Capítulo 452: Capítulo 452 Capítulo 451 Uvas da Infância

À noite, Zhou You, aproveitando o clima fresco, levou Wang Fangfang para passear no parque.

O parque estava cheio de gente, desde idosos até famílias com crianças, tão movimentado que nem parecia um parque.

"Por que tem tanta gente hoje?" Zhou You perguntou, curioso.

Wang Fangfang apontou para as crianças brincando loucamente: "Hoje é sexta-feira, amanhã é fim de semana. Os trabalhadores que se mataram a semana inteira finalmente podem dar uma respirada."

Zhou You então entendeu; agora que estava acostumado à liberdade, às vezes realmente esquecia que dia da semana era.

Os dois caminharam até a ponte pequena e, parados nela, viram o chafariz no lago jorrando para o alto, a pelo menos 30 metros de altura, cercado por luzes de néon.

Uma cena festiva.

"Puf"

Uma criança correndo de cabeça baixa, quando percebeu Zhou You, já não conseguia frear.

"Ah, desculpa, a criança correu rápido demais." Uma jovem mulher se apressou em se desculpar.

Zhou You acenou com a mão, sem se importar.

Crianças correndo e brincando é super normal; é melhor que sejam vivas, que idade maravilhosa.

Quem tem tempo e disposição para passear no parque, geralmente tem uma situação financeira boa, pelo menos tem tempo para descansar, não é?

"Tio, desculpa." A menina era bem educada.

Mas, pelo jeito que pedia desculpas com tanta prática, devia ser reincidente!

Dar uma volta no parque levou uma hora, e foi como experimentar um pouco da vida comum, acalmando o coração inquieto de Zhou You ultimamente.

Wang Fangfang também adorava esses momentos a sós, bonitos e simples, mas que podiam durar mais.

"Com esse clima, caminhar é realmente muito gostoso."

Na volta para casa, passariam pelo Pavilhão das Ondas.

Foi então que Zhou You notou um triciclo parado na entrada do pavilhão, cheio de frutas.

"Vamos ver o que é, já que podemos comprar algumas frutas."

Ao se aproximar, viu que era uma família de três; o filho, com cerca de um ano, estava no colo da mãe, tentando se soltar para brincar.

O homem e a mulher tinham pouco mais de 20 anos, pareciam jovens, mas a ansiedade transparecia involuntariamente.

"Cara, por que você está vendendo frutas a essa hora?" Zhou You perguntou enquanto escolhia as frutas, puxando conversa.

O rapaz era falante e, vendo que tinha cliente, ficou feliz: "De dia não ouso vir, à noite é mais seguro. Tudo fresco, pode provar." E cortou um pedaço de maçã, oferecendo a Zhou You.

"Hmm, está boa." Zhou You pegou e provou.

"Fangfang, prova também."

Wang Fangfang não pegou, estava entretida brincando com a criança.

"Chama de tia, quer que a tia brinque com você?"

A jovem mãe, vendo isso, ficou um pouco sem graça: "Ah, desculpa mesmo, a criança quase não vê o pai, ele fica o dia todo vendendo frutas por aí, hoje ela quis ficar com ele."

"Por que escolheu aqui? É um lugar meio afastado." Zhou You perguntou.

Olhou ao redor, não havia outros vendedores, só ele sozinho, parecia bem isolado.

"Cheguei há poucos dias, ainda não conheço bem a área. Vi que aqui são bairros novos, resolvi tentar." O jovem tinha alguma experiência, sabia que perto de bairros antigos as pessoas já têm hábitos e lugares fixos.

"Na entrada do parque tem muita gente, por que não vai para lá?" Zhou You continuou, mas se arrependeu assim que falou.

O jovem deu uma risadinha: "Lá chama muita atenção, não dá para ficar muito tempo."

Enquanto os dois homens conversavam, Wang Fangfang já estava brincando com a menina, com uma pedrinha que ela tinha pego no parque, redonda e bonita.

"Faz quanto tempo que está aqui?" Zhou You perguntou.

"Cheguei agora. Tentei outros lugares, só aqui no pavilhão tem um pouco de movimento. As pessoas que saem daqui compram algumas, e o pessoal daqui é legal, nunca me expulsaram." O jovem estava feliz, olhando com admiração para as luzes do Pavilhão das Ondas.

Para ele, quem tinha dinheiro e tempo para se exercitar ali devia ser mais feliz que ele.

Pensando nisso, viu a filha rindo alto, mostrando a pedra para a mãe.

Não conseguiu evitar um sorriso carinhoso; o dinheiro não era muito, mas pelo menos a família era feliz, não é?

Zhou You, vendo Wang Fangfang daquele jeito, também se sentiu tocado, e sussurrou no ouvido dela: "Quando voltarmos, vamos nos esforçar também, ter uma filha para brincar com você todos os dias."

Wang Fangfang ficou vermelha de vergonha, mas como estava escuro, só deu um beliscão nele.

"Você, acho que está faltando algo no refeitório do nosso pavilhão. Agora que vi isso, percebi: faltam frutas." Wang Fangfang comentou.

Zhou You entendeu e ficou satisfeito; ela não era uma santa, mas conseguia se colocar no lugar dos outros e entender as dificuldades da vida.

"Hum, você decide."

Wang Fangfang sorriu para a jovem mãe: "Que tal assim: hoje a gente compra todas as frutas. Amanhã o pessoal prova, e se for bom, vocês entregam para a gente regularmente."

A jovem mulher, ouvindo aquilo, não acreditou. Olhou para o marido, que também estava surpreso.

Aquele carrinho de frutas, nem muito, nem pouco, dava uns milhares de reais; uma família normal não compraria tanto.

Feliz, mas ainda cautelosa, perguntou: "Comprar tudo isso, vocês vão dar conta de comer? Se sobrar, é uma pena desperdiçar."

"Ha ha." Zhou You riu.

E gritou para alguém que acabava de sair do pavilhão: "Vai chamar o pessoal para levar essas frutas para dentro, é um extra para todo mundo."

Quem saiu foi Batu, que ao ouvir a voz de Zhou You, ficou animado: "Pode deixar, irmão You."

E deu um grito.

Uma porção de gente saiu, assustando o casal jovem; a menina se escondeu no colo da mãe.

Zhou You rapidamente disse, com voz suave para a menina: "Não tenha medo, não tenha medo, esses tios são legais. Este pavilhão é do tio, e o tio te convida para entrar e dar uma olhada, ok?"

Vendo a menina, lembrou-se de Le Xue, e seu tom e expressão ficaram ainda mais calorosos.

O casal então percebeu que tinha encontrado pessoas boas.

"Obrigado, muito obrigado. Assim posso ir embora mais cedo hoje."

Vendo um monte de gente carregando as frutas, o jovem várias vezes quis falar, mas se conteve, preocupado se era uma compra forçada.

Mas, olhando para os dois à sua frente, não pareciam ser esse tipo de pessoa; além disso, alguém tão rico não se interessaria por essas coisas.

Zhou You observava a expressão do rapaz e, vendo que ele se mantinha calmo, ficou satisfeito. Ajudar não era problema, o problema era encontrar um ingrato, que magoa e cansa.

"Vamos, estaciona o carro no estacionamento, o tempo está ficando frio." Zhou You convidou o rapaz para entrar.

A família ainda estava um pouco apreensiva, exceto a menina, que olhava o mundo com inocência, curiosa sobre tudo.

Com as duas mãozinhas, uma segurando firme a mão da mãe, a outra segurando a mão de Wang Fangfang, achando que quem lhe deu a pedra devia ser uma boa pessoa.

Esse simples gesto derreteu o coração de Wang Fangfang.

Conexão, era assim, simples. Seus olhos se encheram de carinho, despertando todo o instinto maternal!

Enquanto todos lavavam e comiam as frutas.

Wang Fangfang também descobriu mais sobre a situação do jovem casal.

O rapaz era universitário, formado em agronomia, uma área meio complicada. Sem vantagem para pesquisa, só podia fazer coisas mais superficiais. Trabalhou como vendedor, viajando pelo país, até que se casou e teve filho. Aí começou a vender frutas, o que até combinava com a formação.

"Primeiro calcula quanto custa esse carrinho, que eu te pago." Zhou You tomou a iniciativa, já que o outro não ia pedir, e com um monte de homens grandes, quem não ficaria com medo?

"Obrigado, irmão. Meu nome é Song Quanhai, pode me chamar de Xiao Hai. O dinheiro não é urgente, prova primeiro. São todas selecionadas, minha especialidade na faculdade não era boa, mas para escolher frutas eu tenho jeito." Song Quanhai ainda não estava acostumado, nunca tinha passado por algo assim.

Zhou You riu. Agronomia é vasta e cheia de especializações; na pós-graduação, chega a detalhar tipos específicos de frutas.

O que Xiao Hai estudou devia ser algo como fruticultura ou horticultura.

Os outros, depois de lavar as frutas, deram uma porção primeiro a Zhou You. Ele pegou uma uva para provar; nessa época, é raro encontrar uvas boas.

E as uvas de hoje, para facilitar o transporte e armazenamento, são cultivadas com casca grossa e pouca água, quase como uvas-passas.

Zhou You não gostava dessas; preferia as uvas suculentas, que dava para chupar.

Isso vinha da infância, da parreira do vizinho.

Todo verão, o que Zhou You mais gostava era brincar na casa do vizinho, porque assim podia comer uvas. Quando cansava, ficava debaixo da parreira, um grupo de crianças procurando as uvas que estavam ficando vermelhas para colher e comer.

Comiam uma a uma, nunca esperavam amadurecerem todas.

Essa era uma das poucas alegrias da infância de Zhou You.

"Xiao Hai, você consegue arrumar aquelas uvas da infância? As de hoje são doces, mas não têm gosto de fruta, nem o sabor de antigamente."

Song Quanhai ficou meio sem graça: "Isso é resultado do mercado. As uvas da infância tinham casca fina e muito suco, não eram tão doces, mas tinham um sabor natural da fruta."

"A maioria das frutas de hoje não tem gosto de fruta, nem as de verão. São só doces, mas falta algo. Isso porque o mercado usa a doçura como padrão principal, e também, para facilitar transporte e armazenamento, muitas frutas foram modificadas."

Vendo que todos estavam prestando atenção, sentiu-se valorizado.

Continuou: "Outro motivo é que, além das frutas da estação, a maioria está disponível o ano todo, então perde-se a expectativa."

Zhou You concordou com a cabeça; tudo fazia sentido. Ainda bem que ele não entrou em detalhes técnicos, senão ninguém entenderia.

"Você falou um monte, mas consegue achar aquelas uvas da infância?"

Song Quanhai ficou constrangido; só tinha se preocupado em mostrar conhecimento e esqueceu do principal.

"É meio difícil, vou dar uma olhada para o senhor, mas não garanto."

Zhou You só tinha comentado de passagem, sem esperar encontrar agora. Todo verão, ele sabia que no quintal pequeno tinha uma parreira, mas no começo não dava muitos frutos.

Wang Fangfang, vendo todo mundo comendo frutas em silêncio, perguntou direto: "Está gostoso?"

"Está."

"Tem muita variedade."

"Fangjie é demais."

Olhando para aquele grupo de homens rústicos, Wang Fangfang ficou sem palavras; todos eram de poucas palavras e mãos rápidas.

"Xiao Hai, vem amanhã para a gente acertar essa compra de frutas. A quantidade a gente define depois, pode ser um pouco menos que hoje, mas deve ser parecido."

Wang Fangfang calculava enquanto falava: "Dois pavilhões de luta, seis piscinas, mais o que a gente come e o que dá para os clientes, no final dá um bom tanto."

Song Quanhai ouvia animado; nos negócios, quem não sabe que ter clientes fixos é melhor que vender avulso? Mais importante, é estável.

A esposa dele, vendo a filha ainda grudada em Wang Fangfang, sabia que tinham encontrado anjos da guarda, tudo por causa da menina.

"Está bem, vou seguir suas instruções. A senhora tem algum requisito para as frutas?" Song Quanhai perguntou, controlando a empolgação.

"É tudo para a gente comer, então tem que ser bom. De preferência orgânico, com pouco agrotóxico, da estação, e variedade. O preço não é o principal, não se preocupe com isso." Wang Fangfang disse. Antes, ela cuidava pouco disso.

Era tudo um bando de homens; enquanto estivessem cheios, estava bom, não pensavam nisso.

Zhou You olhava feliz para Fangfang; ela realmente era uma boa chefe, pensava em tudo, com detalhes.

Pensando nisso, disse: "Vejam como a Fangfang pensa em tudo para a gente. Nós, esse bando de brutos, antes só sabíamos de comer e beber, e tomávamos muita sopa."

Todos riram, meio sem graça.

"Irmão You, nosso tratamento já está quase como no antigo emprego."

"É, comida e bebida de graça, e ainda frutas."

"Fangjie é fera, irmão You é fera."

Todo mundo se animou.

Song Quanhai olhava com os olhos brilhando; o ambiente na empresa era tão bom, com comida e bebida inclusos, e uma relação tão boa com o chefe. Perguntou, sem pensar: "Aqui também dá moradia?"

"Claro, moradia de graça."

"E ainda compraram outro prédio para a gente não ficar mal alojado."

"Quem tem família pode pegar uma casa grande, e depois de muito tempo, pode comprar pelo preço antigo."

Aí todo mundo começou a falar ao mesmo tempo.

Song Quanhai ouvia, impressionado. Que empresa era aquela? O chefe era tão generoso. Ele achava que, entregando frutas, ia ganhar bem, mas comparado a isso, não era nada.

Mesmo ganhando algumas centenas por dia, os benefícios ocultos da empresa, como aluguel e comida de graça, já superavam a maioria das pessoas; o salário era tudo líquido.

Ele queria muito entrar nessa empresa, mas engoliu a vontade; não podia ser ganancioso, tinha que saber se contentar.

Aqueles ali eram atletas profissionais; o que ele ia fazer lá? Só atrapalhar.

Primeiro, construir uma relação, ir devagar, depois negociar. Além disso, com benefícios tão bons, quem sabia se a empresa ia durar.

A mente dele vagava, mas sentia que algo estava errado.

Só quando saiu com a mulher e a filha é que percebeu.

Poxa, se a empresa fechasse, para quem ele ia vender? Deu um tapa na própria cara; estava obcecado, pensando bobagem.

"Pá"

Song Quanhai deu um beijo na filha: "Você é o meu tesouro, agora o pai vai ganhar dinheiro, e quando ganhar, vai comprar frutas boas para você."

Quem veste seda não é quem cria o bicho-da-seda.

Antes, as frutas que não vendia raramente levava para casa; vendia barato para outros, e só as estragadas, se sobravam, levava.

Na época, se consolava pensando que a filha era pequena e não podia comer frutas mesmo.

Mas a amargura no fundo, só ele sabia.