Yina está em Luzhou há dois anos e, num piscar de olhos, vai voltar para o país. Desta vez, veio em busca de um sonho, mas, para sua surpresa, acabou voltando desapontada.
Depois daquela era de grande caos, os russos perderam a fé. Décadas de crenças desmoronaram, e até hoje não se recuperaram. Falando nisso, Yina é uma das beneficiadas, senão não teria chance de ser professora universitária.
Mas, depois de ver tanta coisa, sempre sente um certo desconforto. Uma melancolia no peito que não consegue se dissipar. Como aliviar a tristeza? Só com vodca.
Pum, pum. Yina se levantou preguiçosamente do sofá, suas pernas longas de 1,80m sem lugar para se acomodar, e abriu a porta sem ânimo. "Professor Zhou, já veio estudar agora?" "É, quero aprender o máximo possível antes de você ir." Zhou You olhou para o jeito indolente de Yina, sem saber se conseguiria ensinar algo. Enquanto falava, colocou a vodca na mesinha de centro.
Esses professores estrangeiros intercambistas moram em apartamentos de dois quartos e uma sala, sozinhos, com todas as instalações completas, muito melhores que os recém-contratados na universidade. O melhor é que é de graça. "Vodca, e ainda Stolichnaya Elite, uau, te amo, Zhou!" Yina, ao ver a vodca que Zhou You trouxe, não conteve a empolgação, abraçou Zhou You e deu um beijo estalado na bochecha dele. Zhou You ficou atordoado. Aqui na China, nunca tinha passado por essa cortesia. Que peito generoso, dava para sentir a pressão mesmo através da roupa. "Comprei especialmente, importada pura. Será que a Yina gosta?" Zhou You perguntou sabendo a resposta, com aquele jeito, quem não perceberia? "Gosto, gosto muito, é a minha favorita. Não consigo me acostumar com as bebidas daqui." Yina, ao mencionar bebida, não parava mais de falar. "Vocês aqui têm tantos tipos: sauce aroma, strong aroma, light aroma, muito complicado. A nossa vodca é melhor, a pura é a mais gostosa." Zhou You concordou. Às vezes, ele também gostava de beber vodca, pura e natural. Vodca pura, incolor e inodora. Na boca, não se sente nenhum sabor, nem arde. É como beber água mineral. Mas, a partir do momento em que desce pela garganta, tudo muda. É como uma linha de fogo que se estende pelo esôfago até o estômago. A sensação é como comer sorvete no auge do verão ou entrar num quarto aquecido no inverno. Que prazer! Mas o problema é que a vodca entra muito fácil, sem prelúdio de sabor, então muita gente bebe demais sem perceber. Na Rússia, é essencial para se aquecer no inverno. "Zhou, posso tomar um copo primeiro? Faz tempo que não bebo, estou com muita vontade." Yina olhou para Zhou You com vergonha. Mesmo na Rússia, isso não é muito educado, mas não conseguiu se segurar! Olhando para Yina, com seu 1,80m, abaixando a cabeça e falando baixinho, tinha uma certa beleza no contraste. "Sem problema, vou beber um pouco com você." Zhou You também queria provar. Yina, animada, pegou dois copos de vidro no armário e serviu um para cada. "Espera, você não tem nenhum petisco? Pelo menos um punhado de amendoim?" Zhou You achou estranho, ninguém bebe seco assim. "Tenho, tenho. Ainda tenho um pouco de salsicha que trouxe do meu país. Vou cortar um pouco, é o que resta, desculpa." Yina lembrou-se então da salsicha que trouxe, para não passar fome caso não se acostumasse com a comida local. Dito isso, tirou do congelador, cortou em fatias simples e serviu. "Lá na minha terra, às vezes bebemos com picles de pepino ou peixe defumado." Yina explicou de novo. "Quando você for à Rússia, professor Zhou, vou te levar para provar a culinária local." Bom, ter algo é melhor que nada. Zhou You veio para aprender, afinal. "Saúde!" Yina tomou um gole sem esperar. Um gole e fechou os olhos. Quando a bebida chegou ao estômago, soltou um suspiro de alívio, recostou-se no sofá e relaxou completamente. Zhou You ficou chocado. Aquele gole foi metade do copo, pelo menos 50 ml. Não é à toa que são um povo guerreiro. A bebida dá coragem aos covardes, e ela já era forte por natureza. Agora era como um reforço extra. Zhou You deu um pequeno gole e pegou um pedaço de salsicha. Tinha bastante nervo, bem mastigável. Ótimo para acompanhar a bebida. Os dois foram conversando, ora em chinês, ora em russo. Não sei se alguém de fora entenderia, mas Zhou You achou muito bom. Quando já estavam meio bêbados, Yina se levantou do sofá. Foi para um espaço vazio e começou a cantar: "Quando as macieiras florescem no horizonte, E a névoa suave flutua sobre o rio; Katyusha está na margem íngreme, Sua canção brilha como a luz da primavera. Katyusha está na margem íngreme, Sua canção brilha como a luz da primavera. A moça canta uma canção linda, Ela canta sobre a águia da estepe." Enquanto cantava, dançava. Tirou o casaco, ficou só com uma regata branca, cabelos soltos, passos graciosos. Se ao menos ignorássemos a garrafa de vodca na mão. No meio da bebida, Yina abriu outra garrafa e segurou-a, sem usar mais o copo. Nas palavras de Yina: "Lá na minha terra, não temos o costume de beber no copo!" Respeitar os costumes alheios. Zhou You, no final, entendeu: era "Katyusha". Yina cantava bem, senão Zhou You não teria reconhecido. É uma canção muito conhecida na Rússia, e muitos chineses também sabem cantar. Nos últimos anos, a popularidade caiu um pouco, mas tanto em chinês quanto em russo, a palavra "Katyusha" dá para entender. Yina, provavelmente emocionada, largou a garrafa, foi até o sofá e puxou Zhou You. "Vou te ensinar a cantar, também sei dançar." Zhou You aceitou sem jeito. Os dois ora de mãos dadas, ora de braços entrelaçados, passos sincronizados, toc-toc. Sério, cantar e dançar juntos era bem divertido. Bêbados e perdidos. Quando Zhou You acordou, estava deitado na cama. Yina ao lado, cabelos desgrenhados, também abriu os olhos e olhou para ele. Os olhos azuis grandes piscavam: "Zhou, você tem um corpo bonito!" "Você também. Eu já treinei boxe chinês." Zhou You a examinou com atenção. "Sério? Por isso que é tão bom nisso." Yina exclamou. "Claro, olha só, ossos de orgulho!" Zhou You sentiu que a bebida tinha atrapalhado. Ontem, na embriaguez, perdeu a virgindade, sem saber se tinha vencido. Yina olhou para baixo e, de fato, viu os ossos de orgulho: "Quero aprender boxe chinês." "Tá bom." Ensinar é ajudar uns aos outros. Ajudar amigos internacionais é nosso dever. O boxe chinês exige força de todo o corpo. É preciso contornar o inimigo por trás para atacar profundamente. Mas, às vezes, também é preciso atacar com força, impondo respeito. Não se pode desistir mesmo apanhando, nem gritar, senão perde a moral. Yina mordeu os dentes de prata, jurando não se render. Zhou You, sem opção, usou um movimento clássico do boxe chinês: a técnica de derrubar agarrando a perna, com um levantamento por cima. Só assim conseguiu dominar Yina, forçando-a a bater as palmas no chão. Ela gritou "Katyusha!" Só então cessou o combate. Depois dessa batalha, Zhou You testou sua capacidade de luta. Já que conseguiu dominar até um povo guerreiro. Conquistar o mundo está ao alcance. Estamos perto do fim do mês. Um "Katyusha" e peço votos deitado.