O fim do semestre chegou, e mais dois meses de férias longas se iniciam. Zhou You termina de corrigir as provas com a facilidade de quem já fez isso muitas vezes. A única coisa que o consola é que, desta vez, não houve notas dadas por simpatia. Basicamente, todas as notas estão acima de 70. Os alunos realmente se dedicaram à disciplina, o que também prova que eles o reconhecem mais como professor. — Ei, Professor Zhou, terminei de editar meu novo documentário. Quer dar uma olhada? Vou te mandar uma versão estendida! — Zhou Hao acabou de finalizar a edição e já quer mostrar a Zhou You, afinal, eles são almas gêmeas nisso. Zhou You fica feliz ao ouvir e aceita de bom grado: — Claro que quero ver, de que tipo é? — Você vai saber quando assistir. — Zhou Hao ainda faz mistério. Zhou You ri: — Tá bom, parece que está bem confiante. — Dizendo isso, está prestes a desligar o telefone, mas de repente se lembra: Zhou Hao tinha um documentário que foi tirado do ar pouco depois de lançado, e agora não dá mais para ver. Mas o diretor com certeza ainda tem uma cópia. — Diretor Zhou, me manda também aquele documentário antigo, "O Principal Responsável (shuji)". Zhou Hao ri do outro lado: — Sem problemas, só não espalhe por aí, porque se der problema, não me procure. — Haha, você filmou e não deu nada, que mal tem eu dar uma olhada! — Zhou You responde com uma arrogância bem-humorada, tentando assustá-lo? Não vai colar. A entrega foi rápida, usando o frete mais caro, já que era pagamento na entrega. Zhou You, ao receber o pacote, não resiste a xingar: esse cara economiza até nisso. Diretor de documentário é realmente pobre pra caramba. Hoje não tem nada para fazer, só assistir aos vídeos. Não precisa pensar em qual ver primeiro. Ah, a natureza humana é assim: quanto mais não se pode ter algo, mais curiosidade dá. Muitas coisas, quando estão na sua frente o tempo todo, você ignora; no dia em que não as vê mais, é que se lembra delas. Isso também é um truque comum de muitos comerciantes. Coisas como "edição limitada", "último dia", "apenas para poucos". O foco é a escassez. Se ainda adicionar um toque de mistério e alta tecnologia, aí é que fica ainda mais incrível, vai direto para o céu. E olha, o povo cai nessa direitinho. Funciona sempre, já faz milhares de anos. Zhou You já tinha visto esse documentário uma vez, no canal de documentários do NetEase Open Course. Na época, ele ainda era estudante, não entendia nada, só via por curiosidade, e as falas não lhe diziam muito. Especialmente uma cena em que a imagem é cortada, mas o áudio continua, na escuridão, mostrando de forma realista uma parte daquele ecossistema. Se conseguisse, cobrava. Se não conseguisse, devolvia o dinheiro. Ainda tinha um pouco de consciência, haha, muito melhor do que aqueles que só prometem. Naquela época, era uma lufada de ar fresco. Ele assiste e se diverte ao mesmo tempo. Quem diria que esse cara depois iria parar na máquina de costura? E mais ainda, que ele hoje seria amigo de Zhou Hao. O mundo é frio, e os colegas do governo são ainda mais impiedosos. Mas, de fato, o cara tinha uma visão elevada. Numa das falas, ele diz: "Gente, compra o caro, não o barato. O apartamento no bairro ao lado é mais barato, mas ninguém compra, preferem o caro." Os chineses acreditam que você paga pelo que recebe, e que cada área é um mundo à parte. Diante de algo que não entendem, só lhes resta comprar o mais caro, instintivamente. Não tem jeito, não dá para entender os meandros, então compram o caro para ficar tranquilos. Como diz bem o livro "Influência": "Vale notar que, se as pessoas não conhecem um produto ou serviço, é especialmente provável que apliquem o princípio 'caro = bom'." Porque não temos tempo, energia ou capacidade suficientes para julgar uma coisa ou objeto. Só nos resta confiar em atalhos mentais ou no conselho de especialistas. Até o especialista dar com os burros n'água. Depois veio o live streaming de vendas, e o motivo do seu sucesso é o mesmo. Só quando estamos no nosso próprio campo é que sabemos que caro não é igual a bom; nos outros campos, não tem jeito, só aguentar. Essa também é a razão pela qual a Xiaomi foi ficando cada vez mais popular. Quando você escolhe um produto desconhecido, a Xiaomi já sai na frente. Não é o melhor, mas também não é o pior; é um produto de gama média, perfeito para quem tem dificuldade em escolher. O documentário expõe a natureza humana sem piedade: bajulação para cima, autoridade para baixo, duas caras, não, várias caras! E também as cenas com os pares. Os comerciantes são igualmente versáteis, falam o que o outro quer ouvir, só um que fala a verdade é o comerciante estrangeiro com valor de união. Por isso ele não tem medo de nada; na sociedade de hoje, sua identidade seria descoberta, mas infelizmente o material não se espalhou em larga escala. Assistir a documentários realmente amplia o conhecimento. Zhou You também viu o que é uma "bomba de profundidade". ..... Ele não resiste a xingar: que sacanagem, não é à toa que se sente um caipira. Encher um copinho pequeno de cachaça, colocá-lo dentro de um copo grande de cerveja e virar tudo de uma vez: isso é uma bomba de profundidade. Na frente dos outros, todo arrumado e educado; por trás, pior que um animal. Muita gente, em público, é solene e justa, parece um cavalheiro. Ou ocupa altos cargos, ou é rico como um país. Na verdade, quem convive com eles sabe como são. Essa também é uma das razões para manter distância e mistério: preservar a imagem de superioridade. Na real, o melhor jeito de quebrar a ilusão é: Imagine ela ou ele sentado no vaso sanitário, com a cara de quem está constipado. Naquela hora, toda a imagem desaba. Seja a beleza, seja a autoridade, tudo se desfaz. Hahahaha Ele termina de ver o documentário muito feliz. O resto fica para depois; Zhou You deu uma olhada no começo e já sabe do que se trata, já tinha visto antes, é uma história contada. A versão estendida é mais longa, cinco horas. Só alguém como Zhou You, um viciado em documentários, consegue assistir até o fim. Por hábito, toda vez que vê um documentário de registro social, Zhou You fica deprimido, mas este não. É divertido, interessante, e com certeza vai durar muito tempo. Será estudado repetidamente por gerações futuras, que vão observar as falas, as roupas, o jeito de fazer reuniões, e talvez descubram que se parecem com eles mesmos. Não há nada de novo debaixo do sol, a história sempre se repete. Duvida? Olha só. Ina aparece de novo. Pense na história de Ina. Veja ele construir o palácio, veja ele festejar com convidados, veja o palácio desabar. — Ina, o licor é bom? — pergunta Zhou You, curioso. — Hum, é bom, só que arde na garganta, no começo não me acostumei. — Ina, como amante de cachaça, tem autoridade para falar. — O quê, dor de garganta? Deixa eu ver, acho que precisa de um lubrificante. — Zhou You se preocupa muito com a saúde de Ina, ela vai voltar para o país em breve, não pode ir com o corpo doente. Ele a leva para o andar de cima para fazer um exame; ainda tem alguns remédios básicos em casa. Ah, um chef de cozinha que ainda tem que fazer bico de médico, tratando dor de garganta. Mas a habilidade médica de Zhou You é muito fraca, já que é novato. Leva horas para conseguir tratar de forma precária. Pena que, quando um problema se resolve, outro aparece. Depois de curar a garganta, outras partes começam a doer. Ina ainda queria que outras pessoas servissem de cobaia, mas Zhou You não concordou. Disse que Ina estava de partida, e se não tratasse direito, podia piorar a situação. Sem opção, ele só conseguiu manter o tratamento de forma improvisada. Na saída, ela mancava, e no fundo do coração, jurou: da próxima vez, não viria sozinha. Médico sem escrúpulos, não tem ética.