Capítulo 371: Capítulo 371: Cheio de Mau Gosto

Vim com grande entusiasmo e saí desanimado. Cenário? Não tem. Cultura local? Também não. A única lembrança dos filmes de Hong Kong, com o declínio de uma geração, também vai se apagando aos poucos. Quanto aos outros prédios modernos, já cansei de ver. Estão por toda parte, em todo lugar. Fiquei só três dias, e Zhou You já foi embora. O único destaque foi a chegada de He Mei, que tornou esses dias menos solitários; caso contrário, teria sido realmente chato e sem graça. He Mei também comeu demais. Realmente comeu demais. Para ser sincero, não esperava que o corpo de Zhou You estivesse tão bom agora; lembro que antes não era tão absurdo assim. No começo, He Mei até suspeitou que Zhou You tivesse tomado algum remédio, mas, depois de alguns dias seguidos, essa ideia se desfez por si só. Realmente não parecia. Deixa pra lá, não vou me preocupar. Eu mesma só tenho isso algumas vezes por ano; a condição física dele não me afeta muito. Fiquei deitada na cama, sem me mexer. Quanto a procurar outra pessoa depois de voltar, já pensei nisso. Mas as consequências são pesadas demais para arcar; se fosse descoberto, tudo o que tenho agora viraria pó, e eu e minha família cairíamos de volta no abismo. Esse risco não vale a pena correr, nem compensa. He Mei não é uma garotinha ingênua, e já passou da idade de se jogar no amor sem pensar. Já passou por dificuldades e sofrimentos, então sabe como a vida atual é boa. Quanto às necessidades pessoais, isso é fácil de resolver; fazendo eu mesma, tenho o que preciso. Esse pequeno interlúdio quebrou a imaginação de Zhou You sobre os bons tempos passados. O lugar era pequeno demais; difícil fazer algo grandioso. Só estava aproveitando a vantagem da janela. — A Le, onde você está agora? — Antes de ir embora, Zhou You entrou em contato com Wang Le. Se ele estivesse em Xangai, iria direto para lá; se não, planejava voar para Pequim para dar uma olhada, assim não precisaria ir no fim do ano. Wang Le estava na empresa e, ao ver a ligação de Zhou You, atendeu na hora: — Irmão You, estou em Xangai, estou em Xangai. Quando você vier, me avise. Como não ficar animado? A Le voltou para a empresa e contou resumidamente a situação para alguns veteranos. Quem diria que eles ficariam ainda mais empolgados do que ele, puxando-o para perguntar por um bom tempo. Nesses tempos, quem está disposto a investir em jogos, especialmente em jogos de anime? Quem não entende, realmente não entende e não se interessa. Quem entende, provavelmente não tem tanto dinheiro assim. Liu Yu correu até ele: — A Le, o investidor vai vir? — É, amanhã mesmo. — Haha, como é o Zhou You? Conta mais pra gente. — Liu Yu estava muito animado; antes achava que A Le estava só falando, mas agora viu que ele realmente conseguiu atrair alguém. A Le olhou para os veteranos, também fundadores, todos ao seu redor, curiosos. Só pôde dizer de forma simples: — Zhou You foi orientando do meu pai na pós-graduação, veio do campo. Antes do mestrado, eu achava ele normal, e ele vinha jantar em casa com frequência. — A maior mudança foi que, ao se formar no mestrado, ele foi contratado direto como professor. Liu Yu ficou um pouco confuso e não resistiu a perguntar: — Como ele conseguiu o capital inicial? Sem o primeiro dinheiro, sem acumulação inicial, por mais ideias que tenha, não dá certo. — Irmão Yu, não é à toa que você é um veterano em empreendedorismo, acertou em cheio. — A Le brincou, a pergunta dele foi direto ao ponto. Muito melhor do que muitos internautas online. Vendo um ter sucesso, outro começar do nada. Tudo sem usar a cabeça; sem o primeiro dinheiro, qualquer coisa é inútil. Liu Yu riu e xingou: — Poxa, eu é que tenho experiência própria; lembro como foi difícil empreender naquela época, sem conseguir investimento. A Le continuou: — Irmão You conseguiu o primeiro dinheiro ganhando na loteria esportiva de futebol, parece que foi na Copa do Mundo de 2010, ele ganhou uns milhões. O grupo todo ficou chocado. O quê? Uns milhões de patrimônio, e agora dezenas de bilhões? Como ele fez isso? Liu Yu também arregalou os olhos; eles já tinham certo sucesso, o jogo dava lucro, e não pouco, mas comparado a Zhou You, sentiam que ainda estavam longe. — A Le, quanto o Zhou You tem agora? — Todos estavam curiosos. Wang Le abriu as mãos e balançou a cabeça: — Não sei, só ele deve saber ao certo. Ele investe em muitos projetos; sei que ele não liga muito para dinheiro. Aquele fundo de documentários que ele criou na nossa universidade foi patrocinado por ele, 5 milhões, basicamente prejuízo total. — E os alunos da área do meu pai, os que têm condições piores, todos recebem bolsas de estudo, sem precisar devolver, o que também custa alguns milhões. — Ah, e recentemente ele doou uma piscina para a universidade, também alguns milhões. A Le realmente não sabia quanto dinheiro ele tinha. Também não era bom sair falando por aí, só sabia que era algo em torno de dezenas de bilhões. Liu Yu e os outros ficaram em silêncio depois de ouvir. Todos estavam montando uma imagem de Zhou You na cabeça. Visão, gratidão, não se importar com milhões, generoso e desprendido. Com informações limitadas, só dava para esboçar isso; o resto veriam quando encontrassem o cara pessoalmente. Ele deu um tapinha no ombro de Wang Le: — Rapaz, você está encostado numa boa árvore, por que está se misturando com a gente? — É, onde não arrumaria um bom emprego? O discípulo mais próximo do seu pai, brincadeira? — Luo Wei também estava com inveja. Wang Le sorriu: — É, é por estar encostado nessa árvore que tenho margem para errar. Se a nossa empresa não der certo, ainda posso achar outro lugar na hora, haha. — Poxa, então era assim que você pensava. Esperto, bem típico da nossa universidade. — Isso, isso, não é bobo. Mas a nossa empresa provavelmente não vai falir. — Claro, somos de anime; no mundo sempre tem quem goste, os otakus estão por toda parte. Os fundadores foram se convencendo, e não se irritaram com a brincadeira de Wang Le. Sabiam que era só zoação. Mais importante, eles já estiveram à beira da falência antes, então não tinham medo; já estavam acostumados. — Amanhã o Zhou You vem, tem algo que devemos tomar cuidado? — Liu Yu falava e ria, mas era quem mais lidava com o exterior; os outros eram mais caseiros e precisavam de mais prática. Wang Le riu: — Não, o Irmão You é muito discreto e tranquilo. Se você não prestar atenção, nem imagina que ele é bilionário. — Que bom, que bom. Tenho medo de investidores; nas apresentações de startups, era sempre constrangedor. Aqueles investidores, um mais difícil que o outro, fazendo perguntas sem noção, sem entender nada de jogos ou anime, impossível explicar. Por que não procurar investidores e aguentar sozinho? Liu Yu lembrou com amargura, olhando para os outros dois com cara de lamento. Poxa, nenhum deles se esforçava, tudo dependia dele para correr atrás. Não dava, todos teriam que treinar mais. Não podia deixar só ele sofrer; todo mundo tinha que experimentar. À noite, Zhou You chegou em Xangai. Foi direto de táxi para casa. Já era um pouco tarde. Também não avisou a Xiao Bai. Agora era ver se ele daria uma surpresa a Xiao Bai, ou se ela daria uma a ele. Tinha um certo gosto por travessuras. Para ser sincero, depois de passar pela vida futura, Zhou You via as coisas entre homem e mulher com mais leveza. Se houver destino, ficam juntos; se não, se separam. A vida é curta, para que se preocupar tanto, especialmente sem filhos. Com filhos, seria diferente, as preocupações seriam muito maiores. — Clique — Zhou You abriu a porta com a digital. Dormir sozinha e não trancar a porta? Que descuido. Olhou o relógio, já passava das 23h. Ah, nessa hora, a vida noturna dos jovens só está começando. Xiao Bai estava deitada na cama jogando; sozinha era confortável, mas às vezes um pouco entediante. Agora, com Zhou You, ela tinha aprendido a ler e a ver documentários, mas ainda precisava descansar, ver programas, jogar e encontrar amigos. O lugar onde morava era perto da livraria, então, quando não tinha nada, ficava lá quase sempre. Aos poucos, foi se acostumando com essa vida; na livraria, mesmo sem vontade, lia algumas páginas por dia. Com o tempo, já tinha lido muitos livros. O coração também ficou mais calmo. Jantava com as meninas na livraria, ficava até umas 20h ou 21h, voltava para casa, tomava banho, deitava na cama e mexia no celular, uma delícia. Estava jogando um joguinho em estilo chibi chamado "Gakuen Idolmaster", muito divertido. Os personagens eram todos fofos e bonitinhos. Xiao Bai, por tédio, tinha experimentado muitos jogos, e esse era um deles. Para passar o tempo, era bem legal. Zhou You abriu a porta silenciosamente e viu que a porta do quarto estava fechada, com uma fresta de luz por baixo; a sala também estava apagada. Fazia sentido; o quarto principal tinha banheiro, dava para ficar escondido lá dentro. Ligou a lanterna do celular, calçou os chinelos e foi de mansinho até lá. Encostou o ouvido na porta. Que jeito mais suspeito. — Que barulho é esse aí dentro? Vendo TV ou mexendo no celular? Ouviu por alguns minutos, sem novidades, e resolveu fazer algo diferente. Pegou uma máscara e um boné. Então, de repente, empurrou a porta e gritou: — É um assalto! Não se mexa! Falou com a voz mais grossa, abafada pela máscara. — Ai! — Xiao Bai deu um grito de susto. Enquanto jogava, a porta se abriu e apareceu alguém coberto da cabeça aos pés, sem dar para reconhecer. Xiao Bai entrou em pânico; na hora, puxou o cobertor para cima, encolheu-se num canto, olhando em volta desamparada, o corpo tremendo levemente, a voz trêmula: — Eu... eu não tenho dinheiro, eu... alugo esta casa. — Sem dinheiro? Então vou te roubar. — Zhou You continuou com a voz ameaçadora. Mas, ao ver o desespero de Xiao Bai, já se arrependeu. Uma garota sozinha ali, no meio da noite, alguém invade a casa; quem não ficaria com medo? Xiao Bai quase chorou: — Não, não! Eu tenho dinheiro, pegue você mesmo, está atrás do vaso na sala. Era uma dica que Zhou You tinha dado a ela: deixar um pouco de dinheiro em casa; se entrasse um ladrão, dar algo para ele talvez o fizesse ir embora sem machucar ninguém. Quem diria que serviria agora. — Pega o dinheiro e vai embora, juro que não chamo a polícia. Roubar dinheiro é diferente de assalto. — Xiao Bai, tremendo, pensava rápido em como se livrar do problema, como pagar para evitar o mal. Zhou You não aguentou mais e estendeu a mão para tirar o boné. Mas Xiao Bai gritou: — Se não tirar o boné, vou fechar os olhos. Não vou te ver, juro que não chamo a polícia. Zhou You ficou com o coração apertado e voltou à voz normal: — Para de chorar, parabéns, você passou no teste de emergência. Ao ouvir a voz de Zhou You, Xiao Bai se enfiou no cobertor e começou a chorar alto. Zhou You se aproximou devagar: — Foi minha culpa, te assustei. Mas você se saiu muito bem. Se acontecer de novo, faz assim, ok? Paga para evitar o mal, primeiro salva a vida. Tinha exagerado, mas era algo que Zhou You sempre quis fazer. Sun Li estava na escola, sem negócios, quase ninguém sabia dela. Wang Fangfang estava sob seus olhos, segura. Gan Ying já tinha enviado gente, também estava segura. Só restava Xiao Bai, que agora tinha negócios e precisava aparecer, então ele estava preocupado. Foi por isso que teve essa ideia de repente. Xiao Bai saiu de baixo do cobertor e abraçou Zhou You com força: — Eu morri de medo agora, juro. Só pensei que nunca mais te veria. Zhou You a abraçou firme, acariciando sua cabeça: — Calma, vou mandar alguém para morar com você da próxima vez, assim não fica sozinha, que me preocupa. — Quando entrei, a porta não estava trancada, isso é um grande risco de segurança. — E, quando estiver sozinha, se tiver medo, acende a luz da sala. Xiao Bai ainda soluçava, falando baixinho: — Eu não sabia quando você viria, queria deixar a porta aberta para você, e você ainda vem me assustar. Que situação constrangedora. Xiao Bai não era boba; sabia que Zhou You tinha feito de propósito. Tinha se assustado de verdade, tremendo toda; nunca tinha passado por algo assim, e ainda mais sozinha ali, às vezes ficava nervosa. A casa era grande demais, a energia de uma pessoa só não segurava. Mas não sabia quando Zhou You viria, e ele sempre aparecia de surpresa; não tinha chamado a amiga para morar junto. Só podia ficar sozinha. Tudo tem seu preço. Xiao Bai, lendo livros ultimamente, tinha entendido isso. — Foi minha culpa, toda minha. O que você estava jogando, tão concentrada que nem ouviu a porta abrir? — Zhou You mudou de assunto rápido, senão o clima não passaria. — Tava jogando, um joguinho de anime. Você, um homem, não deve jogar isso. — Falando do jogo, Xiao Bai se acalmou um pouco. Por dentro, refletia: realmente estava muito focada, não ouviu a porta. E da próxima vez, ia trancar a porta, para ele não entrar. Assim ele não a assustava mais. Zhou You continuou abraçando Xiao Bai, consolando-a: — Como não sei? Amanhã vou investir numa empresa de jogos, vem comigo. Era como dar um tapa e depois um doce. Originalmente, não queria levar Xiao Bai; em questões de dinheiro, Zhou You preferia controlar sozinho. Mas tudo bem, era só para dar uma olhada, também servia de experiência. À noite, ainda teria que consolar Xiao Bai. Não tinha jeito, consolo espiritual não bastava; precisava também do físico. Quanto mais endorfina, melhor. Ficar tenso e relaxar de novo também era uma forma de aliviar o estresse.