— Sério? Não me lembro dela. — Yue Shu deitou-se no chão por mais um tempo antes de se levantar lentamente. — Isso você vai ter que perguntar a ela. — Ye Lanshan olhou para o remédio ainda em sua mão e disse friamente: — Se não tomar logo, seu corpo realmente não terá mais cura. Yue Shu olhou para o remédio na mão com indiferença, um lampejo de complexidade em seus olhos, e no fim o colocou na boca. — Hã? Doce? Tem certeza de que não é uma bala? — Yue Shu arregalou os olhos surpreso. O que ele achava que seria uma pílula amarga tinha um sabor adocicado, como uma bala deliciosa. — Você não acha que as pílulas tradicionais são amargas demais para engolir? Por isso, nenhuma das pílulas que eu refino é amarga. — Ye Lanshan, embora já tivesse visto inúmeros belos homens em sua vida, nunca encontrara alguém como Yue Shu, que parecia não pertencer a este mundo. Seu rosto um tanto doentio, combinado com seus olhos puros, realmente a fascinava. Claro, não era uma fascinação romântica, mas sim uma sensação relaxante e agradável, como a de uma alma gêmea, como se naquele momento ela pudesse revelar até os segredos mais profundos de seu coração sem reservas. Ye Lanshan nunca havia experimentado uma sensação tão confortável antes. — Quem diria que a Srta. Ye tem tanto talento para a alquimia, capaz de criar pílulas de sabor doce. — Yue Shu, mesmo sendo normalmente imperturbável, não conseguiu esconder um pouco de surpresa. — Você me elogia demais. — Ye Lanshan ajudou Yue Shu a se levantar, mas ao olhar ao redor, não sabia onde colocá-lo. — Vocês não iam destruir o clã Yue? Por que estão me salvando? — Yue Shu, depois de engolir a pílula, não sentiu a dor intensa que esperava; pelo contrário, seu corpo ficou muito mais leve. — Bem, você nunca me fez mal, por que eu te mataria? — Ye Lanshan o olhou estranhamente. Será que hoje em dia alguém queria se entregar de bandeja? — Guardarei essa dívida de vida. Um dia, retribuirei. — Yue Shu, embora ainda fraco, insistiu em andar sozinho. — Mas sua vida ainda não foi salva, como pode falar em retribuição? Yue Shu parou no meio do passo, envolvido por um constrangimento. — Chega. Venha comigo para a mansão Ye. Assim, posso tratar você com mais facilidade. Se Yue Jinghong atacar, ainda posso usá-lo como refém. Yue Shu deu um sorriso amargo: — Você está enganada. Yue Jinghong mal pode esperar para me matar; como se importaria se estou em suas mãos? Ye Lanshan não ligou para isso. Desde que curasse a doença dele, estava tudo bem. Quanto ao que disse, foi só um comentário casual, sem necessidade de levar a sério. Embora Yue Shu fosse um "doente bonito", sua velocidade não era lenta. Parecia frágil, mas era tão firme quanto um bambu. Em menos de um quarto de hora, Ye Lanshan trouxe Yue Shu para a mansão Ye. — Fique aqui tranquilo para se recuperar. Se não confia na minha habilidade médica, ao menos confie na de Sikong Kuang. — Ye Lanshan o ajudou a deitar na cama e puxou Sikong Kuang para perto. Sikong Kuang estava originalmente refinando pílulas para os discípulos dos clãs Ye e Mu, mas foi arrastado por Ye Lanshan até a cama de Yue Shu no meio do caminho. Agora, só restavam Ye Jinlin e alguns alquimistas do clã Mu para segurar as pontas. — Quem é este? — Sikong Kuang olhou confuso para o jovem doentio na cama. — Ah, ele é Yue Shu, o terceiro príncipe. — Ye Lanshan apresentou a identidade de Yue Shu com despreocupação. — Yue Shu? O terceiro príncipe? Não é seu inimigo? Por que salvá-lo? Sikong Kuang nunca tinha visto alguém trazer um inimigo para casa para tratar. — Ele não é um inimigo. Todos do clã Yue podem ser mortos, menos ele. Na verdade, Ye Lanshan mantinha sua vida por um propósito próprio, como obter o Ferro Vítreo dele. Mas, claro, ela não seria tola a ponto de pedir à força; queria que ele o desse de bom grado, para ter uma sensação de realização. Além disso, com a sintonia magnética entre eles, ela não o mataria. — Isso não é uma doença, é veneno. — Sikong Kuang percebeu na hora. Realmente, ele era o ex-líder do Vale da Medicina. — Eu sei que é veneno. Mas não tenho tempo para refinar o antídoto agora, então vou deixar com você. Ye Lanshan sabia que era veneno, e não um veneno comum. Parecia vir desde o ventre materno, o que indicava outra conspiração, mas isso não era problema dela. — Esse veneno é difícil de desfazer. Receio não ter capacidade para isso. — Sikong Kuang franziu a testa, parecendo realmente sem solução. — Mentira. Nem você consegue curar isso? — Ye Lanshan já tinha sentido o pulso dele antes. Embora o veneno viesse do ventre, não era impossível de desfazer. Só que ela tinha preguiça de fazer experimentos para analisar e encontrar as pílulas correspondentes para refinar o antídoto. — Não o culpe. Meu veneno é incurável. — Yue Shu falou calmamente, sem decepção na voz, mostrando que já não tinha esperanças desde o início. — Quem disse que é incurável? Todo veneno tem um antídoto. O seu pode ser um pouco mais complicado, só isso. — Está falando sério? — Claro que sim. Fique tranquilo. Eu disse que vou curá-lo, e vou cumprir. Olhando para o rosto confiante, calmo e determinado de Ye Lanshan, o coração de Yue Shu, que há muito estava morto, começou a se aquecer lentamente, e uma centelha de esperança surgiu. Ele já havia perdido toda a esperança de desintoxicação. No continente de Yuhun, visitara todos os alquimistas que podia, mas ninguém conseguia curá-lo, quanto mais aqui. Ele até pensara que talvez houvesse alquimistas mais poderosos aqui, mas depois de tantos anos, a resposta sempre era: "Este veneno é incurável." Não esperava que, quando já não tinha mais esperanças para seu corpo debilitado, uma mulher aparecesse e dissesse com firmeza: "Todo veneno tem antídoto. O seu pode ser um pouco mais complicado, só isso." Como não se surpreender, como não se espantar? Ye Lanshan, vendo seu olhar parado e distante, balançou os dedos na frente dele: — Ei, acorde. É só que seu veneno pode ser curado. Tanta surpresa assim? Até Sikong Kuang arregalou os olhos: — Você é alquimista? — Claro. E daí? — Ye Lanshan o olhou estranhamente. O que tinha de tão surpreendente em ser alquimista? — Se você é alquimista, por que me pediu para tratar os meridianos de Ye Yu? — Porque não sou boa em medicina e não consigo refinar pílulas para curar meridianos. Mas meu estudo sobre venenos e antídotos é muito aprofundado. Ye Lanshan nunca imaginou que um dia viria para este continente e, em poucos dias, alguém teria os meridianos feridos. Ela nunca tinha lidado com isso antes. — E qual é o seu nível como alquimista? — Isso... não sei. Nunca medi. — A resposta de Ye Lanshan foi tão vaga que quase não respondeu nada.