Os dias passavam tranquilos e plenos, vividos com calma e despreocupação.
Esperando, esperando, a primavera chegou.
A Copa do Mundo começou, e o caminho de ascensão do pobre coitado teve início aqui.
Pensando bem, as pessoas comuns têm poucas oportunidades. Quão difícil é conseguir o primeiro grande dinheiro? A maioria é comum, só vive do salário fixo. De vez em quando, tentam ganhar um extra, como comprar loteria, ações ou fundos, mas acabam sendo ceifados como "repolhos".
A maior ceifadora pode esvaziar suas seis economias, uma visão deplorável.
Já tinha estudado o terreno antes: o dono da porta também estava afiando a faca, pronto para ceifar os "repolhos".
Não importa quanto vocês ganhem, eu nunca perco. A loja é pequena, mas o lucro não é. Quantos restaurantes você já viu fecharem? Mas quantas lotéricas já viu fecharem?
— Patrão, quero apostar no empate entre África do Sul e México — Zhou You disse, incerto, comprando 500 para testar as águas.
Pensou um pouco e acrescentou mais 500, apostando que ambos os times fariam um gol.
Visitou todas as lotéricas esportivas da redondeza. Não podia ficar tirando leite de uma só vaca; no futuro, talvez precisasse ir até o centro da cidade. Essa era a única chance; se não aproveitasse, não se perdoaria.
À noite, sentou-se diante do computador para assistir ao jogo. A velocidade da internet e a qualidade do vídeo da época eram apenas razoáveis, nem tão rápidas quanto a transmissão por texto.
Sem discurso de abertura do chefe de estado anfitrião, sem boas-vindas do organizador, sem desfile dos participantes. A cerimônia de abertura começou com 270 mulheres caminhando e cantando uma canção folclórica africana. O tema era "Bem-vindos ao Mundo em Casa". Com a declaração do ex-presidente sul-africano Mandela: "A tolerância no espírito humano pode dissolver toda a agressividade; através do amor, podemos criar esperança!" O anfitrião, com danças e adereços típicos da África, mostrou ao mundo o charme cultural único do continente africano, ao mesmo tempo que expressou sua paixão pela vida e pelo esporte, e o desejo de receber atletas e amigos de todos os países e regiões do mundo.
E então, a tela se encheu de vuvuzelas, que sacudiram Zhou You de volta à realidade.
Antes, ele assistia pela técnica, pelos craques; agora, só se importava com o resultado, se havia mudanças, se havia efeito borboleta.
Teoricamente, não deveria ser assim; ele sempre viveu recluso.
Quando o jogo começou, o México atacou primeiro, mas o goleiro da África do Sul, Ginter, se destacou, defendendo várias investidas. Aos 24 minutos, Tauhíba, da África do Sul, marcou um gol, abrindo o placar para os anfitriões. No entanto, o México não desistiu; após várias tentativas, empatou aos 37 minutos com Márquez. No segundo tempo, nenhum dos times marcou, e o placar final foi 1 a 1.
Depois do jogo, Zhou You se sentiu aliviado: "Eu não sou mais o mesmo, mas o mundo ainda é o mesmo."
Apostar pouco é diversão, apostar muito faz mal, apostar até a ruína é destruição.
Quem aposta como um viciado não merece morrer bem.
Zhou You não era um viciado em apostas; ele tinha um caixa eletrônico.
Embora o dinheiro ainda não estivesse em mãos, Zhou You já começava a se animar. Quão difícil era ganhar dinheiro na vida passada? Salário fixo mais comissão, no máximo uns dez mil por mês. Agora, essa leva renderia pelo menos dezenas de milhões, dinheiro que ele jamais ganharia em toda a vida.
— Datou, se você tivesse cem milhões, o que faria? — Abriria uma lan house, chamaria gente para jogar comigo todos os dias.
Esse sonho combinava com a personalidade do Datou: homem até morrer é menino.
Muitos se sentem deslocados na sociedade, porque todos correm atrás do que os outros mandam buscar, não do que realmente querem.
— Patrão, quero resgatar o prêmio — disse Zhou You ao dono. — Nossa, que sorte! Acertou tudo! — o dono o parabenizou. — É, apostei um pouco por acaso, a sorte realmente está boa. — Patrão, como estão os negócios? Muita gente comprando? Tem apostas grandes? — Muita. Isso tem uma taxa de acerto muito maior que a loteria comum; todo mundo quer tentar a sorte. Além disso, ganhar dinheiro hoje é difícil, muitos querem arriscar. Já teve gente que apostou mais de dez mil. — Patrão, quero mais algumas apostas em série, 2000. — Beleza! Aqui está o prêmio desta vez: 22 mil.
Essa loja ficava na Rua Jiulong, conhecida como Lotérica da Rua Jiulong. Perto, havia uma universidade, chamada Hefei University of Technology, que também tinha uma lotérica.
Naquela época, não havia bicicletas compartilhadas; andar até lá levava meia hora, um bom exercício.
Logo, logo, ele poderia aproveitar a vida. Dessa vez, não ia se privar: pelo menos compraria uma moto elétrica, senão ia morrer de cansaço indo comprar loteria nas redondezas.
Zhou You pensou e decidiu comprar uma moto elétrica primeiro.
Perto da universidade, não vendiam motos elétricas novas. Havia muitos mercados de usados.
Naquela época, ainda se roubavam muitas motos e bicicletas.
Na vida passada, ele comprou duas bicicletas, e ambas foram roubadas. Uma delas durou só uma noite.
Zhou You, irritado, ligou para a polícia. O policial disse: "A chance de recuperar é pequena, mas já que você denunciou, vamos registrar. Espere notícias."
Ele esperou anos, até voltar no tempo, e nunca mais as encontrou.
Dessa vez, compraria uma moto elétrica usada, só para usar na universidade e arredores, e não podia ser nova.
Foi à loja de veículos: — Patrão, tem moto elétrica usada? — Tem. Qual marca você quer? Temos de todas. — Patrão, quero uma que não seja fácil de roubar. Pode recomendar? — disse Zhou You, meio brincando.
O dono riu alto: — Amigão, você entende do assunto? Sabe que a chance de roubarem é alta demais, a rotatividade é enorme.
No final, com a recomendação do dono, Zhou You pagou 600 reais por uma moto elétrica velha e surrada, mas com motor ainda bom.
Sem hesitar, pagou e foi embora. Hoje compro uma moto usada; amanhã, comprarei uma nova. Bem, é uma pequena meta.
A loja perto da Hefei University of Technology também era pequena, mas cheia de gente comprando bilhetes.
— Patrão, quero uma aposta em série, 4000.
Pegou o bilhete e foi embora.
Enquanto pilotava a moto, observava o ambiente ao redor. Tudo era muito desolado.
Antigamente, ninguém dava valor a essa área; era deserta, com apenas uma linha de ônibus.
Quem diria que, em cinco ou seis anos, todos os empreendimentos imobiliários ao redor surgiriam.
O movimento também aumentou; as lojas que antes ninguém queria agora eram disputadas.
Especialmente a área ao redor do Lago Feicui, que foi toda transformada em condomínios comerciais.
O condomínio Rose Garden, de frente para o Lago Feicui, ele quase comprou, mas o preço de lançamento era muito caro. Na época, custava 10 mil o metro quadrado, enquanto a média era de 7 a 8 mil. Era um empreendimento de alto padrão, e ele achou caro demais.
Depois, não houve "depois". O preço dos imóveis na região disparou, chegando a 34 mil o metro quadrado. Ele nunca mais pôde comprar.
Pilotou tranquilamente até perto da Praça Mingzhu. Esse lugar ainda era um centro movimentado, mas também estava decadente.
Por lá, não gastou muito, comprou mais 3000.
Voltou para casa. A meta do dia estava cumprida.