Capítulo 231: Capítulo 231 Coma

O mundo girou, e tudo ao redor foi escurecendo lentamente, até que ela desmaiou de dor. — Mestre... — Mestre... Entre os gritos alarmados de Ying Huarong e Yan Hu, Ye Lanshan caiu lentamente. Mesmo que eles tivessem usado a velocidade máxima, ainda não conseguiram segurá-la. Folhas negras ergueram-se suavemente, espalhando-se sobre seu manto azul-claro, destacando-se de forma marcante. Sangue vermelho escorria de sua pele alva, infiltrando-se nas folhas, que começaram a mudar de preto para vermelho, e o manto azul-claro também se tingiu de vermelho. Em pouco tempo, ela já estava coberta de sangue, como uma figura ensanguentada. — Mestre, acorde rápido! O que fazer, o que fazer? Eu não tenho nenhum elixir aqui. Mestre, acorde, por favor! — Ying Huarong ajoelhou-se ao lado de Ye Lanshan, falando sem nexo, desejando desesperadamente que ela abrisse os olhos logo. Mas Ye Lanshan não abriu os olhos. Em vez disso, outras bestas místicas começaram a chegar, atraídas pelo cheiro. Embora não houvesse bestas divinas entre elas, havia uma grande quantidade de bestas místicas de todos os tamanhos, e enfrentá-las já seria um grande desafio. Agora, Ying Huarong só podia se levantar e, junto com Yan Hu, formar um círculo de proteção, mantendo Ye Lanshan no centro. Ninguém notou que, sob aquela terra negra, estavam escondidos vermes sanguinários. Enquanto Ying Huarong e Yan Hu lutavam, uma enorme quantidade de vermes sanguinários emergiu debaixo de Ye Lanshan. Pequenos vermes, em grupos, rastejaram sobre seu corpo, tentando sugar seu sangue. Uma chama se espalhou do corpo de Ye Lanshan. Os vermes que estavam sobre ela desapareceram um a um, e o fogo alternou entre vermelho e dourado várias vezes, até finalmente voltar à cor comum de uma chama. Mas a temperatura subiu a um nível muito mais alto. Sim, desta vez a Chama do Lótus Vermelho havia evoluído novamente. Embora não tivesse atingido o auge, sua força só podia suportar esse nível. — Rugido! — Algumas bestas místicas começaram a temer a pressão do fogo e recuaram lentamente. Curiosamente, essas bestas místicas, que antes não tinham consciência, pareciam ter recuperado um pouco de sanidade desde aquele momento. — Que barulho. — Ye Lanshan franziu a testa e sentou-se no chão. A forte dor em seu corpo havia desaparecido, restando apenas um pouco de cansaço. Olhou para si mesma: onde estava a elegância de antes? Estava toda suja e imunda, sem um único lugar limpo. Ye Lanshan não suportou a sujeira por mais um segundo e imediatamente usou um feitiço de purificação. — Mestre, você acordou! Finalmente acordou! Sabe, esse desmaio me assustou de verdade! — Ying Huarong se jogou nos braços de Ye Lanshan, fazendo manha. Era essa a besta divina que, momentos antes, exalava uma aura assassina e impunha respeito a todas as bestas místicas? Agora parecia uma garotinha doce e inofensiva. — Claro que estou bem. — Ye Lanshan sorriu levemente, dando tapinhas nas costas de Ying Huarong para acalmá-la. — Mestre. — Em comparação com a imaturidade de Ying Huarong, Yan Hu era mais contido. Ye Lanshan encontrou seus olhos preocupados e sorriu suavemente: — Sim, estou bem. Vamos embora. — Hum. — Yan Hu virou-se e ficou atrás dela, protegendo-a enquanto seguiam. E na floresta silenciosa, com a tagarelice de Ying Huarong, ganhou-se mais vitalidade, diferente dos dias anteriores, que eram entediantes. Ye Lanshan, que antes preferia ambientes mais calmos, agora se acostumara com aquela agitação e com a conversa incessante de Ying Huarong. Ninguém notou que, por causa de seu sangue, algumas ervas negras começaram a se tingir de vermelho, e a fumaça venenosa que pairava no ar começou a desaparecer aos poucos. — Que incômodo. — No ar, uma figura começou a se materializar lentamente. Era um homem vestido de preto, e o próprio ar parecia tremer de medo com sua presença. Com um gesto de mão, as ervas que haviam se tornado vermelhas voltaram ao preto. E um murmúrio de admiração desapareceu no ar calmo: — Possuir duas bestas divinas, uma chama misteriosa e uma postura que poucos conseguem igualar... Que humano interessante. Mal posso esperar para duelar com você. Ye Lanshan, como se tivesse sentido algo, virou-se de repente para olhar, mas não viu nada, apenas algumas folhas negras caindo lentamente no chão. — O que foi, mestre? — perguntou Ying Huarong, curiosa. — Nada. — Ye Lanshan achou que poderia ser impressão sua. Aquele lugar era deserto; quem estaria a observando? Entre treinamentos que beiravam a vida e a morte, colhendo tesouros espirituais raros um após o outro, finalmente o esforço foi recompensado: ela avançou para o estágio de Imperador Místico, e sua energia espiritual estava quase pronta para romper para o estágio de Yuan Ying. Mas agora ela não tinha pressa. Afinal, avanços consecutivos exigiam estabilização. Quando saísse, poderia tentar romper de uma só vez. Naquele momento, ela não percebia que estava adentrando a parte mais central daquele reino, o lendário lugar onde bestas sagradas habitavam. Ervas e folhas verdes, flores silvestres desconhecidas e belas espalhadas por toda parte, com o ar perfumado pelo cheiro das flores. Bastava uma respiração profunda para se perder ali. Aquele lugar parecia normal, mas Ye Lanshan o achava ainda mais estranho. Afinal, em meio a uma região de árvores e ervas negras, um local de aparência comum já era, por si só, anormal. Quanto mais belo o lugar, mais perigoso — essa era uma lição que ela sempre conhecia, ainda mais num cenário tão estranho como aquele. Mas Ying Huarong claramente não tinha essa percepção. Encantada pela beleza do local, embora fosse uma besta divina, agia como uma criança, pulando, tocando e cheirando tudo ao redor. — Uau, quem diria que num lugar tão árido existiria um paraíso assim! — exclamou Ying Huarong, admirada. — Quanto mais bonito, mais venenoso. Melhor tomar cuidado. — Yan Hu, vendo Ying Huarong saltitante, levou a mão à testa. Meu Deus, como uma besta tão ingênua conseguiu sobreviver até se tornar uma besta divina? — Beladona, ginseng, cogumelo espiritual... Embora o lugar exalasse estranheza, a quantidade de ervas medicinais era imensa. Ye Lanshan cavava uma após a outra, colhia uma após a outra, e em pouco tempo, seu espaço estava abarrotado de ervas. — Amigo, acho que não é muito educado pegar as coisas dos outros sem permissão, não acha? — Uma voz grave e magnética veio de trás. Ye Lanshan virou-se rapidamente e viu um homem de roupas pretas, de aparência sedutora. Qualquer outra pessoa teria se perdido em sua beleza, mas Ye Lanshan permaneceu calma e serena. Seus olhos brilharam com um lampejo de admiração no início, mas não havia neles nenhum olhar lascivo ou de fascínio. Isso fez Su Qingche ganhar ainda mais simpatia por ela. Não apenas por seu talento impressionante, nem por possuir duas bestas divinas e uma chama misteriosa, mas principalmente por seu coração resiliente e forte, capaz de manter seus princípios básicos, sem se abalar nem mesmo diante de uma aparência como a dele.