Capítulo 3: Capítulo 3: Basquete Fitness

Em dias de sol, dá vontade de jogar bola. Penso em quanto tempo faz que não jogo. Na época, por causa do meu 1,81m, eu era um dos mais altos da turma. Não tive escolha, fui forçado a jogar de pivô. Um bom arremessador de três pontos virei uma torre móvel debaixo da cesta.

Mas o que Zhou Yu mais amava eram os três pontos. E ser um arremessador de três pontos. Um assassino que aparece, acerta e some longe.

“Cabeçudo, vem jogar bola”, Zhou Yu queria testar como estava o corpo jovem dele.

Trocaram de roupa de basquete e foram para a quadra. A sensação era realmente familiar.

Olhando para os grupos de jovens liberando hormônios na quadra, até o envelhecido Zhou Yu se sentiu mais jovem.

“Cabeçudo, vê se tem alguém conhecido.” Por que Zhou Yu não procurava sozinho? Procurar o quê? Ele mal conhecia as pessoas, só podia contar com o Cabeçudo, ou ser cara de pau.

“Aquele magricela da Administração está ali. Vamos para lá.”

Com o gesto do Cabeçudo, ele viu um cara alto e magro com cabelo moicano. O nome específico ele não lembrava.

Só sabia da história lendária do sujeito: não estudava bem, não arrumava emprego sério, foi quieto fazer uma seleção de uma companhia aérea e acabou virando piloto. Nesse mundo, com quem reclamar? O cara não tem miopia, é saudável, e ganha centenas de milhares por ano fácil.

“Ei, Da Yuan, como você arrumou tempo para jogar?” O Cabeçudo era mais próximo dele.

“A empresa ainda não me chamou para o treinamento. Sem nada para fazer, vim jogar. Vamos jogar um pouco juntos.”

“Beleza, jogamos e conversamos. Eu também arranjei qualquer empresa, vou tocando e depois vejo.”

Esses caras não eram velhos, mas na escola já eram praticamente veteranos.

Zhou Yu os via conversando e não falava muito. Pegou a bola, quicou algumas vezes para sentir como estava a mão.

Na época que treinava basquete, acertou 7 bolas de três pontos seguidas e deixou todo mundo boquiaberto. Pena que no jogo real o arremesso não funcionava, senão não teria virado pivô.

Enquanto eles conversavam, Zhou Yu fez um alongamento leve. Era uma autoproteção depois de ter sofrido na pele. Antes de qualquer exercício, precisa alongar, senão é fácil se machucar: distensão, torção. Quando jovem, o corpo se recuperava rápido, mas com o tempo a gente aprende o perigo.

“Yu, pega o rebote!” gritou o Cabeçudo.

Zhou Yu ficou parado. Rebote o quê? Agora eu jogo basquete fitness, basquete recreativo, basquete técnico. Roubar rebote na força não é para mim.

“Cabeçudo, lembra dos meus três pontos?”

“Três pontos o quê? Você é um homem da área restrita, querendo fazer três pontos?”

Deixa pra lá, não vou me rebaixar. De agora em diante, serei um arremessador de perímetro. Colisões violentas não são para mim.

Zhou Yu ainda lembrava de quando foi fazer a ressonância magnética no hospital e descobriu uma lesão de grau II no menisco. A primeira frase do médico lixo foi: “Você pode fazer uma cirurgia de sutura artroscópica.” Na hora, sentiu que o mundo desabou. Como ia ser daí para frente?

Ele era jovem, queria correr, pular, jogar, e o médico estava dando uma sentença de morte. Atividades intensas não eram mais para ele.

A maior tristeza era que isso quase o declarava não mais jovem, ou melhor, que tinha que se render à vida e ao destino, admitir seu envelhecimento e suas limitações.

Agora, mandá-lo fazer exercícios tão intensos? Nem pensar.

“Cara, o que houve? Tá mal do corpo? Vai para dentro!” gritou Da Yuan.

“É, ando mal ultimamente. Não consigo fazer exercícios pesados.”

“Tudo bem, a saúde vem primeiro. Não estrague o corpo. Agora a empresa nem me deixa fazer exercícios intensos, senão, se machucar, é uma encrenca.”

Viu? Gente com saúde boa às vezes tem razão. Pelo menos sabem cuidar do corpo.

O jogo inteiro foi só o Cabeçudo correndo como um louco, suando em bicas. Quem diria que em poucos anos ele não aguentaria mais correr? Vendas são uma desgraça, especialmente as tradicionais.

Pegar a bola, levantar o calcanhar, soltar, arremessar. Tão simples, tão despreocupado. Acertar ou não, Zhou Yu não ligava. Pelo menos se mexeu.

Depois de uma tarde suando na quadra, Zhou Yu percebeu que o corpo era o mesmo de antes. Não recebeu tratamento especial dos céus. Ainda era um corpo mortal, saudável universitário sub-saudável. Parece que malhar de verdade teria que entrar na agenda.

Na era pós-pandemia, Zhou Yu aprendeu o Baduanjin. Aprendeu online, seguindo vídeos. Achou simples, sem pressa. Depois de meses praticando, percebeu que o ânimo melhorou muito. O principal foi que, ao fazer o movimento “duas mãos tocam os pés para fortalecer rins e cintura”, no começo só conseguia tocar os joelhos, mas aos poucos chegou ao chão.

Como diz o ditado: “Um centímetro a mais de tendão, dez anos a mais de vida.” Zhou Yu não buscava prolongar a vida, só queria viver até a aposentadoria.

A sociedade moderna é muito pressionante. Jovens já estão envelhecidos e debilitados. Gente de trinta e poucos anos tem um corpo pior que o de alguém de cinquenta.

O que Zhou Yu mais temia era o check-up médico. Toda vez aparecia um monte de problemas, e todos impossíveis de resolver em curto prazo.

Antes, ele não entendia a geração dos pais. Por que alguns não queriam fazer check-up? Na cabeça dele, era melhor fazer cedo, descobrir cedo, tratar cedo.

Até que ele mesmo passou pela experiência e viu que não era tão simples. Porque muitas doenças não têm cura, ou são muito complicadas de tratar.

E, com a divisão cada vez mais fina da tecnologia médica moderna, cada hospital e cada especialista tem uma opinião diferente, um diagnóstico diferente, um tratamento diferente. O que o paciente faz?

Naquela vez da lesão de menisco grau II, ele foi a três hospitais. Um queria operar, outro dizia que não era grave, outro sugeria tratamento com medicina chinesa.

Deixa pra lá, não vou pensar nisso. “Cabeçudo, vou para casa.”

Voltou para o dormitório com a roupa fedendo a suor. Como fazer nesse calor? No banheiro não tinha água quente. Ir ao banheiro coletivo era um transtorno.

Pensou um pouco e decidiu ir ao banheiro coletivo, e de quebra encher duas garrafas de água quente.

O banheiro da Universidade de Luzhou também era uma piada: cartão de água, conta o tempo, paga pelo que usa.

O único defeito era que, quando você deixava a garrafa do lado de fora, alguém podia levar.

Mais um pouco de paciência. Mais um pouco e ele se formava. Depois, alugando um apartamento ou morando na casa de transição da escola, teria banheiro.

Mais alguns banhos, para sentir pela última vez. Afinal, já era junho, o tempo estava quente, nem precisava de água quente.

O Cabeçudo liderou o caminho para o banheiro coletivo. Zhou Yu já tinha esquecido como se usava.

Depois de voltar, sentiu que o tempo passava muito devagar. Antes, o tempo voava. Cada dia era uma repetição, repetição, repetição.

A juventude e a paixão da pessoa se consumiam assim.

Na escola, o tempo passava em dias. Depois de formado, em semanas. Depois de ter filhos, em anos.

Pensa que medonho: num piscar de olhos, a gente envelhece e desaparece.