A menina, ao perceber que havia sido descoberta, nem se sentiu constrangida. Desceu da árvore com agilidade e se agachou ao lado do caldeirão, quase deixando cair saliva dentro dele.
— Quem é você? Por que estava na árvore? — Ye Lanshan puxou a menina pela mão e a trouxe para perto de si.
— E você, quem é? Por que escolheu este lugar para me tentar? — A menina ainda olhava fixamente para o caldeirão, ansiosa para comer a carne que estava cozinhando.
— Você quer muito comer? — Ye Lanshan achou graça da expressão gulosa dela.
— Ei, você ainda não me respondeu! Por que está me tentando aqui? — A menina reclamou, insatisfeita por ela não ter respondido direito.
— Não estou tentando você aqui. Isso foi feito por mim para eu mesma comer. Mesmo que você queira, não vou deixar tão fácil. — Por algum motivo, Ye Lanshan queria provocar a menina.
— Vou te dizer: comer sua comida é uma honra para você. Se fosse de outra pessoa, eu nem aceitaria! — A menina ergueu a cabeça com orgulho, numa pose arrogante.
— Não passa de uma Águia do Vento Veloz, e se acha tão especial assim? — Shangguan Xin, sentada ao lado, falou com elegância, mas suas palavras eram cheias de desdém.
— Já que você sabe que sou uma Águia do Vento Veloz, deveria saber que agora sou uma besta divina, uma besta divina! — A menina arregalou os olhos, incrédula ao ver que Shangguan Xin, mesmo sabendo que ela era uma besta divina, a tratava com tamanho desprezo.
Ye Lanshan ficou surpresa ao saber que ela era uma besta divina, mas logo se acalmou. Afinal, ela mesma tinha a Fênix, uma besta divina ancestral, e não se interessava muito por bestas comuns.
— É só uma besta divina, precisa fazer tanto alarde? — Ye Lanshan tinha um brilho calculista nos olhos. Embora já tivesse a Fênix ancestral, quem rejeitaria mais bestas divinas sob contrato?
— Você sabe o que é uma besta divina? Acredita que, se eu bater o pé, milhares de pessoas virão me bajular? E várias bestas místicas obedecerão às minhas ordens? — A menina achava que aquelas duas eram as pessoas mais estranhas que já conhecera.
Outros humanos, ao vê-la, ou a temiam, ou queriam possuí-la, ou a bajulavam de todas as formas. Diferente dessas duas, que, mesmo sabendo que ela era uma besta divina, permaneciam tão calmas e até desdenhosas.
— Ah, e daí? — Ye Lanshan mexia a sopa no caldeirão com uma colher e adicionava alguns temperos.
— Já que sabe que sou uma besta divina, por que não me oferece logo esta sopa? — A menina, de olhos fixos no caldeirão, sentia o estômago roncar.
— Não nos conhecemos, por que eu daria a sopa para você? — Ye Lanshan a olhou com estranheza.
— Me chamo Ying Huarong. Agora nos conhecemos, então posso comer, né? — Sem esperar a resposta de Ye Lanshan, a menina correu para o lado do caldeirão e estendeu a mão para pegar a carne.
— Espera, eu disse que você pode comer? — Ye Lanshan a puxou de volta para longe do caldeirão.
— Ei, o que isso significa? Já nos conhecemos e você ainda não me deixa comer? — Ying Huarong começou a se irritar, franzindo os lábios prestes a explodir de raiva.
— Eu nunca disse que nos conhecemos? — Ye Lanshan não demonstrava medo. Mesmo que Ying Huarong fosse uma besta divina, e daí? Ao seu lado, Shangguan Xin era uma criatura demoníaca; nem a Fênix ancestral seria páreo para ela, quanto mais uma besta divina comum como aquela.
— Então o que preciso fazer para nos conhecermos? — Ying Huarong, pelo bem daquela refeição, conteve a raiva.
— Me dê cinquenta pedras místicas, e esta refeição será por minha conta. — Ye Lanshan deixaria ela comer tão fácil? Claro que não. Aquilo era apenas uma isca; precisava de linha longa para fisgar aquele peixe.
— Isso? Onde vou arrumar tantas pedras místicas? Você está me forçando a fazer algo impossível. — Ying Huarong pensou por um bom tempo até perceber que Ye Lanshan queria dinheiro, e cinquenta pedras místicas por uma refeição era um roubo. Comida tão cara assim?
— Veja bem, você não é minha, nem quer pagar, por que eu daria comida de graça? Mas já que temos algum destino, posso deixar você provar um gole. — Ye Lanshan falou com indiferença, como se realmente não achasse que uma besta divina fosse algo tão raro ou poderoso.
— Então, se eu me tornar sua, poderei comer essas delícias todos os dias? — Ying Huarong, depois de tomar um gole da sopa, estalou os lábios, ainda com vontade de mais.
— Claro, nunca trato mal os meus. — Ye Lanshan sorriu levemente, sabendo que ela havia mordido a isca.
— Sendo assim, quero fazer um contrato com você. — Ying Huarong agarrou o dedo dela e mordeu.
— Ei, não era para eu ser a dona e você a serva? Por que está ao contrário? — Após o contrato, Ying Huarong ficou confusa. Ela pensava que, ao assinar o contrato, seria a dona e poderia ordenar que Ye Lanshan fizesse o que quisesse. Como acabou se tornando a serva? Que estranho.
— Isso é estranho? Humanos e bestas místicas não fazem contratos com humanos como donos e bestas como servos? — Ye Lanshan também ficou intrigada. Em sua memória, todos os contratos de dono e servo tinham humanos como donos.
— Só você pensa assim. Na verdade, quando a diferença de poder é grande, o lado mais forte tem o direito de ser o dono. Mas sua constituição é diferente, não pode ser comparada a pessoas comuns. — Shangguan Xin começara a pensar em fazer um contrato de dono e servo com ela, mas depois viu que não funcionava e optou por um contrato igualitário.
— Então é assim? — Ye Lanshan assentiu, compreendendo.
— Agora posso comer? — Ying Huarong hesitou por um momento, mas logo deixou de lado a confusão. Afinal, nada era mais importante que comer naquele momento.
— Claro, coma à vontade.
Agora que Ying Huarong era sua besta contratada, Ye Lanshan não seria mesquinha a ponto de não deixá-la comer.
No entanto, logo se arrependeu. A garota tinha um apetite assustador; devorou todo o caldeirão de sopa, sem deixar nada para Ye Lanshan provar.
— Desculpa, foi mal. A sopa estava tão gostosa que não consegui parar. — Ying Huarong, com olhos marejados, olhou para Ye Lanshan, que exalava uma aura gélida, sentindo-se injustiçada.
— Só um pedido de desculpas resolve? — Ye Lanshan bufou friamente, e a aura gélida se intensificou.
Ying Huarong, cautelosa, perguntou: — Então, que tal eu pegar outra para você?
— Isso já é melhor. Lembre-se, se encontrar alguma galinha ou algo assim, traga uma também. — A expressão de Ye Lanshan finalmente suavizou.
— Certo, vou agora mesmo! — Num piscar de olhos, Ying Huarong desapareceu diante deles.
— Embora essa besta divina seja muito burra, conseguir capturá-la sem esforço mostra que você tem talento. — Shangguan Xin, que antes só havia feito o contrato por causa da profecia de Wu Jiao sobre a escolhida do destino, agora sentia uma certa admiração por ela.