—Você não é filha de Bai Chengfeng. A filha dele foi levada e morta pela sua madrasta, e depois você foi trazida de volta para a casa dos Bai! —Então quem sou eu?—A voz de Shen Luo tremeu levemente, claramente assustada com o que Bai Tang disse. —Naquela época, minha mãe na verdade deu à luz gêmeas, e uma foi roubada. Você é aquela criança que foi roubada. —Portanto, sua verdadeira identidade não é a filha de Bai Chengfeng. Bai Tang a encarou fixamente, com olhar firme:—Você é minha irmã, você é a verdadeira segunda senhorita da família Bai. —É por isso que ninguém desconfiou da sua identidade. Porque você é idêntica a mim, temos o mesmo sangue correndo em nossas veias. —Se não acredita, posso te mostrar uma foto da minha infância! Bai Tang disse, tirando uma foto do bolso e entregando a ela. Na foto, ela estava no primeiro ano do ensino fundamental, ao lado de um homem elegante e bonito, e uma mulher gentil e graciosa. A menina no meio, protegida pelos dois, era delicada e adorável, com uma expressão ousada. Era completamente diferente da sensação que ela passava quando criança, mas tinha o mesmo rosto. Shen Luo apertou a foto, mas não duvidou nem um pouco das palavras de Bai Tang naquele momento. Não era à toa que sentia uma afinidade ao ver Bai Tang—não apenas por causa daquele rosto igual ao seu, mas também por serem gêmeas. Bai Tang a viu baixar os olhos, sem saber no que estava pensando, e disse baixinho:—Sei que é difícil de aceitar... Ela relutava em forçá-la a aceitar coisas ruins, mas naquele momento não sabia como continuar. Era capaz de ser implacável e cruel com qualquer um, mas não conseguia fazer nada de ruim para aquela garota à sua frente. —Se realmente for difícil de aceitar, você não precisa aceitar. Neste mundo, só eu, Bai Wu e Sheng Qi sabemos disso. Eles não vão contar, pode confiar plenamente. —De agora em diante, você continua sendo você. Se não quiser reconhecer, tudo bem. —Estou te contando isso não para te sobrecarregar. Se não quiser acreditar, então paramos por aqui e nunca mais tocaremos no assunto. Bai Tang, vendo que ela não reagia, ficou muito nervosa. Chegou até a temer que Shen Luo desenvolvesse uma rejeição. Depois de um longo tempo, Shen Luo finalmente ergueu os olhos e a encarou:—Acredito em você. Os olhos de Bai Tang brilharam:—Sério? Shen Luo assentiu, mas não pôde evitar franzir a testa, e continuou:—Isso foi muito repentino, preciso de tempo para digerir, mas sei que estou muito feliz. Antes, quando brincavam juntas, ela já se sentia feliz. Poder ser amiga dela era uma bênção, e agora, sabendo da relação entre elas, sentia ainda mais alegria. Então, naquele momento, ao encarar Bai Tang, a sensação era muito sutil. Mas claramente as coisas ainda estavam além do que esperava, e ela precisava de tempo para absorver tudo. Shen Luo se levantou, olhou para a outra e continuou:—Quero ir para casa primeiro... E esta foto, posso ficar com ela por enquanto? Bai Tang assentiu:—Pode. Bai Tang não ousava fazer muito, com medo de que Shen Luo acabasse se afastando. As duas voltaram para a sala, uma atrás da outra, e Bai Tang pediu que Bai Wu levasse Shen Luo para casa. Shen Luo não recusou, e saiu de cabeça baixa. Sheng Qi viu Bai Tang fixar o olhar na figura de Shen Luo se afastando, com a testa franzida, e não resistiu em se aproximar para abraçá-la. Mesmo sem perguntar, dava para perceber pela reação de Shen Luo que as coisas não tinham sido muito tranquilas.