Capítulo 210: Capítulo 210: Sikong Feihe

Diferente da seriedade de Lü Jidao, Ye Lanshan, de maneira desleixada, pegou o Caldeirão de Shennong e as ervas medicinais, separando-as uma a uma e organizando-as ao lado.

O que normalmente seria um processo tedioso e entediante de refinar elixires, em suas mãos parecia uma obra de arte, tão agradável aos olhos. Os jovens que antes a desprezavam agora a olhavam com admiração e fascínio—era tão belo, nunca tinham visto alguém refinar elixires com tamanha elegância.

Lü Jidao, observando-a com o canto do olho enquanto ela refinava com graça, sentiu ainda mais inveja e se esforçou ainda mais em seu próprio elixir.

Um aroma de ervas se espalhou, o elixir estava pronto. Lü Jidao sorriu com orgulho; desta vez, a qualidade do elixir era melhor do que os anteriores, quase alcançando o sexto grau.

Já Ye Lanshan continuava a refinar calmamente, sem pressa. O elixir que ela estava preparando era mais complexo, por isso exigia mais tempo.

De fato, este elixir era feito para aqueles que cultivavam tanto a energia espiritual quanto a força mística. Não existia nem aqui, nem mesmo no reino da imortalidade—era uma criação completamente sua.

Para ser sincera, não eram muitos os elixires que ela realmente havia pesquisado por conta própria, afinal, mesmo no reino da imortalidade, refinar elixires não era sua especialidade. Mas agora, cultivando tanto a força mística quanto a imortalidade, precisava desenvolver um novo elixir que pudesse repor rapidamente ambas as energias.

Embora fosse a primeira vez que refinava esse elixir, ela não se apressava. Mantinha-se serena e tranquila, como sempre. Realmente, um gênio é um gênio—mesmo com um elixir novo, ela o transformou em um elixir divino.

Trovões ribombaram, e um relâmpago caiu diretamente sobre o Caldeirão de Shennong, mas ele não temia os raios—nem uma marca ficou.

O aroma do elixir se espalhou por todo o pátio. Era realmente um elixir divino. Antes pensavam que fosse boato, mas agora era verdade—ele era realmente um mestre em elixires divinos.

"Eu venci. Agora é hora de cumprir sua promessa." Ye Lanshan guardou o elixir em um frasco, recolheu o Caldeirão de Shennong, levantou-se, limpou a poeira que nem existia, e ficou diante de Lü Jidao.

Os olhos de Lü Jidao mostraram incredulidade. Como era possível? Como ele poderia realmente ter refinado um elixir divino? Por mais que não quisesse acreditar, o fato estava ali, inegável.

"Eu..."

Lü Jidao queria voltar atrás, mas Ye Lanshan parecia ler sua intenção. Seus olhos calmos ganharam um toque de frieza e pressão, fixando-se nele, sem permitir um "não".

"Um homem de verdade, você não vai querer voltar atrás, vai?" Não se pode negar que Cangzhu acertou em cheio. Lü Jidao até pensava nisso, mas não ousava dizer em voz alta, pois ali estava também o temível Sikong Feihe. Mesmo que lhe dessem dez vezes mais coragem, ele não ousaria falar em desistir.

Ele apenas murmurou: "Tenho muitas coisas no meu quarto, deixe-me arrumar por dois ou três dias. Depois disso, entregarei todos os meus bens a você."

"Hum, você se chama Zhou Zizhi, não é? Fique de olho nele. Se tentar fugir ou esconder algo, me avise."

"Ah..."

Zhou Zizhi, que foi chamado, ergueu o rosto corado, um pouco surpreso, como se não esperasse que Ye Lanshan mencionasse seu nome.

Ye Lanshan repetiu o que disse, e Zhou Zizhi finalmente se recuperou.

"Sim, certo, pode deixar isso comigo. Vou fazer tudo direitinho e pegar todos os bens dele para você." Ele bateu no peito, garantindo.

"Você." Lü Jidao o olhou com ódio. Se não fosse pelo temível ali presente, ele já teria arrancado pedaços de carne de Zhou Zizhi.

Claro, Zhou Zizhi também revidou o olhar, sem se intimidar.

"Eles já foram, você ainda não vai?" Ye Lanshan olhou com um pouco de irritação para Sikong Feihe, que estava recostado preguiçosamente no batente da porta.

"Por que eu iria embora? Me dê um motivo para eu ter que ir." Sikong Feihe disse com um tom provocador, apoiado na porta.

"Já que quer ficar, fique." Ye Lanshan puxou Cangzhu e entrou na casa.

"Você está dizendo que Yun Di sofreu um atentado no Vale das Ervas?" Ye Lanshan franziu a testa ao ouvir a urgência de Cangzhu.

Quem queria matá-los? A primeira leva de assassinos foi eliminada, e outra já veio. Mas, pensando bem, a maior suspeita recaía sobre a família Sikong, mas Sikong Cheng e os outros não conseguiriam reunir tantos assassinos em tão pouco tempo.

"Ei, eu sou tão assustador assim que você nem quer olhar para mim?" Sikong Feihe estava entediado do lado de fora, mas não ousava invadir, com medo de causar uma má impressão em Ye Lanshan, então só podia gritar.

"Se você não falar, ninguém vai te achar mudo. E se você é bonito ou não, o que isso tem a ver comigo?" Ye Lanshan saiu e o olhou de relance, sem demonstrar a irritação interna, mas Sikong Feihe conseguia sentir sua inquietação.

"O quê, tem algum problema? Conte para mim, talvez eu possa ajudar." Sikong Feihe disse enquanto tirava a máscara. O que estava escondido sob ela era um rosto tão sedutor e belo, com olhos de pêssego encantadores e um sorriso malicioso, capaz de tocar a alma de alguém. Bastava vê-lo uma vez para gravá-lo profundamente na memória.

Essa malícia era diferente da de Mo Ran. Mo Ran era desenfreado, como o vento, enquanto ele, lutando entre a luz e a escuridão, havia absorvido o preto mais puro do mundo, mas mantinha um toque do branco mais inocente, como se a malícia fosse apenas uma camuflagem.

"Desculpe, não somos íntimos." Ye Lanshan disse com distância e frieza. Seus olhos mostraram um lampejo de admiração, mas em sua mente surgiu o rosto de Ye Yutian. Ela balançou a cabeça—o que estava acontecendo? Por que pensava nele sem motivo?

"Meu nome é Sikong Feihe."

Sikong Feihe também era da família Sikong? Qual era o propósito dele ao se aproximar? Queria matá-la, ou transformá-la em uma deles? Ou talvez usar ela para descobrir o paradeiro de Sikong Kuang?

Vários pensamentos passaram pela mente de Ye Lanshan. O que ela não imaginou foi o quanto Sikong Feihe odiava a família Sikong, nem que ele realmente só queria fazer amizade com ela.

"Agora somos íntimos. Pode me contar o que aconteceu."

Sikong Feihe parecia não notar seu olhar defensivo, erguendo levemente seus olhos de pêssego, com um ar irreverente.

"Nós nos vimos apenas uma vez. Sua gentileza só me faz suspeitar de suas intenções."

Ye Lanshan disse isso como se fosse por acaso, com um olhar distraído. Mas, se observasse com atenção, veria que seus olhos estavam muito focados nas microexpressões faciais de Sikong Feihe.

Infelizmente, Sikong Feihe também era alguém que não demonstrava emoções facilmente—seu rosto não mostrava a menor mudança.