Capítulo 650: Capítulo 650: Protegendo-a da Chuva e do Vento

Shen Xiaoxing franziu os lábios levemente, ouvindo-a continuar por conta própria:

— Também fiz alguns petiscos que sei preparar bem. Vocês vão visitar a família de Ruoruo, e, como marido dela, precisa se mostrar bem. E eu, como sogra, não tenho nada de bom para oferecer; a única coisa que não me envergonha é fazer alguns pratos típicos para eles provarem.

Ao dizer essas palavras, Shen Jingchu sentiu um aperto no coração.

— Tenta não falar muito sobre mim quando chegarem lá...

Os olhos de Shen Xiaoxing se aprofundaram ligeiramente.

— Acho que Jingchuan parece um jovem de família rica, quem sabe a família deles não é de linhagem letrada? Você precisa causar uma boa impressão nos pais deles. Algumas coisas de casa, se puder evitar, evite ao máximo.

O homem respondeu com voz grave:

— Não acho que minha origem seja inferior à de ninguém, nem preciso esconder nada diante deles.

Shen Jingchu viu a teimosia em seus olhos, suspirou baixinho e não continuou o assunto anterior:

— Dessa vez, quando vocês voltam?

— Ainda não sei. — Shen Xiaoxing respirou fundo, o pomo de Adão se movendo. — Vou tentar voltar o mais rápido possível.

— Está bem, pode ficar tranquilo com a casa. A menina fica sob meus cuidados, não precisa se preocupar.

Após um momento, o homem, com olhos negros profundos, disse:

— Obrigado, mãe.

— Agradecer o quê? Isso também é minha obrigação.

— Não há nada que seja sua obrigação, nem nada que precise carregar. — Shen Xiaoxing pegou as sacolas que ela segurava e as selou com habilidade. — Assim como minha origem, não há nada que precise esconder dos outros.

Se um dia a pequena Qingxin crescesse, ele poderia dizer abertamente que era um "filho ilegítimo", e daí?

Até hoje, aquelas palavras dolorosas do passado não o afetavam mais.

Ele não precisava esconder seu passado vergonhoso.

— Enquanto estivermos fora, cuide bem de si mesma e do tio Zhao.

— Vocês também.

Shen Jingchu se ocupava por conta própria, lembrando que o filho ia viajar e não conseguia dormir, revirando-se na cama, sempre querendo fazer algo para ele. Por isso, levantou-se de madrugada para preparar algumas comidas, mesmo que eles comessem só um pouco no caminho, já lhe trazia conforto.

O homem observava suas costas ocupadas, o sorriso no rosto dela ao conversar com ele. Sempre que era por causa dele, ela parecia cheia de energia.

— Mãe... — Shen Xiaoxing sentiu o nariz arder de repente. Franzindo levemente a testa, disse com voz rouca: — Todos esses anos, você sofreu muito.

Shen Jingchu parou o movimento por um instante, de costas para ele, e sorriu levemente:

— Não sofri, não acho que sofri.

Desde que se reencontraram, mãe e filho nunca tinham se sentado para conversar assim.

An Ruo, percebendo seus pensamentos, havia tentado aproximá-los para fortalecer o vínculo, mas ele achava que já não era mais jovem e não conseguia expressar certos sentimentos.

Quando se mudaram, Shen Jingchu fazia tudo com cuidado, com medo de que ele não se aproximasse dela agora, ou de causar transtornos na vida dele.

Ele não conseguia dizer a ela que não estava causando problemas, nem que ele não estava se distanciando afetivamente.

Ele só... só não conseguia dizer aquelas palavras piegas.

— Nunca desprezei minha origem, nem nunca te culpei por nada. Tenho muita sorte de ser seu filho, sou muito feliz.

Com essas palavras, Shen Jingchu chorou de alegria, lágrimas escorrendo pelo rosto.

Sob a luz quente, o homem abraçou a mãe suavemente.

Mãe e filho voltaram, como se estivessem naquele pequeno apartamento de dezenas de metros quadrados, com a tempestade lá fora, e ele, ainda criança, apertado nos braços dela...

Num piscar de olhos, ele se tornou um homem capaz de enfrentar o mundo sozinho, virando-se para protegê-la das intempéries.

No dia da partida, todos se reuniram na pista de pouso.

Shen Xiaoxing selecionou vários soldados de elite para acompanhá-lo. Os seguranças estavam prontos para partir, e Han Chong os organizava para embarcar nos aviões um por um.

— Irmão Han.

Han Chong virou-se ao ouvir a voz e viu An Che esperando por ele a pouca distância. Acenou com a mão, indicando que os seguranças continuassem.

Ele se aproximou com passos largos:

— Algum problema?

— Isto é um kit de remédios que preparei para você. Sei que é de mau agouro. Ouvi dizer que vocês podem enfrentar perigos por lá, e eu não posso ajudar, então pegue isto. — An Che estendeu a caixa de primeiros socorros para ele.

Han Chong hesitou:

— Tem alguns médicos a bordo, não vai precisar disso.

An Che sentiu uma decepção no olhar, e foi recolhendo a mão aos poucos:

— Tudo bem, então.

Vendo seu olhar desapontado, Han Chong franziu a testa e, com a mão grande, pegou a caixa:

— Mas já que você preparou, não custa levar, talvez seja útil.

— Irmão Han, tenham cuidado na viagem. — O coração de An Che batia rápido, e ele mexeu os lábios, criando coragem: — Eu...

De repente, uma voz o interrompeu, era um segurança chamando Han Chong.

Ele baixou os olhos, achando que Han Chong fosse embora.

Han Chong respondeu, mas lembrou-se de algo e se virou:

— O que você disse?

— Ah? Nada, nada... — Sob o olhar direto dele, An Che ficou nervoso e não ousou continuar.

— Cuide-se, fique bem. — Han Chong deu um tapinha no ombro dele.

Quando ele estava prestes a sair, An Che criou coragem novamente e falou mais alto:

— Irmão Han! Vou esperar você voltar!

Han Chong parou por um instante, seus olhos profundos fixos nele. Depois que o jovem disse aquilo, suas orelhas ficaram vermelhas, e ele murmurou um "cuidado na viagem" antes de sair correndo!

Do outro lado, An Ruo, relutante, entregou a pequena Qingxin, que havia sido embalada para dormir, a Shen Jingchu. Seus olhos estavam levemente vermelhos e o nariz muito dolorido:

— Mãe, confio Qingxin a você.

Shen Jingchu ajustou o casaco da criança e disse com voz suave:

— Pode ir tranquila, vou cuidar bem dela.

An Ruo olhou para o rosto adormecido da filha, sentindo uma dor imensa no coração. Desde que a pequena Qingxin nasceu, ela a segurou poucas vezes, pois, por ser frágil, a criança foi entregue cedo a uma ama para mamar.

Há pouco tempo, por causa de Chi Yun Tuo, ela ficou um período na Filadélfia, e mal tinha voltado, já precisava viajar novamente...

Dessa vez, o retorno era incerto, e ela não sabia quanto tempo levaria para voltar.

O homem, parado a pouca distância, observava aquela cena. Respirou fundo, aproximou-se e deu um tapinha leve no ombro dela, dizendo baixinho:

— Está ficando tarde, precisamos embarcar logo.

— Mãe, vamos indo. Cuidem-se bem.

An Che olhou para eles que estavam prestes a partir:

— Irmã, cunhado... Tenham cuidado no caminho. Vamos esperar vocês voltarem.

An Ruo ficou na ponta dos pés para acariciar a cabeça dele:

— Xiao Che, você já está tão alto, não é mais uma criança que precisa da proteção da irmã. Enquanto estivermos fora, cuide bem da família.

— Está bem. — An Che, com os olhos vermelhos, conteve as lágrimas com força.

An Ruo, também com os olhos marejados, abraçou-o.

A pouca distância, Pei Jincheng, com um casaco sobre os ombros, observava-os em silêncio, seus olhos gradualmente se tornando sombrios.

— Jovem mestre, vamos subir primeiro? — Lito, segurando a mala, lembrou baixinho.

Enquanto os observava embarcar, os funcionários de solo acenaram com as mãos, e vários jatos particulares subiram ao céu, o som dos motores ecoando por toda a mansão.

An Ruo olhou para baixo através da janela de vidro, e as lágrimas finalmente escorreram sem controle.

O homem sentou-se ao lado dela, sem suportar vê-la triste, fechou a cortina e a puxou para seus braços:

— Vamos voltar logo, não é uma despedida para sempre.

— Que palavras de mau agouro? — An Ruo enxugou as lágrimas no canto dos olhos, deu um tapinha leve nele e murmurou: — Shen Xiaoxing, quando voltar, vou devolver o Grupo Shen para você. Quero ficar em casa cuidando de Qingxin e nunca mais me separar dela.