“Cof, cof, cof, Xiao Kuang, estou bem agora, não preciso mais tomar pílulas, não se preocupe mais comigo. Veja, já consigo andar pela cama. Você, descanse tranquilo.”
No Pátio da Fênix, Ye Luotian deu um tapinha no ombro de Sikong Kuang, não querendo que ele se incomodasse mais. Ele conhecia seu próprio corpo; com aquela casca frágil, só estava ganhando tempo. Se sua cultivação não avançasse para um nível superior, não lhe restariam muitos anos de vida.
Mas se a maldição em seu corpo pudesse ser quebrada, ainda daria para viver mais um tempo. No entanto, como essa maldição poderia ser desfeita tão facilmente? Desde jovem ele tentava encontrar uma maneira de quebrá-la, até que Ye Feng foi capturado pelo Santuário, e ele nunca encontrou a solução. Acabou desistindo.
— Vovô, isso que você disse não está certo. Olha, você fala assim, tossindo e ofegante, como se estivesse bem? — Ye Lanshan não se conteve. Ela entrou rapidamente, mas esqueceu que sua aparência atual era algo que Ye Luotian nunca tinha visto. Felizmente, desde que Sikong Kuang fugiu para a capital, ele a vira na maior parte do tempo assim, e já sabia que a técnica de disfarce de Ye Lanshan era muito poderosa.
Então, quando Ye Luotian ia perguntar quem era aquele jovem senhor de aura etérea, Sikong Kuang sussurrou ao lado: — Esta é Ye Lanshan.
— O quê? — Ye Luotian pensou que não tinha ouvido direito e perguntou de novo, mas a resposta foi a mesma.
Não é possível, da última vez que Lanshan se disfarçou, ela era um estudante elegante. Como agora está assim?
— Sim, vovô, sou eu, Lanshan. Esta é apenas outra identidade minha. Vovô, não estou bonita assim? — Ye Lanshan assentiu. Sabia que Ye Luotian teria muitas perguntas, mas não podia respondê-las uma a uma naquele momento.
— Sim, bonita. — Ye Luotian respondeu rindo, com um brilho de carinho e ódio nos olhos.
Carinho por Ye Lanshan, que deveria ter sido criada no colo dos pais, mas agora não podia nem mostrar seu verdadeiro rosto, vivendo o tempo todo com uma máscara. Ódio pelo Santuário, que despedaçou sua família e ainda atormentava sua neta.
— Conversem devagar, não vou atrapalhar. — Yue Shu puxou Cang Zhu e Ye Jinlin para fora do pátio. Cang Zhu quis resistir, mas percebeu a atmosfera no local e seguiu obedientemente Yue Shu.
— Solte-me, eu sei andar sozinho. — Era difícil imaginar como uma criança tão pequena podia ter uma voz tão fria.
Mas para ele, que era doente desde pequeno e já tinha visitado muitos alquimistas por todo o continente, aguentar um pouco de frieza assim era mais do que suficiente.
— Quem são seus pais? Por que você fica seguindo ela? — Yue Shu soltou a mão de Cang Zhu e perguntou calmamente.
Embora a doença de Yue Shu estivesse curada, seu rosto ainda era pálido, parecendo inofensivo. Mas se alguém pensasse assim, estaria muito enganado. Embora parecesse gentil e despreocupado, na verdade era muito frio. Se o provocassem, a resposta seria uma vingança violenta. Nesse ponto, ele era muito parecido com Ye Lanshan.
— Quem são meus pais não é da sua conta, certo? — Os olhos de Cang Zhu brilharam com perigo, e a intenção de matar crescia. Fazia tempo que não matava ninguém; matar um agora para abrir o apetite não seria ruim.
Não, não pode. Se fizer isso, vai prejudicar o mestre. Não pode matar, não pode matar. Cang Zhu repetia mentalmente, com medo de perder o controle e libertar o demônio dentro de si.
Yue Shu viu Cang Zhu como se estivesse caindo em um transe, estendeu a mão para agarrar seu pescoço, mas a parou no meio do caminho. Já que Ye Lanshan o trouxe, devia ser alguém confiável. Embora ainda não soubesse qual era a relação deles, se machucasse o garoto, Ye Lanshan provavelmente o culparia.
Enquanto isso, Ye Lanshan conversava com Ye Luotian, contando tudo o que tinha vivido ultimamente, histórias interessantes, como ser uma alquimista divina e ter conquistado o Vale da Medicina e a Família Sikong.
— Espera, você está dizendo que Sikong Yanguang ajudou vocês? — No meio da conversa, Sikong Kuang a interrompeu, incrédulo de que Sikong Yanguang os tivesse ajudado.
— Sim, ele já se sentia culpado por você, e como estávamos usando seu nome, ele concordou em nos ajudar. — Ye Lanshan confirmou.
— Usando meu nome? Usando meu nome para quê? — Sikong Kuang ficou confuso. Culpa dos muitos assassinos ultimamente, que não lhe deram tempo para se informar.
— Na época, eu disse que era sua discípula, e assim consegui a ajuda e a atenção de Sikong Yanguang. — Ye Lanshan coçou a nuca, um pouco envergonhada.
— E Yun Di? Como ele está agora?
— Ah, Yun Di? Está bem, agora administra o Vale da Medicina, vivendo muito bem.
— Que bom, que bom. — Sikong Kuang finalmente se sentiu aliviado.
— Na verdade, se você quiser voltar ao Vale da Medicina, sempre será bem-vindo. — Ye Lanshan sabia que Sikong Kuang sempre sentia saudade do Vale.
— Não, estou bem aqui. Mesmo que volte, o que adiantaria? — Sikong Kuang balançou a cabeça, recusando.
O céu escureceu lentamente; em pouco tempo de conversa, já era noite. Acenderam o fogo com cuidado dentro de casa, como se temessem perturbar algo.
— Já que voltei, vocês não precisam mais andar com tanto cuidado. Quanto aos assassinos, fiquem tranquilos, deixo tudo comigo. — Ye Lanshan viu como eles faziam tudo com cautela e sentiu um aperto no coração.
— Está bem, está bem, tudo com você. — Ye Luotian sentiu um grande alívio.
— Mestre. — Cang Zhu entrou correndo, com o rosto dolorido, puxando a roupa de Ye Lanshan. A vontade de matar parecia incontrolável.
Ye Lanshan imediatamente recitou o mantra de acalmar a mente, só relaxando quando o rosto de Cang Zhu se aproximou da calma.
— Lanshan, quem é este? — Ye Luotian olhou para o menino que invadira de repente, perguntando a Ye Lanshan com dúvida.
— É meu discípulo. Vem, chama de avô mestre. — Ye Lanshan acariciou a cabeça de Cang Zhu.
Cang Zhu obedeceu, chamando docemente: — Avô mestre.
— Então ele é seu discípulo? — Nesse momento, Yue Shu também correu para dentro de casa, com medo de que Cang Zhu ofendesse Ye Luotian, mas ao chegar à porta, ouviu aquilo.
— Hum, sai um pouco, tenho algo a te perguntar. — Ye Lanshan viu Yue Shu com reação fria, cumprimentou o avô e puxou Cang Zhu para fora.
— Lanshan, o que quer perguntar? — Yue Shu estava confuso, sem saber no que tinha irritado Ye Lanshan.
— O que você disse ao meu discípulo? Ou o que fez com ele? — Ye Lanshan não estava brava com ele, mas queria entender o que tinha acontecido para desencadear o problema que Cang Zhu não tinha há muito tempo.