Capítulo 424: Capítulo 424: Ainda um capítulo sem o protagonista

Ao lado da piscina de fogo fervilhante, o Soberano Estendeu a mão para tocar uma pequena pedra insignificante na borda, liberou sua percepção espiritual e observou minuciosamente. Ufa... que alívio, Ye Lanshan não escapou. Agora, nesta piscina de fogo sagrado, mesmo que ela tivesse habilidades divinas, não conseguiria fugir. O Soberano ficou tranquilo. Mas, já que não era Ye Lanshan, quem foi então? Existe alguém neste mundo capaz de se infiltrar no local sagrado sem ser notado, e ainda por cima sem que eu percebesse? O Soberano ficou intrigado, mas por mais que quebrasse a cabeça, não conseguia imaginar quem seria.

Enquanto isso, Cangzhu, pálido, rapidamente voltou ao normal. Os ferimentos em seu corpo já haviam sido tratados com sua energia mística, e não se sentia mais nenhum cheiro de sangue. Talvez por causa dos ferimentos congelados devido à baixa temperatura superficial do corpo, combinada com a perda excessiva de sangue, ele mal conseguia andar sem cambalear. — Cangzhu, você está bem? — Wan Ying e Liu Jing o seguraram, escondendo-se em um canto discreto. — Estou bem, só preciso descansar um pouco. — Cangzhu balançou a cabeça fracamente e sentou-se no chão, sem se importar com a sujeira. — A culpa é minha. Se eu não tivesse insistido em causar tumulto no local sagrado para me vingar do Soberano, você não teria se ferido assim. Se não fosse pela irmã Mu, provavelmente teríamos morrido sem nem um lugar para ser enterrados. — Wan Ying baixou a cabeça, cheia de culpa. Cangzhu a consolou: — Como isso poderia ser culpa sua, irmã Wan? Mesmo sem você, eu teria causado tumulto no local sagrado para vingar meu mestre contra o Soberano. — É verdade, Wan Ying, todos pensamos assim. — Liu Jing deu um tapinha no ombro dela. — Rápido, alguém está vindo atrás de nós. — Mu Xinlian apareceu de repente, querendo puxá-los para ir embora, mas por mais que tentasse, não conseguia tocar em nenhum deles. Wan Ying se levantou, irritada: — Isso não é possível. Um canto tão escondido assim, eles conseguem nos achar? Além disso, o Soberano provavelmente não nos descobriu, por que esses caras estão nos perseguindo como se tivéssemos roubado os ossos deles? Liu Jing ajudou Cangzhu a se levantar e disse: — Deixa isso de lado, vamos logo. Irmã Mu, você sabe de algum lugar fácil de se esconder? — Fácil de se esconder? — Mu Xinlian pensou um pouco e de repente lembrou de um lugar. Ela bateu uma mão na outra e disse: — Sei de um lugar, venham comigo.

— Você tem certeza de que quer que a gente se esconda lá? — Wan Ying olhou para a prisão subterrânea bem vigiada, incrédula. Ela quase riu de tanta raiva: — Ei, não é que a gente não consiga entrar, mas mesmo que entremos, ah, já estaríamos nos entregando, precisamos nos esconder desses caras? Mu Xinlian explicou: — Como dizem, o lugar mais perigoso é o mais seguro. Nenhuma pessoa normal pensaria que a gente se esconderia numa prisão. Se conseguirmos entrar sem ser notados, ninguém mais vai nos encontrar. — Olha só a entrada da prisão, tem mais de uma dúzia de guardas. Isso é mais difícil do que uma mosca entrar. Como você quer que a gente entre sem ser visto? — Wan Ying coçou a cabeça frustrada, enquanto Liu Jing já estava pensando, não em como se esconder, mas em como coordenar com quem estava lá fora para atacar o local sagrado de dentro e de fora. — Eu tenho um incenso sonífero! Precisam? — Cangzhu, fraco, tirou um incenso de seu espaço. Wan Ying bufou: — Para que serve isso? A irmã Mu não consegue pegar.

Por um momento, eles ficaram parados, sem saber o que fazer. Com o som de passos se aproximando, Liu Jing apertou os punhos, pronta para sair e lutar até a morte. Wan Ying sentiu o coração na garganta, gotas de suor do tamanho de feijões rolavam de sua testa, e um enorme pânico a envolvia. Ela enxugou o suor, com o rosto tenso, pensando desesperadamente: "Será que hoje vou morrer aqui? Que injustiça, ainda não me vinguei da irmã Lanshan, como posso morrer assim?"

Quando todos estavam prestes a perder a esperança, Cangzhu, fraco, levantou a mão e apontou trêmulo para um buraco de árvore não muito longe, perguntando: — O que é isso? Mu Xinlian flutuou até lá para verificar. A abertura do buraco era muito pequena, do tamanho de um punho, só dava para passar um braço. Ela esticou o braço para dentro e tateou cuidadosamente, e de fato encontrou uma saliência. — E então? — Liu Jing perguntou quando Mu Xinlian voltou. — Tem um mecanismo. — Mecanismo? — Liu Jing repetiu a palavra. Liu Jing se abaixou e foi com cuidado até lá, enfiou a mão e tateou. De repente, um sorriso surgiu em seus lábios. Realmente, o céu não fecha todos os caminhos. Ela pressionou com força, e o buraco da árvore se transformou em uma porta, revelando uma passagem subterrânea. — Rápido. — Wan Ying ajudou Cangzhu a entrar pela porta, e Liu Jing imediatamente apertou o mecanismo novamente. No segundo seguinte à chegada dos discípulos do local sagrado, a porta se transformou de volta em um buraco de árvore.

Os discípulos do local sagrado chegaram, mas não encontraram ninguém, e estavam prestes a ir para outro lugar. No entanto, quando viraram, um leve cheiro de sangue chegou ao nariz de Li Bai. Ele parou e gritou: — Irmão, espera. Bian Chengxing ergueu a mão para fazer os discípulos pararem e se virou para perguntar: — O que foi? — Tem cheiro de sangue. — Li Bai se agachou, passou o dedo no chão e, de fato, encontrou um vestígio avermelhado. Ele apertou os olhos, seguindo o rastro até o buraco da árvore, e perguntou: — Irmão, esse buraco tem algo de especial? — Esse buraco... — Bian Chengxing franziu a testa. — Você está dizendo que eles se esconderam dentro da árvore? — Sim, não consigo pensar em outro lugar para se esconder por aqui. — Li Bai assentiu. Bian Chengxing deu uma risada fria: — Hã, então não precisa se preocupar. Quem entrar lá não vai mais sair. Li Bai olhou para Bian Chengxing, confuso: — Irmão, o que tem dentro desse buraco? Bian Chengxing colocou a mão no ombro de Li Bai e explicou: — Debaixo desse buraco tem uma prisão aquática. Lá está preso um louco que nem o Soberano consegue controlar, só pode mantê-lo trancado. Esse louco não reconhece ninguém, já perdeu a razão. Ninguém que entrar sai vivo das mãos dele. Li Bai disse, pensativo: — Entendi. Bian Chengxian puxou Li Bai: — Vamos, vamos contar ao mestre. — Sim, está bem. Bian Chengxing se virou e disse seriamente: — E vocês, procurem por toda esta área, não deixem nenhum detalhe escapar. — Sim. — Os discípulos do local sagrado se espalharam para revistar, com uma minúcia que não deixava passar nem um fio de cabelo.

Quanto a Cangzhu e os outros, assim que entraram na passagem, um cheiro de água e mofo os envolveu. Descendo devagar, o fundo estava todo alagado, com apenas uma plataforma circular de cerca de três metros flutuando no centro. Sobre a plataforma, havia uma cruz de tortura, onde estava amarrada uma pessoa de roupas esfarrapadas e cabelos desgrenhados. Era o poderoso de cem anos atrás, Bai Qitian. Ao ouvir o som, ele levantou a cabeça, olhou para os recém-chegados, abriu a boca e rugiu. A energia mística jorrou de sua boca, fazendo os tímpanos de Cangzhu e dos outros quase estourarem. Wan Ying tapou os ouvidos com as mãos, quase caindo de tão forte que foi o impacto. Mu Xinlian, porém, não se intimidou. Ela flutuou até lá, pronta para matá-lo com um golpe, mas antes que pudesse chegar, o homem começou a se debater violentamente. As correntes grossas como coxas não eram nada para ele; em poucos puxões, já estavam quebradas.