Capítulo 86: Capítulo 86: O Tio Shen Xiaoxing

An Ro limpou a poeira da roupa. O homem estava sendo puxado pelo colarinho por Han Chong, o rosto inchado como o de um porco, todo arroxeado e sangrando, gemendo de dor no chão. "Levanta a cabeça." A luz aqui era muito fraca. Ela ligou a lanterna do celular e iluminou o rosto roxo do homem. Han Chong puxou o cabelo do homem. "Mandei levantar a cabeça, você não ouviu, porra!?" O homem gemeu enquanto era puxado para erguer a cabeça. An Ro franziu levemente a testa — era claramente um rosto desconhecido, ela não o conhecia! "Eu não tenho nenhuma rixa com você, por que você quer me machucar?" Han Chong deu um chute na bunda dele e xingou: "Surdo? Fala!" "Alguém quer a sua vida, eu só estou fazendo pelo dinheiro..." O temperamento explosivo de Han Chong veio à tona, e ele começou a socá-lo e chutá-lo novamente, até que o homem ficou imóvel no chão. An Ro rapidamente o impediu. "Já chega. Se continuar batendo, vai matar ele." Han Chong cuspiu: "Ele ousou mexer com você, morrer não é o suficiente!" An Ro ficou com uma expressão atônita, sentindo que o temperamento explosivo dele rivalizava com o de Shen Xiaoxing. Ela disse com voz calma: "Leva para a delegacia. Quero saber quem quer tanto a minha vida." Han Chong abriu a porta do carro para ela, depois amarrou o homem e o jogou no porta-malas, para evitar que ele fugisse no meio do caminho. An Ro sentou no banco de trás, sua mente rapidamente relembrando quem ela havia ofendido recentemente. Mas pensando bem, ultimamente ela só estava ocupada com a competição, sem contato com outras pessoas. Será que era alguém da empresa? Quem a atacou provavelmente era a mesma pessoa que armou para Song Weiwei na competição. Será que foi porque ela chamou a polícia, tocando no ponto sensível do outro, que ele resolveu matá-la? Han Chong a observou pelo retrovisor, vendo seu nariz vermelho e ela de cabeça baixa, sem falar nada. Achou que ela estava assustada com o que aconteceu e quis encontrar alguma piada engraçada para animá-la. "Senhora." An Ro levantou a cabeça. "Hã?" "Quer que eu conte uma piada?" Han Chong sorriu timidamente, coçando a nuca. "Se não for engraçada, me desculpe." An Ro sorriu levemente. "Tá bom, pode contar." "Um jovem soldado recebeu uma carta de casa. Quando abriu o envelope, só tinha uma folha em branco. O amigo perguntou o que houve. O soldado disse: 'É o seguinte: antes de eu sair de casa, briguei com minha noiva, e desde então, nenhum de nós fala com o outro.'" Depois de contar, Han Chong, que tem um limiar de riso baixo, caiu na gargalhada. "..." An Ro piscou os olhos. Depois de alguns segundos, riu duas vezes para acompanhá-lo: "Bem engraçado." Que frio. Essa piada sem graça fez até ela tremer duas vezes. ... Tang Beiqiu estava ocupado investigando o caso. No jantar, ele se virou com um miojo, comendo enquanto lia os arquivos. Um policial avisou que Han Chong e An Ro trouxeram um criminoso. Duas vezes no mesmo dia, Tang Beiqiu ficou confuso: "Senhorita An, já comeu?" An Ro deu um sorriso sem graça. "Se não comeu, vou preparar um miojo para você." "O inspetor Tang está tão ocupado que janta só miojo?" "Eu vivo de forma simples, qualquer coisa serve." Tang Beiqiu parou de brincar com ela. "Se realmente não comeu, vou achar um restaurante por perto..." "Não precisa, ainda tem alguém me esperando em casa." Estava esperando o tio Shen Xiaoxing, né? Entendi, ele entendeu. Tang Beiqiu limpou a boca, olhou para o grandalhão que Han Chong segurava, ergueu uma sobrancelha: "O que houve?" An Ro explicou toda a história. Tang Beiqiu pensou por um momento e mandou eles irem para a sala dos fundos fazer o depoimento. O grandalhão se recusou a revelar quem estava por trás. Tang Beiqiu só aconselhou An Ro a tomar mais cuidado ultimamente, não andar na rua à noite e, depois do trabalho, ir por lugares movimentados. Quando saíram da delegacia já eram oito e meia da noite. An Ro rapidamente mandou Han Chong pegar o carro. Shen Xiaoxing devia estar esperando por ela há muito tempo! Tang Beiqiu sorriu e acenou para os dois no carro: "Vão devagar, hein." An Ro fechou o vidro do carro e sorriu: "Esse inspetor Tang é muito simpático. Na minha impressão, gente da área deles não deveria ter cara séria, interrogando criminosos o dia todo até ficar irritado. Nunca imaginei que ele fosse tão amigável." Han Chong olhou pelo retrovisor e deu um sorriso amarelo. Ele queria muito dizer que Tang Beiqiu estava puxando o saco dela por causa do favor que o patrão fez. Vila à beira-mar. O mordomo Xu viu os dois voltarem e imediatamente se aproximou para pegar a bolsa dela. "Senhora, por que voltou tão tarde hoje?" "Tive um imprevisto no caminho." "O patrão está no quarto esperando você para jantar." An Ro se virou e subiu as escadas. "Põe a comida na mesa. Vou chamá-lo para comer." "Pode deixar." No quarto, o homem estava sentado na cadeira de rodas ouvindo o noticiário no rádio. An Ro entrou silenciosamente. Vendo o homem reclinado no encosto, de olhos fechados descansando, ela estendeu a mão e pegou o rádio do colo dele, desligando o som. "Você voltou." A voz dele era firme. A garota hesitou por um momento, colocou o rádio na mesa e puxou um cobertor para cobrir as pernas dele: "Desculpa, voltei tarde de novo hoje." "Que horas são agora?" "Nove e treze." Ela tinha prometido solenemente voltar antes das nove. "Não atrasou muito." O homem ergueu a mão. An Ro instintivamente estendeu a mãozinha, e ele a segurou firme, soprando ar quente: "Está frio na rua?" "Não." "Eu estava esperando por você." An Ro sentiu uma sensação estranha no peito. Ela mordeu levemente o lábio. "Desculpa..." "Por que fica pedindo desculpa?" "Eu sempre faço você esperar até tão tarde..." O homem de repente puxou com força, e An Ro caiu no colo dele, assustada, dando um sobressalto. Quando tentou se levantar, foi apertada por dois braços: "Não é meu dever esperar por você?"