Capítulo 688: Capítulo 688 Ele é meu grande chefe

Mas, naquele momento, He Su atingiu o pico da raiva e não se importava mais com o que a garota debaixo dele pensaria a seu respeito.

Os olhos do homem transbordavam desejo, e Shen Xingrou imediatamente ficou alerta, lutando violentamente para empurrá-lo para longe.

— He Su! He Su, não faça isso!

A voz da garota tinha um tom de choro, mas o homem sobre ela não tinha mais a compreensão de antes; abaixou a cabeça e enterrou o rosto no pescoço dela, cheirando e beijando suavemente…

Quando os lábios dele se moveram para o rosto dela, uma lágrima escorreu para dentro de sua boca. Ele despertou de repente, percebendo o que estava fazendo naquele momento.

Shen Xingrou aproveitou o instante em que ele hesitou para escapar de seu aperto e ergueu a mão para dar-lhe um tapa, o som nítido ecoando na sala de estar.

Depois de bater, ela congelou, com medo de que o homem à sua frente enlouquecesse de novo.

Estranhamente, o homem permaneceu na mesma posição, deitado no sofá sem se mover.

Após alguns segundos de silêncio, ele disse em voz baixa e fria:

— Ainda não vai correr? Está esperando eu te comer?

Shen Xingrou não ousava mais ficar ali. Enrolou o casaco sobre o corpo e, com lágrimas nos olhos, correu para fora da casa dele, jurando nunca mais pisar naquela porta.

Alguns minutos depois que ela foi embora, He Su caiu lentamente no sofá, murmurando xingamentos baixos e deu dois tapas no próprio rosto.

— Seu filho da puta, que animal!

Se não fosse aquele tapa dela que o acordou, ele não sabia o que teria acontecido, algo difícil de remediar.

He Su se recostou no sofá, acendeu um cigarro e o colocou na boca. Deu algumas tragadas fundas e, de repente, soltou uma risada amarga.

Porra, tentou declarar seu amor e quase cometeu um crime por impulso!

Se aquela garota tivesse chamado a polícia, ele viraria um estuprador, que merda!

Antes de terminar o cigarro, ele se lembrou de que a garota poderia estar em perigo no caminho.

Como diz o ditado, o maior perigo para ela agora era ele mesmo.

He Su pegou as chaves e saiu, dirigindo pelas ruas em busca da figura da garota. Por acaso, a viu sentada no banco de descanso do ponto de ônibus, enxugando as lágrimas às escondidas.

Ele estacionou o carro do outro lado da rua e ficou observando-a em silêncio, separado por uma avenida.

No fundo, se arrependia muito do impulso de antes. Agora ela devia odiá-lo profundamente, provavelmente sentia nojo só de pensar nele!

He Su se recostou no banco, culpado, e baixou os olhos.

Um ônibus passou, e ele viu a garota subir. Quando o veículo se afastou, ele só então, tardiamente, dirigiu para segui-lo.

Preocupado que ela pudesse encontrar no ônibus alguém tão animal quanto ele, não conseguia ficar tranquilo. Virou o volante, ultrapassou o ônibus e esperou no próximo ponto.

Estacionou o carro na garagem e chegou bem a tempo de ver o ônibus se aproximar. Subiu, abaixou o boné na cabeça e varreu o ambiente com os olhos, até capturar a figura da garota nos últimos assentos duplos.

Ela estava sentada sozinha, olhando fixamente pela janela com expressão vazia, os olhos vermelhos, como um gatinho que acabou de sofrer uma injustiça.

He Su encontrou um lugar não muito longe e se sentou, escoltando-a até a porta da Universidade de Shencheng. Desceu com a multidão e a observou entrar na escola.

O verão escaldante, o sol queimando a terra. Ele ficou muito tempo sob a sombra de uma árvore, até que a figura dela desapareceu de vista. Só então voltou a si lentamente, abaixou a aba do boné e foi embora com o coração pesado.

He Su andava sozinho pela rua, chutando pedrinhas sem rumo. Quando ergueu a cabeça, se viu em frente ao prédio do Grupo Lanzhen.

O arranha-céu refletia uma luz brilhante sob o sol escaldante…

Ele baixou a cabeça e entrou no saguão.

Naquele momento, Gu Chao saía do elevador com alguns gerentes de departamento, além do assistente especial e da secretária. Ao vê-lo ali, ficou surpreso.

— Dr. He. — Gu Chao o chamou, com as mãos nos bolsos e um sorriso leve. — Como teve tempo de vir aqui passear?

— Estava andando por aí, passei por aqui e quis pedir um copo d’água a você.

Gu Chao deu instruções em voz baixa aos gerentes ao lado sobre os próximos passos, e eles se retiraram educadamente. Ele se aproximou sorrindo:

— Não fale assim tão sofrido. Antes, quando nos encontrávamos em segredo, era para nos proteger dos Shen. Agora que as nuvens se dissiparam e o céu clareou, você pode vir me ver sem precisar se esconder.

— Quem está se escondendo? — He Su rebateu instintivamente, mas de repente percebeu e tocou o boné de beisebol na cabeça. — O sol lá fora está forte, tenho medo de ficar moreno.

Gu Chao fez uma expressão de quem já o tinha entendido:

— Lembro que aqui não fica longe da Universidade de Shencheng. Não é estranho você passar por aqui.

He Su revirou os olhos para ele e, com ar sombrio, fez menção de sair. O homem rapidamente o bloqueou:

— Não fique bravo, é brincadeira.

— Não é à toa que você é o cachorro de Shen Xiaoxing, seu jeito de ser otário está cada vez mais parecido com o dele.

Gu Chao não se irritou; ao contrário, sorriu e colocou o braço no ombro dele:

— É mesmo? Isso é um elogio para mim, afinal ele é meu grande chefe.

— Você não entende o que é bom ou ruim?

— Tá bom, não vou mais provocar você. Vamos, já é hora do almoço, vou te pagar um banquete.

He Su manteve a expressão fria e afastou a mão dele:

— Não vou, não estou a fim.

— Ei, não seja tão sem educação. Tenho algo importante para te contar. — Gu Chao sorriu para ele. — Nem um jantar de despedida para um irmão você quer?

— Que despedida?

— Comemos e conversamos. — Gu Chao instruiu a secretária ao lado a chamar o motorista.

Zhiyun Jiangnan era o restaurante de alto nível mais famoso da região.

He Su, com as pernas cruzadas, apreciava o ambiente do salão privado: tranquilo, com um toque clássico e elegante de arte, decoração vintage e luxuosa, dando a sensação de jantar com um imperador.

— Comer com um nível tão alto, não vai me passar a perna, vai?

Gu Chao limpou as mãos e entregou a toalha ao garçom. Ao ouvir isso, sorriu levemente:

— Quando eu já te passei a perna?

— Ainda bem, você não aprendeu tudo com aquele velho cachorro do Shen Xiaoxing. — He Sufez um som com os dedos na mesa e seu tom ficou sério. — A propósito, como ele está ultimamente?

— Acabei de ter contato com eles há alguns dias. A situação de A Xing é incerta, a pequena cunhada está presa em Mobei, e a guerra entre algumas tribos fronteiriças está prestes a estourar. Resumindo, se não formos resgatá-los, será difícil voltarem.

— Você disse que era um jantar de despedida, então decidiu ir para Mobei resgatá-los?

Gu Chao serviu um copo de vinho tinto e o girou suavemente na mesa até ele:

— Irmão em apuros, é meu dever. Além disso, ele tem uma dívida de gratidão comigo. Não importa a situação lá, vou pessoalmente e, de qualquer jeito, trarei ele de volta.

He Su semicerr os olhos. Não admira que Shen Xingrou tenha sentido que eles estavam em perigo. Calculando o tempo desde que Shen Xiaoxing partiu, se não houvesse notícias, eles não podiam mais esperar.

— Vou com você.

— O quê?

— A jornada para Mobei, vou com você.

Gu Chao não aprovou:

— Ele nos pediu para proteger Shencheng. Se eu for, você precisa ficar de olho na segurança da tia Shen.

— Ele também é meu irmão, porra! — He Su comeu dois pedaços de costela agridoce e disse com firmeza: — Vivo ou morto, vou descobrir!

Mesmo que morresse lá, traria os ossos dele para casa.

Gu Chao sorriu levemente:

— Você fica tranquilo em deixar aquela garota?

— Não tem isso de ficar ou não tranquilo. Sem mim, ela não vai deixar de viver. — He Su fez uma pausa e revirou os olhos para ele: — Você é igual, sua esposa acabou de engravidar e você vai tão longe. Mobei é perigoso, ela fica tranquila?

— Não pretendo contar a ela. — Gu Chao baixou a cabeça e comeu a comida no prato.

— Vai esconder dela para sempre?

Gu Chao refletiu por um momento, sem intenção de responder à pergunta. Ergueu a cabeça e sorriu, erguendo o copo:

— Pensou bem? Vai mesmo comigo?

Antes que He Su pudesse responder, ele disse em tom sério:

— Podemos morrer em Mobei antes mesmo de vê-lo.

— Eu já fui infiltrado no passado, porra, e vou ter medo de um simples Mobei?! — He Su bateu levemente o copo na mesa. — Secou.

Gu Chao o observou virar o copo de uma vez.