Capítulo 422: Capítulo 422 Capítulo 421 Aprender Mandarim

Zhou Bencheng e Li Fengying estavam inquietos em casa.

Uma hora felizes, outra hora suspirando.

"Você acha que a gente vai ou não vai?" Zhou Bencheng, agachado no sofá, estava profundamente irritado.

Li Fengying também estava, raramente tão indecisa.

"Por princípio, a gente devia ir, mas como é que a gente vai?"

"E o que a gente vai fazer lá?"

"Não quero mais saber, afinal é sangue da sua família Zhou. Se você for, eu vou junto; se não for, azar."

Desde que soube que tinha uma neta, Zhou Bencheng começou a se preocupar com a viagem de Zhou You, mas quem diria que ele foi para tão longe na lua de mel.

Isso deixou o casal de idosos muito aflito.

"Vamos, com certeza vamos, senão não ficamos tranquilos." Zhou Bencheng tomou uma decisão firme.

Não importa passar vergonha, afinal o filho já tinha passado toda a vergonha possível.

"Vou ligar para o Zhou You, pedir para ele nos levar." Zhou Bencheng disse e já foi telefonar.

Dois toques.

Zhou You viu que era o pai ligando e atendeu rápido: "Alô, pai, o que foi?"

"O quê? Vocês querem ir ver?"

"Pode, sem problema, eu arrumo?"

"O quê? Eu também tenho que ir?"

Zhou You ficou de cabeça quente, sentindo que tinha cavado uma armadilha para si mesmo. Ir agora até que vai, mas e depois? Não vão querer ir sempre?

Se soubesse, nem teria falado.

Mas agora já estava encurralado, essa viagem era inevitável. Tinha acabado de voltar e já teria que ir de novo, o que fazer?

A mente começou a pensar rápido.

"Pai, agora não dá, o bebê é muito pequeno, ainda não tomou todas as vacinas. Espera um pouco, quando estiver maior, se quiserem ver, eu mando vídeo."

Zhou You realmente não queria ir. Os dois idosos não falam russo, o que vão fazer lá? Tudo teria que ser preparado.

"Não tenta enrolar seu pai. Você mesmo foi, por que eu não posso ir? Além disso, a criança já nasceu, não é certo a gente, como mais velhos, não aparecer?"

Zhou Bencheng não se deixava enganar.

"E mais, a família da moça não vai achar ruim?"

Nem sabia o que o filho tinha de tão bom para ela querer ter um filho dele, sem nem um status direito.

Zhou You ficou sem saída. O pai não era fácil de enganar.

"Tá bom, então espera mais uns dias. Acabei de começar as aulas, tenho muita coisa." Zhou You começou a usar a tática de adiar.

"Tá, não é tão urgente. Tem que resolver os trâmites, e eu e sua mãe também precisamos nos preparar." Dito isso, Zhou Bencheng desligou.

Se não fosse para limpar a bagunça do filho, quem iria querer viajar tão longe?

Zhou You largou o telefone e se jogou no chão.

Li Houliang viu e se aproximou, preocupado: "Irmão You, o que houve? Está mal?"

"Nada, cansaço mental. Prepara tudo, vamos para Moscou de novo. Meus pais querem ir ver. É o mesmo grupo de antes, não muda." Zhou You disse, e já tinha gasto as últimas forças.

Depois disso, continuou deitado no sofá, pensando no futuro.

Contar ou não contar? Se não contar, a criança não teria uma família completa, os outros têm avós, ela não.

Se contar, mais cedo ou mais tarde seria um problema.

Pensando nisso, não resistiu e deu um tapa em si mesmo.

O prazer de um momento, a confusão depois era enorme.

Era culpa da própria ganância, não conseguia controlar os desejos, queria demais, se entregava demais.

"Inna, como você está?" Zhou You estava no Pavilhão Zhuolu, fazendo videochamada com Inna.

Inna atendeu feliz: "Estou bem, a pequena Lexue está crescendo bem."

E virou a câmera para a pequena Lexue.

Ao ver a criança, o coração cansado de Zhou You reviveu, ganhando nova energia.

"Ai, Lexue, chama papai." Zhou You acenou.

"A pequena Lexue cresceu de novo, as crianças crescem tão rápido."

Inna ignorou o desejo irrealista de Zhou You. Esperar que um bebê de quatro meses falasse era pedir demais.

"Lexue, dá uma virada para o papai?"

Zhou Lexue, não se sabe se entendeu, mas na câmera, ela se virou, de rosto para cima para rosto para baixo.

Inna rapidamente a virou de volta e caiu na risada: "Ela só sabe virar meia volta, ainda não consegue voltar."

"Ha ha, minha filha é demais! Mas fica de olho, para ela não se sufocar." Zhou You riu, aliviado.

Lexue também ria, feliz por ter alguém brincando com ela.

"E mais, meus pais também querem ir te ver, ver a Lexue, talvez em breve." Zhou You aproveitou para soltar a notícia.

Inna deixou o celular cair de susto.

Por sorte, caiu na cama, sem acertar a criança.

Ela pegou o celular depressa: "Ah, é sério? Preciso preparar alguma coisa?"

Inna estava realmente nervosa, a voz até tremia. Nunca imaginou que esse dia chegaria, não estava preparada.

"Não precisa, não prepara nada. Eu levo eles, senão não acham o caminho. Deve ficar só uns dias." Zhou You disse.

Vendo Inna assim, melhor resolver logo.

Senão, se demorar, todo mundo acaba com problemas no coração.

Inna sentia um misto de emoções, alegria e tristeza misturadas. Não sabia o que fazer. Era bom, com certeza era bom, representava o reconhecimento dos pais de Zhou You.

Mas ainda assim, havia diferenças, e o coração estava inquieto.

Dias depois, Zhou You partiu com os pais.

Previsão de uma semana, e depois ele teria que arranjar uma desculpa para voltar.

Zhou Bencheng, desde que entrou no avião, ficou de olhos fechados descansando. Mesmo com o filho junto, estar num país estranho deixava um certo desconforto.

Ao descer do avião, um grupo os esperava, incluindo Sergei.

"Bem-vindos, bem-vindos, não esperava ver vocês tão cedo de novo." Sergei disse.

"Ha ha, vai ser frequente daqui para frente." Zhou You falou a verdade. A criança estava ali, pelo menos alguns dias por ano.

Inna viu os dois idosos chegando, puxou Zhou You e pediu para ele apresentar.

Homens às vezes são desleixados, sem atenção aos detalhes.

"Pai, mãe, esta é a Inna. A mãe da Inna ficou em casa cuidando da criança, não veio." Zhou You disse.

Zhou Bencheng ficou sem reação, não sabia o que dizer, nem como dizer.

Inna se apressou: "Olá, tio e tia. Eu sei falar chinês."

Não tinha jeito, não sabia como chamar. Chamar de pai e mãe não era adequado, então optou por tio e tia.

Zhou Bencheng, ao ouvir Inna falar chinês, se animou. Se dava para se comunicar, estava bom, o medo era não conseguir.

Ele puxou Li Fengying: "Tira os três ouros." Li Fengying tirou a pulseira, o anel e o colar de ouro e colocou em Inna: "Bobinha, não chama mais de tio e tia."

"Zhou You não tem juízo, de agora em diante chama de pai e mãe."

Inna viu Zhou You acenar que sim, e sorriu radiante, falando com clareza: "Olá, pai e mãe!"

Zhou You ficou boquiaberto ao lado.

Só mostra que os mais velhos têm mais experiência. Talvez só não tivessem tido oportunidade antes.

Só as coisas novas da internet que eles não dominam, mas no resto, como relações humanas, os mais velhos são mais experientes.

Por isso se diz que ter um idoso em casa é ter um tesouro.

O grupo voltou feliz, abrindo um bom começo.

No caminho, os dois idosos olhavam tudo como se fosse novidade. O lugar era diferente, a arquitetura diferente, as pessoas diferentes, todas loiras de olhos azuis.

"Filho, por que tem tantos estrangeiros aqui?" Li Fengying perguntou, confusa.

Puf

Zhou You não segurou o riso: "Mãe, isso é no exterior. Aqui, nós é que somos os estrangeiros."

Li Fengying ouviu e também riu: "Não me toquei."

"Tudo bem, no começo eu também era assim, depois acostuma." Zhou You se expôs para não deixar a mãe passar vergonha.

Entre risos e conversas, chegaram em casa.

Não tem como negar, ter dinheiro e contatos facilita tudo, dá mais liberdade.

No começo, ele vinha de táxi, que era prático, mas não tão livre e à vontade.

Zhou Bencheng e a esposa moravam em casa com quintal, o filho também, então não se surpreenderam com o quintal de Inna. Ou melhor, nem tinham noção.

Muita gente é assim: vive num ambiente por muito tempo e acha que todo mundo é igual.

Pensando nisso, Zhou You lembrou do TikTok.

Antes de vir, recebeu uma ligação de Zhang Yiming, dizendo que ia começar a rodada de investimento e queria que Zhou You desse uma olhada. Quando ele tivesse tempo, começavam.

Depois dessas decisões importantes, Zhang Yiming confiava cada vez mais em Zhou You.

Pelo menos Zhou You tinha confiança e coragem para enfrentar essas pessoas.

No começo, achava que Zhou You era só um rico sem noção, que tinha sorte para ganhar dinheiro. Gente assim, Zhang Yiming já viu muito.

Muitos ganham dinheiro na sorte e perdem tudo na incompetência.

Mas descobriu que Zhou You não era assim. O dinheiro só aumentava, e várias vezes ele provou ter visão certeira.

Por isso, esperou firmemente por Zhou You. Afinal, ainda tinha dinheiro suficiente.

Zhou You também ficou feliz. Estava justamente procurando uma desculpa, e ela apareceu. Um negócio de bilhões não podia deixar passar, né?

Inna chegou em casa e logo trouxe Lexue: "Xuexue, chama vovô e vovó."

Era bom dizer palavras de sorte, mesmo que fosse difícil para um bebê de quatro meses.

Zhou Bencheng ficou ao lado, rindo bobo, enquanto Li Fengying tirava coisas da bolsa.

"Isso é o cadeado da longevidade e o animal do zodíaco para minha neta."

Zhou You ficou sem palavras com os pais. Era tudo de ouro, e pelo peso, não era leve.

"Maciço?" Zhou You pegou para sentir o peso.

"Hum." Zhou Bencheng respondeu distraidamente.

Pois é, os dois idosos também não tinham onde gastar dinheiro.

Pensando bem, era verdade. No interior, não gastavam quase nada, comida e bebida não faltavam, as roupas não eram feias, mas meio estranhas, nem tradicionais nem modernas.

Mas com a confiança inexplicável deles, até tinha um certo estilo时尚.

"Mãe, esta é a Maria, mãe da Inna." Zhou You apresentou. O básico já tinha sido dito antes.

Zhou You resumiu a situação de cada lado e deixou o resto com Inna, já que ela era a melhor tradutora.

Maria também estava feliz. A visita dos sogros mostrava que valorizavam a filha e a criança. Mesmo sendo do exterior, vendo-se poucas vezes por ano, a viagem tão longa já era prova de sinceridade.

O grupo ficou brincando com a criança.

Zhou You saiu para tomar um ar, sentou no quintal para pegar sol.

Nessa época, Moscou já começava a esfriar, com grande diferença de temperatura entre dia e noite.

Mas naquele momento, pegar um sol era muito agradável.

Não demorou uma hora, Inna também saiu, passando a mão na testa: "Irmão You, deixa eu respirar. Não parei de falar, nem quando era professora foi tão cansativo."

Zhou You riu baixinho: "É por não entender a língua ou por ficar no meio, sofrendo?"

Inna respondeu: "Os dois, mas é estranho, esquisito. Três idosos olhando fixamente, realmente não sei o que fazer."

De repente, a rotina normal foi quebrada, mas era de boa intenção, não dava para reclamar.

Zhou You puxou Inna para perto, sentaram juntos na cadeira: "Não liga, deixa com eles. Tem tanta gente aqui. Daqui a alguns dias a gente volta, deixa os velhos se divertirem."

"Viviam me pressionando para ter filho. Agora que tenho, se não trouxesse, ainda me culpariam."

Inna concordou: "Não tem problema. Os pais virem me deixa feliz, só estou um pouco desacostumada."

Isso era verdade. Conflito entre sogra e nora não existia na vida de Zhou You. A mãe não tinha energia para isso.

Com tantas noras, daria conta?

He he, assim ele resolvia um problema milenar.

Nos dias seguintes, além de cuidar da criança, Inna levou os idosos para passear por Moscou. Não dava para vir só para ver o bebê, e eles não precisavam cuidar.

Além da curiosidade, havia dificuldade com a comida.

Por sorte, foi pouco tempo. Se demorasse mais, sem Zhou You precisar falar, os próprios velhos não aguentariam.

"Filho, essa menina é muito parecida com você, o nariz e os olhos são iguais." Li Fengying disse a Zhou You.

Zhou You olhou de um lado para o outro, não viu semelhança.

"Eu não acho tão parecido assim."

"Quando você era pequeno, a gente era pobre, não tinha como tirar foto. Se não, dava para comparar. Não é parecido com você agora, mas com você pequeno." Li Fengying disse.

Ela não sabia que Zhou You já tinha feito teste de DNA.

Outro motivo da visita era ver de quem a criança puxava. A milhares de quilômetros de distância, e o filho tão bobo, e se fosse enganado?

Perder dinheiro até que vá, mas e se enganassem os sentimentos?

Claro, isso só podia ficar no coração, não se falava. Falar magoava.

Muitas vezes é assim: algumas coisas se falam, mas não se fazem.

Outras se fazem, mas não se falam.

"Pai, mãe, já viram, já passearam, vamos voltar. Ainda tenho um assunto para resolver em Pequim." Zhou You viu que o tempo já estava bom, não precisava prolongar.

Zhou Bencheng concordou: "Hum, vamos voltar. Quando a criança crescer, pode vir passear em casa. Tem que aprender mandarim, hein."

"Sim, senão não vou conseguir conversar com minha neta." Li Fengying concordou profundamente.

Não falar a mesma língua era terrível.

Mais importante, sem língua em comum, a relação não se aproxima. Sem comunicação, como se aproximar?

Não tem como negar, Zhou You e os pais pensavam igual: todos tinham que falar mandarim.

Isso, na verdade, era um lembrete indireto para si mesmo e para a criança: não esquecer as origens.