Capítulo 690: Capítulo 690: Um homem de dar água na boca

O vento soprava, levantando areia amarela...

A caravana avançava lentamente sobre camelos, envolta em espessos véus, enquanto o som suave dos sinos se perdia na areia.

Atravessavam um deserto sem fim, sob um sol escaldante, e as pessoas enxugavam o suor com os lenços na cabeça.

De repente, o céu se encheu de nuvens escuras, e ao longe um vento furioso, em forma de broca, avançava em linha reta na direção deles.

Todos entraram em pânico, gritando para que os que vinham atrás se abrigassem. Mas o imenso tornado avançava com fúria, e naquele deserto vasto, não havia lugar para se esconder.

O tornado uivou e atingiu a todos, sem poupar ninguém, nem mesmo os altos camelos...

Não se sabe quanto tempo depois, uma mão coberta de areia se moveu levemente. Em seguida, ela ergueu a cabeça devagar, arrastou o corpo para fora da areia e sacudiu a poeira.

Olhou para o deserto imenso: todos os seus companheiros haviam desaparecido!

An Ruowei balançou o corpo, balançou a cabeça tentando se recompor, enquanto seus olhos procuravam desesperadamente a figura do homem.

— Pei Jincheng!

Sua voz estava rouca, a garganta seca e dolorida.

Na terceira vez que chamou, não muito longe dela, uma figura alta emergiu lentamente da areia...

An Ruo correu até ele, radiante: — Como você está? Se machucou?

O homem coçou os cabelos curtos cheios de areia, erguendo levemente os cílios longos: — Estou bem.

No momento em que o tornado os atingiu, ele a puxou para pular do camelo a tempo, cravando a espada na areia em busca de apoio.

Quando a força do vento ameaçava separá-los, ele teve uma ideia rápida: arrancou o cinto da cintura e amarrou no pulso dela...

Embora o cinto tivesse se rompido com a força dos dois lados enquanto eram arrastados pelo tornado, pelo menos caíram não muito longe um do outro.

Os outros não tiveram tanta sorte. O tornado os levara para longe, e eles nem tentaram mais procurá-los.

— Lito conhece bem o terreno por aqui. Quando acordarem, tenho um jeito de mandar um sinal para ele. — Pei Jincheng a amparou enquanto caminhavam devagar. — Vamos primeiro encontrar uma pousada para descansar.

No deserto, não havia senso de direção, muito menos um lugar para descansar.

Mas Pei Jincheng conhecia a região desde pequeno; mesmo sozinho no deserto, conseguia encontrar o destino com seu senso único de orientação.

Andaram por um longo caminho, e quando An Ruo estava prestes a desmaiar, uma pousada simples surgiu diante deles.

— Será que estou vendo uma miragem?

Pei Jincheng a amparou e riu baixinho: — É uma pousada para caravanas descansarem.

Aceleraram o passo e entraram. Assim que cruzaram a porta, sentiram o cheiro forte de comida, o que fez os dois, famintos, pedirem uma mesa cheia de pratos.

Pei Jincheng serviu comida para ela. An Ruo ficou sem graça: — Você também come.

Embora, depois de recuperar a memória, sua visão sobre ele não fosse mais a mesma, essa barreira ainda era um abismo intransponível.

O que Pei Jincheng podia fazer agora era tentar satisfazê-la ao máximo.

An Ruo se lembrava de tudo, inclusive do ódio que sentira por ele no início. Mas, pensando bem, ele já havia deixado a tribo Fan, não era mais o jovem senhor do Norte nem filho de Pei Qing.

Além disso, mesmo sabendo que entre eles havia um abismo de sangue, ele decidiu deixá-la lembrar de tudo e respeitar sua escolha.

Ele a salvara várias vezes em Shencheng, a tratara com todo carinho na infância e a procurara incansavelmente. An Ruo não conseguia vê-lo como inimigo.

Embora Pei Jincheng tivesse deixado o Norte, ainda conseguia obter informações sobre a tribo Fan por meio de contatos.

Recentemente, souberam que um estrangeiro chamado Shen havia sido capturado por Pei Qing, que depois enviou vários guardas para escoltá-lo em segurança para fora do Norte, com a intenção de levá-lo de volta às Planícies Centrais.

Ao ouvir isso, An Ruo teve certeza de que Pei Qing estava usando Shen Xiaoxing como refém para fazer algum acordo nas Planícies Centrais.

Ela pediu a Bai Jingchuan que a deixasse ir encontrar Shen Xiaoxing. No início, ele recusou terminantemente, mas depois de muita insistência e por não suportar vê-la chorar todos os dias, ele permitiu que Pei Jincheng, Lito e Lin Zaozao a acompanhassem.

Eles se disfarçaram como membros de outra tribo e se infiltraram na caravana, tentando seguir a rota dos Fan para alcançar o homem. Mas nunca imaginaram que encontrariam um tornado no meio do caminho!

— Coma mais. Não sabemos que dificuldades ainda enfrentaremos. — Pei Jincheng serviu uma tigela de sopa para ela. — Peça ao dono um quarto bom para descansar enquanto esperamos por eles. Quando estivermos revigorados, seguiremos o grupo.

An Ruo já estava quase satisfeita, mas, pensando na longa jornada pela frente, comeu mais alguns bocados.

Ao ouvi-lo, hesitou por um instante: — Você não vai descansar?

Pei Jincheng encontrou seu olhar, hesitou, e baixou os olhos, dizendo suavemente: — Não estou cansado.

Na verdade, a entrada de um homem e uma mulher na pousada já havia chamado a atenção de muitos. Se se separassem para dormir, isso certamente levantaria suspeitas. Mas dividir o mesmo quarto, An Ruo certamente não aceitaria, então ele passaria um tempo lá embaixo, só para disfarçar.

Na porta, chegou um grupo de homens. Um deles, vestindo uma túnica simples, entrou na pousada. O dono, com olhos atentos, sorriu e foi recebê-lo: — Senhores, vão comer, descansar ou ficar um tempo?

— Abram alguns quartos bons e mandem comida e bebida para os aposentos. — O homem à frente, com uma espada na cintura, jogou uma barra de ouro para o dono. — No resto do tempo, não entrem para incomodar!

Ao ver o ouro brilhante, o dono arregalou os olhos e concordou rapidamente, acenando com a cabeça.

Pei Jincheng notou que as espadas deles tinham a marca da tribo Fan. O grupo subiu ao segundo andar guiado por um funcionário. No meio deles, um homem alto usava um chapéu de palha, com a aba tão baixa que escondia o rosto.

— O que foi? — An Ruo também notou a entrada do grupo, mas não observara com tanta atenção quanto ele.

— Nada. — Pei Jincheng se recompôs, agindo como se nada tivesse acontecido, e continuou comendo.

Depois da refeição, Pei Jincheng a incentivou a ir para o quarto descansar.

Como não sabiam quando os outros chegariam, Pei Jincheng decidiu que, se não aparecessem até de manhã, partiriam imediatamente.

Os dias de viagem a exausta, e assim que tocou na cama, An Ruo sentiu sono.

Seguindo as instruções dele, entrou no quarto, mas, ao se virar, viu que ele a acompanhara.

Quando ia perguntar, ele falou em tom grave: — Aqui tem muita gente e olhos curiosos. Para evitar problemas, vou fingir que entrei para descansar com você.

An Ruo entendeu: para não levantar suspeitas, eles fingiriam uma relação ambígua, como se fossem marido e mulher. Isso a protegeria de homens mal-intencionados e também disfarçaria a identidade deles.

Antes que ela dissesse algo, ele foi até a janela, abriu a tábua de madeira, passou a perna longa para fora e, após pedir que ela descansasse em paz, fechou a janela suavemente...

An Ruo o viu sumir de vista e mordeu o lábio levemente. Por enquanto, só lhe restava seguir o plano dele.

O cansaço a venceu, e ela bocejou enquanto se deitava na cama, esperando que, ao acordar, Lin Zaozao e Lito já tivessem chegado.

Ao entardecer, um funcionário da pousada bateu na porta, trazendo alguns pratos.

Do outro lado, um homem observava do sótão, vendo tudo. Seus olhos escuros se aprofundaram, e ele sumiu na escuridão.

Dentro do quarto, um homem forte fechou a porta e apressou o funcionário a deixar a bandeja e ir embora.

Vendo que todos usavam grandes facas na cintura, o funcionário nem ousou levantar a cabeça, colocou a comida na mesa tremendo e saiu correndo.

O homem forte olhou para o que estava sentado à mesa, ainda com o chapéu de palha, e disse: — Enche a barriga primeiro. Amanhã, ao amanhecer, partimos o mais rápido possível.

O homem ergueu os dedos longos, tirou o chapéu, revelando um rosto bonito e viril, com sobrancelhas marcantes e olhos estrelados. Quando seu olhar se aprofundava, o canto dos olhos se erguia levemente, uma expressão única sua.