"Alguém... alguém quer me matar?" Seu corpo tremia levemente, com lágrimas ainda escorrendo pelo rosto, uma imagem de pura fragilidade.
"Como assim? Fale direito, o que aconteceu? Quem quer te matar?" A primeira reação de Ye Lanshan foi de incredulidade. Como alguém ousaria matar dentro da Academia Xuanling? Mas, num instante, ela lembrou das pessoas disfarçadas como da Divisão de Alquimia.
Talvez não fosse apenas a Divisão de Alquimia; toda a Academia Xuanling poderia estar infiltrada.
"Não sei, não sei quem ele é. Só sei que ele mudou de uma aparência para outra de repente, e estava falando algo com muito respeito. Mas eu estava muito longe e não ouvi o que ele dizia. E então... então fui descoberta." Wan Ying tremia enquanto falava, com a voz trêmula.
"Não tenha medo primeiro. Comigo aqui, ninguém vai te machucar nem um pouco." Ye Lanshan deu leves tapinhas nas costas dela, como se de repente voltasse aos dias passados, quando Yu Ying não havia morrido e ela mesma não tinha vindo para este continente.
"Hum, Shan Luo, estou entregando minha vida nas suas mãos. Você precisa me proteger bem." Wan Ying fungou e a abraçou apertado.
"Está bem, vou te proteger."
"Tosse, tosse." Ye Yutian levou a mão fechada à boca e tossiu algumas vezes.
"Pronto, Wan Ying, se você está com tanto medo, vá para o quarto descansar um pouco. Nós ficaremos aqui fora vigiando, garantindo que ninguém entre." Ye Lanshan empurrou Wan Ying para dentro.
"Você é tão gentil com sua rival. Não esqueça que ela gosta de mim. Não tem medo de que ela me roube?" O tom irritadiço de Ye Yutian escondia um toque de ciúme.
"Acredito que você não vai deixar isso acontecer. Se alguém pudesse te roubar tão facilmente, você não seria o homem que eu escolhi. Além disso, ela é uma mulher. Do que você tem que se preocupar?" Ye Lanshan riu, achando que Ye Yutian estava exagerando.
"Mulher é motivo de preocupação? Não esqueça que você está com aparência de um homem bonito agora. Como posso garantir que ela não vai se apaixonar por você?"
Ye Lanshan ouviu e seus lábios se contraíram. "Não é possível, você está com ciúmes até de uma mulher? Não esqueça que ela gosta de você. E mesmo que eu pareça um homem por fora, ainda sou uma mulher por dentro. Será que eu poderia gostar de outra mulher?"
"Isso é incerto. Pelo que vejo, você é mais gentil com ela do que comigo." Na verdade, o ciúme de Ye Yutian vinha daquele momento de ternura e do gesto instintivo de Ye Lanshan. Alguém que ela mal conhecia, e ainda por cima sua rival, e mesmo assim ela era tão doce? Isso era realmente difícil de ignorar.
"Ah, vocês são diferentes. Sou gentil com ela só porque ela se parece com alguém." Quando Ye Lanshan falou isso, seu humor ficou pesado.
A morte de Yu Ying não havia se dissipado com o tempo; era como uma cicatriz de faca gravada no coração, que nunca desapareceria.
"Parece com alguém?"
"Alguém que nunca mais vai voltar. Deixa pra lá, não quero falar sobre isso." Ye Lanshan não pretendia continuar essa conversa triste.
"Hum." Ye Yutian percebeu a tristeza no tom dela ao mencionar aquela pessoa.
"Você quer algum presente?"
"Hum?"
"Seu aniversário está chegando."
"Você falou e eu até esqueci. Na verdade, não quero nada em especial. Desde que seja você quem dá, vou gostar." Ye Lanshan deixou a tristeza de lado e começou a se animar.
Wan Ying, sozinha no quarto, não ouviu a conversa entre Ye Lanshan e Ye Yutian. Ela tremia toda, encolhida na cama, quando de repente uma imagem muito borrada surgiu em sua mente: ela estava deitada no colo de uma mulher muito bonita, e ao lado havia um homem muito agitado.
Ela tentou ver com clareza, mas a imagem passou num instante e nunca mais voltou.
A porta rangeu e se abriu de repente. Wan Ying, apavorada, puxou seu chicote e gritou com uma braveza falsa: "Quem é?"
"Sou eu. Não precisa ter medo, abre os olhos." Ye Lanshan suspirou e falou com doçura.
"Shan Luo, sabia? Eu estava com tanto medo. Naquela hora, por pouco não morri. Se não fosse o miado repentino de um gato que distraiu ele, eu teria morrido."
"Eu sei. Vamos, não fique nervosa. Comigo aqui, ninguém vai te machucar. Primeiro, tenta se lembrar devagar e me conta sobre o homem que você viu. Quais eram as características dele?" Ye Lanshan deu tapinhas nas costas dela, acalmando-a.
"Características? Lembro que a roupa dele era preta e branca. Ah, e eu machuquei o pulso dele. Deve ter marcas do meu chicote no pulso dele."
"Está bem, entendi. Vou encontrar essa pessoa. Depois, você pode fazer o que quiser com ele, ok?"
"Está bem. Vou despedaçar ele para compensar o susto que levei." Ao ouvir isso, Wan Ying pareceu reviver e falou com os dentes cerrados.
"Está bem, como você quiser."
"Shan Luo, por que você é tão boa comigo? Somos rivais, não deveria ficar mais feliz em me ver assim?" Wan Ying baixou os olhos e perguntou como quem não quer nada.
"Porque você se parece muito com uma velha conhecida minha." Ye Lanshan não hesitou em dizer.
"Posso saber como ela era? Para você se lembrar tanto dela, a ponto de tratar tão bem até alguém que se parece com ela."
"Ela..." Ye Lanshan riu, com os olhos cheios de tristeza. "Era uma pessoa muito ingênua e bondosa, muito viva e adorável. Parecia despreocupada, mas era sensível e guardava tudo no coração. Ela colocava seu amor em pequenos detalhes do dia a dia, sem que ninguém percebesse. Resumindo, era uma pessoa maravilhosa, impossível de descrever com palavras."
"Posso saber o nome dela?" Wan Ying perguntou calmamente.
"Que coincidência, o nome dela também tem o caractere 'Ying'. Ela se chamava Yu Ying, só difere de você pelo sobrenome." Ye Lanshan sentou na beira da cama e falou com suavidade, como se estivesse num momento de paz.
"Somos tão parecidas assim? Até no nome? Isso é realmente..." irritante.
"Sim, vocês não são apenas parecidas. São idênticas, como se tivessem saído do mesmo molde. Se não fosse pelo seu comportamento ser diferente, eu até pensaria que você é ela." Ye Lanshan a olhou com um olhar suave.
"E ela? Onde ela está?" Wan Ying perguntou impulsivamente.
"Ela morreu. Para me salvar, morreu nos meus braços." Ye Lanshan respirou fundo.
"Desculpe, eu não sabia. Mas espero que você entenda: eu sou eu, ela é ela. Somos pessoas diferentes." Wan Ying se arrependeu assim que fez a pergunta, mas realmente não gostava de ser tratada como substituta. Ela não era o reflexo de ninguém; era única.