Capítulo 7: Capítulo 7: Viver em Paz e Prosperidade

Na vida, além da morte, não há grande coisa; comer, vestir, morar e viajar acompanham a vida inteira. No dia a dia, as sete necessidades básicas: lenha, arroz, óleo, sal, molho de soja, vinagre e chá. Com a poeira assentada e o dinheiro em mãos, nesta vida posso tentar mais, conhecer mais este mundo — uma vida colorida está prestes a começar. Depois de comer de manhã, montei na minha motinha velha e, a toda velocidade, fui até a imobiliária perto dali. Atualmente, os preços dos imóveis em Luzhou ainda não dispararam, estão bem estáveis; no ano passado subiram umas poucas centenas, cerca de 5 a 6 mil por metro quadrado. Procurei por um tempo e só encontrei uma imobiliária, com uma fachada bem simples, até meio velha — nada daquela exagero de imobiliárias a cada dez passos que teria no futuro. "Amigo, tem algum imóvel à venda por aqui?" Zhou You perguntou, vendo que ninguém lhe dava atenção. No momento, só havia uma pessoa na imobiliária, um vendedor jovem, mexendo no computador, sem saber no que estava ocupado — ainda não tinha o hábito de ficar no celular a toda hora. Os celulares desta época, embora chamados de smartphones, não tinham muitas funções, poucos aplicativos e jogos pouco interessantes; o reinado ainda era dos desktops e notebooks. "Que tipo de casa você quer alugar? De que tamanho?" O corretor respondeu de cabeça baixa, sem nem levantar. Zhou You não se importou, afinal, pela idade dele, basicamente não seria de se esperar que comprasse um imóvel, mas reforçou: "Quero comprar um apartamento usado, bem reformado, de preferência com todos os eletrodomésticos, que dê para mudar e morar de imediato!" O vendedor jovem então se levantou: "Irmão, desculpe, estou sozinho na loja, estava resolvendo um assunto, fui desatencioso com o senhor. Meu sobrenome é Li, pode me chamar de Xiao Li. Qual é o seu sobrenome, irmão?" "Sem cerimônia, meu sobrenome é Zhou. Por favor, me apresente algumas opções adequadas." "Irmão Zhou, o senhor tem alguma exigência de distância? Tem alguns imóveis por perto, principalmente no Jiulongyuan, no Xin Yuan Xiao Qu e no Yili Yangfang do outro lado da rua. Algum deles atende ao que o senhor procura?" "Jiulongyuan e Yili Yangfang ficam muito perto da linha de trem, não quero. Me mostre só os do Xin Yuan Xiao Qu, de preferência no segundo ou terceiro andar. Dá para ver hoje?" "Claro, irmão, tenho alguns aqui na mão. Quer que eu leve o senhor para ver agora?" Os dois pegaram suas motinhas e foram para o Xin Yuan Xiao Qu. Por que Zhou You queria comprar um imóvel nesse bairro? Principalmente porque era familiar e ficava perto da escola. Na vida passada, ele até morou um tempo nesse bairro — não diria que tinha um apego emocional, mas era cheio de memórias. Naquela época, tinha acabado de se formar, sem muito dinheiro, e dividiu um apartamento com um amigo por ali. Quando se forma, é o momento de maior ligação com a escola, já que sempre estudou por perto; os lugares para comer, beber e se divertir eram todos conhecidos, gerando uma afinidade natural. Nos fins de semana, quando não tinha nada, dava para passear pelo campus, relembrar a juventude perdida. Mas, com o tempo, o trabalho foi ficando mais corrido, e as visitas à escola foram rareando. "Irmão, o Xin Yuan Xiao Qu é todo de prédios baixos, sem elevador. Os principais tamanhos são 110, 130 e 160 metros quadrados, todos com boa ventilação norte-sul, com alta taxa de aproveitamento. São bons para jovens morarem, e subir escadas ainda faz bem à saúde", o corretor foi explicando enquanto andava. "Agora vou levar o senhor para ver um de 130 metros. O dono tem um filho que trabalha em Xangai e quer vender este apartamento para ajudar com a entrada do filho. Pensar no preço dos imóveis em Xangai, 23 mil por metro quadrado — quem é que pode comprar? Nossa..." o corretor suspirou. Zhou You ouviu e ficou em silêncio. É verdade, não importa a época, o preço dos imóveis é um grande investimento, mas agora pelo menos dá para alcançar pulando; no futuro, seria desesperador — de qualquer forma, não dava para comprar, tanto faz. O apartamento ficava no terceiro andar, um bom andar. Em prédios baixos, há um ditado: "ouro no terceiro, prata no quarto"; o terceiro e o quarto são os melhores, tanto para iluminação quanto para ventilação, e subir e descer é tranquilo. A casa tinha sido reformada para ser o apartamento de casamento do filho, mas ele tinha grandes ambições e não quis; agora era difícil vender, já que estava reformada. Alguém diria: reformada não é bom? Uma casa nova reformada é difícil de vender, porque a maioria dos compradores quer um imóvel para casar, a chamada demanda essencial, e prefere comprar um e reformar do seu jeito. Além disso, com a reforma pronta, como calcular o preço? Se for caro, não quero comprar; se for barato, o dono não aceita. E assim foi adiando até agora. Zhou You deu uma olhada: a reforma estava razoável, com geladeira, ar-condicionado, máquina de lavar e TV bem completos. "Há quanto tempo esta casa foi reformada?" "Já faz mais de um ano. Como está reformada, o dono não quis alugar, então ficou vazia. Se o senhor gostar desta, pode se mudar a qualquer hora, só precisa trocar alguns móveis e utensílios." Zhou You examinou com cuidado. Afinal, ele ia morar ali por um tempo; até o Rose Garden ao lado ficar pronto, ainda levariam alguns anos. Depois, compraria um apartamento grande lá ou uma casa — tudo resolvido. O apartamento tinha três quartos, duas salas e um banheiro. Diferente do futuro, com esse tamanho, certamente teria dois banheiros. Não tem como negar: dois banheiros são muito mais confortáveis, especialmente de manhã, quando não há aperto; senão, com mais gente, até ir ao banheiro vira um problema. Ele deu uma volta em cada cômodo e ainda tinha um escritório — isso agradou muito Zhou You. Pensar que hoje em dia quantas pessoas ainda têm escritório em casa? Não é um desperdício de espaço? Mal dá para morar, onde é que vai ter lugar para livros? Embora estivesse satisfeito por dentro, Zhou You queria ver mais algumas opções, caso houvesse algo melhor. Mas não dá para negar: os corretores de hoje são muito melhores que os do futuro, com muito menos enganação e golpes. No futuro, os corretores têm tantos truques que é impossível se prevenir. Primeiro, anúncios falsos: atraem com imóveis baratos ou pechinchas. Quando você se interessa e entra em contato, eles marcam uma visita. Quando te encontram, dizem que aquele imóvel foi tão disputado que acabou de ser vendido, mas têm outros parecidos — vamos ver? — perdendo seu tempo para fechar negócio. Segundo, a ordem das visitas também é cheia de truques: primeiro mostram um imóvel mediano, depois um ruim, criando uma sensação de decepção, e então mostram o "bom" que querem vender, fazendo você se encantar. Não subestime essa ordem simples de "médio, ruim, bom" — ela é crucial para aumentar a taxa de fechamento. Terceiro, a diferença de preço: o truque comum é, de um lado, reduzir a expectativa do vendedor, forçando quedas de preço; do outro, aumentar a expectativa do comprador, forçando aumentos. Usando a assimetria de informação, se ambas as partes querem fechar rápido, eles conseguem uma "taxa de esforço" ou "taxa de chá". Não vou falar do resto: os corretores desenvolvem cada vez mais truques. Quem não está acostumado fica perdido, e acaba caindo em golpes sem perceber. Quando descobre, é uma briga sem fim, perdendo tempo e energia. Tudo porque a margem dos corretores é grande — só a comissão, calculada sobre o preço do imóvel, geralmente uns 3%. Imagine no futuro, com imóveis a partir de 2 milhões — não é à toa que os corretores de Xangai e Pequim até brigam entre si.