Capítulo 1129: Capítulo 1128 Órfão e Viúva 29

Bai Han e Bai Ling pegaram algumas frutas cada um e saíram do espaço do anel. O Coitadinho e os dois Coitadinhos ampliados atrás dele se despediram com relutância e seguiram Bai Ling para fora.

— Mamãe, já que o Coitadinho quer nos acompanhar, vamos trazê-lo sempre aqui para que a família dele se reúna! — Bai Ling acariciou a cabecinha obediente do Coitadinho, sentindo que não o tinha mimado à toa.

Bai Han também acariciou as asas do Coitadinho e disse: — Já que o Coitadinho quer voltar conosco, faremos como você disse. Quem não sente falta de um filhote? Comparado a isso, os pais do Coitadinho também devem sentir muita saudade dele!

Bai Han e Bai Ling saíram do espaço com as frutas, e o Coitadinho não estava mais no estado de hibernação de antes, muito animado.

Olhando de perto, a maior parte das penas do Coitadinho já havia crescido.

Depois de arrumar algumas coisas, Bai Han e Bai Ling se prepararam para voltar a Hong Kong! Yoshikawa Yuta também já estava pronto, só esperando partir. A princípio, Bai Han queria ir de avião, mas o pai de Yoshikawa Yuta pediu insistentemente. Como já haviam reservado um vagão inteiro, todos podiam viajar juntos de trem, com quartos individuais, muito conveniente.

You Lele passou o oitavo dia do Ano Novo Lunar em casa e voltou para Hong Kong. Dessa vez, ela comprou muitos presentes para a família, até mesmo para as duas cunhadas que nunca gostaram dela. Além disso, suas roupas, seu modo de falar e sua postura eram diferentes de antes, e ela estava generosa, o que fez sua família acreditar que ela tinha enriquecido em Hong Kong. A família toda girava em torno de You Lele, inflando sua vaidade.

Como You Lele era a mais nova da família, seus dois irmãos eram muito mais velhos, então não eram muito próximos. Depois que eles se casaram, ficaram ainda mais distantes. Os pais de You Lele estavam velhos, e os irmãos e cunhadas a tratavam ainda pior. Mas, dessa vez, a generosidade de You Lele fez com que a família a olhasse com outros olhos, naturalmente querendo tirar algum proveito dela. Hong Kong, que lugar era aquele? Cheio de capitalistas, todos ricos.

As duas cunhadas de You Lele foram ainda mais longe: viram que as roupas dela eram bonitas e, sem avisar, pegaram uma cada uma, deixando You Lele quase vomitando sangue. Mesmo que os pais soubessem, não podiam repreender as noras. A confiança que You Lele tinha acabado de inflar com a vaidade foi por água abaixo. Irritada, pegou pouca bagagem e voltou direto para Hong Kong.

Chegando em Hong Kong, foi morar no apartamento que Lü Yicheng havia preparado para ela. Lü Yicheng estava muito ocupado todos os dias; só veio vê-la depois de quase um mês.

Lü Yicheng estava de terno bem ajustado, o que o deixava ainda mais bonito e charmoso. Com um olhar preguiçoso, ele nem olhou para You Lele, que estava deitada no sofá.

— Bai Han não ia demorar mais um tempo para voltar? Por que você voltou tão cedo? — Lü Yicheng afrouxou a gravata, foi até o bar, serviu um copo de vinho tinto e sentou-se num sofá individual, saboreando-o devagar.

A empolgação de You Lele ao ver Lü Yicheng desapareceu ao ouvir o nome de Bai Han, que a machucou profundamente. Seu olhar escureceu: por que o mundo era tão injusto? Alguns conseguiam tudo facilmente. Por que ela se esforçava tanto, sua família não a entendia, tinha poucos amigos, e o homem que amava tinha outra no coração?

— Você está muito ocupado? — You Lele não queria falar sobre Bai Han nem sobre o que aconteceu em B City.

Lü Yicheng percebeu os pensamentos de You Lele com um olhar cintilante e sorriu silenciosamente. Se não aguenta o jogo, não jogue. Agora, com essa cara feia, para quem é?

— Sim, muito ocupado! — Ele disse, virou o resto do vinro de uma vez, levantou-se, ajeitou a roupa e se preparou para sair.

You Lele não esperava que ele ficasse irritado só porque ela não respondeu como ele queria. Levantou-se rapidamente e disse: — Bai Han tem coisas a fazer em B City, você sabe disso. Já que você vai embora, também não vou ficar aqui. Vou voltar para a casa da Doutora Bai!

Embora You Lele sorrisse de forma sedutora, seu coração era mais amargo que fel: Você quer ouvir sobre Bai Han, então vou dizer o que você gosta.

Lü Yicheng realmente parou a mão na maçaneta e perguntou, desconfiado: — Você tem a chave de lá? — Não sabia como era o quarto de uma mulher tão excelente como Bai Han, queria muito ver. Essa ideia, uma vez que surgiu na cabeça de Lü Yicheng, não o deixou mais.

Vendo o interesse de Lü Yicheng, You Lele pegou a bolsa ao lado, tirou um molho de chaves e disse, sedutora: — Moro lá, claro que tenho a chave! — E balançou as chaves na mão.

You Lele realmente atraiu Lü Yicheng. Ele foi até ela, tirou um talão de cheques, escreveu um número, arrancou a folha e entregou a ela, dizendo: — Vamos, vou te levar de volta. Imagino que a casa de Bai Han precise de alguém cuidando. É melhor você voltar logo!

You Lele aceitou o cheque com sabedoria, pensando nos pais, irmãos e cunhadas que a bajulavam quando sabiam que ela tinha dinheiro. Ela não recusaria. Com dinheiro, não precisava viver à mercê dos outros; podia comprar muitas coisas, até mesmo corações!

You Lele não tinha muita coisa, apenas uma maleta pequena, que colocou no carro de Lü Yicheng. Eles foram rapidamente até a casa de Bai Han.

Como era uma vila com gramado e jardim, precisava de muitos cuidadores. You Lele morava lá e era assistente da Doutora Bai, então os empregados a tratavam com respeito. Lü Yicheng já tinha ido algumas vezes e era conhecido, então os empregados limparam e se retiraram.

You Lele levou suas coisas para o quarto, e Lü Yicheng a seguiu, olhando ao redor. Sentou-se numa cadeira e disse: — Bai Han trata você bem, hein? A decoração do quarto, embora não seja luxuosa, é elegante, e cada peça é valiosa!

Lü Yicheng não precisava ter dito isso. Ao ouvir, You Lele sentiu remorso: A Doutora Bai foi tão boa comigo, e eu estou me encontrando secretamente com Lü Yicheng. Não estou traindo a bondade dela?

You Lele sentou-se na cadeira, em silêncio, refletindo. Lü Yicheng, que havia estudado You Lele a fundo e a conhecia bem, não lhe deu tempo para pensar e disse, calmamente: — Se você conseguir a receita do Pó de Cem Sabores da Bai Han, eu também te darei uma vila como esta!

Lü Yicheng jogou essa grande isca. Peixes famintos, mesmo sabendo que a isca no anzol não é fácil de pegar, ainda tentam, porque se não tentarem, podem morrer de fome. Embora You Lele não fosse um peixe faminto, se ela se contentasse, não precisaria correr riscos. Mas seu desejo por bens materiais e o coração ferido pelo amor e pela família eram mais difíceis de suportar do que a fome.

Como esperado, ao ouvir as palavras de Lü Yicheng, as pupilas de You Lele se contraíram. Uma vila como aquela, numa boa localização, com bom feng shui, valia vários milhões! Com esse dinheiro, o que não poderia fazer? O pouco remorso que sentia foi expulso pelo desejo crescente em seu coração, e ela se afastou cada vez mais da consciência, passo a passo.

— Quando fazem o pó de tempero, só Bai Han e Bai Ling trabalham juntas, ninguém mais pode se aproximar. — You Lele disse, com dificuldade. Embora fosse assistente de Bai Han, era só uma ajudante; muitos segredos não podiam ser compartilhados com ela, e ainda tinham que tomar cuidado!

Lü Yicheng zombou: — Uma vila não é fácil de ganhar! Depende da sua habilidade! Vamos nos ver menos daqui para frente. Não deixe Bai Han desconfiar! — Lü Yicheng se preparou para sair, mas voltou na porta: — Qual é o quarto de Bai Han?

— Subindo as escadas, o primeiro à direita! — You Lele, pensando em como conseguir a receita do Pó de Cem Sabores, respondeu sem pensar muito.

Vendo que não havia mais ninguém, Lü Yicheng subiu as escadas calmamente e abriu a porta do quarto de Bai Han. Ao entrar, uma grande janela de vidro apareceu diante dele, com cortinas amarelo-claras puxadas para o lado, deixando o sol entrar, aquecendo tudo.

Na mesa de cabeceira, havia apenas uma revista e um porta-retratos com uma foto de Bai Han e sua filha Bai Ling. As duas, de feições semelhantes, sorriam docemente, como se tivessem o mundo inteiro. Lü Yicheng foi contagiado pelo sorriso e, sem querer, tocou o rosto de Bai Han na foto, com os cantos da boca se levantando.

Na escrivaninha, havia alguns livros de medicina encadernados. Lü Yicheng folheou alguns, mas não entendeu muito. Sabia que eram os que Bai Han costumava ler, então os pegou, relutante em largar.

Olhando ao redor da decoração, cada detalhe transmitia aconchego e calor. Lü Yicheng respirou fundo o ar do quarto, imaginando Bai Han ali, lendo tranquilamente, com um sorriso encantador e lábios chamando: "Yicheng, Yicheng!"

You Lele seguiu Lü Yicheng até o quarto de Bai Han e viu o olhar originalmente sombrio dele se aquecer. Sentindo-se irresistivelmente atraída, aproximou-se e o abraçou.

Sentindo o aroma suave no ar, pensando que era de Bai Han, Lü Yicheng não ousou abrir os olhos, com medo de que, ao fazê-lo, o sonho se desfizesse. Abraçou You Lele com força. Os dois corpos quentes se entrelaçaram, com respirações ofegantes. As roupas foram jogadas no chão uma a uma, e You Lele recuou até ser parada pela cama, caindo sobre ela.

Sentindo o leve cheiro de ervas medicinais na cama, Lü Yicheng sentiu que a pessoa em seus braços era Bai Han e a beijou profundamente.

You Lele nunca tinha sentido que o beijo de Lü Yicheng pudesse ser tão caloroso! Tão reconfortante!

Até que os dois se acalmaram, Lü Yicheng abriu os olhos e olhou para a mulher que estava deitada obedientemente em seus braços. Nesse momento, You Lele levantou a cabeça, um pouco envergonhada, e perguntou: — Você acordou?

Foi então que Lü Yicheng despertou do sonho. A pessoa ao seu lado não era Bai Han. Imediatamente, todo o calor desapareceu. Ele se vestiu em silêncio e se virou para sair. Se You Lele ainda não soubesse que tinha sido confundida com Bai Han, seria uma tola completa! Deitada na cama, com os olhos vazios: Lü Yicheng gosta de Bai Han, não de você, You Lele! Acorde logo! Depois de um tempo, apoiando as pernas doloridas, foi ao banheiro se lavar.

Ao sair, vendo os lençóis bagunçados, You Lele sentiu uma tristeza profunda, mas teve que arrumar a roupa de cama, senão a Doutora Bai desconfiaria. You Lele já não conseguia mais controlar seu coração, apenas se afundava cada vez mais.

Bai Han e Bai Ling viajaram muito tempo de trem até chegarem a Hong Kong. Yoshikawa Masakazu foi diretamente internado no quarto VIP do Hospital Ren'ai. Bai Han o examinou e, vendo que não era grave, foi para casa tranquila.

— Uau! Finalmente em casa! Embora o trem seja lento, o Coitadinho pôde vir conosco sem precisar voar. Que legal! — Bai Ling acariciou a cabeça do Coitadinho, que fechou os olhos de prazer, formando uma fenda.

— Tudo bem, da próxima vez pegaremos o trem de novo! — Bai Han concordou com a filha. Também gostava muito do Coitadinho.

Dessa vez, graças a Yoshikawa Yuta, que reservou um vagão inteiro, puderam levar algumas coisas. Se fossem só as duas, o melhor no trem seria um beliche macio, onde colocariam o Coitadinho?

Bai Han chegou ao quarto e sentiu que algo estava diferente. Havia um cheiro estranho, mas não sabia o que era. Olhou para a cama e viu que os lençóis e fronhas tinham sido trocados. Pensou que, como estava vazia há muito tempo, os empregados tinham trocado, e não deu importância. Se Bai Han soubesse que Lü Yicheng e You Lele tinham se deitado em sua cama, provavelmente não só trocaria os lençóis, mas jogaria a cama inteira fora.

— Irmã Lele, quando você chegou? — Bai Ling, depois de arrumar as coisas, foi para a sala e viu You Lele sentada no sofá, lendo o jornal do dia. Bai Ling deu uma olhada e viu uma foto de Lü Yicheng com uma modelo. Riu: — Lábios vermelhos ardentes, talento e beleza, combinam bem, hein?

You Lele não respondeu, olhando fixamente para o jornal, como se quisesse fazer um buraco nele. Bai Ling observava You Lele com atenção porque, quando entrou com a mãe, o sorriso de You Lele era falso, com um toque de inveja e até um pouco de ódio. Antes, You Lele e Lan Mingming olhavam para Bai Han com admiração. Por que será que You Lele olhava para a mãe com aqueles olhos? Sabendo que You Lele era assistente da mãe, contratada desde a inauguração da Farmácia Primavera em B City, e embora agora fosse assistente, a mãe sempre a tratou, junto com Lan Mingming, como meias-discípulas. Parece que teria que prestar mais atenção aos movimentos de You Lele.

Sentindo o olhar investigativo de Bai Ling, You Lele voltou a si e respondeu com um sorriso: — Voltei no oitavo dia do Ano Novo Lunar. Meus pais estão bem, só não me acostumei com a súbita simpatia dos meus irmãos e cunhadas, então voltei. — Embora não dissesse claramente, Bai Ling entendeu que ela tinha sofrido em casa. Bai Ling conhecia um pouco da situação familiar de You Lele.

— Ah, então você saiu para passear nesse tempo? — Bai Ling mudou de assunto para não deixar o clima estranho.

Vendo que Bai Ling era compreensiva, You Lele sorriu e disse: — Saí uma vez, fui a um parque de diversões. É muito maior que o de B City, muito divertido. — Pensou que, depois daquele dia, não tinha visto Lü Yicheng. As compras e o parque, tudo foi sozinha.

— Passear? Você encontrou algo legal? Se tiver, pode me mostrar! — Bai Ling perguntou casualmente, bebendo seu suco e dando uma coxa de frango para o Coitadinho, tudo parecendo muito natural.

Mas essa pergunta casual de Bai Ling fez You Lele suar frio. Se Bai Ling soubesse que ela tinha comprado muitas roupas e bolsas caras no quarto, a Doutora Bai desconfiaria. Se investigassem, descobririam sua relação com Lü Yicheng, e ela não conseguiria a receita do Pó de Cem Sabores, e a promessa de Lü Yicheng iria por água abaixo.

— Não comprei nada! Não me falta nada aqui, não preciso comprar tantas coisas. — You Lele disse, pensando em guardar tudo no quarto assim que possível, para que os empregados não vissem.