Capítulo 733: Capítulo 733 Encontro com Jinxi (3)

Eles foram parar em uma ilha pequena, e por sorte havia moradores — era uma ilha turística. Enquanto Shen Ye não acordava, Bai Jinyang não tinha forças para arrastá-lo até uma pousada. Agora que ela estava acordada, os dois comeram um pouco de peixe grelhado e, antes que os ferimentos dele piorassem, encontraram uma pousada para descansar. A ilha era um destino turístico recém-desenvolvido, com poucos moradores, em sua maioria donos de pousadas e restaurantes. Nem mesmo barcos turísticos havia... O dono da pousada olhou para os dois, que pareciam fugitivos, e piscou os olhos: "Os senhores vão se hospedar?" "Duas quartos." O dono abriu os quartos rapidamente. Na hora de pagar, Shen Ye percebeu que não tinha dinheiro — cartões e tudo o mais estavam com seu assistente. Ele não precisava de dinheiro para participar de banquetes... "Me empresta o telefone." O dono da pousada fez uma cara de desculpas: "Aqui ainda não instalaram a linha telefônica..." A ilha estava no início do desenvolvimento turístico, muitos projetos ainda em construção. Não só a internet era ruim, como também não havia sinal de celular... Shen Ye passou a mão no bolso da calça — nada. Por fim, seu olhar caiu sobre o relógio caro em seu pulso: "Isso serve, né?" "Até serve, mas..." O dono hesitou: "Não sei se esse relógio é verdadeiro ou não. Quanto ao quarto, só posso oferecer um." Seu olhar vagou entre os dois, como se perguntasse quem ficaria. "Eu não a conheço. Me dê um quarto só para mim." Shen Ye lançou um olhar de canto para a mulher ao lado, sem intenção de ajudá-la. "Você..." Bai Jinyang o encarou, atônita, enquanto ele pegava a chave e ia embora, sem demonstrar qualquer consideração por ela. Eles não estavam no mesmo caminho. Bai Jinyang olhou para as costas do homem, suspirou fundo e saiu da pousada. Ela nunca tinha visto o mar em Mobei. Desta vez, ao vir para o Centro, viu pores do sol lindos, montanhas verdes e águas cristalinas, e também o nascer do sol sobre o mar... O homem estava em pé diante da janela panorâmica do segundo andar, olhando de cima para ela, confusa, e bufou enquanto fechava a cortina. No mar, ele já a tinha salvado por pura bondade. Os moradores da ilha eram poucos, a maioria donos de pousadas e lojas novas — nem um lugar para se abrigar do vento e da chuva havia. Bai Jinyang olhou para a pulseira de pedras preciosas em seu pulso. Será que também teria que trocá-la por um quarto, como ele fez? Mas essa pulseira tinha um significado importante para ela. Ela caminhou pela estrada asfaltada limpa, apreciando a paisagem enquanto pensava em como sair dali. Não dava para negar: a paisagem aqui era linda. Sentada à beira-mar, olhando para o oceano infinito, as ondas se empurrando umas às outras — era algo que ela nunca tinha visto... Já tinha andado o dia inteiro, visto cada canto da ilha. Mas por mais bela que fosse a paisagem, não podia servir de comida. Ela suspirou de estômago vazio, arrependendo-se de ter pulado junto com ele. Ele, pelo menos, conseguiu se hospedar, enquanto ela só podia passar fome em silêncio, sem nem um lugar para dormir à noite. Ao passar por uma barraquinha de comida, viu o dono preparando habilmente tortas de carne cheirosas e engoliu a saliva. Bai Jinyang pensou muito e decidiu trocar a pulseira por uma torta. O dono, uma pessoa de bom coração, ouviu sua história e, com pena, vendeu-lhe uma. Assim que saiu da loja, a torta foi arrancada de sua mão por uma mão grande. O homem, sem cerimônia, enfiou-a na boca... "Você!" Bai Jinyang o viu comer a torta que ela havia conseguido com tanto esforço e ficou tão furiosa que quis dar-lhe um soco. "Você entende de medicina?" Shen Ye tinha condições de se hospedar, mas não dinheiro para encher o estômago. Passou fome o dia inteiro, ainda ferido, e desceu para procurar uma clínica para fazer curativo, mas descobriu que não havia nenhuma na ilha. Justamente quando estava frustrado e voltava para a pousada, viu Bai Jinyang com a torta na mão. Lembrou-se de como ela havia feito o curativo em seu braço... "Sei, e daí?" O homem deu grandes mordidas na torta, aliviando finalmente a dor no estômago: "Faça o curativo em mim, e por pura bondade, te dou um lugar para passar a noite." Bai Jinyang nem pensou: "Não preciso. Não quero ter nada a ver com você." Nada de bom acontecia quando encontrava esse homem. Ela também estava ferida, tudo culpa dele. "Vai dormir na praia?" "Você não tem nada com isso." Bai Jinyang estendeu a mão: "E mais, devolve minha torta!" Shen Ye comeu até se fartar, terminou tudo e colocou a embalagem vazia na palma da mão dela. "Não tenho dinheiro." Bai Jinyang ficou tão irritada que seus olhos se arregalaram. Vendo que o homem estava prestes a ir embora, ela correu atrás dele: "Ei, como você pode roubar as coisas dos outros?" "Comparado ao seu roubo, isso é só um empréstimo." "Eu já disse, aquilo era meu. Foram vocês, do Centro, que roubaram..." Shen Ye riu com desdém: "Você está filmando uma novela? Que história de 'povo do Centro'?" Bai Jinyang não quis mais discutir com ele. Engoliu o prejuízo em silêncio, revirou os olhos e se virou para ir embora. Mal tinha dado dois passos, o homem falou devagar atrás dela: "Você não quer sair desse lugar maldito?" Bai Jinyang se interessou: "Como sair?" "Eu tenho um jeito de sair, mas com esse ferimento, se não sarar logo, só vou ter que esperar." Bai Jinyang não era boba. Percebeu que ele queria cooperar com ela: usar suas habilidades para tratar o ferimento dele, recuperar as forças e levá-la junto para sair. Ela pensou: Pei Qing devia estar desesperado sem encontrá-la, e ela não entendia a comunicação do Centro. Até quando teria que esperar? Será que teria que ficar presa para sempre com esse homem? Depois de considerar vários fatores, Bai Jinyang decidiu voltar com ele para a pousada. O ferimento no braço dele estava inflamado. Se não fosse tratado a tempo, poderia piorar a ponto de precisar de amputação! "Então dá um jeito logo." Bai Jinyang respondeu com indiferença: "Não sou uma médica milagrosa. Sem remédio, como vou fazer o curativo?" Shen Ye ficou sem palavras na hora. Então por que ele tinha proposto cooperar com ela? Bai Jinyang foi pedir ao dono da pousada iodo e desinfetante. Depois de limpar o ferimento, ela fez um curativo simples. "Espera um pouco." Ela saiu correndo da pousada, enquanto Shen Ye ficou quieto no quarto esperando. Bai Jinyang lembrou-se de ter visto uma erva medicinal em algum lugar. Em Mobei, eles usavam essa erva para tratar ferimentos externos, com efeitos anti-inflamatórios e hemostáticos. Ela havia aprendido várias habilidades com seu irmão, incluindo medicina. Embora não fosse especialista, pelo menos sabia lidar com ferimentos simples. Ela encontrou a erva, amassou-a e aplicou cuidadosamente no ferimento do homem. Shen Ye olhou para o braço coberto por uma pasta verde, com um cheiro estranho, e franziu a testa: "O que é isso?" "Erva medicinal, pode curar seu ferimento." Naquela situação, mesmo que Shen Ye não confiasse muito, não tinha outra opção melhor. Depois de fazer o curativo no braço, ainda havia o ferimento no peito causado pelo grampo de cabelo dela... Bai Jinyang sentia um pouco de culpa, mas culpava mais o homem por se intrometer. Se ele não tivesse aparecido, nada disso teria acontecido. Os ferimentos e a fome dele estavam resolvidos, mas ela ainda estava com fome. Bai Jinyang viu que ainda era cedo, foi até o dono da pousada e pediu, com sinceridade, que ele lhe desse um pouco de comida. O dono, também de bom coração, deu a ela dois pacotes de macarrão instantâneo. Bai Jinyang abriu um, cheirou, deu uma mordida. Estava seco, mas o gosto não era ruim. "Ei, vai comer seco?" O dono voltou com uma panela para ferver o macarrão e ficou confuso. "Isso..." Bai Jinyang, com migalhas no canto da boca, perguntou ingenuamente: "Não é assim que se come?" O dono da pousada pensou que ela era uma moça rica que caiu em desgraça, e com bondade, cozinhou o macarrão para ela, adicionando dois ovos. Quando serviu, era uma tigela enorme. "Macarrão instantâneo se come assim. Experimenta." Bai Jinyang pegou os hashis e deu uma garfada enorme, queimando a boca e fazendo-a sugar o ar sem parar, o que fez o dono da pousada rir.