Capítulo 494: Capítulo 494: Não pergunte sobre o passado sombrio

Depois de acalmar a Noite Espiritual, Bai Tang finalmente pôde voltar para encontrar Sheng Qi.

Ao vê-la retornar, Sheng Qi suspirou resignado: "Venha cá."

Bai Tang sorriu e foi até ele, estendendo os braços para abraçá-lo pela cintura: "Não é que sem mim você se sente especialmente inseguro?"

"Vamos, empresto meu ombro para você se apoiar!" Bai Tang não conseguiu conter uma gargalhada.

Sheng Qi olhou para ela, mas suspirou suavemente, com uma ponta de preocupação nas sobrancelhas, e ergueu a mão para puxá-la para um abraço.

Bai Tang conseguia sentir a inquietação e a irritação que ele carregava naquele momento.

"Sr. Sheng, você não confia em mim?" Bai Tang perguntou sorrindo, com um tom descontraído, como se os dois não estivessem num lugar perigoso.

Sheng Qi franziu os lábios e disse, grave: "Não é que não confie, é medo, preocupação..."

Medo de que ela fizesse algo que nem ele conseguisse controlar, medo de que o resultado final fosse algo que ele não pudesse suportar! Por que essa garota não podia simplesmente sair daqui?

"Não vai acontecer!" Bai Tang garantiu.

Sheng Qi não disse mais nada, pois sabia que já não adiantava.

Parecia que, quando ela decidia algo, não havia mais como mudar.

Agora, ele só podia aceitar isso.

"Quer dar mais uma volta? Posso te levar para passear?" Bai Tang falou sorrindo: "Desta vez, posso te mostrar tudo abertamente."

Sheng Qi admirava a maneira como ela tratava a prisão inteira como se fosse o quintal da própria casa.

"Está bem." Sheng Qi concordou, estendendo a mão para segurar a dela.

Conhecer tudo daria uma base para quando partissem.

Bai Tang o levou para fora do quarto e percorreu a ilha inteira com ele, contando as coisas felizes que aconteciam em cada lugar.

As lembranças ruins, ela não mencionou.

Mesmo que já tivesse superado aquilo, não queria compartilhar com Sheng Qi.

Porque sabia que Sheng Qi sentiria dor, sentiria tristeza!

Então, sobre o passado, era melhor falar só das coisas boas.

Diante da atitude tão ousada de Bai Tang ao levar Sheng Qi para passear, os guardas da ilha relataram o ocorrido a Mo Sang. Mo Sang inicialmente quis advertir Bai Tang para que se contivesse um pouco.

No fim, desistiu, apenas mandando que vigiassem os dois de perto, sem impedir as ações de Bai Tang.

Chegando ao ginásio de boxe, não havia ninguém. Bai Tang subiu no ringue e sorriu para Sheng Qi, que estava em pé embaixo: "Antigamente, eu era a chefe aqui."

Sheng Qi olhou para a jovem cheia de vigor, com um toque de doçura nos olhos: "Desde quando começou?"

"Você está perguntando quando me tornei a chefe?"

"Não, desde quando você subiu neste ringue?" Sheng Qi perguntou.

Bai Tang hesitou, um lampejo de surpresa passou por seu rosto, e o sorriso voltou a cobrir suas bochechas.

Olhando para ele, ela riu: "Sr. Sheng, não pergunte sobre o passado sombrio!"

Mas Sheng Qi não desistiu por causa do sorriso dela; pelo contrário, uma seriedade apareceu em seu rosto: "Tinha quinze anos?"

Bai Tang riu, sem querer continuar aquele assunto: "Sobe aqui, vamos lutar um pouco. Sempre tive curiosidade sobre como é sua habilidade, Sr. Sheng?!"

"Tinha doze?"

"Sr. Sheng, suba!" Bai Tang sorriu e estendeu a mão.

"Tinha dez?"

Bai Tang desceu do ringue de repente e puxou a mão dele, mas Sheng Qi, com um movimento, a puxou de volta e a abraçou com força.

Naquele instante, Bai Tang sentiu seu corpo tenso e a dor que emanava dele.

Ela sabia que ele tinha adivinhado.

Sheng Qi respirou fundo, sentindo que tinha imaginado este lugar de forma bonita demais por causa do tempo que Bai Tang passou aqui!

A beleza era apenas a superfície do lugar.

No fundo, era um lugar que devorava pessoas sem deixar vestígios!