Capítulo 450: Capítulo 450 Capítulo 449 A Lua e Seis Vinténs

Datou estava ocupado com o trabalho e também com o namoro. A vida estava tão cheia que ele até ia menos ao Clube das Ondas. Por outro lado, Tong Qiaoyun e Wang Fangfang se comunicavam com frequência. No dia em que foi convidada para ir à casa deles, percebeu que havia uma foto de casamento pendurada na parede. Apressou-se para olhar de perto e perguntou, surpresa: "Fangjie, vocês se casaram?" Wang Fangfang raramente convidava amigos para casa. Tong Qiaoyun era namorada de Datou e também colega e amiga de Zhou You, então a situação era um pouco diferente; de vez em quando, ela podia ir até lá. "É, tiramos durante a viagem, foi tipo um casamento de viagem, nem contamos para ninguém." "Nossa, o Youge é tão discreto assim?" Wang Fangfang sabia o verdadeiro motivo, mas ainda assim disse com suavidade: "Você vai conhecendo o Youge aos poucos, ele odeia complicações. Casamento é uma das coisas mais chatas para ele. Além disso, ele tem muitos contatos e conhece muita gente; se fosse fazer uma festa grande, seria enorme, e ele detesta isso." Tong Qiaoyun concordou com a cabeça: "É verdade. Ouvi o Weige dizer que, na época da escola, o Youge já evitava problemas, não queria participar de coisas muito superficiais e nem entrava em grupos. Só no começo da faculdade eles entraram num grupo, mas em menos de uma semana já saíram." "Haha, e quando perguntei por quê, sabe o que o Weige disse?" Wang Fangfang ficou curiosa: "O que ele disse?" Tong Qiaoyun se recostou na cadeira, com as mãos penduradas, imitando o tom e a expressão de Zhou You: "Datou, esse grupo não dá, mandaram a gente catar garrafas plásticas e varrer lixo pela escola inteira. A gente nem queria limpar o próprio dormitório, imagina a escola." "Haha." Wang Fangfang não conseguiu segurar o riso. Era bem típico de Zhou You falar algo assim, ele realmente odiava fazer essas coisas. Enquanto as duas riam à vontade, Zhou You entrou: "Quem está caluniando o imperador?" Atrás dele vinha Datou. Tong Qiaoyun foi pega no flagra, ficou com o rosto todo vermelho, muito sem graça. Datou, porém, estava bem animado: "Xiaoyun, você imitou direitinho, melhor do que eu. O segredo é ter o jeito certo. Por que não vai atuar? O Zhou You agora é um figurão do entretenimento." Zhou You deu um soco em Datou: "Parece que você não apanhou o suficiente ainda, ousando me provocar." Datou se jogou no sofá, fingindo de morto: "Humpf, você casou e não me contou, então quando eu casar, também não vou te chamar." Zhou You caiu na gargalhada, sem se importar nem um pouco. "Não me chamar é até melhor, economizo o dinheiro do presente." Datou pulou na hora, com um sorriso bajulador no rosto: "Tá bom, pelo bem do presente, vou deixar passar." "Estou realmente duro agora, e olha que nem tenho hipoteca. Como será que quem paga hipoteca consegue? Só de pensar já dá medo." Zhou You não pegou no assunto. Como conseguem? Vão aguentando, ué. O que mais um comum pode fazer? Quem compra casa tem um objetivo; quem não compra, nem esperança tem. "E aí, tá pensando em casar?" Zhou You disse isso olhando para Tong Qiaoyun. Datou concordou: "É, planejando casar. Já estou velho, não tenho mais grandes ideias, só quero estabilidade." Ao dizer isso, a voz de Datou estava calma, já tinha passado da fase. A impulsividade e a paixão da juventude tinham dado lugar ao arroz e feijão da vida real. "Lembra quando você me recomendou aquele livro do Maugham, 'O Fardo das Paixões'?" Zhou You balançou a cabeça: "Recomendei tanta coisa, você alguma vez leu?" Datou ficou um pouco vermelho. Na escola, Zhou You sempre compartilhava bons livros e suas reflexões, mas naquela época ele realmente não conseguia se concentrar na leitura. Foi só depois de levar porrada da vida, largar o emprego de vendas, que ele começou a ler com calma. Naquele período, foi a leitura que o salvou. "Esse livro é muito interessante. Antes eu não entendia e não conseguia ler, mas depois de ler com atenção, vi que é genial. Basicamente, toda criança passa por algo assim, tem seu próprio sonho, até que um dia percebe que é só uma pessoa comum." "E aí começa a aceitar a vida medíocre, a encarar a realidade." Zhou You via Datou assim pela primeira vez. Antes, ele parecia sempre despreocupado, mas agora tinha realmente amadurecido. Sentou-se ao lado dele, deu um tapinha no ombro e disse: "Gente, todo mundo tem problemas. Sabe quantos da nossa turma te invejam?" "E mais, como você sabe que quem tem dinheiro não tem problemas?" Apontou para si mesmo: "Eu também tenho os meus." Datou ficou confuso: "Que problemas você tem?" Tong Qiaoyun também estava curiosa. Que problemas Zhou You poderia ter? Ele era um vencedor na vida, invejado por muitos. Wang Fangfang sabia um pouco, achava que era sobre relacionamentos, e estava prestes a piscar para ele não falar, quando ouviu Zhou You dizer: "Ah, tô preocupado com tanta grana que tenho, o que fazer." Datou arregalou os olhos. Você vem me falar isso? Levantou-se, quase dando uns tapas na cara de Zhou You. "Que pecado, que pecado. Vambora, Xiaoyun, se ficar mais um pouco, vou ficar cheio de raiva, nem preciso jantar." "Hahaha" A risada vitoriosa de Zhou You era irritante. "Quanto mais você ri, mais eu fico. Vou te deixar pobre. Quando eu não tiver o que comer, vou no seu clube, e vou trazer os filhos também." Datou falou com raiva. Xiaoyun observava os dois brigando, e no fundo, invejava essa relação. Datou não era tão rico quanto Zhou You, mas não se humilhava. Claro que a diferença afetava um pouco, mas não muito; ele mantinha o coração puro. Era isso que Tong Qiaoyun gostava em Datou: ele era genuíno. No banco, ela via muito disso: gente se curvando diante dos ricos, especialmente em reuniões de ex-colegas, que viravam vitrines de ostentação, com um bando de puxa-sacos atrás. Amizade de escola, memórias da juventude, tudo virava troca de interesses. "É bom ser pé no chão. Vai fazer um casamento grande? Quer que eu chame alguns famosos?" Zhou You perguntou de boa. Mas antes que ele terminasse, Tong Qiaoyun respondeu: "Obrigada, Youge. A profissão do Weige não é adequada, melhor manter discrição. Além disso, não aguentaríamos as consequências, e não queremos te dar trabalho." Datou também concordou. No começo, até pensou em pedir para Zhou You arranjar alguns artistas para dar um brilho. Mas, como adultos, depois de pensar um pouco, desistiram. Se outros também quisessem, não iam acabar criando problemas para si mesmos? Cada um com seu tamanho, come o que pode. O que os outros dão, no fim, é dos outros. A vida de Datou já superava a da maioria. Dizem por aí que quem ganha mais de dez mil por mês já ultrapassa 90% da China. Quando ouvi isso, achei inacreditável, especialmente quem ganha isso, que a primeira reação é não acreditar. Porque essas pessoas também não são felizes, e até se veem como base. Só que a base do país é enorme; 10% já são 140 milhões. Mais importante, tirando idosos e crianças, a força de trabalho real não é tanta. Dividindo por homem, fica ainda menor, por isso parece tão absurdo. É como um concurso: centenas ou milhares se inscrevem para uma vaga. Na verdade, a maioria só está ali para fazer número, para se sentir melhor. Quem realmente tem capacidade são umas dezenas. No fim, esses dados são maleáveis, como uma menina que se veste como quer. Felicidade ou não, só a gente sabe. Eles jantaram no refeitório pequeno. De vez em quando, ouviam Datou reclamar do trabalho ou Zhou You se gabar. Era gostoso, todo mundo se conhecia; exageros demais só rendiam gozação. Na hora de ir embora, Zhou You lembrou de algo e perguntou a Tong Qiaoyun: "Você tem meta de vender ouro?" Ao ouvir isso, Tong Qiaoyun entendeu que ele queria dar mais uma força para ela. Queria, mas balançou a cabeça: "Youge e Fangjie já ajudaram demais. Abriram as contas da empresa do clube de natação e do de luta aqui. Agora estou bem no trabalho, o chefe não me dá mais tarefas pequenas." Zhou You sorriu. Gostava de gente grata. Quem não tem noção é chato. Ajuda é um favor, não uma obrigação. "Vou comprar mais um pouco de ouro. Se o seu banco tiver, compro um pouco." Tong Qiaoyun entendeu. Era uma necessidade; comprar de quem comprar, tanto faz: "Tá bom, vou perguntar. Quanto o Youge quer comprar?" Para ela, com a fortuna dele, comprar umas centenas de milhares ou milhões era normal. Zhou You respondeu de leve: "Ainda não decidi. Umas dezenas de milhões, todo ano compro um pouco." Datou ficou sem palavras, puxou Tong Qiaoyun e foi embora, resmungando: "Cão rico." Tong Qiaoyun ficou sem graça, virou-se e disse: "Obrigada, Youge, vou ver e te aviso." Zhou You, vendo Datou assim, caiu na gargalhada. Provocar Datou era a melhor diversão. Quando ele já estava longe, gritou: "A Tencent vai lançar um jogo para celular, dizem que é muito bom. Vamos jogar juntos." Jogar ou não, era secundário. O importante era fisgar Datou. Fazia tempo que não tinham um jogo bom para se divertir juntos. Se não fosse pela preguiça de Zhou You, ele já teria criado o PUBG antes, já que sabia que era da Bluehole, na Coreia. Pensando nisso, mandou uma mensagem para Azhen, pedindo para ela ficar de olho na empresa e entrar em contato quando possível. Não era por dinheiro, mas para ter um jogo para jogar, e de quebra ganhar uma grana. Não era fácil; a época tinha muitas coisas legais, mas faltava algo. Enfim, tinha muitas ideias na cabeça; quando pensava, já mandava executar. Se desse certo, ótimo; senão, tudo bem. O tempo passou voando, sem ninguém perceber. "As Loucuras de Charlotte" teve sua bilheteria oficial divulgada: ultrapassou 2 bilhões de yuans, um sucesso absoluto. O valor de Hao Jian disparou, e com o impulso do Gala da Primavera, virou um dos maiores nomes do país. O apelido de "mão de ouro" de Zhou You voltou a circular no meio. Li Ronghao também ganhou mais atenção, não só pelas músicas e pela voz, mas pela ligação com Zhou You e por serem da mesma terra. "Youge, tem um show que você quer ver? É em Luzhou, e eu sou o convidado." Li Ronghao era introvertido, não sabia se expressar bem, mas sabia que Zhou You gostava de música. Zhou You não queria sair; preferia ficar em casa, descansar e acompanhar Wang Pengfei, contratando alguns professores para orientá-lo. As provas estavam chegando, e para ele, era tão importante quanto o vestibular. Ficou feliz com o convite: "Show de quem?" "Do Professor Wu. São clássicos: 'A Floresta da Noruega' e 'O Eu Repentino'." Zhou You ficou sem graça. Nunca tinha ouvido falar que o Professor Wu tinha convidados; o pessoal não ia para ouvi-lo cantar? O Professor Wu só tocava. "O que você vai fazer como convidado? Ele mesmo não canta." Li Ronghao também riu. Era uma piada no meio: o Professor Wu fazia show para os outros cantarem e ainda ganhava dinheiro. Brincadeiras à parte, era invejável. Isso mostrava que as músicas eram populares, todo mundo sabia cantar. Era algo que não se conseguia imitar. "Também quero aprender, para um dia chegar ao nível do Professor Wu." Li Ronghao brincou. Mas, no fundo, sabia que suas músicas não eram tão fáceis de cantar, tinham um estilo próprio. Às vezes eram boas, mas não tão populares. Zhou You também riu: "Tá bom, arruma vários ingressos para mim, vou levar todo mundo. Você tem talento para comédia, um dia te indico para um filme." Afinal, ele já tinha ganhado o prêmio de melhor coadjuvante no começo da carreira, e os olhos pequenos também eram um ponto cômico. Mas Li Ronghao não pareceu tão animado: "Youge, quero focar na música." "Tudo bem, você decide. Se precisar de inspiração, pode experimentar mais coisas." Zhou You não insistiu. Na verdade, admirava ou até invejava gente como Li Ronghao. "A Lua e Seis Vinténs" também é do Maugham, muito conhecido, frequentemente usado para comparar ideal e realidade. Mas no mundo real, sempre há os sortudos que realizam seus ideais e ainda ganham muito dinheiro. É de dar inveja. Uns se curvam à realidade, outros não se rendem. Não dá para dizer qual é mais nobre ou admirável. Só que todos querem ser egoístas, buscar a própria felicidade. Mas, porque somos humanos, criados por outros desde pequenos, não crescemos sozinhos, é que temos laços, sentimentos, gratidão e retribuição. Às vezes, curvar-se à realidade também exige muita coragem. Zhou You divagava de novo, com ideias colidindo na mente, iluminando todo o quarto. Ao abrir os olhos, parecia ver uma lua brilhando sobre sua cabeça, sempre pairando, perseguindo-o. Era a pergunta de criança: por que a lua me segue?