Capítulo 270: Capítulo 270: Muitos elogios não ofendem

Capítulo 270: Quem é Cortês Nunca é Demais

Logo após o Ano Novo Lunar. Wang Xizhong partiu sozinho para a cidade provincial. Durante todo o caminho, ficou pensando no que diria e como agiria ao encontrá-los. O entusiasmo inicial foi se esfriando aos poucos, e ele começou a refletir se estava certo ou errado. Mas, afinal, se ele não se preocupasse com os próprios filhos, quem o faria? De qualquer forma, só decidiria depois de vê-los. Se houvesse algum mal-entendido, ele assumiria toda a responsabilidade. Já estava velho, não se importava mais com a própria dignidade, desde que os filhos tivessem uma vida boa. Ao descer do trem, ajeitou a roupa. Vestia uma jaqueta preta de plumas, sapatos pretos e carregava uma bolsa que parecia um tanto gasta. Era a mesma que comprara para si na primeira vez que saíra para trabalhar, depois de ganhar dinheiro. Tantos anos se passaram, e ele mal a usara. Nunca imaginou que, na velhice, ainda teria utilidade. Não ligou para a filha. Queria primeiro ver com os próprios olhos como era a situação, se não estavam enganando-o. Não sabia pegar ônibus na cidade grande. Com um luxo que lhe doía, parou um táxi: "Motorista, para o Hotel de Hóspedes Lago de Jade." Não sabia de mais nada, mas aquele nome estava gravado em sua mente. O filho e a filha trabalhavam lá. Depois de quase uma hora de viagem, chegaram ao destino. Quando Wang Xizhong pagou, sentiu o coração sangrar: 67 yuans, mais caro que a passagem de trem. Ao descer do carro, ergueu a cabeça e viu o portão do hotel. Era amplo, imponente, com seguranças de plantão. Por um instante, ficou parado na entrada, sem coragem de entrar. Pensou em ligar, mas temia não ver a realidade. Ficou andando de um lado para o outro. Durante esse tempo, viu alguns carros entrarem, mas quase nenhum pedestre. Ficou hesitando por um bom tempo, até que um segurança saiu. Então, tomou coragem, caminhou rapidamente, tirou um maço de cigarros do bolso, ofereceu um ao segurança: "Amigo, posso perguntar uma coisa? Tem uma piscina aqui dentro?" O segurança pegou o cigarro distraidamente, esperando que o outro acendesse. Mas, depois de esperar um tempo, viu que o homem não se mexia. Não sabia que costume era aquele, oferecer cigarro pela metade. "Tem sim. Quer nadar?" O segurança já o observava há um bom tempo; senão, não teria saído. Com certeza, não era alguém que viesse para comer. Nadar, então, nem pensar. Pelo visual, não parecia. Provavelmente, estava procurando alguém, mas, pela aparência, também não parecia ser de família rica. "Não, não sei nadar. É que minha filha disse que trabalha aqui. Queria dar uma olhada. Meu celular descarregou, e estou preocupado." Wang Xizhong inventou uma desculpa. Ao ouvir isso, o segurança sorriu. Conhecia bem a piscina. Todos os anos, ganhava vários ingressos grátis, dados por outras pessoas. As crianças sempre iam lá. Com um tom cordial, disse: "Amigão, por que não disse logo? Quem você está procurando? Vou ligar para eles virem te buscar." Wang Xizhong estranhou a mudança repentina de atitude do segurança. Em voz baixa, disse: "Wang Fangfang. Minha filha se chama Wang Fangfang." "Ah, não é à toa que achei o senhor familiar. Vi você andando por aí um tempão e não resisti em sair para ver. Conheço bem a gerente Wang. Vejo ela todos os dias. Espere um pouco, vou te levar até lá." O sorriso do segurança ficou ainda mais caloroso. A gerente Wang era importante; ele precisava manter um bom relacionamento com o próprio gerente, quanto mais com o namorado dela. Via todos os dias o salão de ondas, cheio de gente. No Ano Novo passado, tantas celebridades vieram que o lugar ficou ainda mais famoso, e o hotel todo ganhou notoriedade. Wang Xizhong ficou atônito. O que estava acontecendo? Sua filha estava tão bem assim? Dava para perceber pela atitude do segurança. Antigamente, quando saía para trabalhar, o que mais temia eram os seguranças. Eles tinham cara feia e dificultavam a entrada. Não era medo, mas por isso mesmo ficara hesitando tanto na porta. A atitude do segurança mostrava que ele conhecia bem sua filha, e ainda se oferecia para guiá-lo. Antigamente, só de deixá-lo entrar já seria uma sorte. "Ah, não precisa. Posso entrar sozinho." Wang Xizhong recusou instintivamente. "Sem problema, são só alguns minutos. É mais fácil eu te levar. A piscina fica lá dentro, cheia de curvas, difícil de achar." Sem dar chance, o segurança pegou a mão de Wang Xizhong e o puxou para dentro. Wang Xizhong, com a mão sendo puxada pelo segurança, sentiu-se um pouco desconfortável. Não era por serem dois homens de mãos dadas, mas sim por tanta hospitalidade. Não estava acostumado. Antigamente, quando trabalhava na cidade, especialmente como pedreiro, era sempre alvo de expulsão. Lugares como aquele, só via de longe, sem nunca sonhar em entrar. Seguindo o segurança, foi em frente. O portão era imponente, e o pórtico, ainda mais. Várias colunas brancas e grossas sustentavam o entorno. O chão era todo de azulejos largos e brilhantes. As recepcionistas eram jovens e bonitas, e ainda se curvavam para ele. Durante todo o caminho, seus olhos não paravam de observar. Luxo, imponência, requinte. Não é à toa que era um cinco estrelas. Ele não entendia bem, mas sabia que era o mais alto nível. Depois de duas curvas, viu o portão da piscina. O segurança cumprimentou familiarmente o porteiro: "A gerente Wang está aí?" "Está sim. O que houve, tio?" A moça na recepção também conhecia bem o segurança. "O familiar dela chegou. O celular descarregou, e não consegue contato." O segurança repetiu a história. Enquanto conversavam, Wang Pengfei saiu de dentro. Ao ver o pai parado na entrada, correu: "Pai, o que você veio fazer aqui?" "Você também está aqui? E sua irmã?" Wang Xizhong, ao ver o filho, sentiu um alívio repentino. Nunca imaginou que, um dia, ver o filho lhe traria tanta alegria. Durante toda a viagem, para não demonstrar fraqueza, mantivera o corpo tenso. "Minha irmã está lá dentro. Vou chamá-la. Sente-se e descanse um pouco." Dito isso, virou-se para o segurança: "Tio, muito obrigado. Ainda bem que o senhor estava aqui." "Sem problema, foi só uma ajuda. Eu e o amigão aqui conversamos bem. Olha, ele até me deu um cigarro." O segurança, vendo que era realmente o pai da gerente Wang, ficou ainda mais caloroso, e até começou a se exibir. Wang Pengfei estranhou um pouco. Seu pai não fumava. Não imaginava que, ao sair, ele tivesse levado cigarros para oferecer. "Só um cigarro não dá. Aqui, tenho um maço que o Irmão You me deu. Ninguém aqui fuma. Tio, ajuda a gente a consumir." Do balcão da recepção, ele tirou um maço de cigarros e o entregou ao segurança. "Isso, como é que pode? Foi só uma ajuda." O segurança recusou, educadamente. "É um cigarro bom do Irmão You. Pode ficar à vontade." Wang Pengfei foi firme. O segurança realmente tinha ajudado. Ele aprendera muito com Zhou You, e agora tratava todos com cortesia, não uma cortesia falsa, mas um respeito genuíno e igualitário. "Está bem, já que é do Irmão You, não vou recusar. Vou guardar para usar nas conversas." O segurança guardou o maço contente, colocou no bolso e, acenando, foi embora. Não podia ficar muito tempo longe da portaria. Wang Xizhong, vendo a desenvoltura do filho, não conseguiu conter um sorriso no rosto. Em tão pouco tempo, ele já se tornara um adulto, entendendo as sutilezas das relações humanas. Ele mesmo tinha o hábito de levar um maço de cigarros ao sair. Para perguntar algo a alguém, primeiro oferecia um cigarro, e a conversa fluía melhor. Só que, como estava há muito tempo sem sair, esquecera o isqueiro, o que causara um pequeno constrangimento. Quem é cortês nunca é demais!