Capítulo 113: Capítulo 113 Viagem à Tailândia

A mostra de documentários durou dois dias, e Zhou You assistiu a uns sete ou oito filmes; dessa vez, ele se deu ao luxo de aproveitar. Depois daquela refeição juntos, Zhou You deixou de se preocupar e se entregou de corpo e alma ao prazer que os documentários lhe proporcionavam. Antes, ele nunca tinha tanto tempo livre para ver documentários; só durante os tempos de escola conseguia terminar um de uma vez. Quando o trabalho ficou pesado, levaria dias para assistir a um, de forma fragmentada. Isso prejudicava muito a experiência de visualização. No fim, ele acabou assistindo cada vez menos. Embora alguns documentários não despertassem muito seu interesse, isso não tirava o valor da realidade deles. A vida humana é curta, e as experiências que podemos ter são limitadas; só nos livros e nos documentários podemos vivenciar múltiplas existências. Essa também é a razão pela qual Zhou You gosta de documentários e de ler. Depois de passar uns dias agradáveis em Xangai, Zhou You decidiu ir para a Tailândia. Primeiro, porque já estava nos planos; segundo, porque a equipe do filme *Perdido na Tailândia* estava gravando por lá, então dava para visitar o set e matar dois coelhos com uma cajadada só. Pegou os documentos, despediu-se de Xiao Bai e voou direto para Chiang Mai. Levar Xiao Bai era impossível; Zhou You ia para Pattaya. Desceu do avião, passou pela alfândega e deu gorjeta. Já tinha trabalhado tanto tempo como vendedor e não era a primeira vez que saía do país. A Tailândia é muito melhor para turismo do que a China: preços baixos, bom serviço, paisagens lindas. Viajar para a Tailândia uma vez sai muito mais barato do que ir para Sanya. "Os próprios não enganam os seus" — é até irônico dizer isso. Infelizmente, um país fraco nunca tem diplomacia; sem um poder militar forte, tudo é em vão. Os antigos "quatro tigres" agora viraram minhocas. Ao sair do aeroporto, Wang Baoqiang e Shi Wenxiu estavam esperando para buscá-lo. Zhou You via aquelas pessoas ao vivo pela primeira vez. Como descrever? Dava para dizer que era bonita, mas não uma beleza excepcional; não é à toa que ele não se lembrava dela. Na verdade, se desse para ganhar dinheiro, ninguém escolheria ser celebridade. No fundo, são atores e bichos de estimação do público, bajulados por um bando de menores de idade, alguns perdendo a noção de si mesmos — realmente ridículo. Wang Baoqiang viu Zhou You, abriu um sorriso e estendeu os braços para abraçá-lo: "Irmão You, finalmente você chegou!" Zhou You deu um tapa nele e o afastou. Homem abraçando homem, você não tem vergonha, mas eu tenho. Wang Baoqiang não ficou constrangido; ficou ao lado, rindo sem graça. Nesse momento, Shi Wenxiu se aproximou, também examinando Zhou You. À primeira vista, ele não era muito bonito, não tinha o rosto bonito dos atores masculinos do showbiz. Mas aquela aura era impossível de imitar para qualquer um: despreocupada, descontraída, natural, com um ar de playboy. "Você é a Xiuxiu, né? Da última vez que fui na sua casa, você estava filmando. Lá por setembro, acho que suas gravações já devem ter terminado, e eu vou me apresentar ao seu pai também", disse Zhou You educadamente. "É tudo graças ao irmão You, senão não teria tantos papéis para filmar. Irmão You, dessa vez veio passear ou visitar o set?" "Os dois. Vou primeiro ao set dar uma olhada. Sua parte ainda não acabou?" Zhou You ficou um pouco confuso; afinal, o papel de coadjuvante já deveria ter terminado há muito tempo. "Minha parte já acabou faz tempo. Mas eu queria aprender mais, então pedi para vir para a Tailândia." Shi Wenxiu não era boba; já que tinha a chance de conviver com tantas estrelas e ainda ser tão bem tratada, queria ficar mais tempo. "Tudo bem, aprender mais é bom. Pede ao Baoqiang para te ensinar; ele tem um talento muito bom para atuação. Até eu fiquei impressionado com *O Senhor das Árvores*", disse Zhou You a Baoqiang. "Sem problema! A irmã do irmão You é minha irmã também. Ela tem aprendido bastante comigo ultimamente. O talento dela já é bom, e sendo formada pela Academia de Cinema de Pequim, é muito melhor do que eu, que vim do nada", disse Wang Baoqiang, levando todos para o carro. As regras de trânsito na Tailândia são diferentes das da China. Lá, o volante fica à direita e se dirige pela esquerda, parecido com o Reino Unido. Por isso, a carteira de motorista chinesa não serve; basicamente, é preciso tirar uma nova. Mesmo quem tira, muitos não se adaptam, então contratar um motorista é o melhor. No caminho, Zhou You observava a paisagem. Esse lugar era realmente bom. O país, sem outros desenvolvimentos, focava no turismo, atraindo pessoas do mundo todo — muitos chineses, mas ainda mais europeus e americanos. Mais tarde, muitos vinham para a Tailândia se aposentar. Trabalhadores de base dos EUA e Europa, com pensões de três a quatro mil dólares, mal davam para viver em seus países, mas na Tailândia era diferente: três a quatro mil dólares rendiam mais do que a classe média local. Além disso, as pessoas daqui já estavam acostumadas com a ideia de serem sustentadas; viver em parceria era comum. Mais prevalente ainda era a cultura dos *kathoey* (travestis/transexuais). Essa cultura era única no mundo. Zhou You tinha visto um documentário sobre *kathoey*: essas pessoas tomavam hormônios femininos desde crianças, e quem ganhava dinheiro ainda fazia cirurgia de redesignação sexual. Quem entrava nessa vida era geralmente de famílias pobres. E havia muitas restrições; a expectativa de vida era curta, e elas sofriam muito, mas, para ganhar dinheiro, não havia outro jeito. Na época, ao assistir, muitos *keyboard warriors* nos comentários diziam: "Por que não vão trabalhar fora?" Isso é típico de pensamento de terceiros! O número de pobres na China é ainda maior; talvez estrangeiros também se perguntem por que eles não vão trabalhar em seus países. É a mesma lógica: para as classes baixas, sair do país é tão simples assim? Só no litoral de Fujian, com centenas de anos de história de imigração chinesa, redes amplas e muitos canais; no interior, onde há? Assim que desceu do carro, Xu Zheng veio recebê-lo. Zhou You acenou com a mão, mandando ele voltar ao trabalho. Depois de ver tantos sets de filmagem, Zhou You já tinha perdido a curiosidade. Era como os figurantes de Hengdian: depois de ver por muito tempo, era sempre a mesma coisa, sem graça. Tudo não passava de trabalho. Só que esse trabalho, às vezes, era coberto por uma camada brilhante. Tire a camada, e é só trabalho; a essência não muda. Vender mão de obra por dinheiro, só isso. "Falta pouco; em mais alguns dias, a gente termina as gravações. Depois, tem edição, dublagem, trilha sonora, preparar o lançamento. Pelo planejamento, deve estrear no fim do ano", disse Xu Zheng, aliviado. Seu primeiro trabalho estava quase saindo, e ele sentia que tudo corria bem: investimento, elenco, tudo tranquilo. No fundo, ele agradecia ao presidente Zhou. Um cara tão generoso, com dinheiro e meio bobo, era difícil de encontrar. Zhou You também estava contente. "Os outros riem de mim por ser tolo, eu rio deles por serem burros." Meu olhar não é algo que vocês possam comparar. Agora vocês riem; depois, não chorem. Xu Zheng era muito esperto. Zhou You não sabia de muitos detalhes internos, só conhecia um pouco pela internet, e não fazia comentários precipitados. "Já que está quase terminando, vou passar uns dias em Chiang Mai me divertindo. Quando vocês terminarem, convido vocês para se divertirem bem na Tailândia por alguns dias." Antes de vir, Zhou You já tinha mandado Wang Baoqheng procurar ao redor alguns vendedores de frutas, trazer todos os carrinhos deles e comprar tudo para a equipe, para refrescar e aliviar o calor. A Tailândia era o paraíso das frutas: melancia, lichia, durião, abacaxi, melão, uva, de tudo. E as frutas eram baratas e gostosas, vendidas maduras no local, diferente das que são exportadas, meio verdes e forçadas a amadurecer com métodos artificiais.