Logo cedo, Bai Tang chegou à escola. Mal tinha se sentado em seu lugar quando a professora principal veio pessoalmente procurá-la.
— Bai Tang, venha até minha sala! — disse a professora, com expressão séria. Havia em seu olhar um toque de pesar e algo mais que não se conseguia decifrar.
Na sala dos professores, Bai Tang lançou um olhar ao homem de meia-idade sentado ali: o diretor da Escola Secundária de Nancheng!
— Bai Tang, sabe por que a chamei? — perguntou o diretor.
Bai Tang sorriu. Seu rosto exibia uma calma e uma compostura que não combinavam com sua idade, e até o tom de sua voz carregava uma ponta de ironia e escárnio: — O que Bai Chengfeng mandou você fazer? Me expulsar!
O diretor a encarou com surpresa, claramente não esperando que ela dissesse algo assim.
Ela enxergava tudo com tanta clareza.
O espanto durou apenas um instante, e o diretor continuou: — Já que você sabe, trate de resolver agora mesmo os procedimentos de desligamento.
Bai Tang deu um sorriso leve, quase zombeteiro, enquanto olhava para ele: — O que Bai Chengfeng lhe ofereceu de bom para você obedecê-lo tão cegamente?
O diretor franziu o cenho: — Bai Tang, cuidado com seu tom!
Bai Tang sorriu com um ar despojado: — Que tom?
O diretor bufou: — Bai Chengfeng é seu pai. Já que seu pai quer que você saia da escola, a instituição não tem o que contestar. Não fique por aí falando bobagens. A escola não é lugar para seus disparates.
— Hã... — Bai Tang soltou uma risada sarcástica.
— Do que está rindo? — perguntou o diretor, em tom frio. Diante daquela jovem, sentia inexplicavelmente uma opressão incômoda, algo que o deixava irritado.
— Estou rindo... de que sua carreira pode ser destruída por Bai Chengfeng. Acredita? — disse Bai Tang, com um sorriso leve.
Ela não olhou para o diretor. Virou-se para a professora principal, que permanecia em silêncio, e disse calmamente: — O que preciso assinar? Vamos logo, estou com pressa.
A professora ficou atônita, claramente surpresa com a reação de Bai Tang.
Geralmente, garotas na mesma situação ficavam desnorteadas, mas ela se mostrava tão serena e composta, como se aquilo não fosse grande coisa.
O diretor, irritado com a atitude de Bai Tang, ordenou friamente à professora: — Leve-a para resolver o desligamento e depois a faça sair da escola o mais rápido possível.
Ele observou Bai Tang, fitando suas costas enquanto ela se afastava. Quando ela virou a cabeça e lhe dirigiu um sorriso cheio de significado, sentiu um aperto no peito, uma sensação ruim se espalhando.
Bai Tang resolveu todos os trâmites. A professora a olhou com certo pesar — afinal, era sua aluna há três anos —, mas como fora o próprio pai de Bai Tang quem pedira, não havia o que fazer.
— Sei que você também não gosta muito de estudar. Depois que sair da escola, comporte-se bem, não ande com esses marginais. Moça não deve se meter em coisas erradas, senão, quando crescer, vai se arrepender — disse a professora, em voz baixa.
Bai Tang lhe deu um sorriso radiante, como um gesto de boa vontade.
De volta à sala de aula, pegou a mochila e, sob os olhares confusos de todos, saiu diretamente.
Naquele momento, todos ainda estavam no estudo matinal. Alguns alunos de castigo no corredor viram naturalmente Bai Tang indo embora.
Além disso, quando Bai Tang foi à sala dos professores, alguns alunos foram escutar atrás da porta. Assim, quando ela deixou a escola, a notícia de sua expulsão se espalhou num instante.
Quando Zhang Xiaochu recebeu a notícia, seu rosto escureceu na hora.
Ontem mesmo, aquela garota ainda falava em prestar o vestibular para a Universidade A, e hoje estava sendo expulsa!
Por mais que pensasse, Zhang Xiaochu acreditava que Bai Tang havia sido injustiçada.
Pegando o telefone, ele saiu pela porta dos fundos.