Bai Han completou, gostando muito daquela menina que viu crescer, Yang Chunxing, cujo temperamento era raro.