—Ou vamos fugir — disse Bai, já sem o pânico anterior, parecendo muito calma. — Você enlouqueceu? — Hei olhou para Bai incrédulo, nunca imaginando que sua parceira, que sempre dependera dele o tempo todo, tomaria uma decisão dessas. — Não enlouqueci, só estou cansada. Não quero mais ficar escondida na escuridão fazendo coisas que não quero. — Bai rangeu os dentes e finalmente disse o que pensava. — Fugir? Para onde vamos fugir? Não se esqueça, ainda temos o sangue envenenado da família Lü em nossos corpos. O sangue envenenado era a ferramenta mais poderosa da família Lü para controlar assassinos e agentes de inteligência. E era justamente por causa desse sangue envenenado que a família Lü ainda se mantinha de pé, mesmo após a queda de duas dinastias. — Você já viu o talento de Ye Lanshan. Ela já tem um poder assustador por si só, e com a base enorme da família Ye, com o que a família Lü pode competir contra ela? — Bai evitou responder à pergunta de Hei e lançou outra questão. Hei respondeu com muita seriedade: — Isso não é algo que devemos pensar. Lembre-se, nosso dever é apenas obedecer ordens. — Por quê? Por que nascemos para ser inferiores? Por que nascemos para ser tratados como animais, sendo mandados e desmandados pela família Lü? — A emoção de Bai estava anormalmente exaltada. Ela engoliu o sangue que queria vomitar, ferida por Ye Lanshan, e disse: — A família Lü está acabada, e nós também não escaparemos da morte. Melhor sair agora e aproveitar alguns dias de liberdade. — Bai, não me force a usar a força contra você. — Os olhos de Hei mostraram hesitação, como se estivesse prestes a tomar uma decisão que se arrependeria no momento seguinte. — Você realmente me mataria por causa daquela família Lü, infernal e sem humanidade? — Bai ficou incrédula. Ela havia planejado por tantos anos, conquistando seu coração aos poucos, só para um dia poder sair da família Lü com ele. Mas ele estava disposto a matá-la por causa da cruel e impiedosa família Lü. Esse era o desfecho que Bai menos queria ver. — Não se esqueça do que a senhorita nos disse quando nos escolheu. Ela disse: "Espero que vocês se tornem minhas lâminas mais afiadas, eliminando todos os meus inimigos." — A senhorita não tem mais nenhum poder na família Lü além de nós. Se as lâminas dela desaparecerem, como ela vai sobreviver na família Lü? — Hei sempre pensava na senhorita. — Claro que não esqueci. Depois, não nos tornamos as lâminas mais afiadas? Mas ela se tornou nosso apoio? Não. — Quantas vezes estivemos à beira da morte ao limpar os obstáculos para ela? Ela se importou? Ela só nos explorou ao máximo para fazer o serviço dela. — E mesmo assim, você ainda quer segui-la? — Bai questionou Hei, sem entender como alguém tão desprezível, cruel e sem consideração pelos subordinados como Lü Qingse ainda merecia lealdade. — Você ainda se lembra de quem nos salvou das mãos de Lü Hao naquela época? — A hesitação nos olhos de Hei se transformou em total quietude, e até sua voz ficou mais calma. Bai respondeu com indiferença: — E daí? Já fizemos tanto por ela, a dívida de gratidão já foi paga. Ao ouvir a resposta dela, Hei fechou os olhos bruscamente. Quando os abriu novamente, não havia mais nenhuma emoção neles: — Vá embora. Quanto mais longe, melhor. Vou considerar você morta. No final, Hei não conseguiu matar Bai. Ele se levantou e caminhou em direção à porta, sem querer olhar para ela mais uma vez. — Você vai se arrepender dessa decisão mais cedo ou mais tarde. — Bai deu um riso leve, escondendo a solidão em seu coração. Afinal, não importava o que eu fizesse, nunca superaria Lü Qingse no seu coração? Por quê? Por que Lü Qingse nasceu com o destino de ser senhorita, sem nunca precisar lutar na linha da morte? Por que o sentimento que eu cultivei com tanto esforço foi derrotado por um simples gesto de reconhecimento da senhorita? Bai mordeu o lábio, claramente inconformada. No final, depois que Hei saiu, ela também se levantou devagar, segurando o peito, e saiu mancando daquele templo abandonado, mas seguindo o caminho oposto ao de Hei. — Senhorita, nossas informações estavam erradas. Ye Lanshan tem poder duplo. Bai... ela se sacrificou para me proteger. — Hei ajoelhou-se diante de Lü Qingse, com uma expressão de extrema tristeza. — Você disse que Bai morreu? — Ao ouvir a notícia da morte de Bai, Lü Qingse sentiu tontura. Bai e Hei eram os braços direito e esquerdo de Lü Qingse. Era graças a eles que ela havia alcançado sua posição atual. Agora que Bai estava morta, era como se tivesse perdido um braço. Como isso não a afetaria? Depois de um bom tempo, Lü Qingse se recuperou. Ela acenou com a mão, cansada, e dispensou Hei. Quando Hei saiu, ficou atordoado. Ele achava que, com o fracasso da missão, não escaparia de um castigo, mas Lü Qingse simplesmente o deixou ir. Isso mostrava, indiretamente, que Lü Qingse não havia percebido sua mentira e realmente acreditava que Bai estava morta. — Ye Lanshan, você não só matou Ye Siyu, mas também meu subordinado mais valioso. Vou acertar contas com você. — Lü Qingse atribuiu a causa da morte de Bai a Ye Lanshan. ... — Finalmente chegamos à capital do Reino Yue. Tio, vamos rápido. Assim que encontrarmos Ye Lanshan, não precisaremos mais nos preocupar com perseguições. — Ao chegar à capital, Yun Di já falava com um tom mais leve. — Melhor ter cuidado. — Sima respondeu com um lembrete frio: — A organização de inteligência da família Sima é muito poderosa. Mesmo que encontremos Ye Lanshan, você pode garantir que ela não se deixará tentar por grandes ofertas e nos entregar à família Sima? Yun Di respondeu com confiança: — Ye Lanshan não faria isso. Confio nela. Além disso, ela não precisa de você para refinar pílulas? Como poderia nos entregar à família Sima? — Você passou apenas alguns dias com ela. Como pode saber que ela não nos trairá? — Sima Kuang ainda estava com medo, temendo que Yun Di sofresse a mesma traição que ele. — Tio, pode ficar tranquilo. Meu julgamento de pessoas não é tão ruim. — Yun Di já estava um pouco irritado. — Hmm? Deve ser a residência da família Ye que Ye Lanshan mencionou? — Ele ergueu os olhos para a placa, onde estava escrito um grande caractere "Ye". — Parem! O que vocês querem? Têm o passe de entrada da família Ye? — O guarda na porta bloqueou Yun Di e os outros que se aproximavam. Passe? Que passe? Yun Di e Sima Kuang se entreolharam, ambos sem nunca ter ouvido falar disso. — É o seguinte, irmão. Por favor, dê um jeito. Tenho um assunto urgente para falar com Ye Lanshan. Não precisamos entrar, mas peço que entregue isto a ela. Ela entenderá ao ver. — Yun Di tirou um talismã de transmissão de voz do espaço e o entregou respeitosamente ao guarda. O guarda hesitou ao olhar para os dois, mas, vendo a sinceridade deles, acabou aceitando o pedido.