Bai Tang apertou-o com força, os cantos dos lábios se erguendo levemente, mas com um amargor indescritível.
Adeus, meu Senhor Sheng.
Fechando os olhos lentamente, Bai Tang reprimiu as emoções que fervilhavam em seu peito.
Ela soltou devagar as mãos que envolviam Sheng Qi, dando um passo para trás para se firmar, mas ele a puxou e a abraçou com força.
— Bai Tang! — a voz fria carregava um tom de ameaça. — Se você realmente for, estaremos acabados!
Bai Tang sorriu, sem dizer nada.
Então, seu Senhor Sheng gostava tanto dela assim!
Sem obter resposta de Bai Tang, a voz sombria de Sheng Qi continuou:
— Não há ninguém mais, ninguém pode substituir ninguém!
— E... retire seus votos de felicidades!
A luz nos olhos de Sheng Qi ficava cada vez mais fria.
Seu abraço também se apertava cada vez mais.
Bai Tang mal conseguia respirar com tanta pressão.
Ela suspeitava seriamente se ele não queria aproveitar para sufocá-la?!
Quando Bai Tang ia falar, a voz de Sheng Qi soou novamente em seu ouvido:
— Está ouvindo?
Bai Tang: “...”
Estou sendo sufocada por você!!!
Levantando a mão, Bai Tang tentou se soltar, mas Sheng Qi a soltou primeiro.
Antes que Bai Tang pudesse falar, ele segurou seus ombros, fixou o olhar nela com determinação e disse com seriedade:
— Fala!
Bai Tang ofegava profundamente.
Sob o olhar penetrante de Sheng Qi, que ainda a ameaçava com uma expressão feroz, Bai Tang sentiu o coração apertado.
Será que, se respondesse mal, ele planejava acabar com ela naquela noite?
Endireitando-se, Bai Tang encontrou seu olhar e tentou fazer o sorriso não parecer tão rígido:
— Estou ouvindo... mas...
Duas palavras fizeram a expressão de Sheng Qi mudar instantaneamente.
Bai Tang não teve escolha senão continuar, com coragem:
— Desculpe...
Sheng Qi não disse nada, apenas apertou os ombros dela com mais força, fazendo Bai Tang sentir dor.
Mas ela não demonstrou nada, apenas encarou aqueles olhos imprevisíveis.
Por um longo tempo, ele soltou as mãos de seus ombros, e a luz em seus olhos foi se apagando aos poucos.
Olhando para as mãos dele pendendo ao lado do corpo, Bai Tang sentiu uma pontada de dor no peito, mas não disse nada.
— Não vai mudar, vai? — como se ainda não se conformasse, ele insistiu em perguntar novamente.
Bai Tang mordeu os lábios, mas balançou a cabeça com firmeza:
— Não vai mudar.
— Entendi. — Sheng Qi disse baixinho, como se toda a sua força tivesse se esgotado de uma vez.
Bai Tang o observou, sentindo um aperto no peito.
— Não precisa se sentir culpada por mim. Boa viagem! — Sheng Qi falou suavemente. — Vá descansar, já está tarde.
Bai Tang apertou as mãos com força, as unhas cravando na palma, e esboçou um sorriso radiante:
— Vou ficar aqui para me despedir de você.
Sheng Qi a encarou com um olhar profundo. Depois de um longo tempo, desviou o olhar, abriu a porta do carro, entrou e partiu diretamente.
Vendo o carro desaparecer na escuridão da noite, o sorriso nos lábios de Bai Tang se desfez completamente, e seus olhos ficaram levemente vermelhos.
Ela controlou com todas as forças a pontada de dor que surgia em seu peito, apenas esboçou um sorriso amargo e murmurou:
— Senhor Sheng, boa noite!
Depois de um tempo, Bai Tang se virou e caminhou em direção ao carro que estava estacionado ali, abriu a porta do banco de trás e sentou-se, com a expressão já recuperada para a frieza habitual.
— Para o cais! — ordenou Bai Tang, friamente.
— Sim, senhorita!
O carro partiu. A noite envolta em escuridão foi perturbada por um relâmpago.
Logo em seguida, a chuva começou a cair torrencialmente...
Quando o navio se afastava lentamente da cidade de Lingshan, Bai Tang sentiu uma opressão indescritível.
Não esperava que aquele dia chegasse.
Foi mais rápido do que ela imaginava.
Adeus, amigos que tive a sorte de conhecer!