Capítulo 312: Capítulo 312 A Livraria Tranquila

Capítulo 312: Livraria Tranquila

Zhou You acordou, a função de ondas da banheira era forte demais. Ele realmente sentiu como se estivesse surfando. Uma hora para cima, outra para baixo. Subindo e descendo, que prazer! — Xiao Bai, essa banheira foi uma ótima escolha, as ondas vão e vêm, sem parar. — Zhou You não resistiu a elogiar. — Claro, a marca é uma coisa, mas o principal é que ela tem uma função de assistência artificial, dá para intervir manualmente, ajustando conforme a necessidade de cada um para alcançar o efeito desejado. — Xiao Bai disse com um ar todo orgulhoso. Mal terminou de falar, Xiao Bai não conseguiu mais sorrir. A intensidade da intervenção manual era grande demais, e o efeito colateral veio. — O que vamos comer no almoço? — Zhou You olhou as horas, não dava mais tempo de cozinhar. — Não sei, o calor está demais, sem apetite, vamos comer algo leve. — Xiao Bai deitou no sofá, sem vontade de se mexer. Zhou You acariciou o rostinho dela com carinho. — Saiba dos seus limites, entendeu? — Zhou You disse, e pediu algumas porções de macarrão frio. Qualquer coisa serve. Zhou You não era exigente com comida, só queria algo que agradasse o paladar e fosse limpo. Comia em restaurantes cinco estrelas, e também em barraquinhas de rua. Ainda bem que pediu macarrão frio. Macarrão quente era impossível de comer, e mesmo assim já estava quase empelotando. Os dois comeram e conversaram, Xiao Bai ainda com macarrão na boca, falou meio enrolado: — Irmão You, qual vai ser o nome da nossa livraria? — Você já pensou em algum nome? Abrir a livraria foi ideia sua no começo. — Zhou You já tinha um nome em mente, mas queria respeitar a opinião de Xiao Bai. — Ah, não, na época não pensei que fosse ser tão grande, o nome ia ser qualquer um, tipo "Tem Uma", "Pausa", "Tédio", sei lá, nunca pensei direito. — Xiao Bai disse, inclinando a cabeça. Zhou You sorriu e disse para Xiao Bai: — Eu tenho um, chama "Livraria Tranquila", o que você acha? Xiao Bai ouviu o nome e ficou repetindo baixinho: — Tranquila, tranquila, haha, legal, combina muito com minha vida agora, e também com a vida dos meus sonhos no futuro, vai ser esse nome mesmo. Smack Xiao Bai deu um beijo na bochecha de Zhou You. Zhou You limpou a boca com nojo: — A boca cheia de comida, que nojo. — Haha, nojo não adianta, quer que eu morda de novo? — Xiao Bai arregalou os olhos, com um tom de maldade. Zhou You balançou a mão, não ia perder tempo com criança. — O resto é com você, eu só dou as diretrizes gerais. — Zhou You já estava pronto para largar a mão. Xiao Bai nem terminou de comer, já abraçou a perna de Zhou You: — Isso não pode, você disse que abrir uma livraria também é seu sonho, a gente tem que participar junto, além disso, você está de férias de verão, não quer ficar mais comigo? Zhou You sabia que aquele gesto e expressão de Xiao Bai tinham um exagero, mas também um pouco de sentimento verdadeiro. — Você sabe de onde comprar os livros? — Zhou You perguntou. Xiao Bai balançou a cabeça. — Você sabe como planejar a decoração? — Zhou You continuou. Xiao Bai balançou a cabeça. — Você sabe como definir os preços? — Zhou You perguntou de novo. Xiao Bai balançou a cabeça. Zhou You riu de raiva: — Você não sabe nada, por que quer abrir uma livraria? Dessa vez Xiao Bai não balançou a cabeça, disse com toda a razão: — Eu só queria alugar uma lojinha, comprar umas centenas de livros, decorar um pouco, o suficiente para passar meu tempo, nunca pensei em algo tão grande. Uma frase deixou Zhou You sem palavras, ainda era culpa minha. Mas tudo bem, é só usar o poder do dinheiro. — Professor Yu, montei uma livraria em Xangai, mas não entendo de gestão de livrarias nem dos canais de compra, pode me recomendar alguns talentos? — Ligou para Yu Hua, um figurão do mundo literário que lidava com editoras todo dia, devia ter seus contatos. Yu Hua estava em casa se escondendo do calor. Atendeu o telefone de Zhou You, pensando: que ideia é essa de uma hora para outra? E brincou: — Professor Zhou, livraria dá prejuízo, sabia? — Sem problemas, é só um hobby, não é grande coisa, mil metros quadrados, o prejuízo não vai ser muito. — Zhou You estava de boa. — ... — Yu Hua ficou sem palavras, já tinha visto o lado de quem tem dinheiro e faz o que quer. — Professor Zhou, vou te recomendar alguém, que também tinha uma livraria, mas fechou, conhece bem os meandros do negócio. — Yu Hua resolveu ajudar. — Valeu, Professor Yu, quando a livraria abrir, vou colocar seus livros no lugar mais visível. — Zhou You fez a promessa. — Se é assim, na inauguração eu vou dar uma passada para prestigiar. — Yu Hua riu, o Professor Zhou era realmente generoso. Zhou You já estava acostumado com a garantia dupla, e continuou ligando. — Irmão Yun, há quanto tempo, por que não me procurou? — Ligou para o velho "faz-tudo" Zhao Yun. — Tô muito ocupado ultimamente, ia te falar, descobri um documentário ótimo que está sendo filmado. — Zhao Yun disse animado. Zhou You ficou curioso: — Sobre o que é? — É sobre uma tradição local, os "bangbang", carregadores de mercadorias, na cidade montanhosa, só tem lá, em nenhum outro lugar. — Zhao Yun tentou resumir. Zhou You entendeu na hora, provavelmente era "O Último Bangbang". — Como é o nome do diretor? — Zhou You perguntou. — Lembro, é bem bonito, um novato na área, chama He Zai. — Zhao Yun tinha uma boa impressão, parecia que era até um ex-militar. Que nome bem escolhido. He Ku Lai Zai! Procurar sofrimento. — Irmão Yun, esse projeto, apoio total, vamos fazer o melhor possível, no futuro vai ser um registro histórico precioso. — Zhou You já tinha visto antes, o mais incrível do diretor era que ele mesmo participava, experimentava na pele. Aquele ambiente, a maioria das pessoas não aguentava. — Beleza, sem problema, o chefão mandou, vou executar. — Zhao Yun brincou, e depois se deu conta: — Irmão You, o que você queria comigo? Zhou You também se tocou, quase saiu do assunto: — Vou montar uma livraria em Xangai, me recomenda uns canais e o pessoal adequado. Zhao Yun também ficou sem palavras. — Irmão You, onde você está? Posso ir aí, a gente conversa pessoalmente. — Isso não era coisa que se resolvia numa ligação. Além disso, já que Zhou You estava lá, ele tinha que ir visitar. — Amanhã, a loja ainda não foi transferida, amanhã já transfere. — Zhou You disse direto, hoje não queria sair de jeito nenhum. — Beleza. — Zhao Yun já não queria mais falar, era frustrante demais. Você compra casa, e ainda compra loja, e ainda não quer lucrar. Abrir livraria, nunca dá lucro, nem o aluguel cobre. Ah, é, a loja é própria, sem aluguel. Mas nem o salário dos funcionários cobre. Pô, se não fosse porque Zhou You tratava ele bem, ele ia chorar um monte para desabafar a frustração. Xiao Bai olhava para Zhou You com admiração. Duas ligações e já resolveu a maior parte, só esperar o pessoal chegar. Se não vierem, não tem quem faça. Quem vai fazer? Zhou You? A chance é pequena. Ela mesma? Melhor não, também é um inútil. Quanto mais pensava, mais se irritava, como é que virou uma inútil? Culpa do Zhou You. É, culpa do Zhou You! No dia seguinte, tempo nublado. Zhou You gostou, um pouco mais fresco. Às vezes pensava que era frescura. Zhou You cresceu no campo, quando criança não tinha ar-condicionado, um ventilador já era luxo. E não é que sobreviveu? Agora não aguenta mais o calor do verão? No verão, tinha que ir para a roça, capinar, aplicar veneno. Suava em bicas, a pele queimava de sol, trabalhava o verão inteiro, e aguentava. Agora que não faz mais trabalho braçal, não aguenta um pouco de calor. Zhou You não resistiu a refletir, decidiu que precisava mudar. Senão, aos poucos, ia se distanciar do povo. Examino-me três vezes ao dia! Auto-reflexão basta, quanto a lealdade, amigos, essas coisas, não combinam com Zhou You, são contra a natureza humana. Na verdade, uma pessoa que consegue olhar para trás com frequência já é muito bom. Não cobre muito de si mesmo, senão vai se decepcionar. Porque os outros não refletem, e vão jogar a culpa toda em você. De manhã cedo, Zhou You e seu grupo foram com o corretor resolver a papelada. Dessa vez, tudo no nome dele, sem exageros. Total: 33 milhões. Li Houliang escolheu o prédio mais próximo de Zhou You, com área parecida, para quando os "quatro pequenos" voltarem dos estudos, terem onde ficar. Zhao Yun esperou Zhou You direto na entrada do condomínio. Quando viu Zhou You, ficou todo animado, correu para dar um abraço. Zhou You esticou o braço e o barrou. — No meio do verão, ainda quer tirar vantagem de mim. — Zhou You não teve cerimônia. Zhao Yun não ligou, já estavam acostumados, conheciam o jeito um do outro. Ele era um dos que conheceu Zhou You cedo, e viu o patrimônio dele crescer aos poucos. Parecia simples, mas o olho era afiado, certeiro. — Irmão You, que tipo de livraria você vai abrir? — Zhao Yun perguntou curioso. — Não é o tipo tradicional, não quero sobreviver vendendo livros, quero criar um lugar para os amantes de livros lerem com tranquilidade. — Zhou You falou disso e ficou feliz, mil ideias na cabeça, todas querendo sair. — Os tipos de livros têm que ser completos, especialmente os clássicos. Esses best-sellers bagunçados, livros sem nutrição, não quero comprar nem vender. Zhao Yun concordou com a cabeça, afinal você não depende disso para ganhar dinheiro. — Também quero colocar muitos assentos para leitura, não precisa comprar livro, pode vir de graça, só precisa gostar de ler. — Zhou You gesticulava, uma aura de idealista surgia naturalmente. — Também pode pegar livros emprestados, tipo uma biblioteca particular. — E não vou restringir quem vem ler, todo tipo de pessoa, rico não vai vir, pobre pode vir, ler um pouco, descansar os pés. — Mesmo quem não quer ler, chegando nesse ambiente, talvez dê uma olhada, se ajudar, é uma boa ação. Zhao Yun e Xiao Bai ouviam com os olhos brilhando. Eram superficiais demais. Sabiam que Zhou You não ia simplesmente vender livros, isso não teria graça. — Claro, são só ideias iniciais, vou mudar muito no futuro, se vocês tiverem boas ideias, podem sugerir. — Só um princípio: beneficiar o maior número possível de pessoas. — Zhou You não se sentia tão animado há muito tempo. Na verdade, muitos amantes da leitura têm o sonho de abrir uma livraria. Não para ganhar dinheiro, só pela liberdade. — Irmão You, com esse espaço grande, não quer colocar alarme, tipo aquele que apita se o livro não for pago ao sair? — Zhao Yun lembrou. Zhou You parou, na porta: — Não vou colocar, de jeito nenhum, até quero que roubem livros. Quantos dá para roubar de uma vez? Roubar várias vezes não dá muito dinheiro. Se alguém gosta de verdade, mas não quer comprar ou não tem dinheiro, eu dou de presente. — Na verdade, o que o Professor Yu disse uma vez, eu concordo um pouco. — Ele não apoiava pirataria, apoiava os pobres, o conhecimento. Não tenho capacidade de alcançar mais gente, mas dentro do meu alcance, quero ajudar o máximo possível, como com o patrocínio do documentário. Pretendo perder uns milhões por ano. — Não gosto de comer, beber, luxos, dinheiro já tenho o suficiente, quero fazer algo significativo. — Mendigos, faxineiros, trabalhadores de fora, jovens recém-formados, quem quiser ler, todos são bem-vindos, apoio, ajudo um a um. Zhao Yun já conhecia o caráter de Zhou You, quem apoia documentários geralmente não é ruim. Xiao Bai ouvia aquilo pela primeira vez, no começo achou novo, mas aos poucos percebeu que estava errada. Achava que conhecia Zhou You. Hoje descobriu que só arranhava a superfície. Não era só rico, mas também tão bondoso. Os olhos grandes fixos em Zhou You, a admiração prestes a transbordar. Isso não era amor universal, era um amor pequeno, não era um "bonzinho" sem critério. Zhao Yun não resistiu a lembrar: — É, Irmão You, a ideia é boa, mas tem que ir passo a passo, não pode dar passos maiores que as pernas. Nesta sociedade, tem muita gente egoísta que vai usar qualquer brecha para se beneficiar. — A visão deles é diferente das pessoas normais. Na nossa emissora, vimos muito do lado sombrio da sociedade. Boas intenções, boas ações, estragadas por essas pessoas, não são poucas. Zhou You ouviu Zhao Yun e concordou com a cabeça. O mundo é realmente muito complexo. Falando de forma vulgar, as alegrias e tristezas humanas não se comunicam. Quando se junta cem pessoas, tem de todo tipo. Ainda mais com bilhões de pessoas, então tem de todo tipo, todo tipo de gente. Não tem jeito, meu nível ainda é baixo, não consigo ver o mundo com um coração tolerante. O mundo deveria ser diverso. Todo mundo pensando igual também é assustador. Calma, calma. — É, mas ainda quero fazer do meu jeito. — Zhou You viu que Zhao Yun ia insistir, levantou a mão e continuou. — Eu sei, você está sendo bem-intencionado comigo, mas tenho condições de errar e capacidade de lidar. Com condições tão boas, se não ouso fazer, então as pessoas comuns muito menos vão fazer. Se eu falhar, é só parar. Além disso, você acha que vou falhar? Zhou You falou isso, e disse com os dentes cerrados: — Quero ver, quero abrir uma livraria idealista, ver que dificuldades vou encontrar, ver se há espaço para sobreviver, ver se neste mundo não há mais espaço para idealistas. Zhao Yun viu o estado de Zhou You e soube que ele estava decidido. Pensou no patrimônio de Zhou You. É, ele realmente tem o direito de falar isso. Só resta ver se alguém vai cair na armadilha. — Beleza, o que o Irmão You quiser fazer, com certeza vai dar certo. Apoio total. Só que depois de pronta, posso fazer um documentário? Você não aparece, e não precisa ser lançado. Se for lançado depois, com certeza vou te mostrar para aprovação. — Zhao Yun olhou para Zhou You com expectativa. Que tema bom, que chamariz. Documentário, escolhendo o objeto certo, já está meio caminho andado. Que valor histórico!