Capítulo 489: Desapego é Frieza
Zhou You voltou para o país com o disco do小人.
Nas lojas de discos nas ruas, também ouviu essa história.
Uma história lendária, e Cidade do Cabo, como um dos protagonistas, deixava todos orgulhosos.
Zhou You até encontrou a loja de discos do documentário e a filha que se casou com um local.
Fora isso, não fez mais nada.
Uma vida pacata, a paz interior não é, afinal, a maior felicidade de uma pessoa?
A infelicidade da vida moderna vem, em grande parte, da incapacidade de decidir por si mesmo, sendo arrastado pela correnteza dos tempos, para frente ou para trás.
O novo filme de Tang Wei estreou, seguindo os mesmos moldes de sempre, com a mesma configuração de antes.
Enredo familiar, equipe conhecida, mas poucos apostavam nele, por falta de novidade. Nem mesmo o diretor Xue estava muito confiante; se não fosse pelo investimento de Zhou You, talvez o projeto nem tivesse ido adiante.
O custo também não era alto, e dessa vez cada um investiu uma pequena parte.
Agora, parecia ter se tornado um acordo tácito na indústria: muitas vezes, os criadores principais investiam um pouco para aumentar a confiança, especialmente nos filmes financiados por Zhou You.
Sempre havia os mais ousados, mas no começo eram poucos.
Foi só no ano passado, com os sucessos repetidos, que a tendência se formou: entrar no elenco com investimento próprio, aumentando a autoconfiança.
Algumas equipes tentaram imitar, pensando em reduzir custos, mas ninguém aderiu. Se o diretor não investia, quem teria coragem?
Tang Wei, alguém que quase se entregou, esperava que aquele filme o tornasse famoso de uma vez.
Ficou famoso, sim, mas pela fama negativa, e ainda enfrentou um fundo de poço na carreira.
Só Zhou You não se importava, sem grandes exigências ou restrições, investindo duas vezes. Era de se admirar.
*Não Duas Cartas de Amor* também foi um investimento pequeno, mas, para surpresa de todos, a bilheteria explodiu de novo. Uma vez é sorte, duas vezes é sorte, mas agora estava provado: o grupo tinha talento.
“Irmão You, quando vem a Pequim?” Tang Wei não resistiu e mandou uma mensagem.
“Ando ocupado, vou a Hancheon daqui a um tempo.” Zhou You recusou.
“Ah, sério? Eu também posso estar sempre na Coreia filmando em breve.” Tang Wei ficou surpreso, não esperava que Zhou You tivesse negócios na Coreia.
Os dois raramente se falavam, principalmente por falta de pretexto, e também porque Tang Wei andava muito na Coreia.
Combinaram de se encontrar na Coreia, e Tang Wei se acalmou. Ela queria muito progredir, senão não se esforçaria tanto no mundo do entretenimento.
Se não floresce dentro de casa, floresce fora; pelo menos um lado dá certo.
Zhou You não tinha tempo agora, nem queria ir a Pequim. Desde que voltou da África, só fazia aulas, ler e assistir documentários.
A favela o impactou profundamente.
Nem na infância ele teve uma vida tão miserável.
Não é à toa que existe a palavra “destino”.
Cada vez que pensava em destino, Zhou You sentia uma impotência, e a vontade de ganhar dinheiro diminuía.
O que ele gastava para comer e beber? As condições atuais já bastavam para suas necessidades. Buscar mais riqueza não fazia sentido para ele; talvez fosse até um fardo.
De qualquer forma, o que estava em Jinling, que fosse como tivesse que ser. Primeiro, cuidar do presente.
“Rong Hao, você conhece o Second Hand Rose?” Zhou You ligou para Li Ronghao.
“Mais ou menos, já tive contato, mas não sou próximo. Não somos do mesmo círculo musical.” Era verdade.
Um era música pop, o outro, rock folclórico. Realmente, não se encontravam muito.
Mas, com o mercado musical atual no país, dizer que não se conheciam era irreal. O espaço era pequeno, mais cedo ou mais tarde se cruzariam, especialmente com tantos programas de canto.
“Tá bom. Quando puder, pergunta quando eles vão fazer um show. Quero ouvir *Destino* deles.” Zhou You falou simplesmente.
O show do Second Hand Rose era conhecido como “encontro de doentes”. Quem não tem doença ouve Second Hand Rose? Só quem está doente, e de doença grave.
“Ah, e libera sua agenda. Tem um programa de variedades; participa da primeira temporada. Eu e a Penguin investimos.” Zhou You lembrou de repente, quase esquecendo.
Li Ronghao ficou muito feliz. Um programa que Zhou You investia não podia ser ruim: “Sem problemas, Irmão You, com certeza participo.”
No fim do ano passado, a Penguin já o tinha procurado, dizendo que queria fazer algo próprio, mas sem gastar muito, só para testar.
Isso deixou Zhou You sem reação: “Sua empresa é grande e rica, e ainda falta dinheiro?”
Aí Ye Shengde deu a razão: “Só por diversão.”
Só quando o nome do programa foi dito é que Zhou You se interessou.
*Estrela do Amanhã*
“É, bom nome. Vou investir um pouco e arranjar um mentor.” Zhou You ficou contente.
Ia ouvir boa música de novo, como não ficar feliz?
O camarada Mao também ia aparecer. Sério, se não fosse para deixar uma chance para Mao, Zhou You realmente queria arranjar alguém para cantar aquela música.
Às vezes, ele cantarolava sem querer, e os outros perguntavam o que era.
Mas não tinha jeito. A boca da gente quer cantarolar algo: feliz, canta feliz; triste, canta triste.
Wang Weijia era enfermeiro, e homem.
Mas ele não era feliz no trabalho. Enfermagem já é uma área cansativa, e para enfermeiros homens, pior ainda: trabalho pesado, sujo e duro, tudo sobrava para eles.
Quem mandou ele escolher esse curso? Notas ruins, mas queria um emprego. De tanto escolher, só esse servia.
Todos os hospitais precisam de enfermeiros homens, ou seja, mão de obra barata e resistente.
Mas era fácil conseguir emprego; os hospitais disputavam, e o salário até que era razoável.
O problema era a carga horária longa, o estresse no trabalho, os plantões noturnos que envelheciam rápido demais.
Além disso, Wang Weijia tinha um sonho musical. Já se apelidara de Mao Buyi, e todos o chamavam de Mao Mao.
Ao longo dos anos, cantou em bares, participou de competições de canto, mas a maioria não deu em nada.
Recentemente, queria tentar programas de talentos de novo.
Estava perdendo a confiança em si mesmo. Muitos professores diziam que ele cantava sem emoção, as melodias eram simples demais, e as letras, pouco edificantes.
Enfim, seus defeitos eram muitos, mas Mao Mao ainda não se conformava. Quem diz que aceita o destino, no fundo, não aceita.
Se aceitasse, nem falaria.
À noite, em casa, Mao Mao, exausto, sentou-se no sofá, pegou o violão ao lado e se preparou para cantar uma música para si.
“Alguém como eu, tão talentoso”
“Deveria ter brilhado a vida inteira”
Mal tinha cantado dois versos, o colega de quarto se levantou e sentou em frente, ouvindo em silêncio.
“Mao Mao, você devia participar de um concurso de canto. Nós adoramos suas músicas. Vi uma seleção para um programa de variedades e já me inscrevi para você.” O colega disse.
“Não dá, tenho que trabalhar. E o emprego?” Mao Mao já tinha pensado nisso, mas nunca teve coragem de arriscar tudo.
Eram pessoas comuns, precisavam comer e pagar as contas.
“Não se preocupa. Pede licença. Se o chefe não autorizar, eu cubro seus turnos.” O colega falou com firmeza.
“Não tenho talento, vou ficar assim para sempre. O que tem de bom no cenário musical hoje? Só música lixo, fingindo sofrimento.”
“Alguém como você, que canta do fundo do coração, que fala da vida comum, por que não pode ficar famoso? Não aguento isso.” Mao Mao conhecia o temperamento do colega. Via muito do lado sombrio do hospital, mas ainda mantinha a luz interior. Na verdade, esse tipo de personalidade era difícil de sobreviver no hospital.
Alguém com tanto senso de justiça, como se vira nesse pântano escuro? Coisas erradas demais para engolir.
Remédios caros, equipamentos médicos de alto custo, a impotência dos pacientes, a riqueza dos médicos, e os enfermeiros, no meio, sem saber o que fazer.
“Adao, obrigado.” Mao Mao agradeceu de coração.
A vida era difícil, mas encontrar pessoas que gostavam de música e o reconheciam, não era também uma sorte?
Wang Dao, o colega de quarto de Mao Mao. Talvez o nome que os pais deram fosse ambicioso demais, e ele não conseguisse sustentar.
A vida inteira, nunca seria um “rei do caminho”, mas ainda assim transbordava justiça. Que ironia!
Um Zé Ninguém, que mal cuida de si, querendo justiça!
“Quando você ficar famoso, escreve uma música para o nosso quarto, já que tivemos a sorte de nos encontrar.”
“Sem problema. Se eu ficar famoso, te levo junto, Irmão Dao.” Mao Mao falou com firmeza.
Dizia assim, mas os dois jovens ainda estavam cheios de amargura. Aquilo era só um jeito de encontrar alegria na tristeza.
Mao Mao era muito inseguro. Achava-se feio, alto, mas meio corcunda, e, com a maturidade precoce, a vida era realmente difícil.
Não sabia quando a virada viria!
Salão das Ondas, primeiro andar.
Zhang Kui estava lutando com Datou, sem técnica nenhuma, só desabafando emoções.
Os dois usavam protetores, esgotando suas frustrações.
Pá, pá, pá.
O som não parava.
Em poucos minutos, os dois estavam exaustos.
Força total, uma pessoa comum aguenta só alguns minutos.
“Que alívio!”
“Porra, que alívio!”
“Não aguento mais essa merda de humilhação.”
Zhang Kui deitou no chão, gritando com as forças que restavam.
Zhou You só observava em silêncio, sem dizer nada.
Porque sabia que Zhang Kui tinha ido se divorciar.
“Irmão You, eu tentei ser um bom marido, um bom pai, um bom filho. Por quê? Por que ninguém valoriza? Só querem mais e mais.”
“Não entendo, sério, o que há de errado com essa sociedade?”
“Fiz algo errado? Não fumo, não bebo, vou para casa depois do trabalho cuidar dos filhos. Por que ainda não estão satisfeitos?”
Datou, deitado no chão, também não se levantou, ouvindo o desabafo de Zhang Kui.
“Minha mulher reclama que não sou romântico, que não a trato como antes.”
“Mas ela não pensa que, quando namorávamos, eu só precisava cuidar dela. Agora tenho que me preocupar com três pessoas, tenho dois filhos para criar.”
“Também sou humano, minha energia é limitada. Por que ninguém me entende? Só querem tirar de mim. Não aguento mais.”
Zhou You bateu palmas e gritou: “Levanta, luta comigo mais uma vez.”
Zhang Kui se levantou num pulo: “Vamos.”
“Sempre ouvi Datou dizer que você é bom, mas não acreditava até experimentar.”
Zhou You deu um sorriso e, sem dizer mais nada, subiu no ringue com um movimento leve e elegante.
Chute lateral, soco direto, gancho, queda.
Fez Zhang Kui experimentar de tudo.
Vendo Zhang Kui deitado no chão de novo, falou sério: “Se você não levar uns tapas da vida, como vai se conhecer?”
“Somos todos pessoas comuns. Querer agradar a todo mundo? Impossível!”
“Aceita a realidade logo, ajusta a mente. A vida ainda é longa. Divórcio não é o fim do mundo.”
Assim, a taxa de divórcio só vai aumentar, e quem quer casar e ter filhos vai diminuir.
Isso não era problema de Zhou You. Na vida passada, ele viveu amargurado, brigando consigo mesmo.
Agora, pensando bem, que ridículo. Brigar consigo mesmo para quê? Viver tão torto, sem graça!
No fim, o que ganhou? Nada!
Melhor viver solto como agora!
Sinônimo de desapego? É frieza!
Não ser refém das emoções sociais é o único jeito de viver o verdadeiro eu.
“Irmão Kui, não quero casar. Tenho medo!” Datou se encolheu de lado, com medo de verdade.
“Medo de quê? Como o Irmão You diz, se você não experimentar, como vai entender?” Zhang Kui o consolou.
“Além disso, se eu não tivesse tido o segundo filho, estaria bem. Nós, pessoas comuns, temos que aceitar nosso destino. Não temos império familiar para herdar. Um filho só para brincar já basta.”
“Ainda querer um casal? É só se meter em encrenca.”
Zhou You puxou os dois para cima: “Vão tomar banho e trocar de roupa. Depois, um pouco de bebida, e pronto.”
Na vida, só a morte é grande. Se não tem medo da morte, do mais o que temer?
Zhang Kui, dessa vez, foi pressionado ao limite. Saiu de casa sem nada.
Deixou a casa para a mulher, os filhos também, e os pais dele voltaram para o interior.
Agora, ninguém mais o incomodava. Os pais não iam mais pedir para ele aguentar, nem dizer: “Seus pais estão aqui, aguenta, não briga com sua mulher, nos poupe.”
A mulher também não ia mais resmungar: “Olha no círculo de amigos, como o marido dos outros é bom, lava, passa, cuida dos filhos e ainda ganha dinheiro.”
Zhang Kui já tinha rebatido mais de uma vez: “Você acredita no que sai do círculo de amigos? O marido dela trabalha até 22h30 todo dia. Como ele faz essas coisas? No máximo uma vez por semana. Já eu, faço todo dia e cuido dos filhos.”
“E você disse que ele deu um presente errado para a esposa, comprou outro, que romântico!”
“Pensa com a cabeça. Casados há tanto tempo, com filhos grandes, e ele ainda erra no presente da esposa. Que amor é esse?”
Mas não adiantava. Se mulher ouvisse razão e entendesse as coisas, essa situação não existiria.
Elas só ouvem o que querem, fazem o que querem, e querem juntar no marido todas as qualidades que os outros exibem no círculo de amigos.
Rico, bonito, capaz, saudável, que cuida da família, dos filhos, da casa, e ainda é bom para os pais dela.
Olha no espelho. Se ele fosse tão perfeito, por que estaria com você?
Você é interesseira, todo mundo é.
Zhang Kui desistiu de vez, e foi um recomeço na morte. Agora, sem ter para onde ir, só podia se abrigar com Zhou You. Se não fosse o espaço grande dele, talvez não tivesse lugar.
Zhou You ainda não tinha decidido como arranjar Zhang Kui. Ele ainda mantinha o emprego antigo, só estava hospedado ali temporariamente.
Era um homem racional, afinal. Por mais dura que fosse a vida, sempre deixava uma saída, um prato de comida.