Enquanto Xiao Si estava atordoado, os dois policiais ao lado também se aproximaram. Vendo que a situação ali não era normal, eles se recomporam e perguntaram em voz alta: "O que está acontecendo? Quem chamou a polícia agora?"
"Fui eu, minha moto elétrica sumiu. Procurei por toda parte e descobri que foi esse cara quem roubou", disse Xiao Si rapidamente. Com aquela cena, ele temia ser tratado como suspeito.
Para quem olhava de fora, parecia que quatro ou cinco homens fortes estavam prestes a intimidar um homem frágil.
O ladrão de motos só então se deu conta de que a moto elétrica o havia denunciado. Apressou-se em dizer: "Oficial, não conheço eles, não sei de moto elétrica nenhuma. Estava aqui resolvendo um assunto e, quando saí, fui cercado por eles."
Xiao Si viu que o ladrão ainda tentava se defender, mas não rebateu. Pegou a câmera e a filmadora e foi até lá: "Oficial, veja, estas são as imagens que gravamos. Para pegar o criminoso, é preciso a prova. Sem evidências, não sairíamos falando por aí."
O policial pegou a câmera, folheou as imagens por alguns minutos e apontou para a moto elétrica: "De quem é essa moto?"
O ladrão, ao vê-los com a câmera, soube que estava enrascado: Será que vale a pena? Uma moto elétrica velha, e eles ainda usam equipamentos tão sofisticados?
Xiao Si não sabia o que se passava na cabeça dele. Se soubesse, da próxima vez traria também o drone.
O irmão You tinha tantos desses apetrechos esquisitos, que nem se vendiam no mercado.
Se perguntassem, a resposta era: personalizado.
Silêncio é ouro.
Essa era a descrição mais fiel do ladrão. Quando era pego, assumia o que fosse, mas não dizia mais nada.
O policial, vendo a situação e com as evidências praticamente completas, levou ambos para a delegacia. Tomaram o depoimento, seguiram os trâmites e liberaram Xiao Si e os outros. Antes de saírem, o policial advertiu: "Da próxima vez que algo assim acontecer, liguem para a polícia imediatamente. Nunca saiam seguindo e filmando por conta própria."
Xiao Si sorriu de forma ingênua e concordou com a cabeça: "Sim, dessa vez fui impulsivo. Não vou fazer isso de novo."
Assim que saíram do portão, começaram a rir à vontade.
Os outros jovens também riam juntos. Os transeuntes, vendo um grupo de jovens rindo alto por ali, se afastavam. Ninguém sabia se era por causa de bebedeira ou o quê. De qualquer forma, não pareciam pessoas de bem.
Jovens, cheios de sangue quente.
Quando chega a meia-idade, tudo isso desaparece. O que se pensa o tempo todo é como ganhar mais dinheiro, como sustentar a família, como conseguir descansar um pouco mais.
Esse assunto foi encerrado por enquanto.
Em seguida, foram comprar bicicletas. O grupo estava cheio de energia, quase querendo pegar mais alguns ladrõezinhos para mostrar serviço. Pena que o ladrãozinho se rendeu rápido demais, sem dar tempo de usar as habilidades.
Xiao Si e os outros foram a várias lojas e compraram algumas mountain bikes. Deixaram uma pessoa no carro, enquanto os outros pegaram uma bicicleta cada um e pedalaram de volta ao Clube Zhulu.
Depois, colocaram os rastreadores debaixo dos bancos das bicicletas. Os bancos eram removíveis, então era só colocar lá dentro.
O resto era esperar com paciência.
Era mesmo como pescar. Não é à toa que o irmão You gosta de pescar. Dava uma certa sensação de expectativa.
Zhou You, na verdade, não se interessava muito por essas coisas. Ele era uma pessoa comum, fazia o que estava ao seu alcance: comer, beber, se divertir, e viver a vida de forma despreocupada.
O grande herói, que age pelo país e pelo povo.
Isso era coisa de cavaleiro andante, que só existia nos romances.
E na realidade?
O cavaleiro, com a força, viola a lei; o letrado, com as palavras, corrompe as regras.
Ambos são fatores de instabilidade. Conseguir se salvar já é bom. Querer fazer justiça com as próprias mãos? Nem pensar. Isso é coisa para a antiguidade.
O que mais preocupava Zhou You agora era voltar para casa no Ano Novo.
Não voltar não era certo.
Voltar, porém, significava ouvir sermões sem parar. E ele ainda não tinha pensado em uma estratégia.
Dizem que a maior arma infalível é a sinceridade. No fim, ele teria que usar essa.
Expor os fatos, mostrar o futuro.
Com certeza daria certo.
Então, era hora de voltar para casa.
Melhor sofrer de uma vez do que prolongar a dor. Aqueles cavalos ainda estavam esperando por ele.
Primeiro, resolver algumas coisas pendentes.
Ren Changzhen ligou para perguntar se ele queria continuar investindo no "A Bite of China 2". Ela poderia fazer a ponte, mas a segunda temporada exigia mais investimento e basicamente não faltava dinheiro. Se Zhou You quisesse investir, seria bem difícil.
Zhou You pensou e recusou. O primeiro investimento foi uma oportunidade. Dessa vez, claramente não faltava dinheiro. Ele não ia se meter. Já tinha ganhado reputação. Correr atrás não valia a pena.
Zhao Yun o convidou para ir a Xangai, dizendo que o ano estava acabando e que o projeto precisava de uma auditoria.
Zhou You, a princípio, não queria auditoria. Era pouco dinheiro, dava muito trabalho. Além disso, confiava em Zhao Yun.
Mas Zhao Yun insistiu. Com a consciência limpa, o coração é amplo. Zhao Yun queria que o fundo se desenvolvesse a longo prazo, para prestar contas aos investidores e também aos responsáveis pelos projetos.
Sem jeito, Zhou You mandou a empresa jurídica de Xangai fazer uma auditoria.
Já Yang Mi ligava de vez em quando para contar o andamento dos projetos. Zhou You, irritado com tanta conversa, disse diretamente que não queria se preocupar e que ela cuidasse da empresa.
Yang Mi ficou sem palavras. Outros chefes e grandes acionistas queriam saber de tudo, controlar tudo, sentir o prazer do poder. Zhou You, ao contrário, achava um incômodo.
Zhou You era assim: se pudesse ganhar dinheiro deitado, jamais ganharia em pé.
Quanto a ganhar dinheiro de joelhos? Desculpe, nessa vida não precisava.
Na vida passada, ele se ajoelhou demais. Nesta, preferia ganhar menos a se ajoelhar de novo.
Aproveitou o período de provas finais para treinar bem o corpo.
Desde que descobriu seu talento para as artes marciais, Zhou You gostava cada vez mais de treinar.
A sensação de progredir a cada dia era realmente viciante.
Bate'er agora estava de saco cheio: "Irmão You, vai com calma. Não é porque aprendeu luta livre que pode usar força bruta. Olha minhas costas, estão roxas."
"Ha ha, a vida dá voltas. Antes você me derrubava, agora é a minha vez", disse Zhou You, triunfante. Desde que voltou de Lijiang, não se sabe se foi por causa da dança ou se algo clicou, mas ele já conseguia derrubar Bate'er.
E a taxa de sucesso só aumentava. Pena que não tinha um sistema. Se tivesse, Zhou You sentia que já teria avançado de nível.
Xiao Si treinava chutes ao lado, mas não tirava os olhos dali.
Vendo Bate'er se render, não se conteve e foi comentar: "Agora você sente o desespero que eu sentia naquela época. Olhando para o irmão You, sinto que vivi esses anos em vão. Ele progride rápido demais."
Zhou You preferia a luta corpo a corpo. Tiro com arco, ele tentou algumas vezes e largou. Não tinha graça. Treinar em alvo fixo todo dia era chato, e alvo móvel era proibido. No futuro, no exterior, poderia usar armas de fogo. Era uma habilidade meio inútil. Melhor aprender uma arma branca.
Bate'er até aguentava Zhou You, mas não ia aturar Xiao Si.
Estava cheio de raiva sem ter onde descontar. Vendo Xiao Si se oferecer de bandeja, não se conteve.
Foi para cima e começou a derrubá-lo. Correr? Para onde? Xiao Si foi perseguido para todo lado. Melhor era lutar logo.
Não era só levar uma surra?
Apertar os dentes e aguentar.