Capítulo 799: Capítulo 799 Extra: Macio Rio Estelar (40)

O homem a envolveu por trás, o rosto bonito apoiado na nuca dela, sentindo-se culpado no coração: "Desculpa, hoje voltei tarde."

"Não tem problema, pelo menos não trabalhei até de noite." O espelho do exaustor refletia o sorriso tímido e feliz da garota. "E acho que não é tão tarde assim."

O coração de He Su se aqueceu, uma imensa felicidade o envolvia, então ele apertou um pouco mais os braços ao redor dela.

"Tão boa comigo, como vou te recompensar?"

"Não quero recompensa..."

"Não, tem que ter recompensa." Ele sorriu maliciosamente. "Levanta a cabeça, vou te dar um beijo."

"..."

He Su pegou o trabalho que ela estava fazendo, levou os pratos para a mesa, e os dois ainda abriram um pouco de vinho para celebrar.

"Que venham muitos anos juntos, Senhorita Shen."

"Tem que se comportar bem, Doutor He."

Enquanto erguiam os copos, sorriram ao mesmo tempo, com uma felicidade que não conseguiam esconder nos olhos.

Depois de comer, He Su ficou responsável por limpar, enquanto Shen Xingrou tinha um pouco de trabalho urgente para finalizar, enviando os últimos arquivos para a editora-chefe.

Agora que estavam juntos, He Su não precisava mais dormir no sofá ou no chão, deitado na cama como se tivesse recebido um favor especial.

Quando Shen Xingrou saiu do banheiro, ele estava mexendo no celular, conversando com alguém, com uma expressão entre o constrangimento e o sorriso malicioso.

"Está falando com o Doutor Lu?"

"Seu irmão." Ao vê-la sair, o homem jogou o celular de lado sem hesitar.

Shen Xingrou ficou surpresa. "Meu irmão? Então ele..."

"Ele sabe." He Su, constrangido, coçou a ponta do nariz com o dedo indicador, parecendo desconfortável.

"Ah, então ele... disse alguma coisa?" Shen Xingrou de repente lembrou que tinha prometido a An Ruo voltar para Shencheng, mas estava sempre adiando a visita.

"Ele ficou muito feliz, nos abençoou." Ao dizer isso, He Su sentiu um aperto no coração.

"A propósito, você disse que o Senhor Colega Xiao veio hoje?"

"Sim, mas ele disse que tinha um compromisso e foi embora. Vir jantar em casa era só uma brincadeira, ele só queria me ajudar com as compras pesadas." Com medo de que ele ficasse bravo, Shen Xingrou se apressou em explicar: "Ele ficou só um pouquinho e foi embora rápido."

"Por que tanta pressa em se explicar?" He Su levantou a mão e acariciou a cabeça dela. "Ainda tenho que agradecer a ele por te ajudar. Da próxima vez, não carregue coisas tão pesadas sozinha."

Shen Xingrou ergueu as sobrancelhas. A primeira reação dele não foi ficar com ciúmes de Xiao Chuan ajudá-la, mas sim se preocupar com ela?

Isso realmente parecia algo que um namorado faria.

He Su tomou banho rápido e voltou para a cama, abraçando-a por trás. "Antes eu não tinha o direito de dormir te abraçando, agora finalmente realizei esse desejo."

Shen Xingrou encostou o rostinho no peito dele, sentindo o cheiro limpo e levemente de desinfetante. "He Su, você realmente... gostava de mim desde muito cedo?"

"Não acredita em mim?"

"Não é isso, só acho que..." Shen Xingrou mordeu o lábio. "Na primeira vez que nos vimos, eu só tinha dezessete anos."

Ainda era menor de idade, e ele já tinha esse pensamento?

Antes que o homem respondesse, um toque não muito forte bateu na testa dela.

O homem riu incrédulo: "Como poderia ser naquela época?"

Ele riu. "Você era tão má antes, ou jogava pedras em mim, ou armava contra mim. Naquela hora, só queria te pegar e dar uma surra."

"..."

Isso era verdade.

A primeira vez que se conheceram, foi quando He Su estava infiltrado ao lado de Shen Tingfeng como um agente disfarçado para Shen Xiaoxing. Na época, Shen Xingrou não sabia de nada, só via Shen Tingfeng mandando ele armar várias ciladas contra Shen Xiaoxing, que tinha problemas nas pernas. Para proteger o irmão mais velho, ela naturalmente não facilitava as coisas para ele.

Naquela época, He Su era, aos olhos dela, um vilão que faria qualquer coisa por dinheiro.

Shen Xingrou sorriu. "Então por que você não me bateu?"

"Tinha vontade, mas não coragem." Ele sorriu profundamente. "Além disso, se tivesse te batido, teria chance de te abraçar para dormir agora?"

Isso também era verdade.

Se ele tivesse sido pior no primeiro encontro, provavelmente não teria conseguido conquistar a bela moça agora.

"E depois?" Ela parecia uma menina prestando atenção na aula.

"Depois..." He Su olhou para o teto, pensando por um momento. "Descobri que, sempre que via alguém do sexo oposto se aproximando de você, sentia ciúmes incontroláveis, e foi aí que soube que estava apaixonado por você."

"..."

"Especificamente quando... foi há uns cinco anos. O dia exato, não me lembro."

Shen Xingrou ficou surpresa. Eles se conheceram quando ela tinha dezessete anos, se apaixonaram quando ela fez vinte e quatro, e ele já estava apaixonado por ela há cinco anos.

Cinco anos atrás, muitas coisas aconteceram. Naquela época, o pai Shen Yu e o irmão Shen Tingfeng ainda estavam vivos, e eles não tiveram muitas oportunidades de conviver.

Shen Xingrou o abraçou mais forte. "Não imaginava que você já gostava de mim há tanto tempo?"

O homem a envolveu com um braço. "E você? Quando se apaixonou por mim?"

"Hmm... um pouco depois de você. Acho que foi na época em que estávamos na sua cidade natal no interior."

Naquela época, He Su, para cumprir a promessa de proteger Shen Xingrou feita a Shen Xiaoxing, a levou, junto com Fang Yingxue, para longe de Shencheng, passando um período inesquecível no interior simples.

Ela adorava aquele estilo de vida rural, acordar com o sol e descansar com o pôr do sol, uma casa, um gato, um cachorro, escolher alguém para envelhecer juntos...

Naquela época, os avós dele no interior a tratavam como neta de verdade. O avô, já idoso mas ainda forte, era um médico tradicional chinês que frequentemente aplicava acupuntura para acalmar a instável Fang Yingxue.

A avó fazia muitas comidas deliciosas para ela. Muitos moradores simples do interior também eram muito bons com elas, vizinhos se ajudavam, e ela realmente ansiava por aquele tipo de vida.

No interior, eles tiveram muito tempo juntos, subindo montanhas com o Avô Cen (nome original de He Su, Cen Jiayu) para colher ervas, cavar brotos de bambu, colher frutas... Várias vezes pegaram tempestades e ficaram presos em cavernas, ela tremia de frio encostada nele...

Pensando bem, ao longo desses anos, embora nunca tivessem expressado claramente seus sentimentos, estavam constantemente presentes na vida um do outro.

Já era um hábito.

"Se tivéssemos confessado nossos sentimentos um ao outro mais cedo, teria sido melhor."

Não teria havido tantos mal-entendidos e coisas desagradáveis.

Entre eles, ainda houve um ano de silêncio, onde ela até fugia quando o via.

O homem que a abraçava falou com a voz levemente rouca: "Fui covarde."

Sempre achou que havia muitas coisas entre eles, dificultando a expressão do amor, e além disso, ele tinha uma boca ruim, sempre dizendo coisas desagradáveis.

Shen Xingrou o abraçou forte. "Não tem problema, pelo menos ainda estamos juntos."

He Su beijou a testa dela, com a voz suave: "Com certeza vou te tratar ainda melhor."

Dar ainda mais amor a essa preciosidade conquistada com tanto esforço.

"A propósito, faz tempo que não volto à casa dos Shen. Se não estivermos ocupados na semana que vem, vamos juntos?" A notícia de que estavam juntos também precisava ser oficialmente comunicada à família.

He Su lambeu os lábios, desviando o olhar para outro lugar, parecendo um pouco culpado.

"O que foi?" A garota olhou para ele, confusa. "Você está muito ocupado na semana que vem?"

"Não estou ocupado..." Se quisesse ir, tinha tempo.

Só que...

Ele sorriu. "Tudo bem, então vamos arranjar um tempo e ir juntos."

Se voltaria com vida, isso era outra história!

Lembrando da ligação que o homem fez durante o dia, a voz extremamente fria de advertência que dava para sentir a raiva do outro mesmo pelo telefone.

"He Su, como você quer morrer?"

Ao ouvir essa ameaça cheia de perigo, He Su, que estava tomando chá, engasgou, desligou o viva-voz e colocou o telefone no ouvido, dando uma risada sem graça: "Não é que... na hora, não consegui me controlar..."

"Ela é uma criança, e você também é, hein?" A voz sombria do homem transbordava raiva. "Ela tem quantos anos? Você conseguiu fazer isso?"

"..."

"É melhor você voltar correndo para cá e me deixar te dar uma surra!"

Quem é que ia querer voltar depois disso!?