Zhang Kui também tinha alguns colegas com quem se dava bem na empresa.
Assim que ele saiu, um deles veio perguntar na hora: "Quanto te pagaram, irmão Kui?"
Zhang Kui balançou a cabeça, ainda sem saber como explicar.
O chefe de RH já tinha parado de chamar o pessoal do departamento de vendas.
O antigo gerente de vendas foi demitido na mesma hora.
Todo mundo mexia no ramo médico, e os representantes de empresas de capital aberto tinham recursos mais abundantes, com algumas sobreposições.
Na verdade, Zhang Kui ficou pensando: mesmo que você queira fazer equipamentos médicos para uso doméstico, os hospitais são inevitáveis. Sem o respaldo deles, ou alguns dados clínicos, não dá para passar na aprovação.
O rapaz, vendo Zhang Kui balançar a cabeça, ficou aflito na hora: "O quê, não vão pagar? Vou falar com eles."
Zhang Kui o segurou rápido: "Não é isso. Vai chamar o Velho Zhang, a gente se encontra e conversa sobre outros assuntos."
Esses eram os que sempre se davam bem, formando uma pequena equipe.
"Beleza, irmão Kui. No pior dos casos, a gente vai para outra empresa. Já até procurei umas opções. Aqui não me querem, lá tem quem me queira." O jovem ainda estava cheio de energia.
Zhang Kui sorriu, sem dizer nada, só suspirou internamente: como é bom ser jovem.
Não precisava de "quem me queira", bastava ter um lugar que aceitasse um "pé-rapado".
Quando o Velho Li chegou, os três foram para fora da empresa, longe dos olhares dos outros.
"Irmão Li, Xiao Wang, quem me chamou agora foi o novo diretor Li. Não vou esconder de vocês: a empresa que está nos comprando, um amigo meu conhece bem. Ele já deu um jeito, e tão querendo que eu seja o gerente de vendas."
Zhang Kui não enrolou e foi direto ao ponto.
Um bom homem precisa de ajuda. Com gente de confiança por perto, as coisas ficam mais fáceis.
"Pô, então aquela sua cara quando saiu me assustou!" Xiao Wang se animou. "Já tava de saco cheio do antigo gerente. Mas nessa área doméstica, a gente não tem canal nenhum."
O Velho Li tirou o cigarro calmamente e ofereceu aos dois: "Esse seu amigo é confiável? Até que ponto vai a relação?"
Não era que o Velho Li perguntasse demais, mas sem esclarecer, ficava sem segurança.
Com a idade, não dava para aguentar mais confusão. Com essa demissão na empresa, ele também tava procurando ativamente outro lugar. Um vendedor experiente ainda tem contatos, mas não quer se mexer à toa.
Zhang Kui pegou o cigarro, acendeu para o Velho Li: "Muito confiável. O contato é com o chefe máximo da matriz, o diretor-geral Yue."
Enquanto esperava, Zhang Kui já tinha perguntado tudo.
Pô, o nível era realmente alto demais.
"Caramba, irmão Kui, com um amigo que tem esse tipo de relação, por que você ainda tá nessa empresa pequena? Vai direto pra lá!" Xiao Wang também ficou chocado.
Zhang Kui deu um sorriso amargo: "Até pensei nisso, mas não é do mesmo ramo."
"Se você for o chefe de vendas, eu apoio e aceito de boa. Mas você tem os canais?" O Velho Li também já queria sair. A área era diferente, um campo totalmente desconhecido.
Zhang Kui tinha ligado para Zhou You naquele tempinho. Já que era um problema só, melhor resolver de uma vez: perguntar o que precisava, incomodar o que tinha que incomodar.
"O problema não é grande. A parte de vendas online a gente não precisa se preocupar. A empresa já tem um plano e também tem parceria com meu amigo. É só eu fazer a ponte."
"Sério ou não? Então a gente ganha dinheiro sem nem suar?" Xiao Wang ficou empolgado. Ele sabia bem como era bom ter contatos e canais na área de vendas.
Era ganhar dinheiro sem suar.
"Ainda não sei os detalhes. Se vocês dois tiverem opções melhores, vão. Se não, a gente continua junto."
Zhang Kui deixou claro. As palavras de Zhou You tinham lhe dado confiança.
Na verdade, ele não falou muito. Dizer tudo não fazia sentido.
Era aquela coisa: o cargo define a cabeça. Assim que virou gerente, o pensamento já começou a mudar.
Xiao Wang e o Velho Li concordaram com a cabeça. No ramo de vendas, o melhor é o que se conhece. Se desse para continuar, eles iam. Zhang Kui era conhecido, tinha princípios, e isso era bom.
Cada novo chefe traz sua própria equipe. Muita gente que entra na onda, entra.
Zhou You não se preocupou muito. Era só questão de algumas palavras.
Sun Li estava falando com ele cada vez mais frequentemente.
Fazia realmente uns meses que ele não ia lá.
É verdade, não dava para ter filho. Depois que tem, o tempo nunca é suficiente.
Por coincidência, tinha alguns assuntos para resolver por lá. Daria para ir direto daqui.
Dessa vez, quem ia junto era Xu Yangtian.
A empresa já tinha montado uma filial em Yangcheng, com tudo preparado. A ida era para começar a executar o plano aos poucos.
Sabendo que Zhou You estava por perto, Xu Yangtian o convidou para dar uma olhada.
Quem diria que os dois estavam pensando em ir para os EUA. Acabaram viajando juntos.
Xu Yangtian pegou carona no jato particular de Zhou You, economizando custos para a empresa.
"Diretor Zhou, graças ao seu investimento, nosso desenvolvimento está acelerado. Dessa vez, vamos testar algumas cidades grandes. Se precisar mais tarde, incomodo o senhor de novo." Xu Yangtian era muito equilibrado.
Seguindo o próprio ritmo, passo a passo.
Zhou You realmente não entendia do ramo dele. Só achou familiar e investiu.
"Tudo bem. Se precisar, é só falar."
O que mais dava para dizer?
Sun Li esperava ansiosa no aeroporto. Fazia um tempo que estava insistindo para Zhou You vir, porque andava sendo assediada.
Como explicar? Sempre tinha alguém que se achava superior, querendo ficar com ela.
Sun Li recusava todos os convites para jantar de homens desconhecidos e quase nunca aceitava convites de ninguém.
O objetivo dela era simples: aprender mais técnicas musicais, pegar o diploma e voltar para a China para dar aula.
Quanto aos homens daqui, por mais bons que fossem, nunca seriam melhores que Zhou You.
Só não esperava que o pessoal daqui fosse tão pegajoso.
Usando a desculpa da arte e do amor, ela não sabia como lidar.
Ao ver Zhou You, Sun Li correu e o abraçou forte, sem soltar.
Isso até fez Zhou You se sentir culpado.
"Calma, calma. Não estou aqui agora? Se você não quer voltar para a China, a culpa é de quem?"
Sun Li não disse nada. Ainda tinha muita gente por perto.
Agora Zhou You já tinha uma base por aqui. As academias de kung fu da Chinatown já estavam colhendo os frutos.
Xu Yangtian foi direto com o contato local, agindo rápido.
No caminho, Sun Li olhava para Zhou You com um olhar que quase derretia.
Toda a mágoa e os pensamentos internos se transformaram em carinho e paixão.
Chegando em casa, foi fogo e trovão.
Terra seca há muito tempo recebe chuva, e o temporal cai forte.
Depois de muito, muito tempo, Sun Li ficou mole em cima de Zhou You.
"Ultimamente, tem um cara me convidando para jantar. Já recusei várias vezes, mas não adianta." Sun Li aproveitou para desabafar.
Zhou You concordou com a cabeça. Alguém já tinha lhe contado.
Era normal. Uma mulher bonita assim chama atenção. Só não esperava que aparecesse alguém tão insistente.
"Você não disse que tem marido?"
"Disse, mas não adiantou." Sun Li falou com um tom de mágoa. Era a primeira vez que encontrava alguém assim.
"Tá bom, tá bom. Encontramos um idiota. Eu resolvo." Zhou You disse diretamente.
Tinha caminhos oficiais e também os informais.
Era alguém da faculdade, usando a bandeira da liberdade no amor para fazer coisas nojentas.
Ele ia atacar pelos dois lados e dar um jeito de uma vez.
Arthur, um nome comum.
Também o protagonista de Red Dead Redemption.
Dava aula no conservatório de música.
Como professor jovem, não dava para dizer que tinha um futuro ilimitado, mas era um talento promissor.
Aproveitando a posição, atraía a admiração e a atenção de muitas mulheres na faculdade.
Como alunos de arte, às vezes eram bem desencanados nesse aspecto.
Com essa chance, Arthur experimentou o gosto de ser um conquistador.
Só que recentemente encontrou um obstáculo: uma bela mulher oriental que não conseguia conquistar. Estava realmente frustrado.
Tentou de tudo, mas não adiantava. Ela era impermeável. Já tinha encontrado outras mulheres do Leste Asiático antes, e era fácil. O que estava acontecendo agora?
Às vezes, fora do campus, via alguém acompanhando ela.
O ser humano é assim: não valoriza o que consegue fácil, e idealiza o que não consegue.
O fracasso com Sun Li só aumentou a competitividade dele.
Hoje, ele planejava começar uma nova estratégia. O que importava se ela tinha marido? Era só para se divertir.
No caminho para o trabalho, Arthur foi cercado por um grupo: "Fique longe da Srta. Sun Li. Este é o primeiro e único aviso. Grave bem."
Jack e o grupo de mercenários tinham montado um ponto nos EUA justamente para prevenir esse tipo de situação.
Na verdade, a maioria das pessoas não teria uma boa saída para isso.
Chamar a polícia também não adiantaria.
Mas Zhou You não se importava. Usava vários métodos ao mesmo tempo.
Ela ainda precisava estudar. Se não resolvesse, seria um problemão no futuro.
Arthur ficou paralisado. O que era aquilo? Umas quatro ou cinco pessoas vieram direto até ele.
Todos pareciam muito intimidadores.
Será que Sun Li realmente tinha algum histórico?
O lugar onde ela morava era chique, difícil de entrar.
Ele foi para a faculdade desanimado, pensando nisso o dia inteiro. Desistir? Não queria.
Não desistir? Aquele grupo claramente não era fácil de lidar, e ele ainda estava confuso. Chamar a polícia? Não tinha provas.
Hoje nem viu Sun Li. Não sabia o que ela estava fazendo.
À noite, Arthur foi para o bar, frustrado, beber para afogar as mágoas e ver se encontrava alguma presa para desabafar.
Só não sabia por que ficou bêbado tão rápido.
Os olhos já estavam turvos.
Meio sonolento, sentiu alguém o ajudar a ir para um hotel.
No dia seguinte, Arthur estava deitado na cama, de olhos fechados, com a cabeça doendo. Parecia que tinha bebido demais.
Não, o traseiro também doía.
Ai, que dor.
Ele não conseguiu evitar e contraiu algumas vezes.
"Querido, acordou?" Uma voz masculina, firme, soou perto do ouvido.
"Ah!" Arthur acordou de repente. Tinha sido "resgatado" depois de apagar.
E por um homem.
"Fique longe de mim. Se chegar perto, vou chamar a polícia." Arthur mexeu o traseiro.
Ignorando a dor surda.
"Querido, por que mudou tão rápido? Ontem à noite, quem foi que me chamou de amor?" O grandalhão do outro lado estava cheio de doçura.
Mas parecia tão assustador.
Nos EUA, isso era legal.
O que aconteceu ontem à noite? Não lembrava de nada.
Ele tinha ido ao bar de sempre, não a um bar gay.
Vendo a reação dele, o homem parou de assustá-lo: "Tá bom. Se não quer saber de sentimento, paciência. Depois de hoje, a gente não se conhece."
E foi embora.
Na porta, ao girar a maçaneta, ele virou e sorriu: "A conta do quarto já está paga. Ontem à noite, não resisti e gravei um vídeo. Você estava muito feliz."
"E mais: comporte-se. Não pense em outras mulheres. Lembre-se de mim."
E saiu.
Depois de ouvir isso, Arthur suou frio.
Entendeu tudo.
Tinha mexido com quem não devia.
Sun Li, com certeza.
O grupo de manhã foi um aviso direto. À noite, foi para dar uma lição. Só que a lição foi meio suja.
"Ai." Arthur não resistiu e passou a mão no traseiro.
Doía muito.
Ele se levantou rápido, vestiu-se e foi se lavar. Escovou os dentes várias vezes, cuspindo enquanto pensava em uma solução.
Não encontrava nenhuma.
Era como o que ele mesmo fazia: não dava para provar nada.
Foi para a faculdade meio tonto. Ainda tinha aula, mas como daria conta?
Ai.
Por mais que estivesse naquela faculdade, ele só se aproveitava do prestígio dela. Na verdade, não tinha muitos contatos.
Enquanto pensava, um dos diretores da faculdade apareceu.
Com uma expressão severa: "Venha comigo."
O coração de Arthur deu outro pulo. Não, de novo?
Diretores raramente chamavam funcionários diretamente.
As boas faculdades eram, em sua maioria, privadas. O conselho tinha muito poder. Alguém como ele podia ser demitido com uma palavra.
Ele seguiu até a sala: "Você se atrasou hoje. Por que não pediu licença?"
Arthur suspirou aliviado. Ainda bem que não era sobre Sun Li.
Professores universitários tinham muita liberdade, especialmente em escolas de arte. Quase nunca fiscalizavam atrasos ou saídas. Às vezes acontecia, mas não era grave.
"Desculpe, bebi demais ontem." Arthur falou direto. Admitir não era grande coisa.
"Você está aqui há pouco tempo, e já tem muita gente dizendo que você gosta de flertar. Você é professor. Lembre-se: não tem próxima vez. Faça seu trabalho direito, entendeu?"
O diretor falou com firmeza.
"Senão, depois de ser demitido, nenhuma outra faculdade vai te aceitar."
Esse poder ele tinha. Um professor demitido por escândalo amoroso dificilmente era contratado em outra escola.
Ainda não tinha virado um escândalo grande. Arthur era esperto o suficiente para não usar coerção. Senão, já estaria preso.
Arthur suou frio.
A vida tinha sido tão boa que ele se achava o escolhido do destino, até se tornar professor numa faculdade de ponta.
Quase esqueceu que era de origem humilde.
"Desculpe. Não vai ter próxima vez. Peço desculpas pelo incômodo." Arthur se desculpou na hora. Era a lição que tinha aprendido ao longo dos anos.
Como um aluno exemplar desde pequeno, tinha algum tino.
Quando se candidatou à vaga, foi justamente por causa desse currículo brilhante.
Ao sair da sala, Arthur estava completamente lúcido.
Tinha mexido com quem não devia.
A única sorte era não ter insistido demais. Senão, o resultado não seria só um aviso.
Ele olhou para o céu, sentindo o ar quente.
Mas por dentro, estava mais frio.
Dali em diante, ia ser um professor direito, casar o mais rápido possível. Como uma pessoa comum, tinha lutado muito para chegar até ali.
Se perdesse tudo, não teria nem para onde chorar.
Nunca mais ia se achar o protagonista de uma história.
"Ai, que dor."