Capítulo 527: Capítulo 527: Todo Mundo Quer um Pedaço

Zhou Guoqin está com uma baita dor de cabeça ultimamente. Dizem que quanto maior a capacidade, maior a responsabilidade. Antes ele achava que era só uma piada, mas agora entendeu. Quanto maior a capacidade, não necessariamente maior a responsabilidade. Gente como ele, que parece um "pseudo-capaz" fácil de ser intimidado, acaba com responsabilidades cada vez maiores sendo empurradas pelos outros. Já vieram várias levas de gente falar com ele, pedindo que expandisse a produção, estendesse a cadeia industrial, e impulsionasse o emprego e o PIB do município. Os efeitos da crise econômica já estão aparecendo. Olha, o criatório não é grande, o faturamento é mediano, mas a lucratividade é alta. Nessa cidade pequena, já é considerada uma empresa de ponta. O mais raro é que nunca sonega imposto, paga tudo certinho e na hora, e aos poucos virou a empresa estrela do município. Zhou Guoqin já é representante provincial. A cara da vila inteira mudou completamente, especialmente com a construção da nova zona rural que está rolando agora, tudo iniciativa espontânea da própria vila. "O mercado de vocês já está saturado, tem que expandir a cadeia industrial. Aí o município vai dar a maior força!" O responsável do município parecia morar na vila, dando ideia todo santo dia. Quem sabe, acha que é líder; quem não sabe, pensa que é o vice do Zhou Guoqin. Zhou Guoqin está super frustrado. Se vocês têm capacidade, vão falar com o Zhou You! Ficar enchendo o meu saco, que capacidade eu tenho? Eu posso decidir alguma coisa? Tenho talento pra desenvolver isso bem? A vida de todo mundo agora tá boa, já é suficiente. Se for ganancioso, tem que pensar se tem capacidade pra isso. "Líder, eu sou um agricultor, antes era só um peão, não tenho talento nenhum. Já é difícil pra caramba manter essa situação. Se der passo maior que a perna, tenho medo de me ferrar." Zhou Guoqin falou meio brincando. "Você agora é diferente, a posição mudou. É representante provincial, o que faz é visitado e divulgado todo dia, já é o ponto forte do nosso município. O município tá sob pressão, as finanças tão apertadas." O responsável misturou elogio com pressão e ainda reclamou da vida. Por dentro, ele xingava a mãe. A tarefa que o chefe passou, não dá pra não fazer, e os outros não têm nível pra isso. O município até tem uma economia diferenciada, com frutas típicas, mas ninguém quer se dedicar, ninguém tem energia pra pesquisar, integrar e sair pra buscar mercado. Esse trabalho ingrato, que vários líderes anteriores evitaram como praga, fez com que a indústria de peras do município ficasse morna, até mostrando tendência de queda. Enquanto outros lugares criam marcas de frutas e renovam as variedades. Aqui, só vendem na região, e um pouco mais longe ninguém reconhece. Todo mundo só quer resultados rápido pra subir de cargo, fazendo inovação, destaque, algo pra ser modelo nacional. "Ah, vá se foder." Tudo fachada. Governa um lugar, estraga o lugar, sobe de cargo e vai embora, deixando uma bagunça pro povo local. "Irmão, vou falar do fundo do coração. Nós dois somos daqui. Ver o município nesse estado me dói. Tem uma marca tão boa, ninguém faz nada, ninguém desenvolve. Daqui a alguns anos, tenho medo de acabar de vez!" Começou a apelar pro emocional. Zhou Guoqin não é mais ingênuo. Depois de tantos anos na vila, aprendeu mais do que quando trabalhou fora por mais de dez anos. Falar uma coisa e fazer outra é o básico. Quem acredita é otário! Os discursos são escritos por secretários, e muitas vezes eles leem com dificuldade. Já perdeu o encanto. Antes tinha medo dos líderes, agora é só um trabalho. E o salário dele não vem dos superiores. Se não fosse pela própria empresa da família, quem ia se meter nisso? "Líder, essa é a responsabilidade de vocês. Vocês têm o poder no município. Se não fazem nada, como podem culpar a gente, o povo miúdo?" "Quanto maior a capacidade, maior a responsabilidade. Ser líder não pode ser birrento, fazer o que quer, né?" "Vou falar uma coisa: se o líder mandar a gente trabalhar com frutas típicas, sem problema. Só pergunto: pra quem vender? Como vender? De quem comprar? Quem são os concorrentes? Qual nossa vantagem? Quanto precisa investir? Onde arrumar especialista? Em quantos anos recupera o investimento? E se der prejuízo?" Umas poucas palavras deixaram Su Changyi vermelho de vergonha. É, o município só mandou fazer, mas não explicou nada. No fim, se der certo, o mérito é deles; se der prejuízo, não tem nada a ver com o município. Isso, é mercado, o governo não tem como interferir. Se não tem como, não fica aí enchendo o saco todo dia. Quando o cara montou o criatório, não foi pedir ajuda pra vocês. Quanto a usar força? Forçar a família Zhou a aceitar até que daria, mas seria queimar a ponte. Se fosse um criador comum, talvez dessem um jeito de ameaçar ou subornar. A fábrica não vai fugir, e pra ser sincero, não faz muita diferença pro município. Se não tem vantagem, ninguém quer fazer. Se não entende uma política, tudo bem, é só pensar em quem pode lucrar. "Chega, tô só desabafando, não leva a mal. Mas negócio não se decide na base do chute. Se o líder fala hoje pra eu fazer amanhã, não tenho esse talento." "Vou falar com meu irmão, ver se ele acha possível. O criatório já cresceu, e a gente tinha aquela criação embaixo das árvores, as frutas nem dão conta de comer." Su Changyi ficou dias aqui e finalmente conseguiu uma brecha. Por que não foi direto falar com o Zhou You? Não é que não encontra? Já foi, mas ele nunca está. Vive viajando, e a desculpa é que tá investindo. Os outros não sabem, mas eles descobriram muita coisa que o público ignora. O público não sabe, mas dá pra descobrir se quiser. Só uns líderes do município sabem. Se vazar e espantarem o cara, quem assume a responsabilidade? Além disso, ele não é mole não. A indústria dele, o esquema, assusta qualquer um. Ninguém imaginava que numa cidade pequena pudesse surgir um cara tão foda. Zhou Guoqin não é o foco, o Zhou You é. Se ele der o sinal verde, o produto não vai faltar comprador. Até vinho bom tem medo do beco fundo, mas ele controla o fluxo. "Ah, obrigado, irmão. Pode ser que a gente seja alguém no município, mas fora desse pedaço, quem liga pra gente?" Su Changyi reclamou. Zhou Guoqin sorriu: "Antes tinha um ditado: se o oficial não governa pro povo, melhor vender batata doce, hehe." A frase deixou o outro vermelho de vergonha. "Eu sei o que o município pensa, mas vou ser sincero: meu irmão Zhou You só apoiou esse criatório pra dar um passatempo pros pais dele. Se não fosse isso, a gente podia fazer qualquer outra coisa." Zhou Guoqin quis deixar claro: no pior dos casos, cada um segue seu caminho. Não exagerem. Saber a hora de parar. Zhou You sabia disso, e depois eles até comentaram com ele. Mas ele realmente não ligou. Pra ser sincero, não dá pra ganhar muito dinheiro, só aumenta a trabalheira. Se der problema, é uma enrascada. Frutas são um problema crônico. Antes era transporte e venda, depois estoque encalhado e ninguém comprando. Tem muita coisa igual, o cliente tem muita escolha e fica cada vez mais exigente. Quanto ao que produzem lá, a maior parte vira benefício pra funcionários e vila, não rende muito. Li Baoyin e Zhou Guoqin foram juntos para Luzhou. "Nossa, Professor Zhou, esse seu lugar tá cada vez mais bombado!" Li Baoyin elogiou na chegada. Zhou You riu: "Não mudei nada nos últimos anos, onde você vê isso?" "O astral dos funcionários tá diferente." Li Baoyin não se encabulou. Realmente notou a diferença: mais confiança, um senso de dono no ar. "Parece o espírito dos velhos funcionários de estatal antigamente." Gente velha é sabida. Ele acertou em cheio. Os jovens de hoje não percebem, mas quem é mais velho ou já rodou muito sente. O clima de empresa privada, estrangeira e estatal é diferente, e a estatal de hoje também não é igual à de antes. "Trabalhador é o patrão" não é só um slogan, é um espírito. Resumindo: até o segurança lá é educado sem ser servil, com uma confiança até exagerada. "Professor Li, o senhor é mesmo experiente, cada vez mais eloquente." Zhou You teve que admitir: o velho é fera, acertou na mosca. Depois de um bate-papo, Zhou Guoqin começou: "O município me procurou várias vezes, recusei todas. Agora até ficaram morando na vila. O que a gente faz?" Falando sério, Li Baoyin também ficou sério. Ele veio hoje por causa disso. Não tem jeito. Desde que ele ficou famoso na universidade, muitos professores pediram ajuda pra ver se aparece uma oportunidade de fazer algo juntos. Só que essas oportunidades são raras, quase inexistentes. "Qual a opinião do Professor Li?" Zhou You perguntou. Li Baoyin balançou a cabeça: "Entendo um pouco de criação, mas de frutas não. O que a gente mais faz é cultivar e pesquisar. Agora o que querem é mercado, isso não surge do nada." "Mas posso apresentar uns especialistas pra gente discutir." Zhou Guoqin também tava perdido, mas melhor do que quando começou com o criatório. Pelo menos não entra em pânico. "Faz o seguinte: o Professor Li procura os especialistas, meu irmão vai junto ouvir. Depois convida mais alguns pra fazer uma visita de campo, e chama o pessoal do município." Zhou You pensou. "Tem que manter a postura, mas é um investimento. Levanta a situação do município: onde tá o problema, a saída, o ponto crítico, o destaque?" "A gente não tem nada, tá no escuro, não dá pra começar." Zhou Guoqin concordou: "Foi o que eu disse. Agora a gente volta, organiza os dados e vai ver no local." "É, tenho uma ideia geral, mas ainda não tá clara. Plantar de novo não rola, só dá pra focar em processamento profundo e produtos premium. O mercado já tá competitivo, expandir plantio não faz sentido." Zhou You disse. No futuro também, pelo menos no cenário geral. Não falta fruta boa, falta comprador. Depois, uma tangerina se destacou, só na base da propaganda, e com o tempo sumiu no meio das outras. Li Baoyin ficou curioso: "Professor Zhou tem uma solução boa?" Zhou You balançou a cabeça: "Não. O problema tá claro: não é produção, é vender. O mercado tá saturado, em todo setor. Quem conseguir vender, ganha dinheiro." "É, na minha universidade, muitos professores davam consultoria técnica, integravam ensino e indústria. Mas nos últimos anos, a maioria só faz pesquisa, raramente sai pra orientar. É um setor maduro, não dá mais pra produzir na selvageria." Li Baoyin suspirou. Hoje, desenvolver uma nova variedade é mais fácil, mas não tem mercado. Ninguém quer arriscar criar uma nova variedade ou abrir nova frente. Todo mundo briga feroz no mesmo circuito, sem contar as frutas importadas. Depois, eles conversaram sobre o criatório. Já tá maduro. Manter a situação atual e construir a marca já é uma sorte. Com a informação tão acessível, até as empresas de criação listadas na bolsa tão na luta. Qualquer descuido e o lucro de anos vai tudo pro ralo. A ideia de "crescer, fortalecer e brilhar" já era. Depois de passar por uma gripe aviária repentina, o que todo mundo quer é estabilidade. Pequena riqueza, vida tranquila, já tá bom. As vendas tão ok, sem encalhe, então não precisa de processamento profundo. Se adicionar equipamento, o investimento só aumenta. Um milhão por ano, todo mundo já tá satisfeito. Lucro líquido. Meng Yuliang já arrumou tudo. Depois de tanto tempo, dava pra ter começado a produção. Mas Zhou You não tem pressa. Só liberou quando todos os equipamentos de apoio ficaram prontos. Se não fosse o patrão ser rico, todo mundo ia achar que a empresa ia fechar. Na real, Zhou You não tá nem aí. Não precisa do dinheiro, é só pra disfarçar. Começar cedo ou tarde não faz diferença. Só que o investimento inicial foi grande, tudo bem feito. Conseguiu todas as licenças: ambiental, bombeiro, sanitário. É um modelo de fábrica padrão. E o padrão do Zhou You é alto. São máscaras médicas, exigem mais qualificação: máscaras cirúrgicas, de proteção, descartáveis comuns, cada uma com vários modelos. Desinfecção médica também. Meng Yuliang tava meio assustado. Exigência alta demais, não sabe pra quem vender. Ele não entende a mente do patrão. Não parece que tá levando a sério, mas investiu tanto, matéria-prima empilhada. O depósito também, todo arrumado. Pra uma linha de produto tão simples, essa estrutura é um luxo. Tem proteção contra doença ocupacional, poeira, material perigoso, tudo instalado. Cada funcionário fez exame ocupacional específico. Parece usar canhão pra matar mosquito. Quanto precisa vender pra recuperar o investimento!