Capítulo 197: Capítulo 197 O sofrimento dos adultos está apenas começando

Capítulo 197: O Sofrimento do Adulto Está Apenas Começando

Dessa vez, ninguém precisou insistir para ele beber; Datou aceitava tudo.

Depois de três copos,

já começava a ficar tonto, puxando Zhou Yu sem parar.

"Yu, é tão difícil, a sociedade é tão difícil de lidar!"

"Pô, fui cobrar o pagamento, e eles só pagaram se eu bebesse. Um copo de 50ml, mas cada copo valia só dez mil, e a dívida era de um milhão!"

"Esse milhão, se eu conseguir cobrar, ganho mil de comissão; se não conseguir, descontam mil do meu salário."

"Vai pro inferno!"

"Yu, por que a sociedade sempre maltrata a gente?"

"O fornecedor me maltrata, o revendedor também, e pô, até os colegas me maltratam. As regiões que me dão são todas difíceis de cobrar e complicadas de trabalhar."

"Quando me formei, eu tinha ambição de fazer algo grande, mostrar pros meus pais. Mas agora, o que eu faço?"

Zhou Yu não falava nada, só ouvia em silêncio o desabafo de Datou.

Os outros também se identificavam, lembrando dos próprios sofrimentos passados. Se não tivessem encontrado Zhou Yu, com certeza estariam piores que Datou. Ele, pelo menos, era mestre numa universidade de ponta; e eles, o que tinham?

"Antes, às vezes, eu desprezava meus pais, achava que a vida deles era uma porcaria, sem futuro, ganhando um dinheirinho só pra comer e beber, sem nunca serem chefes."

"Agora, sinto que talvez eu seja pior que eles."

"Ah, se não fosse pela nossa amizade, eu nem teria coragem de te ver. Três anos nessa vida, e não consegui nada, nada mesmo, Yu!"

Zhou Yu apoiou a mão no ombro de Datou e ergueu o copo: "Bebe. Três copos e já tá mole? A vida tá só começando. Isso que você chama de sofrimento não é nada; o pior ainda vem!"

"Agora você ainda pode contar com seus pais; quando eles envelhecerem, em quem vai se apoiar?"

"Mais tarde, vai casar, ter filhos. Sua esposa vai depender de você, seus filhos também, e seus pais, quando ficarem velhos, também vão depender de você!"

"Quando ficarem doentes, você cuida; na escola, você ajuda com a lição de casa; se a casa for pequena, troca por uma maior; se o carro quebrar, você hesita em trocar."

"Assim que abre os olhos, não tem um dia de descanso."

"Nessa hora, trabalho é besteira. Conseguir manter a casa em ordem já é difícil pra caramba!"

Datou ficou atordoado com as palavras de Zhou Yu: "Irmão, vai ser tão sofrido assim no futuro?"

"Nascimento, velhice, doença e morte existem desde os tempos antigos. Quem escapa?"

"Quando você era criança, achava que uma nota baixa na prova era o fim do mundo. Hoje, vê que não valia nada."

"Mesma lógica. Agora você se sente injustiçado; no futuro, virão coisas ainda mais difíceis. Aí, você vai sentir saudade dessa época livre e despreocupada."

"Datou, o sofrimento do adulto está apenas começando. Parabéns, você cresceu!"

Zhou Yu ergueu o copo e brindou com Datou e os outros presentes.

Os mais velhos sentiram mais fundo; os mais jovens só ouviram de passagem.

Quem acredita nisso? Se você não se dá bem, é porque não é bom o bastante.

Datou, depois do que Zhou Yu disse, não ficou mais triste, só mais assustado: "Yu, o futuro vai ser tão ruim assim?"

Zhou Yu riu alto, e enquanto ria, lágrimas escorriam pelo canto dos olhos: "Isso era antes, não depois. De agora em diante, eu cuido de vocês. Nós, irmãos, vamos sofrer menos e aproveitar esse mundo maravilhoso!"

Zhou Yu segurava o copo, olhando para o nada.

A vida na Terra é tão boa que até os deuses descem dizendo que vêm para passar por provações.

Ondas e ondas de dificuldades, quem aguenta?

No fim, Datou bebeu demais, mas seu estado de espírito melhorou muito.

Quando se está triste, ter alguém para conversar e desabafar alivia bastante.

Zhou Yu o levou para o quarto ao lado descansar, pediu ao Xiao Si para cuidar dele, e foi para casa dormir.

Na verdade, naquela época, Datou já tinha bebido com Zhou Yu algumas vezes.

Pena que os dois estavam numa situação ruim. Além de reclamar juntos, não podiam fazer nada. Não tinham coragem de pedir demissão, nem de voltar para casa. Só podiam apertar os dentes e aguentar.

No fim, até quebraram alguns dentes de tanto apertar, mas o sofrimento só aumentava.

Aos poucos, se acostumaram.

Como o Fugui em "Viver".

Ou o Li Baicheng no documentário sobre adivinhação.

O diretor perguntou: "Uma vida sem nenhuma alegria, ainda tem sentido?"

Li Baicheng hesitou, provavelmente nunca tinha pensado nessa questão do sentido da vida, e respondeu instintivamente:

"Que jeito de falar. Sem alegria, a pessoa não vive? Isso, isso é muito cruel."

Pois é, sem alegria não vive?

As pessoas das camadas mais baixas nunca pensam nessas coisas. Seja por ignorância, seja por autoengano.

Afinal, a gente tem que viver, não é?

Nesta vida, Zhou Yu não só queria viver, mas viver bem. Pelo eu da vida passada, para ver este mundo, olhar bem para ele, e depois decidir se volta ou não na próxima.

Deitado, pensando sem parar, sem conseguir dormir, mandou uma mensagem para Yin Na.

Pensou em Yin Na, sozinha em terra estrangeira, solitária, sem ninguém para conversar. Não era digna de pena?

É, a gente não pode se comparar.

Comparar coisas é jogar fora; comparar pessoas é morrer.

No curso de Felicidade de Harvard, está bem claro: a felicidade que vem da comparação é falsa, um castelo de areia que desaba na primeira onda.

Mas o que é a felicidade verdadeira?

Zhou Yu sentia que a dele era agora.

Imaginava que Yin Na pensava o mesmo.

Então, abaixou a cabeça e perguntou a Yin Na: "Você é feliz?"

Yin Na fazia sons abafados com a boca.

Zhou Yu entendeu, sabia que ela dizia que sim.

Vendo Yin Na comer com a boca cheia de gordura, a felicidade estampada no rosto, Zhou Yu também ficou contente. Ajudar os outros é bom.

Os dois deitados na cama, conversando.

Yin Na, agora como uma mulherzinha, aninhada nos braços de Zhou Yu: "Seu russo está muito bom agora, quase igual ao dos chineses que vivem lá há anos."

"Sério? Só conversei com você, nunca falei com outros, nem vi filmes em russo. Um dia vou testar, ver se entendo."

"A propósito, quando você voltar, o que pretende fazer? Ainda ser professora?" Zhou Yu não sabia como funcionava a carreira de estrangeiros, perguntou de leve.

"Não sei. Acho que sim, mas vou dar aulas de chinês como bico. Afinal, esse era o principal objetivo da minha vinda para estudar. Só ser professora universitária, o salário é muito baixo." Yin Na ainda não tinha decidido.

"Então, você não vai me agradecer? Eu te ensinei chinês tão bem. Nosso chinês tem aqueles sons de língua enrolada, muito difíceis. Agora sua língua está muito mais solta, e seu chinês melhorou rapidinho." Zhou Yu, sem vergonha, sorriu para Yin Na.

Yin Na revirou os olhos azuis: "Na hora, você tem que lembrar de vir me ver."

Zhou Yu assentiu solenemente mais uma vez.

A noite de primavera é curta, o momento é belo, uma noite de prazer e movimento.

Olhando as luzes das milhares de casas, cintilando, quem sabe quantos não dormem esta noite.

Pensou que já fazia alguns dias que eles tinham ido para a Tailândia.

Todos os dias, postavam fotos nas redes sociais.

Wang Fangfang, nos primeiros dias, ainda estava um pouco deslocada, mas depois foi se divertindo cada vez mais, soltando sua verdadeira natureza.

Muita gente, ao chegar num lugar estranho, diz que vai recomeçar do zero.

Não se refere só ao material, mas principalmente ao espiritual.

Longe das pessoas e do ambiente familiares, o caráter e as emoções da pessoa se libertam das amarras, como se soltassem por um tempo.

Essa é uma das razões pelas quais viajar faz a gente feliz.